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Categoria: Crítica

Crítica: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Atenção: contém doses leves de spoilers

A decisão do diretor Bryan Singer de unir duas gerações de heróis mutantes do cinema – os da primeira trilogia e os da franquia iniciada em 2011 em X-Men: Primeira Classe – foi, no mínimo, inusitada. E acertada, como os fãs poderão comprovar nesta sequência que entrou em cartaz na última sexta-feira (23) no Brasil.

O roteiro é adaptado da HQ homônima produzida por Chris Claremont e John Byrne nos anos 1980: num futuro sombrio dominado por robôs caçadores de mutantes, os Sentinelas, os poucos sobreviventes dos X-Men mandam um dos seus integrantes ao passado a fim de remodelar a História.

Neste futuro estão os personagens mais conhecidos do público – as versões mais velhas do Professor Xavier (Patrick Stewart), Tempestade, Homem de Gelo, Kitty Pride, Colossus e Magneto (Ian McKellen) – e também alguns rostos novos: Bishop, Blink, Mancha Solar e Apache.

É a época em que têm lugar as melhores cenas de ação. As batalhas contra os Sentinelas, avançadas máquinas de extermínio capazes de replicar qualquer poder mutante, são pura narrativa de quadrinhos.

No passado, vive o que sobrou do elenco de Primeira Classe: a versão jovem de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), Fera e Mística. Aqui fica concentrada a parte mais dramática do filme. A pouca ação é compensada pela breve, porém marcante, participação do velocista Mercúrio.

Hugh Jackman é o único ator a interpretar o mesmo personagem, Wolverine, nas épocas distintas. É ele quem faz a viagem mental no tempo e tem a missão de impedir o assassinato que vai desencadear a supremacia dos Sentinelas.

Uma vez que a trama se desenrola quase toda no passado, o resultado de Dias de um Futuro Esquecido é muito mais um drama sobre pessoas do que uma aventura de super-heróis.

Mudança de foco

Pela primeira vez, um filme dos X-Men não coloca a intolerância como tema principal. Claro, a questão continua lá; a criação dos Sentinelas pelo cientista Bolivar Trask (Peter Drinklage) e sua aceitação por parte do governo têm como base o preconceito contra os mutantes e o temor de que venham a se tornar a raça dominante.

Mas X-Men: Dias de um Futuro Esquecido prefere concentrar-se numa questão mais humana: as escolhas que pessoas fazem todos os dias, e que modelam seu futuro e o de outras. Os protagonistas – Wolverine, Xavier, Magneto e Mística – precisam fazer suas escolhas, e sobre esta última recai a maior responsabilidade em relação ao futuro.

Paradoxo

Viagens no tempo sempre criam paradoxos. Ao final, muitos fãs podem se perguntar quanto da trilogia anterior ainda vale, o que se repetiu e o que deixou de acontecer na nova linha temporal.

Esse parece um nó difícil de desatar, e é provável que não se resolva. Ao corrigir o futuro, Bryan Singer aproveitou para consertar também a cronologia dos X-Men no cinema. Não foi 100% bem sucedido, mas amarrou algumas pontas soltas.

Ao que tudo indica, o diretor passa agora a olhar para frente e não deve investir mais energia em questões antigas. A cena pós-credito confirma o que ele revelou meses atrás: o próximo filme da franquia terá como focos o vilão Apocalipse e a origem da raça mutante.

A nova aventura dos X-Men no cinema deve agradar e desagradar partes iguais de fãs. Nesta última categoria estão os desapontados com a ação comedida, os que não aceitam as mudanças em relação à HQ original ou os que se incomodam com o protagonismo de Wolverine.

Bobagem. Dias de um Futuro Esquecido é um filmaço. Está mais alinhado com Primeira Classe do que com a primeira trilogia, tanto em termos de densidade do roteiro, quanto nas pequenas doses de humor. Mais alinhado com a proposta de Capitão América 2 – O Soldado Invernal do que com a de Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro. E isso diz muito sobre o tipo de fã que deseja agradar.

