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Categoria: Crítica

Crítica: Guardiões da Galáxia: O mundo pertence a quem se atreve

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Em respeito aos leitores do blog, este texto não contém spoilers

E não é que a Marvel conseguiu? Pegou uma equipe de super-heróis desconhecida até mesmo de boa parte dos leitores de quadrinhos; escalou um elenco em que os atores mais estrelados, Vin Diesel e Bradley Cooper, apenas emprestam a voz a dois personagens criados por computação gráfica; entregou roteiro e direção nas mãos de um diretor oriundo do cinema independente, James Gunn.

Chamar Guardiões da Galáxia, que estreou no dia 31 de julho no Brasil, de “aposta” é eufemismo. O termo correto é “risco”.

É claro que a Disney colocou sua máquina de propaganda para trabalhar. E a Marvel fez sua parte, voltando a lançar HQs da superequipe depois de pelo menos quatro anos.

Mas nem tanto dinheiro poderia comprar os elogios da crítica e dos exigentes fãs de quadrinhos. Nas redes sociais, é unânime a opinião favorável de quem já assistiu. No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, o filme tem 92% de críticas profissionais positivas e 96% de aprovação da audiência.

Papo de Quadrinho faz coro à esmagadora maioria: Guardiões da Galáxia é inteligente, empolgante, divertido, (melo)dramático, cheio de referências. Um filmaço!

A trama

Peter Quill (Chris Pratt) é abduzido da Terra ainda garoto, logo após a morte de sua mãe, e se torna o ladrão espacial Senhor das Estrelas, menos notório do que ele imagina. Sem saber, acaba roubando um artefato desejado pelo ser mais poderoso do universo, Thanos (Josh Brolin).

Com uma mina de ouro na mochila e a cabeça a prêmio, começa mal seu relacionamento com a assassina Gamora (Zoe Saldana) e dois caçadores de recompensa: o guaxinim falante Rocky Raccoon (Cooper) e seu guarda-costas vegetal Groot (Diesel).

A confusão que aprontam em Xandar, planeta patrulhado pela Tropa Nova, leva todos para a cadeia, onde conhecem o irascível Drax, o Destruidor (Dave Bautista). Este inusitado grupo une-se para escapar da prisão levando consigo o artefato roubado. Mais tarde, eles descobrem o poder descomunal do objeto e compreendem por que Thanos, o rebelde kree Ronan (Lee Pace) e sua parceira Nebula (Karen Gillan) o desejam tanto.

Filme-homenagem

A história versa sobre a amizade, e como ela pode florescer nas situações mais improváveis. O fio que os une inicialmente – os propósitos egoístas – é substituído pelo que Senhor das Estrelas, Gamora, Drax, Rocky e Groot têm em comum: a dor da perda e uma sensação de não pertencerem a lugar nenhum.

O elenco afinadíssimo concorre para que essa premissa do roteiro funcione, e o destaque vai para o carisma de Bautista, ex-campeão de MMA e praticamente um estreante no cinema.

Guardiões da Galáxia é um filme-referência, ou melhor: um filme-homenagem. Aos 44 anos (a propósito, completados na próxima terça-feira, 5 de agosto), James Gunn espalhou pelo filme tudo aquilo que faz parte sua bagagem de cultura pop.

Há referências óbvias a Star Wars, em especial nas batalhas espaciais; a Os Suspeitos, na forma como os personagens principais são apresentados à audiência; a Indiana Jones, na “caça ao tesouro” e na cena em que Drax enfrenta Nebula; e também a De Volta para o Futuro e Footloose – uma piada recorrente da trama.

Mas é na trilha sonora que o diretor arrasa. A pretexto de mostrar a ligação de Peter Quill com a Terra, seu walkman (isso mesmo, aquele toca-fitas portátil) enche o filme com as músicas que sua mãe gravava para ele, todos hits dos anos 1970: de Marvin Gaye a Jackson 5.

