Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Author: Társis Salvatore (Page 1 of 16)

Papo de Quadrinho viu Homem-Aranha: Longe de Casa

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor conferiu o novo filme do Homem-Aranha. Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Estreia nesta quinta-feira (4/07) o esperado Homem-Aranha: Longe de Casa, com uma missão digna do maior herói da Marvel: manter o interesse do público após o hype dos Vingadores: Ultimato.

O trabalho do diretor Jon Watts foi duplo: contar uma boa história para um publico fã do Cabeça de Teia e conseguir encaixá-la nos eventos que ocorreram após o último filme e, ainda, encerrar a chamada Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel.

Uma missão que ele conclui com louvor, graças a uma trama bem integrada aos eventos do MCU e, ao mesmo tempo, empolgante e divertida.

Tudo começa após os eventos que marcaram o retorno à vida de metade da população mundial morta por Thanos em Vingadores: Guerra Infinita e trazida de volta pelo Hulk em Ultimato. O jovem Peter Parker (Tom Holland) segue com sua turma do colégio para uma viagem de duas semanas pela Europa e é surpreendido pela visita de Nick Fury (Samuel L. Jackson).

O ex-chefão da S.H.I.E.L.D. convoca o Homem-Aranha para uma missão urgente: enfrentar criaturas que surgem em cidades-símbolo do Velho Mundo. Para isso, ele vai contar com o auxílio do herói enigmático chamado por sua turma de Mysterio (Jake Gyllenhaal).

Mas como ele vai salvar a Europa desta ameaça e ao mesmo tempo manter sua identidade secreta preservada? E o mais importante: como pretende salvar o mundo se tudo o que ele quer no momento é largar suas obrigações super-heroicas para curtir merecidas férias e se aproximar da crush MJ (Zendaya)?

Esse é o principal acerto do filme: uma fórmula equilibrada que mistura uma boa aventura divertida, com a atuação carismática do trio de atores principais, Tom Holland, Jake Gyllenhaal e Zendaya, sem perder a mão nos detalhes da história.

Homem-Aranha: longe de casa, funciona porque entrega uma diversão completa, começando com a pergunta que todos querem saber sobre o retorno das pessoas salvas pelos Vingadores, passando por uma reviravolta já manjada – uma vez que Mistério é um dos vilões mais famosos do panteão vilanesco do Homem-Aranha.

Ainda assim, muitos conceitos interessantes são retratados, como a ideia de um multiverso que abre possibilidades para o futuro (lembrando que os direitos do Homem-Aranha nos cinemas é de propriedade da Sony, assim como o Venon), porém sem dar grandes pistas de qual será o andamento dos próximos filmes ainda conectados ao universo dos Vingadores.

Por hora, os fãs do Aranha, tanto dos filmes como dos quadrinhos, podem se regojizar com o herói carismático que todos gostamos: um adolescente atrapalhado, nerd, apaixonado pega garota bacana da escola e bem intencionado, que precisa entender seu papel heroico no mundo pós-Vingadores e lidar com o luto pela morte de seu mentor Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Impressionam também os efeitos especiais do filme, principalmente por tratar de elementos como água e fogo em grandes centros urbanos, apresentados em situações que se passam durante o dia. A ação do filme é pura história em quadrinhos, com um enquadramento que as vezes coloca a audiência diretamente na pele do herói e no centro da ação, algo extremamente bacana de ver em uma tela grande.

Homem-Aranha: longe de casa é o tipo de filme que a gente sai comentando, surpreso com os desdobramentos finais e feliz ao mesmo tempo. Um bom retorno do MCU depois de tantas emoções recentes que, embora não possam ser superadas tão facilmente, mostram que ainda há espaço para bons filmes de super-heróis.

Em tempo: fique na sala até o último instante para curtir as surpresas do final do filme e da cena pós-crédito.

Papo de quadrinho viu: MIB Homens (e mulheres) de Preto: Internacional

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘“MIB Homens de Preto: Internacional”’, novo longa que apresenta uma nova fase da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS.