Crítica: Homem-Aranha 2 reencontra o caminho do herói no cinema

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Marc Webb se redimiu. Pelo menos com a parcela de fãs que não gostou do primeiro filme de seu reboot, em 2012 – este editor entre eles (leia nossa crítica aqui).

Difícil dizer se o diretor ouviu os apelos destes fãs, se leu mais e melhores quadrinhos do aracnídeo ou simplesmente livrou-se do fantasma da trilogia anterior dirigida por Sam Raimi.

O fato é que O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro – que estreou no dia 1 de maio no Brasil e manteve a liderança na bilheteria pelos dois primeiros finais de semana – é tudo que seu antecessor não foi: leve, divertido, com doses certas de ação e drama (veja trailer abaixo).

Webb conseguiu, inclusive, cumprir a promessa feita desde o filme anterior, que é fazer a audiência sentir-se como o próprio Homem-Aranha enquanto ele balança pelos prédios de Nova York. Os momentos em que a computação gráfica funciona melhor causam o frio na barriga que o diretor vinha buscando.

O filme começa em ritmo acelerado – mesmo não tendo o herói no centro da ação – ao revelar o que aconteceu aos pais do menino Peter Parker, deixado para ser criado pelos tios.

Emenda com o Homem-Aranha em perseguição ao caminhão roubado pelo bandido russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti) numa sequência típica das histórias em quadrinhos, e conclui com um quase atraso de Peter Parker à própria formatura – numa clara referência, também aos quadrinhos, das dificuldades de conciliar a vida particular com a de super-herói.

Tudo funciona nesta continuação: o humor é orgânico; o tom sombrio cedeu lugar à fotografia clara, à paleta de cores vibrante. Webb livrou-se também da carga de tentar contar a história de forma “realista” – o que por si só uma contradição em se tratando da adaptação de um super-herói. As cenas de ação ganharam vários momentos alternados entre super câmera lenta e acelerada, recurso que, apesar de meio batido, ainda cai muito bem nesse tipo de aventura.

O que se salvava no filme anterior fica ainda melhor neste: as atuações e a química entre o casal Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone, lindíssima). Ambos se mostram muito à vontade nos papéis, e até Sally Field, que fez uma tia May apática, agora imprime mais vitalidade à sua personagem.

A escolha do vilão principal também ajuda. Max Dillon/Electro (Jamie Foxx) é mais interessante e foi mais bem construído e caracterizado que o Lagarto do primeiro filme. A estreia de Harry Osborn/Duende Verde (Dane DeHaan) na franquia como o amigo de infância de Peter é bem conduzida.

O único senão de O Espetacular Homem-Aranha 2 é a quebra de ritmo. Depois da abertura alucinante, o filme patina um pouco. Se já leva tempo construir um vilão trágico, imagine dois. É o que acontece quando a atenção se volta à origem e motivações do Electro e do Duende.

É tanto tempo investido nisso que ao retomar o ritmo, o final soa acelerado demais. A primeira batalha do Homem-Aranha com Electro na Times Square é mais trabalhada que a última, na usina. E o Duende Verde acaba desperdiçado numa luta curta e que serve apenas para fazer cumprir a tragédia que os fãs de quadrinhos suspeitavam.

Novamente nesta cena, Webb, Garfield e Emma voltam a brilhar. Diretor e atores conseguiram passar toda a carga dramática do mesmo acontecimento nas HQs, e de modo tão envolvente que as pequenas alterações em relação ao material original não interferiram.

Decorrido um intervalo após o clímax, o retorno do Homem-Aranha como o herói divertido que é, na conclusão contra o vilão Rino, dá o tom que deve prevalecer no próximo filme do herói aracnídeo.

Webb finalmente encontrou o caminho. Melhor que continue nele.

Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

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Em respeito aos leitores deste blog, o texto a seguir não contém spoilers.

Quem leu a edição 53 da revista Mundo dos Super-Heróis ou alguma outra entrevista de Anthony e Joe Russo sabe que os irmãos diretores fizeram duas promessas.

A primeira é que Capitão América 2 – O Soldado Invernal, que estreia nesta quinta-feira (10) no Brasil, é um suspense político inspirado em clássicos dos anos 1970; a segunda, derivada dessa, garante que a densidade do roteiro não anula o que se espera de um bom filme de super-heróis: muita ação.

Os fãs podem comprar seus ingressos sossegados. Os Russos cumpriram a palavra, com louvor.

Capitão América – O Soldado Invernal é a melhor aventura solo do universo cinematográfico iniciado pela Marvel Studios em 2008. O filme tem roteiro mais bem elaborado, adulto e tenso que todos os anteriores, e as cenas de ação são de tirar o fôlego.

Conspiração

A trama se passa dois anos após os eventos vistos em Os Vingadores. Capitão América virou agente especial da SHIELD, tendo a Viúva Negra como sua companheira nas missões.

Chris Evans está perfeito no papel e soube transmitir a evolução de um personagem, que mantém a integridade moral, mas perdeu aquela inocência vista nas outras duas aparições no cinema – no primeiro filme e em Os Vingadores. Ele se recusa a aceitar os métodos de uma organização que tem no sigilo e na intriga suas principais funções.

Num dado momento, o filme passa a mesma sensação da minissérie em quadrinhos Guerra Civil. O herói se vê perseguido e enredado numa conspiração em que não pode confiar em ninguém.

As exceções são a Viúva Negra (Scarlett Johansson) – a personagem tem seu maior destaque nos filmes da Marvel, e a química com o Capitão funciona muito bem – e o Falcão (Anthony Mackie), uma ótima aquisição para o universo cinematográfico.

O Soldado Invernal/Buck Barnes (Sebastian Stan) tem papel relevante, mas não é, como sugere o título, o vilão mais importante da trama. O mercenário é apenas uma peça no intrincado e longevo quebra-cabeças que se instalou no coração da SHIELD.

Por falar em vilão, a reaparição de Arnin Zola, visto no primeiro filme do Capitão, é uma das grandes surpresas dessa sequência.

Muita ação

A perseguição ao carro de Nick Fury é de tirar o fôlego, e faz justiça a uma das referências cinematográficas citadas pelos Russos: Operação França, de 1971. Há muitos outros momentos de ação, todos empolgantes. Não importa se num espaço fechado – a já famosa “cena do elevador” – ou em cenários amplos, como as ruas de Washington.

As lutas são muito bem coreografadas. Evans treinou jiu-jitsu brasileiro, caratê, boxe, ginástica e parkour para atualizar o estilo de luta do Capitão América, e o resultado convence.

O uniforme também foi atualizado: retoma características militares e deixa para trás o visual espalhafatoso de Os Vingadores. O famoso escudo virou uma arma muito mais de ataque que de defesa.

O humor é bastante orgânico, sem piadas forçadas nem frequentes. Atenção ao bloco de notas em que o Capitão anota todos os artistas que “perdeu” nos setenta anos em que ficou congelado.

Futuro

Capitão América 2 – O Soldado Invernal dá origem a muitos elementos que podem ser aproveitados no futuro: o Falcão e o Soldado Invernal são os principais, mas há também Sharon Carter, e os vilões Batroc e Ossos Cruzados.

Mais que isso, o filme provoca uma ruptura no status quo do universo cinematográfico da Marvel, com consequências imprevisíveis. Os primeiros reflexos já se fizeram sentir na série de TV Agents of SHIELD, no episódio que foi ao ar em 1º de abril com o sugestivo nome End of the Beginning.