Universo espacial

Guardiões da Galáxia é o último filme da chamada Fase 2, da Marvel, que vai culminar no segundo filme dos Vingadores no ano que vem. Como parte do coeso universo que o estúdio vem construindo no cinema, o filme dá sua contribuição de forma modesta.

Thanos, visto na cena pós-crédito de Os Vingadores em 2012, recebe mais atenção. O Titã Louco e seu papel no intrincado jogo de poder ficam cada vez mais eveidentes.

Mas a ligação com a mitologia cinematográfica da Marvel até então para por aí. Guardiões serve para inaugurar uma nova era, a era espacial. Comprova que o Universo Marvel, também nos cinemas, se expande além Terra, e que os asgardianos não são a única raça intergaláctica.

No entanto, o filme de Gunn é descompromissado, fechado em si mesmo. Não depende dos outros para existir e nem cria ganchos para as aventuras dos heróis de “primeira linha”. Como e quando estes mundos distintos irão colidir é o grande trunfo da Marvel para os próximos anos.

Senhor das emoções

Se Peter Quill é o Senhor das Estrelas, James Gunn é o Senhor das Emoções. Um diretor que arranca uma lágrima nos primeiros dois minutos de filme e um sorriso largo no terceiro merece toda a atenção.

Na primeira meia hora, Gunn já tem o coração do espectador nas mãos, e o coloca numa gangorra que vai do nó na garganta à gargalhada, tendo no meio a emoção da aventura.

Tudo o que era “risco” virou “acerto”: a equipe desconhecida, o elenco desconhecido, o diretor desconhecido. Como disse Chaplin, o mundo pertence a quem se atreve. Da última vez que a Marvel arriscou-se tanto, saiu o primeiro filme do Homem de Ferro (2008). O resultado daquela ousadia é mais do que conhecido.

Crítica: No Limite do Amanhã – repetido e divertido

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Em respeito aos leitores do site, o texto a seguir não contém spoilers.

Demorou, mas saiu nossa crítica. Ofuscado pelo lançamento de X-Men, dias de um futuro esquecido e pela chegada ao Brasil do circo da Copa do Mundo de Futebol, o último filme de Tom Cruise, No Limite do Amanhã passou praticamente despercebido.

Depois do fiasco em Oblivion, Tom Cruise retorna com uma boa história de FC (ficção científica) que aborda viagem no tempo, com muita ação.

Em um futuro próximo, um grupo alienígena atinge a Terra com um ataque avassalador, impossível de ser rechaçado por qualquer unidade militar do mundo.
A criação de um exoesqueleto de batalha nivela os combates e a humanidade finalmente conquista uma vitória graças à bravura de Rita Vrataski (Emily Blunt), o “Anjo de Verdun”.

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A humanidade se prepara para um contra-ataque em larga escala e o major William Cage (Tom Cruise) – um publicitário que nunca combateu – é convocado para acompanhar e registrar a ofensiva humana. Ao se recusar entrar em ação, o Major é rebaixado e enviado para um regimento que fará a primeira incursão contra um inimigo mortal.

Um acidente faz com que Cage se veja inexplicavelmente preso em num túnel do tempo que o força a viver o mesmo dia de combate brutal, lutando e morrendo indefinidamente. Mas a cada renascimento, Cage sobrevive mais tempo e se torna capaz de derrotar mais inimigos. Ao lado da guerreira Rita Vrataski, ele assume a luta contra os aliens, e cada batalha aprendida e repetida, se torna uma oportunidade de encontrar um meio real para derrotar o inimigo.

O roteiro do filme é baseado na obra “All You Need Is Kill” de Hiroshi Sakurazaka, e assim como nos games atuais, onde partir de um save point é possível refazer melhor os combates e vencer, No Limite do Amanhã explora essa possibilidade.