Nos anos 1990, período em que as teorias da conspiração não governavam um país e estavam restritas à imaginação, tablóides e a diversão especulativa, o roteirista Lowell Cunningham trouxe para os quadrinhos uma agência para cuidar de visitantes interplanetários, os “Homens de Preto” (Man in black ou sua sigla: MIB).Inspirado em uma das mais tradicionais teorias da conspiração de ufologistas, envolvendo alienígenas, naves e invasões da Terra, os “Homens de Preto” (Man in black – MIB) são agentes vestidos com ternos pretos (ufa!) e óculos escuros que aparecem para resolver casos de contatos imediatos – que não serão divulgados oficialmente.

A agência na verdade licencia, monitora e policia a atividade alienígena neste pálido ponto azul, protegendo a todos de maneiras que seus cidadãos não podem imaginar (e nunca saberão), além de se encarregar do processamento das chegadas de alienígenas como imigrantes refugiados. Carregando armas de alta tecnologia construídas com a ajuda da tecnologia interplanetária, sua ferramenta mais útil é o cultuado neuralizador, um dispositivo em forma de caneta que emite um feixe de luz que apaga a memória daqueles que tiveram contato com alienígenas, mantendo a existência secreta da MIB como apenas um rumor, reconhecida apenas como um déjà vu e descartada com a mesma rapidez.

A criação de Cunningham foi levada aos cinemas em MIB (1997) que um pouco diferente dos quadrinhos, misturou comédia com ficção-científica. Capitaneados por  pelos atores Tommy Lee Jones e Will Smith, o filme fez um grande sucesso, levou o Oscar de Melhor Maquiagem e ainda gerou duas sequencias: MIB II (2002) e MIB³ (2012).

Eis que estreia amanhã (13) o novo filme expandindo a franquia com locações por toda a planície da Terra. A premissa dos filmes anteriores permanece: existem alienígenas de outros mundos vivendo entre nós. Assim, MIB Homens de Preto: Internacional apresenta novos agentes, armas, alienígenas e locações.

Desta vez temos o Agente H (Chris Hemsworth) e a novata M (Tessa Thompson) que se tornam parceiros e tem o trabalho de enfrentar uma nova ameaça alienígena que pode tomar a forma de qualquer um, incluindo agentes da MIB. Os atores Liam Neeson, Rebecca Ferguson e Kumail Nanjiani também aparecem em papéis-chaves.

O diretor F. Gary Gray, cuja filmografia abrange títulos de ação (Velozes e Furiosos 8), comédias (Sexta-Feira em Apuros) e dramas (Straight Outta Compton: A História do N.W.A.), se manteve fiel ao misto de aventura, sci-fi e comédia da franquia.

A trama se apresenta uma menina chamada Molly, que, juntamente com seus pais, teve um contato imediato. Ela evita o neuralizador da MIB que apaga a memória dos pais  e fica obcecada em descobrir a verdade sobre os alienígenas na Terra e sobre os misteriosos homens vestidos de preto que a visitaram pouco depois daquele encontro que mudou sua vida. Empregando todo seu tempo disponível e buscando respostas, anos depois, Molly descobre a sede da MIB em Nova York. Impressionada com a inteligência e as habilidades investigativas de Molly, que a levaram a se tornar a única pessoa a conseguir invadir a MIB sem ser convidada, a Agente O (Emma Thompson) a transforma em uma agente, atribuindo-lhe uma nova identidade: M.

Ainda como uma agente em estágio propatório, M é enviada para a sede de Londres e acabam se envolvendo em uma trama com H (Chris Hemsworth), um agente lendário com um ar de arrogância, reconhecido por já ter salvado o mundo armado apenas com sua astúcia e seu De-Atomizador. Mas a autoconfiança excessiva de H pode permitir que uma raça assassina tome posse de um artefato capaz de acabar com a paz da Terra e colocar em perigo toda a galáxia.

O filme tem uma trama simples, porém divertida e bons momentos de aventura e comédia (fruto da produção executiva de Steven Spielberg). As locações chamam a atenção por levarem o espectador por lugares legais em Londres, Paris, Nápoles e Marrakesh, tudo bem amarrado com bons efeitos especiais.

Tessa Thompson além de bonita sobra com boa atuação, enquanto Chris Hemsworth é aquele canastrão que apredemos a gostar em Thor e Vingadores – desnecessário lembrar que ambos trabalharam juntos no MCU (Universo cinematográfico da Marvel).