O filme representa um novo patamar da Marvel no cinema. Aposta no público novo, claro, mas mira principalmente naqueles que vêm amadurecendo junto com seu universo nos últimos seis anos.

É muito provável que o estúdio mantenha o caráter de entretenimento e fantasia que vem garantindo o sucesso de seus filmes – afinal, ainda se trata do gênero de super-heróis. Mas depois de Capitão América 2 – O Soldado Invernal, é de se esperar também uma nova abordagem: complexa, elaborada, que vai exigir dos fãs um conhecimento de mundo que vai além das HQs.

Crítica – O fim da magia de Constantine

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O mago John Constantine conquistou uma legião de fãs em todo mundo, graças a sua personalidade incomum e sua capacidade de enfrentar criaturas monstruosas e eventos bizarros, muitas vezes salvando o dia apenas para salvar a si mesmo.

Suas histórias foram publicadas na revista Hellbalzer entre 1988 e 2013 e com o restart do universo ficcional da DC em Os Novos 52, a revista foi cancelada e em seu lugar nasceu Constantine, que estreou só em fevereiro no Brasil, mas nos EUA já amarga baixos índices de venda.

O resultado não poderia ser diferente, uma vez que Constantine peca ao abandonar os roteiros densos e a atmosfera incessante de terror para se aproximar do universo dos super-heróis, tentando integrar totalmente o mago aos personagens da editora.

Isso foi feito de modo acertado em Dark, a “Liga da Justiça Mística”, mas a dinâmica de John Constantine com outros heróis místicos é muito diferente do que suas histórias solo, ou pelo menos, foram essas histórias pesadas lançadas pelo selo Vertigo que o elencaram como um dos mais importantes anti-heróis dos quadrinhos.

Foi como se John Constantine perdesse a verdadeira magia dos roteiros, que as vezes são divertidos, sim, mas não impressionam.

Um consolo é a arte do brasileiro  Renato Guedes, que está belíssima, mas parece que não é o bastante para segurar as vendas.

O polêmico restart da DC, aumentou as vendas, acertou arestas e promoveu supergrupos e personagens esquecidos como Aquaman, mas nem tudo saiu como o programado. Constantine é uma versão light de Hellbalzer.  Vamos ver por quanto tempo Constantine aguenta nessa nova perspectiva antes de ir definitivamente para o inferno.

Vale o Investimento: A Luta Contra Canudos

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Uma das páginas mais sangrentas da história brasileira foi a insurgência do povo pobre do sertão da Bahia contra o governo da República e seu massacre pelo exército brasileiro, no que ficou conhecida como A Guerra de Canudos (1897).

Em fins do século 19, Antônio Vicente Mendes Maciel, o “Antônio Conselheiro”, um peregrino e fanático religioso, tornou-se líder político e religioso de um grupo formado por trabalhadores pobres, ex-escravos e outras minorias, e fundaram o arraial de Canudos.

Canudos_02-427x580Rumores davam conta de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à capital para depor o governo e reinstalar a Monarquia. Assim, a recém-fundada República, sofreu pressão de latifundiários, políticos e da Igreja e partiu para a guerra.

A história de Canudos foi imortalizada na obra Os Sertões do escritor Euclides da Cunha, que passou três semanas no local do conflito como correspondente do jornal O Estado de São Paulo e relatou o massacre.

Canudos ressurge agora nesta HQ inédita, onde o roteirista Daniel Esteves, e os artistas Jozz e Akira Sanoki, utilizam de referências históricas e relatos da época para recontar o drama e a intensidade deste conflito.

A HQ apresenta uma arte limpa e elegante, que retrata a pobreza da região, a simplicidade do povo e a dramaticidade do combate. O roteiro costura uma narrativa sob diferentes pontos de vista dos personagens envolvidos no conflito sem atribuir, necessariamente, papéis de heróis ou vilões.

Essa HQ é um trabalho envolvente e caprichado, sobre um dos conflitos mais marcantes na história do nosso país. Vale o investimento!