EDGE OF TOMORROW

Tom Cruise tem uma boa atuação e conta com um bom elenco de coadjuvantes. Ele explora com maestria todos os sentimentos que o ex-Major vive por voltar no tempo: primeiro a surpresa, depois o horror de ser prisioneiro do tempo, e por fim, o cinismo diante das repetições ininterruptas. O ritmo da narrativa e as dúvidas constantes dos personagens prendem o espectador.
O desembarque das tropas, a crueza da batalha, relembra abertura do filme Resgate do Soldado Ryan.
As cenas de combate muito bem realizadas, já que o filme é dirigido por Doug Liman (de Identidade Bourne, e Sr. e Sra. Smith), um diretor que domina essa técnica narrativa com maestria.

Aprender, evoluir, morrer e voltar para tentar de novo, não é uma tarefa simples. Como agiríamos se fosse possível aprender a cada erro e tomar um caminho diferente?

Ainda que não seja espetacular, essa nova investida de Tom Cruise na FC é divertida, bem feita e o filme trás bons momentos, superando em muito a performance brasileira na Copa até aqui.

Vale conferir no seu filme on demand favorito.

Crítica: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Atenção: contém doses leves de spoilers

A decisão do diretor Bryan Singer de unir duas gerações de heróis mutantes do cinema – os da primeira trilogia e os da franquia iniciada em 2011 em X-Men: Primeira Classe – foi, no mínimo, inusitada. E acertada, como os fãs poderão comprovar nesta sequência que entrou em cartaz na última sexta-feira (23) no Brasil.

O roteiro é adaptado da HQ homônima produzida por Chris Claremont e John Byrne nos anos 1980: num futuro sombrio dominado por robôs caçadores de mutantes, os Sentinelas, os poucos sobreviventes dos X-Men mandam um dos seus integrantes ao passado a fim de remodelar a História.

Neste futuro estão os personagens mais conhecidos do público – as versões mais velhas do Professor Xavier (Patrick Stewart), Tempestade, Homem de Gelo, Kitty Pride, Colossus e Magneto (Ian McKellen) – e também alguns rostos novos: Bishop, Blink, Mancha Solar e Apache.

É a época em que têm lugar as melhores cenas de ação. As batalhas contra os Sentinelas, avançadas máquinas de extermínio capazes de replicar qualquer poder mutante, são pura narrativa de quadrinhos.

No passado, vive o que sobrou do elenco de Primeira Classe: a versão jovem de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), Fera e Mística. Aqui fica concentrada a parte mais dramática do filme. A pouca ação é compensada pela breve, porém marcante, participação do velocista Mercúrio.

Hugh Jackman é o único ator a interpretar o mesmo personagem, Wolverine, nas épocas distintas. É ele quem faz a viagem mental no tempo e tem a missão de impedir o assassinato que vai desencadear a supremacia dos Sentinelas.

Uma vez que a trama se desenrola quase toda no passado, o resultado de Dias de um Futuro Esquecido é muito mais um drama sobre pessoas do que uma aventura de super-heróis.

Mudança de foco

Pela primeira vez, um filme dos X-Men não coloca a intolerância como tema principal. Claro, a questão continua lá; a criação dos Sentinelas pelo cientista Bolivar Trask (Peter Drinklage) e sua aceitação por parte do governo têm como base o preconceito contra os mutantes e o temor de que venham a se tornar a raça dominante.

Mas X-Men: Dias de um Futuro Esquecido prefere concentrar-se numa questão mais humana: as escolhas que pessoas fazem todos os dias, e que modelam seu futuro e o de outras. Os protagonistas – Wolverine, Xavier, Magneto e Mística – precisam fazer suas escolhas, e sobre esta última recai a maior responsabilidade em relação ao futuro.

Paradoxo

Viagens no tempo sempre criam paradoxos. Ao final, muitos fãs podem se perguntar quanto da trilogia anterior ainda vale, o que se repetiu e o que deixou de acontecer na nova linha temporal.