É um bom filme para ver com a família e se divetir. Ao mesmo tempo é um quarto filme cuja continuação mantém um legado que atraiu tantos fãs ao cinema. O que faltou foi uma trilha ou música marcante como os filmes anteriores.

E não podemos esquecer  que o comediante brasileiro Sérgio Mallandro faz uma ponta bastante inusitada no filme. Confira no cinema mais próximo, antes que a Terra acabe.

Papo de Quadrinho viu: X-men – Fênix Negra

A convite da produtora Espaço Z e Sony Pictures, nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu X-men – Fênix Negra, última aventura dos mutantes pelas mãos da Fox.

A franquia dos mutantes pelas mãos da Fox termina no mais recente filme X-Men: Fênix Negra, que entra em cartaz nesta quinta feira (6) nos cinemas. O filme, que mais uma vez traz às telas a transformação de Jean Grey na Fênix é o ato final de uma sequência de filmes do supergrupo mutante que começou em 2000 e passou por pontos altos (X-Men 2, Logan) e algumas bombas (X-Men 3: O confronto final) e teve até mesmo um reboot (X-Men: Primeira Classe de 2011).

Dirigido e roteirizado por Simon Kinberg, a história se inicia em forma de flashback, contando a história de Jean Grey (a atriz Sophie Turner, a “Sansa Stark”, de Game of Thrones), que ao passar por um trauma de infância acaba sendo convidada pelo Professor Charles Xavier a se unir aos X-Men na sua escola para superdotados.

Anos depois, em 1992, os X-Men são considerados heróis nacionais. Durante uma missão de resgate de astronautas, que coloca a equipe em perigo no espaço, Jean Grey acaba utilizando seus poderes para salvar todos de uma explosão solar. Porém esse fato acaba alterando os poderes e emoções da telepata que acaba se tornando uma ameaça para seus companheiros e para o planeta à medida que essa recém adquirida força Fênix vai emergindo sem controle através dela.

Em relação às participações do longa temos Mística (Jennifer Lawrence), visivelmente cansada do papel, fazendo o link racional da equipe; Charles Xavier (James Mcavoy) , como o mentor da equipe, que durante o enredo se deixa levar pelo ego e mostra que mesmo os mais experientes podem errar; Ciclope (Tye Sheridan), o mutante de rajadas óticas e namorado de Jean,  além do teletransportador Noturno (Kodi Smit-McPhee), o velocista Mercúrio (Evan Peters), a deusa do clima Tempestade/Ororo (Alexandra Shipp) e o acrobata azul Fera/Hank McCoy (Nicholas Hoult). A trama também conta com a participação de Magneto (Michael Fassbender) e sua irmandade de mutantes, além de Jessica Chastain como uma alienígena que busca a força Fênix, num papel praticamente sem carisma algum e com uma motivação clichê.

Entre altos e baixos do filme, um destaque fica para a trilha grandiosa e competente de Hans Zimmer (Homem de Aço), que consegue segurar o enredo, principalmente da segunda metade da história.

De forma geral, o filme procura trazer questões contidas nos quadrinhos, como a batalha interna de Jean com as tentações da força Fênix e sua relação familiar com a equipe de mutantes. As semelhanças com a saga dos gibis terminam aí (com exceção da breve aparição de uma cantora mutante), ou seja, nada de Clube do Inferno, Mestre Mental ou Shiars. Num primeiro momento isso pode decepcionar os fãs da franquia, que desde o fadado X-Men: O Confronto Final (2006) ficaram na promessa de uma adaptação à altura dessa fase dos mutantes.

Parece impossível, talvez inviável, que uma adaptação cinematográfica de duas horas seja 100% fidedigna à trama original dos quadrinhos. Vale lembrar que a série animada do início dos anos 1990 conseguiu fazer isso usando quase uma temporada completa, mas lembremos: é uma série animada.

Ainda assim, detalhes bacanas que fazem dessa saga algo especial foram limados, tirando a grandiosidade que existe no original. Por essas e outras,  X-Men: Fênix Negra, acaba deixando a desejar no quesito adaptação – simplifica demais a trama – deixando um final agridoce e uma sensação de que “faltou algo a mais” para consagrar a franquia dos mutantes nos cinemas.