Serviço:
A Luta Contra Canudos
Capa e Miolo coloridos
Roteiro: Daniel Esteves
Desenhos: Jozz e Akira Sanoki
Páginas: 64
Formato: 20 × 27,3 cm
Preço: R$ 42,00

Crítica: 02+01=00 de Amilcar Pinna

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Amilcar Pinna é um ilustrador com passagem por editoras mainstream como Marvel e DC, que lança agora sua primeira HQ autoral, “02+01=00”.

A HQ pode ser entendida como um mix de ficção científica, surrealismo e erotismo.
Pinna tem um domínio da narrativa que lhe permite contar a história sem diálogos e tanto seu estilo de enquadramento quanto sua técnica, lembram mestres da FC como Moebius e Bilal.
As cores chapadas intensificam a sensação de vazio, sobretudo no céu que nunca é colorido. Por carregar no erotismo, com personagens em atos explícitos, a HQ é sugerida para adultos.

Cabe a cada leitor tecer sua própria interpretação desta HQ de ficção científica, mas para esse editor,  02+01=00 é uma metáfora da participação humana neste pequeno planeta, com todas as suas passagens: o ciclo de contemplação, desejo, nascimento, o retorno à origem, (seja ela qual for) e o inevitável final de nossa espécie.

Serviço
02+01=00
Editora: independente
Páginas coloridas: 16
Formato: 21 X 28 cm
Preço sugerido: R$ 15,00
Para comprar encaminhe seu pedido para: amilcarpinna@gmail.com

Vale o investimento: Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown!

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Difícil para esse editor fazer uma crítica realmente isenta de Snoopy, mas vale a tentativa.

A HQ Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! é o segundo volume da série Snoopy lançada pela Editora Nemo – o primeiro título foi é Snoopy – A Felicidade é um Cobertor Quentinho!.

Na trama, Charlie Brown, comanda em um time medonho, que nunca ganhou uma partida sequer. Para completar o drama, só seu cachorro Snoopy se salva entre tamanha grosseria!
Mas pouco tempo depois de perder o último arremesso do jogo de beisebal e decepcionar seus amigos novamente… Charlie Brown recebe uma surpreendente carta do presidente dos Estados Unidos, convocando seu time para representar o país numa partida de beisebol no Japão.

Ao contar sobre a carta, todos se esquecem das derrotas, e até mesmo Patty Pimentinha, grande jogadora de uma liga superior, decide integrar a equipe e embarcar na aventura. Assim, Charlie Brown e sua turma viajam para Tóquio, para encarar o maior desafio de seu time de beisebol: vencer uma única partida!

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Uma semana depois em Tóquio, todos aproveitam para conhecer a capital do Japão, divertindo-se ou se admirando suas diferenças e belezas culturais. E como não podia deixar de acontecer, Snoopy se mete em algumas confusões, que incluem uma desastrada luta de sumô.

Charles M. Schulz foi um dos mais argutos escritores de tirinhas e imortalizou Snoopy com seu lindo traço, sua poesia irônica, e o maravilhoso Charlie Brown, um garoto azarado, um simbolo das amarguras da infância.

A história, única e inédita Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! tem aquele capricho da Editora Nemo: boa tradução, impressão em papel couché que realça as lindas cores da revista e um acabamento simples, porém eficiente – importante para manter o preço acessível.

É uma HQ divertida, bonita e principalmente uma HQ do Snoopy: vale o investimento!

Serviço
Snoopy – isto é Tóquio, Charlie Brown! (Peanuts – It’s Tokyo, Charlie Brown)
Editora: Nemo
Páginas: 104
Tradução: Wellington Srbek
Formato: 17 x 26 cm
Preço sugerido: R$28,00

 

Crítica: Homens-Aranha

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O universo Ultimate ou Ultiverso surgiu em 2000 para atualizar a mitologia da Mavel e reformular algumas ideias e conceitos criados ainda na década de 1960. De quebra, pretendia atrair novos leitores, com uma linguagem mais atual e super-heróis recriados neste século. Com erros e acertos, o resultado foi muito positivo.