Esse parece um nó difícil de desatar, e é provável que não se resolva. Ao corrigir o futuro, Bryan Singer aproveitou para consertar também a cronologia dos X-Men no cinema. Não foi 100% bem sucedido, mas amarrou algumas pontas soltas.

Ao que tudo indica, o diretor passa agora a olhar para frente e não deve investir mais energia em questões antigas. A cena pós-credito confirma o que ele revelou meses atrás: o próximo filme da franquia terá como focos o vilão Apocalipse e a origem da raça mutante.

A nova aventura dos X-Men no cinema deve agradar e desagradar partes iguais de fãs. Nesta última categoria estão os desapontados com a ação comedida, os que não aceitam as mudanças em relação à HQ original ou os que se incomodam com o protagonismo de Wolverine.

Bobagem. Dias de um Futuro Esquecido é um filmaço. Está mais alinhado com Primeira Classe do que com a primeira trilogia, tanto em termos de densidade do roteiro, quanto nas pequenas doses de humor. Mais alinhado com a proposta de Capitão América 2 – O Soldado Invernal do que com a de Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro. E isso diz muito sobre o tipo de fã que deseja agradar.

Crítica: Homem-Aranha 2 reencontra o caminho do herói no cinema

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Marc Webb se redimiu. Pelo menos com a parcela de fãs que não gostou do primeiro filme de seu reboot, em 2012 – este editor entre eles (leia nossa crítica aqui).

Difícil dizer se o diretor ouviu os apelos destes fãs, se leu mais e melhores quadrinhos do aracnídeo ou simplesmente livrou-se do fantasma da trilogia anterior dirigida por Sam Raimi.

O fato é que O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro – que estreou no dia 1 de maio no Brasil e manteve a liderança na bilheteria pelos dois primeiros finais de semana – é tudo que seu antecessor não foi: leve, divertido, com doses certas de ação e drama (veja trailer abaixo).

Webb conseguiu, inclusive, cumprir a promessa feita desde o filme anterior, que é fazer a audiência sentir-se como o próprio Homem-Aranha enquanto ele balança pelos prédios de Nova York. Os momentos em que a computação gráfica funciona melhor causam o frio na barriga que o diretor vinha buscando.

O filme começa em ritmo acelerado – mesmo não tendo o herói no centro da ação – ao revelar o que aconteceu aos pais do menino Peter Parker, deixado para ser criado pelos tios.

Emenda com o Homem-Aranha em perseguição ao caminhão roubado pelo bandido russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti) numa sequência típica das histórias em quadrinhos, e conclui com um quase atraso de Peter Parker à própria formatura – numa clara referência, também aos quadrinhos, das dificuldades de conciliar a vida particular com a de super-herói.

Tudo funciona nesta continuação: o humor é orgânico; o tom sombrio cedeu lugar à fotografia clara, à paleta de cores vibrante. Webb livrou-se também da carga de tentar contar a história de forma “realista” – o que por si só uma contradição em se tratando da adaptação de um super-herói. As cenas de ação ganharam vários momentos alternados entre super câmera lenta e acelerada, recurso que, apesar de meio batido, ainda cai muito bem nesse tipo de aventura.

O que se salvava no filme anterior fica ainda melhor neste: as atuações e a química entre o casal Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone, lindíssima). Ambos se mostram muito à vontade nos papéis, e até Sally Field, que fez uma tia May apática, agora imprime mais vitalidade à sua personagem.

A escolha do vilão principal também ajuda. Max Dillon/Electro (Jamie Foxx) é mais interessante e foi mais bem construído e caracterizado que o Lagarto do primeiro filme. A estreia de Harry Osborn/Duende Verde (Dane DeHaan) na franquia como o amigo de infância de Peter é bem conduzida.

O único senão de O Espetacular Homem-Aranha 2 é a quebra de ritmo. Depois da abertura alucinante, o filme patina um pouco. Se já leva tempo construir um vilão trágico, imagine dois. É o que acontece quando a atenção se volta à origem e motivações do Electro e do Duende.