Nosso veredito é que para o espectador que busca um cinema pipoca de super-heróis mutantes sem grandes pretensões, o filme cai bem, tentando passar uma mensagem bacana sobre o conceito de uma família adotiva e de como essas relações se dão entre os X-Men. Já quem é muito fã da franquia X, principalmente os iniciado nos quadrinhos, talvez se frustre ao notar que a tentativa de trazer a “Saga da Fênix Negra” em toda sua grandeza para os cinemas não tenha sido bem sucedida.  São mídias diferentes, mas o gostinho de quero mais permanece. Quem sabe, futuramente, seja um trabalho para a Disney resolver?

Uma dica final: a revista Mundo dos Super-heróis deste mês se debruça sobre o filme e faz uma comparação sobre a adaptação, relembrando os grandes momentos dos quadrinhos e falando detalhes do filme para quem não está tão familiarizado com os quadrinhos.

Papo de Quadrinho viu: John Wick 3 – Parabellum

A convite da produtora Espaço Z nosso editor acompanhou ‘John Wick 3 – Parabellum’, novo longa da franquia. Em respeito aos nossos leitores nossa resenha NÃO TEM SPOILERS

“Si vis pacem, para bellum (Se você quer paz, prepare-se para a guerra).

O primeiro John Wick era apenas um sonho do roteirista Derek Kolstad que pretendia criar um passeio através de um universo cativante, perigoso e sangrento, estruturado em suas próprias regras, porém oculto nas sombras da nossa sociedade desde os tempos imemoriais. Esse roteiro atraiu o ator Keanu Reeves, que encarnou o personagem com perfeição e o restante é uma história de sucesso com os filmes: “John Wick – De Volta Ao Jogo” (2014) e “John Wick: Um Novo Dia Para Matar” (2017).
Assim, John Wick se tornou um ícone abraçado por platéias curiosas e empolgadas por ver e saber mais sobre ele e seu universo.

Em ‘Parabellum’ (ou ‘prepare-se para a Guerra’) a história começa exatamente onde John Wick terminou em “Um Novo Dia Para Matar”, com o protagonista fugindo do Hotel Continental, na pulsante Manhattan. Ele quebrou uma das regras fundamentais: matou um poderoso chefe da máfia no espaço neutro e protegido do hotel, o que lhe “excomungou” e rendeu um prêmio substancioso por sua cabeça, algo que aguça a imaginação de todos ao redor do mundo.

É durante sua fuga que sabemos mais sobre The High Table (ou Alta Cúpula dos Assassinos), grupo que não apenas gerencia a morte ao redor do mundo, mas também serve como uma espécie de sistema de justiça, com seus executores dos reinos do crime pelo mundo. Todo esse sistema é mantido graças a um sólido código de honra e uma elite que faz cumprir essa lei.

Aos poucos é revelado mais sobre esse incrível mundo mitológico e hiper-real com hotéis secretos e os homens e mulheres mais perigosos do mundo que o procuram a cada esquina.

Para sobreviver, nosso anti-herói precisa sair de cena e ao voltar às suas origens. É assim que conheceremos mais sobre os mistérios de como John Wick se tornou o assassino “Baba Yaga”.

Reeves faz um personagem brutal e ao mesmo tempo carismático, embora nunca sorria. Sua fuga é marcada por sequencias impressionantes de lutas, mortes, perseguições e tiroteios – tudo emoldurado dentro de uma fotografia minuciosamente bem feita. Há tempos que esse editor se diverte muito mais com os exageros do “wickiverso” do que com as aventuras de um 007.

Por fim, é preciso dizer que embora  seja um filme divertido e conte com um elenco estrelado de grandes atores e atrizes como Ian McShane (Gerente) e Halle Berry (Sofia), a história em si mesma não acrescenta muito ao todo – é apenas mais um capítulo de vingança e morte. Mas pelo menos desta vez, todo os assassinos sabem o que acontecem quando se atira em um cachorro.