O Ultiverso emplacou sucessos editoriais como Supremos e Homem-Aranha Ultimate, e suas ideias serviram de base para inúmeros desenhos e filmes da Marvel. Esse novo fôlego deu margem para os roteiristas continuarem arriscando novos caminhos para os personagens já consagrados, sem mexer com a mitologia do universo Marvel conhecido.

Um bom exemplo foi a jogada editorial de alto risco que matou o Peter Parker do Ultiverso, em um evento publicado no Brasil na edição 25 de Marvel Ultimate de julho de 2012 – edição, diga-se de passagem, esgotada no Brasil.

Risco porque uma das características mais interessantes do Ultiverso é de que os super-heróis mortos não retornam, por isso, a morte do Homem-Aranha abriu espaço para novo herói que começou a surgir a partir do número 28 de Marvel Ultimate, com um garoto negro chamado Miles Morales, um dos personagens mais bacanas que surgiram nos últimos anos nas HQs.

Na edição especial Homens-Aranha há um inusitado encontro de Peter Parker, o Homem-Aranha do universo Marvel tradicional (cujo nome é Universo Marvel 616) com o novo Homem-Aranha do Ultiverso, o jovem Miles Morales. É uma HQ divertida, escrita por Bendis e ilustrado pela Sara Pichelli.

Ao perseguir o vilão Mystério – mais estranho do que o habitual – Peter Parker é arremessado acidentalmente em um mundo parecido com o seu, mas com diferenças marcantes. Nesse estranho universo, o Homem-Aranha morreu, revelando ao mundo sua identidade secreta: a versão adolescente de Peter Parker. Agora, seu legado é mantido por um estudante chamado Miles Morales, com um novo uniforme do Amigão da Vizinhança, e as mesmas grandes responsabilidades.
Além do estranhamento inicial entre os “Homens-Aranha” há toda uma carga emocional entre ambos, já que ao ser morto, o Peter Parker adolescente se tornou reverenciado pelos heróis do Ultiverso, principalmente por Morales. Agora, Peter Parker precisa ajudar Morales a encontrar Mystério, derrotá-lo e voltar ao seu lugar.

As comparações divertidas entre os vários super-heróis dos dois universos, os combates, as referências e a camaradagem, dão a tônica da aventura. Ficamos com a sensação de que a HQ serve para que o Peter Parker tradicional dê sua “bênção” ao novo Homem-Aranha do Ultiverso.

É diversão garantida para os fãs do Cabeça de Teia e principalmente para os fãs do novo Homem-Aranha, como esse Editor que vos escreve.

Serviço:

Homens-Aranha (reúne as edições norte-americanas de Spider-Men #1 a #5)
Edição especial, formato americano, 108 páginas, papel LWC, R$ 17,90. Está nas bancas, mas tem distribuição setorizada.

Antes de Watchmen: Comediante – Uma HQ muito sem graça

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O Comediante é um dos personagens mais interessantes das HQs. Violento, cínico e complexo, sua morte na série original Watchmen marca o início de uma trajetória que vai mudar os rumos da humanidade.

Imaginar as armadilhas emocionais e as motivações de Edward Blake, o alter-ego do Comediante, um vingador arrebatador e questionável, que se torna um agente governamental norte-americano pronto para sujar as mãos em qualquer situação, deveria ser um ponto alto para Antes de Watchmen: Comediante, uma oportunidade de gerar um caça-níquel de muita qualidade. A expectativa era das melhores porque o roteirista Brian Azarello já havia feito trabalho interessante com outro personagem da série: Rorschach.