É tanto tempo investido nisso que ao retomar o ritmo, o final soa acelerado demais. A primeira batalha do Homem-Aranha com Electro na Times Square é mais trabalhada que a última, na usina. E o Duende Verde acaba desperdiçado numa luta curta e que serve apenas para fazer cumprir a tragédia que os fãs de quadrinhos suspeitavam.

Novamente nesta cena, Webb, Garfield e Emma voltam a brilhar. Diretor e atores conseguiram passar toda a carga dramática do mesmo acontecimento nas HQs, e de modo tão envolvente que as pequenas alterações em relação ao material original não interferiram.

Decorrido um intervalo após o clímax, o retorno do Homem-Aranha como o herói divertido que é, na conclusão contra o vilão Rino, dá o tom que deve prevalecer no próximo filme do herói aracnídeo.

Webb finalmente encontrou o caminho. Melhor que continue nele.

Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

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Em respeito aos leitores deste blog, o texto a seguir não contém spoilers.

Quem leu a edição 53 da revista Mundo dos Super-Heróis ou alguma outra entrevista de Anthony e Joe Russo sabe que os irmãos diretores fizeram duas promessas.

A primeira é que Capitão América 2 – O Soldado Invernal, que estreia nesta quinta-feira (10) no Brasil, é um suspense político inspirado em clássicos dos anos 1970; a segunda, derivada dessa, garante que a densidade do roteiro não anula o que se espera de um bom filme de super-heróis: muita ação.

Os fãs podem comprar seus ingressos sossegados. Os Russos cumpriram a palavra, com louvor.

Capitão América – O Soldado Invernal é a melhor aventura solo do universo cinematográfico iniciado pela Marvel Studios em 2008. O filme tem roteiro mais bem elaborado, adulto e tenso que todos os anteriores, e as cenas de ação são de tirar o fôlego.

Conspiração

A trama se passa dois anos após os eventos vistos em Os Vingadores. Capitão América virou agente especial da SHIELD, tendo a Viúva Negra como sua companheira nas missões.

Chris Evans está perfeito no papel e soube transmitir a evolução de um personagem, que mantém a integridade moral, mas perdeu aquela inocência vista nas outras duas aparições no cinema – no primeiro filme e em Os Vingadores. Ele se recusa a aceitar os métodos de uma organização que tem no sigilo e na intriga suas principais funções.

Num dado momento, o filme passa a mesma sensação da minissérie em quadrinhos Guerra Civil. O herói se vê perseguido e enredado numa conspiração em que não pode confiar em ninguém.

As exceções são a Viúva Negra (Scarlett Johansson) – a personagem tem seu maior destaque nos filmes da Marvel, e a química com o Capitão funciona muito bem – e o Falcão (Anthony Mackie), uma ótima aquisição para o universo cinematográfico.

O Soldado Invernal/Buck Barnes (Sebastian Stan) tem papel relevante, mas não é, como sugere o título, o vilão mais importante da trama. O mercenário é apenas uma peça no intrincado e longevo quebra-cabeças que se instalou no coração da SHIELD.

Por falar em vilão, a reaparição de Arnin Zola, visto no primeiro filme do Capitão, é uma das grandes surpresas dessa sequência.

Muita ação

A perseguição ao carro de Nick Fury é de tirar o fôlego, e faz justiça a uma das referências cinematográficas citadas pelos Russos: Operação França, de 1971. Há muitos outros momentos de ação, todos empolgantes. Não importa se num espaço fechado – a já famosa “cena do elevador” – ou em cenários amplos, como as ruas de Washington.

As lutas são muito bem coreografadas. Evans treinou jiu-jitsu brasileiro, caratê, boxe, ginástica e parkour para atualizar o estilo de luta do Capitão América, e o resultado convence.