O filme estreia nesta quinta-feira (16/05) com uma ação desenfreada, maior até que os filmes antecessores.  O espectador encontrará um Wick ainda mais letal e violento em busca de sua sobrevivência, uma experiência de adrenalina e violência tão bem feita que empolga.

Despretencioso, vale o ingresso e vai agradar aos fãs do genero.

SHAZAM! Inspira parceria entre Warner, J. W. Thompson e Associação Maria Helen Drexel

O filme Shazam! conta a história de um menino de 14 anos que cresceu longe dos pais e que se transforma em um super-herói adulto mas com espírito de uma criança e poderes divinos. Com isso em mente a J. Walter Thompson fez uma campanha para incentivar que as pessoas busquem mais informações sobre os jovens que vivem em casas de acolhimento.

Muitas crianças e adolescentes que moram nesses abrigos podem ser apadrinhados afetivamente ou adotados, o que nem sempre é de conhecimento da sociedade brasileira. Este editor só sabia desse modelo de apadrinhamento porque casualmante já tinha conhecidos que faziam esse trabalho incrível que envolve mais que doação em dinheiro, mas também interesse, amor e compaixão. 

Para celebrar esta campanha, a Warner Bros. Pictures apadrinhou simbolicamente 80 crianças de casas de acolhimento por um dia, convidando-as para assistir ao filme Shazam! em uma pré-estreia especial realizada no último sábado, 30 de março, com o apoio do Kinoplex Vila Olímpia (SP), que cedeu a sala e a pipoca e da Piticas, que doou as camisetas para as crianças. Juízes que apoiaram e autorizaram a campanha também estavam presentes.

As peças da campanha foram assinadas com a frase: “os superpoderes eles já têm. Agora só falta o seu apoio”, pois o objetivo da campanha é informar e conscientizar as pessoas por meio das histórias dos jovens. As crianças que vivem em instituições de acolhimento, como a Associação Maria Helen Drexel, convidam você a conhecer os super-heróis da vida real no site da instituição.

Você pode ler nessa resenha do filme Shazam, aqui!

Papo de Quadrinho viu e gritou: – SHAZAM!

A convite da produtora Espaço Z e da Warner,  nosso jornalista Andrey Czerwinski dos Santos assistiu o mais novo filme da DC Universe nos cinemas, Shazam! Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers.

Um jovem delinquente órfão de 14 anos chamado Billy Batson recebeu o poder mágico de se tornar um super-herói praticamente imbatível. Para isso, basta ele gritar a palavra mágica – SHAZAM!

Shazam! ou melhor, o Capitão Marvel foi criado em 1939 pelo roteirista Bill Parker e o desenhista C.C. Beck, aparecendo pela primeira vez em 1940. Foi publicado pela Fawcett Comics até 1953, e só retornou em 1973 quando teve seus direitos adquiridos pela DC Comics, depois de uma longa batalha judicial que não nos deteremos agora.

A versão que você verá nos cinemas traz elementos baseados tanto na origem de Shazam, como nas versões apresentadas nos quadrinhos em 1994 por Jerry Ordway e mais recentemente por Geoff Johns.

Como todos os filmes de origem, o diretor David F. Sandenberg (Anabelle 2)  narra como o jovem órfão Billy Batson (Asher Angel), recebe de um misterioso mago o poder de se transformar em um super-herói adulto chamado Shazam (Zachary Levi) apenas evocando seu nome.

Num panorama cinematográfico Shazam! reforça a mudança de direcionamento criativo que a DC/Warner vem tomando nos cinemas desde Mulher-Maravilha e seguindo por Aquaman. O filme apresenta um enredo e ambientação mais voltados aos quadrinhos heróicos e despretensiosos, mesclando de forma equilibrada humor e aventura, e abandonando toda a ambientação “dark” e a seriedade de Batman vs. Super-Homem e Liga da Justiça. Ponto positivo para agradar os mais diversos espectadores e marcar o caminho que as produções da DC/Warner devem seguir daqui por diante.

Durante o filme vemos situações cômicas com a descoberta dos poderes de Billy como Shazam, assim como sua relação com sua família adotiva e seus irmãos. O mérito do filme é abordar a história de origem com um tom leve, com inocência e diversão. Ficamos realmente com a impressão que Shazam é um garoto no corpo de um adulto superpoderoso, interpretação muito bem executada por Zachay Levi.