Infelizmente para os leitores e fãs de Watchmen, Azarello errou a mão e escreveu a pior história de Antes de Watchmen lançada até agora no Brasil (leia aqui as resenhas de Coruja, Espectral , Rorschach e Dr. Manhattan).

A trama de Comediante se passa a partir dos anos 1960, contando alguns detalhes do que já conhecidos em flashbacks na série original. Seu envolvimento com a família Kennedy, suas participações nos enfrentamentos em crises internas nos Estados Unidos e a brutalidade de sua participação no Vietnan.

Poucas novidades e nada que cativasse o leitor ou entregasse um pouco mais das razões já conhecidas que fizeram de Blake um personagem tão intenso. Tudo morno e as vezes óbvio.

A arte de J.G. Jones também deixa a desejar. Com exceção do bom trabalho de colorização é apenas sofrível.

A única nota positiva: as belas opções de capa utilizadas na versão nacional e a continuidade à história paralela A Condenação do Corsário Carmesin, que dá uma surra de qualidade na história principal.

O Papo de Quadrinho tem o hábito de não resenhar gibis que considera tão ruins. No caso de Antes de Watchmen: Comediante, o dever de ofício nos obrigou a ler e sofrer com essa decepção em quadrinhos.

Um bom resumo: a história falha em desmistificar a personalidade de Blake, falha em apresentar as motivações do Comediante, e a arte falha em contar uma boa história. Ou seja, o Comediante não teve a menor graça. Mas se você vai comprar essa HQ para não faltar um número de sua coleção, agora sim temos motivo para rir…

Crítica: Arqueiro Verde 1 – O reboot do reboot

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Arquearia é uma paixão confessa deste editor.

Há um ano, o Papo de Quadrinho fez um homenagem aos grandes personagens da cultura pop que manejam o arco nesta seleta lista com os 10 maiores arqueiros da Cultura Pop. Entre os mais queridos e conhecidos, o Arqueiro Verde não poderia ficar de fora.

Inspirado no pai de todos os arqueiros, Robin Hood, o Arqueiro Verde foi criado por Mort Weisinger e Greg Papp em 1941, e esteve presente em numerosas publicações da DC ao longo dos anos. Mas foi na década de 1970 que ele se destacou com histórias de temática adulta, vividas com o Lanterna Verde, Hal Jordan. O material, hoje um clássico dos quadrinhos, foi escrito por Dennis O’Neil e ilustrado pelo mestre Neal Adams.

Com o sucesso do seriado Arrow inspirado em sua mitologia dos quadrinhos, o Arqueiro Verde ganhou fôlego novo em suas aventuras no reboot da DC Comics. Infelizmente, ao contrário de alguns super-heróis como o Aquaman, que se beneficiaram com a renovação dos títulos da editora, o tratamento do herói neste reboot foi muito aquém do esperado.

A atualização do visual inspirada no seriado, com o herói mais jovem e mudando o estilo “Errol Flynn” foi a primeira polêmica e dividiu opiniões entre os fãs. Mas o verdadeiro problema foi a arte sofrível de Dan Jurgens e o roteiro vexatório de J.T. Krul –  primeira dupla escalada para reformular o personagem. Nem a arte final de George Pérez ajudou. No Brasil, essas primeiras histórias fizeram parte do mix da revista Flash Nº1, lançada em junho de 2012.

Para não estragar nos quadrinhos um personagem bacana que está se dando bem na TV, o Arqueiro Verde acabou ganhando uma segunda chance após a décima sétima edição norte-americana, e entrou em nova fase, com outra equipe criativa convocada para salvá-lo: Jeff Lemire (roteiro) e Andrea Sorretino (arte).

Lançada neste mês em revista solo, Arqueiro Verde Nº 1, apresenta esse novo trabalho e uma substancial melhora de arte e roteiro, embora o traço ainda merecesse um tratamento mais refinado. O mix traz também o Exterminador e Aves de Rapina. Confira nas bancas e comente aqui.

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