O uniforme também foi atualizado: retoma características militares e deixa para trás o visual espalhafatoso de Os Vingadores. O famoso escudo virou uma arma muito mais de ataque que de defesa.

O humor é bastante orgânico, sem piadas forçadas nem frequentes. Atenção ao bloco de notas em que o Capitão anota todos os artistas que “perdeu” nos setenta anos em que ficou congelado.

Futuro

Capitão América 2 – O Soldado Invernal dá origem a muitos elementos que podem ser aproveitados no futuro: o Falcão e o Soldado Invernal são os principais, mas há também Sharon Carter, e os vilões Batroc e Ossos Cruzados.

Mais que isso, o filme provoca uma ruptura no status quo do universo cinematográfico da Marvel, com consequências imprevisíveis. Os primeiros reflexos já se fizeram sentir na série de TV Agents of SHIELD, no episódio que foi ao ar em 1º de abril com o sugestivo nome End of the Beginning.

O filme representa um novo patamar da Marvel no cinema. Aposta no público novo, claro, mas mira principalmente naqueles que vêm amadurecendo junto com seu universo nos últimos seis anos.

É muito provável que o estúdio mantenha o caráter de entretenimento e fantasia que vem garantindo o sucesso de seus filmes – afinal, ainda se trata do gênero de super-heróis. Mas depois de Capitão América 2 – O Soldado Invernal, é de se esperar também uma nova abordagem: complexa, elaborada, que vai exigir dos fãs um conhecimento de mundo que vai além das HQs.

Crítica – O fim da magia de Constantine

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O mago John Constantine conquistou uma legião de fãs em todo mundo, graças a sua personalidade incomum e sua capacidade de enfrentar criaturas monstruosas e eventos bizarros, muitas vezes salvando o dia apenas para salvar a si mesmo.

Suas histórias foram publicadas na revista Hellbalzer entre 1988 e 2013 e com o restart do universo ficcional da DC em Os Novos 52, a revista foi cancelada e em seu lugar nasceu Constantine, que estreou só em fevereiro no Brasil, mas nos EUA já amarga baixos índices de venda.

O resultado não poderia ser diferente, uma vez que Constantine peca ao abandonar os roteiros densos e a atmosfera incessante de terror para se aproximar do universo dos super-heróis, tentando integrar totalmente o mago aos personagens da editora.

Isso foi feito de modo acertado em Dark, a “Liga da Justiça Mística”, mas a dinâmica de John Constantine com outros heróis místicos é muito diferente do que suas histórias solo, ou pelo menos, foram essas histórias pesadas lançadas pelo selo Vertigo que o elencaram como um dos mais importantes anti-heróis dos quadrinhos.

Foi como se John Constantine perdesse a verdadeira magia dos roteiros, que as vezes são divertidos, sim, mas não impressionam.

Um consolo é a arte do brasileiro  Renato Guedes, que está belíssima, mas parece que não é o bastante para segurar as vendas.

O polêmico restart da DC, aumentou as vendas, acertou arestas e promoveu supergrupos e personagens esquecidos como Aquaman, mas nem tudo saiu como o programado. Constantine é uma versão light de Hellbalzer.  Vamos ver por quanto tempo Constantine aguenta nessa nova perspectiva antes de ir definitivamente para o inferno.

Vale o Investimento: A Luta Contra Canudos

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Uma das páginas mais sangrentas da história brasileira foi a insurgência do povo pobre do sertão da Bahia contra o governo da República e seu massacre pelo exército brasileiro, no que ficou conhecida como A Guerra de Canudos (1897).

Em fins do século 19, Antônio Vicente Mendes Maciel, o “Antônio Conselheiro”, um peregrino e fanático religioso, tornou-se líder político e religioso de um grupo formado por trabalhadores pobres, ex-escravos e outras minorias, e fundaram o arraial de Canudos.