A interação dos personagens, especialmente nas cenas com o irmão Freddy Freeman (Jack Dylan Grazer), é outro pontos forte do filme, com tiradas geeks relacionadas aos poderes de super-heróis. Chama a atenção a essência familiar do filme, que aproxima e humaniza o personagem, deixando claro que além de super-herói, ele ainda é um adolescente de 14 anos órfão que precisa se ajustar com um novo lar e uma família adotiva. Essa questão vai se desenvolvendo ao longo do filme, construindo as relações entre os personagens.

O vilão do filme, Dr. Silvana, interpretado por Mark Strong, traz um personagem bem construído, contando sua origem e deixando claro suas intenções, com visual e trejeitos que conseguem unir as diferentes versões do personagem dos quadrinhos.

Em relação aos efeitos especiais e as cenas de ação, elas não deixam nada a desejar para o gênero de um filme de super-herói. Tanto os efeitos nas cenas de ação urbanas quanto de outros obstáculos que surgem para ameaçar o Shazam, nada destoa. Parece que a DC/Warner aprendeu a criar vilões e outros perigos virtuais que funcionem e amedrontem, diferente do insípido (e virtual) Lobo da Estepe em Liga da Justiça.

A trilha sonora une músicas populares, com rock (Ramones – I don´t Wanna Grow Up), rap (Kendrick Lamar – Humble), soul (Natalie Cole – This Will Be) e até clássicos (Bing Crosby – Do you hear what I hear) que consegue casar com os diversos momentos do filme, reforçando ainda mais a função da película  de entregar uma narrativa alto astral e divertida, lembrando os filmes de aventura dos anos 1980. O tema musical do Shazam foi conduzido e composto por Benjamin Wallfisch, e remete ao clássico grandioso de John Willians em Superman.

Para os fãs de quadrinhos o filme não foge à regra e está recheado de referências tanto dos quadrinhos, quanto no universo cinematográfico da DC e até de um certo clássico do cinema de 1978.

Ah e após os créditos, teremos duas cenas extras, portanto vale a pena ficar até o final da projeção!

Nerds da quebrada


Com fotos e informações de Edie Fortini para o Papo de Quadrinho.

No último domingo (24/03), a Fábrica de Cultura do Capão Redondo recebeu a primeira edição do PerifaCon, uma iniciativa de um grupo de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop o geral que cresceram nas periferias de São Paulo. A ideia era levar a Cultura Pop para quem não tem no mínimo 110 pilas para um ingresso “barato” de uma CCXP e acaba ficando à margem deste universo Nerd.

O evento foi produziado de modo colaborativo, através do lançamento de uma campanha de financiamento coletivo no final do ano passado. Contou ainda, com o patrocínio e o apoio da Chiaroscuro Studios, uma das maiores agências de representação de quadrinistas que também levou uma programação exclusiva com a presença de vários artistas brasileiros de renome que atuam na DC Comics, Marvel Comics, Image Comics, Titan Books e Dark Horse entre outras. Um incentivo financeiro e operacional que merece aplausos.

Foram mais de 7 horas de programação acontecendo simultaneamente nos 7 andares da Fábrica. Em números a 1ª edição teve mais 200 pedidos de artistas para participar do Beco dos Artistas, mais de 150 mídias de imprensa credenciadas, mais de 150 inscrições de voluntários e quase 3 mil pessoas previamente credenciadas como visitantes.

“Nossa expectativa de público era de aproximadamente 3 mil pessoas, tendo como base as inscrições feitas previamente. Às 14h, do dia 24 a fila na porta do evento já apresentava indícios de um sucesso além do esperado. O público ultrapassou a marca de 4 mil visitantes, levando a superlotação do prédio, o que infelizmente nos levou a encerrar e entrada de novos visitantes por uma questão de segurança”, comenta Luíze Tavares, produtora do evento.

As filas causaram algum transtorno para os visitantes, mas com o sucesso nas visitas, ficou impressão que o evento precisa de mais espaço para crescer em sua próxima edição.

O evento

A programação da PerifaCon contou com 230 palestrantes e oficineiros da cena pop e periférica, como o rapper Rashid, que falou de como surgiu seu interesse por quadrinhos e as influências desse universo em seu novo clipe “Não é desenho”, KL Jay do grupo Racionais MC’s que participou da mesa de debate com o tema “Arte como resistência”, Natalia Bridi, editora-chefe do Omelete participou da mesa de debate “Mulheres no Mundo Nerd”.

Já o “Beco dos Artistas” teve a participação de 44 expositores e 14 lojas e editoras vendendo seus trabalhos a preços acessíveis, entre eles estão Companhia das Letras que levou ao evento o trono da Guerra de Tronos, editora Morro Branco, editora Draco entre outras. O concurso de cosplay foi um ponto alto da PerifaCon, já que o cosplay é uma tradição entre os frequentadores deste tipo de evento nerd.

Ainda tiveram atrações musicais, sala de games, oficina de RPG, e a exposição “Rap em Quadrinhos” idealizada pelos artistas Load e Wagner Loud que também fizeram parte do roteiro de quem esteve na 1ª comic con da favela.

O espaço kids foi idealizado para mexer com a imginação e o interesse dos pequenos, e teve um concurso de desenhos, uma oficina de poções e decoração de cupcakes, entre outros destaques.

O saldo da PerifaCom foi muito positivo. Cumpriu seu objetivo de levar o universo Nerd com diversão, personagens, produtos e serviços para os jovens da periferia, que historicamente são negligenciados. Além disso, deu o pontapé inicial para fomentar outros eventos de cultura pop, nerd e geek nas periferias de São Paulo, contribuindo para a quebra de barreiras culturais e financeiras, sem deixar de promover para os jovens o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa. Quem venham muitos outros eventos como esse.

Papo de Quadrinho viu: Uma Aventura Lego II

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor em Porto Alegre conferiu o novo filme da franquia Lego.

Quando a primeira Aventura Lego foi lançada (2014), pegou o mundo de surpresa. Divertida, engraçada e frenética, a animação trazia um caldeirão de referências e personagens carismáticos, entre conhecidos e novos, e uma boa história, sem se esquecer que seu universo é baseado em um brinquedo de blocos dinamarqueses remontáveis.

Essa ação de remontar blocos com novas possibilidades não é somente um mote de venda de bonecos, mas foi habilmente usado na primeira história.  Depois vieram Lego Batman (2017) e Lego Ninjago (2017).

Com o sucesso desta fórmula, Uma Aventura Lego II procura dar um passo além, quebrando a 4ª parede e deixando claro que os bonecos fazem parte de um universo maior e real, mas ainda assim explorando a mitologia criada pela Lego com seus licenciamentos e seus personagens próprios. Esse é o grande mérito do diretor Mike Mitchell de Trolls (2016).

Nesta nova aventura, temos mais uma vez o jovem e otimista construtor Emmet (que na dublagem original é feita pelo ator Chris Pratt), vivendo em uma sociedade destroçada pela invasão de ‘alienígenas’ da linha Lego Duplo (a linha de brinquedos para crianças pequenas) que aparecem para destruir tudo, numa clara referência às crianças pequenas que querem ‘destruir’ a brincadeira dos irmãos e irmãs mais velhos.

É nesta sociedade chamada de Apocalipsópolis (referência à Mad Max, com direito a estátua da Liberdade destruída de Planeta dos Macacos) que surge um novo vilão de outro universo.

Esse novo inimigo captura Lucy, Batman, Capitão Pirata, Ultra Gata e o Astronauta e os arrasta para uma galáxia distante: um prenúncio do fim do mundo. Resta ao dócil Emmet partir para o resgate e salvar seus amigos e o universo, desta vez com a ajuda de um novo personagem, Rex, um aventureiro casca grossa que quer transformar Emmet em um cara durão.

Chama atenção como o diretor consegue contar bem uma história em meio à ação colorida e frenética, ao mesmo tempo em que insere várias referências pop para os pais. O filme investe na quebra da 4ª parede, outro acerto que conecta ainda mais o público infantil com o ato de imaginar e brincar usando blocos.

São essas mudanças em relação ao primeiro filme que remontam (trocadilho involuntário) o universo Lego e dão um passo além para a franquia.