Canudos_02-427x580Rumores davam conta de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo e reinstalar a Monarquia. Assim, a recém-fundada República, sofreu pressão de latifundiários, políticos e da Igreja e partiu para a guerra.

A história de Canudos foi imortalizada na obra Os Sertões do escritor Euclides da Cunha, que passou três semanas no local do conflito como correspondente do jornal O Estado de São Paulo e relatou o massacre.

Canudos ressurge agora nesta HQ inédita, onde o roteirista Daniel Esteves, e os artistas Jozz e Akira Sanoki, utilizam de referências históricas e relatos da época para recontar o drama e a intensidade deste conflito.

A HQ apresenta uma arte limpa e elegante, que retrata a pobreza da região, a simplicidade do povo e a dramaticidade do combate. O roteiro costura uma narrativa sob diferentes pontos de vista dos personagens envolvidos no conflito sem atribuir, necessariamente, papéis de heróis ou vilões.

Essa HQ é um trabalho envolvente e caprichado, sobre um dos conflitos mais marcantes na história do nosso país. Vale o investimento!

Serviço:
A Luta Contra Canudos
Capa e Miolo coloridos
Roteiro: Daniel Esteves
Desenhos: Jozz e Akira Sanoki
Páginas: 64
Formato: 20 × 27,3 cm
Preço: R$ 42,00

Crítica: 02+01=00 de Amilcar Pinna

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Amilcar Pinna é um ilustrador com passagem por editoras mainstream como Marvel e DC, que lança agora sua primeira HQ autoral, “02+01=00”.

A HQ pode ser entendida como um mix de ficção científica, surrealismo e erotismo.
Pinna tem um domínio da narrativa que lhe permite contar a história sem diálogos e tanto seu estilo de enquadramento quanto sua técnica, lembram mestres da FC como Moebius e Bilal.
As cores chapadas intensificam a sensação de vazio, sobretudo no céu que nunca é colorido. Por carregar no erotismo, com personagens em atos explícitos, a HQ é sugerida para adultos.

Cabe a cada leitor tecer sua própria interpretação desta HQ de ficção científica, mas para esse editor,  02+01=00 é uma metáfora da participação humana neste pequeno planeta, com todas as suas passagens: o ciclo de contemplação, desejo, nascimento, o retorno à origem, (seja ela qual for) e o inevitável final de nossa espécie.

Serviço
02+01=00
Editora: independente
Páginas coloridas: 16
Formato: 21 X 28 cm
Preço sugerido: R$ 15,00
Para comprar encaminhe seu pedido para: amilcarpinna@gmail.com

Vale o investimento: Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown!

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Difícil para esse editor fazer uma crítica realmente isenta de Snoopy, mas vale a tentativa.

A HQ Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! é o segundo volume da série Snoopy lançada pela Editora Nemo – o primeiro título foi é Snoopy – A Felicidade é um Cobertor Quentinho!.

Na trama, Charlie Brown, comanda em um time medonho, que nunca ganhou uma partida sequer. Para completar o drama, só seu cachorro Snoopy se salva entre tamanha grosseria!
Mas pouco tempo depois de perder o último arremesso do jogo de beisebal e decepcionar seus amigos novamente… Charlie Brown recebe uma surpreendente carta do presidente dos Estados Unidos, convocando seu time para representar o país numa partida de beisebol no Japão.

Ao contar sobre a carta, todos se esquecem das derrotas, e até mesmo Patty Pimentinha, grande jogadora de uma liga superior, decide integrar a equipe e embarcar na aventura. Assim, Charlie Brown e sua turma viajam para Tóquio, para encarar o maior desafio de seu time de beisebol: vencer uma única partida!

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Uma semana depois em Tóquio, todos aproveitam para conhecer a capital do Japão, divertindo-se ou se admirando suas diferenças e belezas culturais. E como não podia deixar de acontecer, Snoopy se mete em algumas confusões, que incluem uma desastrada luta de sumô.

Charles M. Schulz foi um dos mais argutos escritores de tirinhas e imortalizou Snoopy com seu lindo traço, sua poesia irônica, e o maravilhoso Charlie Brown, um garoto azarado, um simbolo das amarguras da infância.

A história, única e inédita Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! tem aquele capricho da Editora Nemo: boa tradução, impressão em papel couché que realça as lindas cores da revista e um acabamento simples, porém eficiente – importante para manter o preço acessível.

É uma HQ divertida, bonita e principalmente uma HQ do Snoopy: vale o investimento!

Serviço
Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! (Peanuts – It’s Tokyo, Charlie Brown)
Editora: Nemo
Páginas: 104
Tradução: Wellington Srbek
Formato: 17 x 26 cm
Preço sugerido: R$28,00

 

Crítica: Homens-Aranha

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O universo Ultimate ou Ultiverso surgiu em 2000 para atualizar a mitologia da Mavel e reformular algumas ideias e conceitos criados ainda na década de 1960. De quebra, pretendia atrair novos leitores, com uma linguagem mais atual e super-heróis recriados neste século. Com erros e acertos, o resultado foi muito positivo.

O Ultiverso emplacou sucessos editoriais como Supremos e Homem-Aranha Ultimate, e suas ideias serviram de base para inúmeros desenhos e filmes da Marvel. Esse novo fôlego deu margem para os roteiristas continuarem arriscando novos caminhos para os personagens já consagrados, sem mexer com a mitologia do universo Marvel conhecido.

Um bom exemplo foi a jogada editorial de alto risco que matou o Peter Parker do Ultiverso, em um evento publicado no Brasil na edição 25 de Marvel Ultimate de julho de 2012 – edição, diga-se de passagem, esgotada no Brasil.

Risco porque uma das características mais interessantes do Ultiverso é de que os super-heróis mortos não retornam, por isso, a morte do Homem-Aranha abriu espaço para novo herói que começou a surgir a partir do número 28 de Marvel Ultimate, com um garoto negro chamado Miles Morales, um dos personagens mais bacanas que surgiram nos últimos anos nas HQs.

Na edição especial Homens-Aranha há um inusitado encontro de Peter Parker, o Homem-Aranha do universo Marvel tradicional (cujo nome é Universo Marvel 616) com o novo Homem-Aranha do Ultiverso, o jovem Miles Morales. É uma HQ divertida, escrita por Bendis e ilustrado pela Sara Pichelli.

Ao perseguir o vilão Mystério – mais estranho do que o habitual – Peter Parker é arremessado acidentalmente em um mundo parecido com o seu, mas com diferenças marcantes. Nesse estranho universo, o Homem-Aranha morreu, revelando ao mundo sua identidade secreta: a versão adolescente de Peter Parker. Agora, seu legado é mantido por um estudante chamado Miles Morales, com um novo uniforme do Amigão da Vizinhança, e as mesmas grandes responsabilidades.
Além do estranhamento inicial entre os “Homens-Aranha” há toda uma carga emocional entre ambos, já que ao ser morto, o Peter Parker adolescente se tornou reverenciado pelos heróis do Ultiverso, principalmente por Morales. Agora, Peter Parker precisa ajudar Morales a encontrar Mystério, derrotá-lo e voltar ao seu lugar.

As comparações divertidas entre os vários super-heróis dos dois universos, os combates, as referências e a camaradagem, dão a tônica da aventura. Ficamos com a sensação de que a HQ serve para que o Peter Parker tradicional dê sua “bênção” ao novo Homem-Aranha do Ultiverso.

É diversão garantida para os fãs do Cabeça de Teia e principalmente para os fãs do novo Homem-Aranha, como esse Editor que vos escreve.

Serviço:

Homens-Aranha (reúne as edições norte-americanas de Spider-Men #1 a #5)
Edição especial, formato americano, 108 páginas, papel LWC, R$ 17,90. Está nas bancas, mas tem distribuição setorizada.

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