É um filme que deve trazer boas lembranças aos pais e cumpre o papel de entreter e capturar a atenção das crianças. Afinal a razão de ser deste universo ainda são as crianças (ou seriam também os adultos?).

Compre sua pipoca, leve seus filhos, sobrinhos, netos e passe umas horas divertidas no cinema. Todos merecem.

Papo de Quadrinho viu: Aquaman

A convite da produtora Espaço Z e da Warner,  nossos editores em Porto Alegre e São Paulo conferiram o filme Aquaman.

Em respeito aos nossos leitores, trazemos uma resenha sem spoilers (e na medida do possível, usando poucos jargões náuticos).

Por Jota Silvestre e Társis Salvatore

O Aquaman foi criado em 1941 na chamada Era de Ouro dos quadrinhos (um período de inocência e consolidação das HQs de super-heróis) por Paul Norris, com co-criação de Mort Weisinger, e sempre foi um coadjuvante.

Assim como outros personagens da DC Comics, sofreu com diversas mudanças em suas origens, mas acabou ficando mais conhecido nos quadrinhos pela história usada em seu primeiro filme solo, que estreia nesta quinta-feira (13), em circuito nacional.

Filho do faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison) com a rainha atlante Atlanna (Nicole Kidman), Arthur Curry (Jason Momoa) é a ponte entre dois mundos diferentes e o narrador da trama criada pelo diretor James Wan (Jogos Mortais, Invocação do Mal). E aqui temos o primeiro acerto.

Wan prova que não é apenas hábil em mostrar grandes cenas de luta: sabe conduzir uma boa história, amarrá-la de forma coesa e emocionante. Tudo contado de forma orgânica e sem atropelos.

A Jornada do Herói (Mundo Comum, Chamado à Aventura, Recusa ao Chamado, Encontro com o Mentor…) está toda descrita, com o protagonismo de Mera (Amber Heard) e o nascimento do ótimo vilão Arraia Negra (Yahya Abdul-Mateen II).
Bem como as intrigas políticas de Atlântida estimuladas por Orm/Mestre dos Oceanos (Patrick Wilson) e Nereus (Dolph Lundgren) que almejam lançar o planeta em uma guerra entre os povos do mar e da superfície.

Embora os trailers tenham entregado bons momentos do filme, muitos ficaram guardados, seja na forma como Mera vai conhecendo a vida da superfície seja na crítica sobre a poluição sistemática dos mares e o aquecimento global.

Wan trabalha com excelência subtramas como as diferenças étnicas dos reinos no fundo do mar, o viés militarista, as lendas atlantes que misturam misticismo com tecnologia… Tudo bem narrado, com humor no tempero certo e com um trio de personagens (Aquaman-Mera-Arraia Negra) muito cativante. Como se não bastasse, a história vem emoldurada em um visual espetacular, que envolve de paisagens submarinas ao visual tecnológico, de armaduras ultramodernas a criaturas abissais.

Outro acerto é a trilha sonora de Rupert Gregson-Williams (o mesmo da ótima trilha de Mulher-Maravilha). É um ponto forte do filme que já chamava a atenção já nos trailers.

Enquanto isso nos quadrinhos…

Um efeito colateral esperado foi a DC Comics gradualmente aproximar a imagem de um de seus mais antigos personagens ao ator Jason Momoa. O que já acontece normalmente com os action figures, se espalhou para os quadrinhos e algumas edições recentes da revista do Aquaman trazem capas variantes com o visual do filme. Mas sem sustos, embora barbudo e cabeludo ele continua loiro como em sua origem.

Os arcos de histórias que são publicados no Brasil têm alguns altos e baixos, mas no geral o saldo é bastante positivo. Somado ao provável sucesso do filme (a estreia na China já rendeu US$ 94 milhões) podem elevar o personagem a seu merecido lugar entre os grandes super-heróis das histórias em quadrinhos.

É irônico que após tantas detrações e desdém no decorrer de anos – elas vão desde esquecimento, maus tratos nas mãos de roteiristas até piadas nas chamadas do Cartoon Network – que justamente Aquaman, um personagem tão subestimado, tenha um filme tão bom, redondo e quem sabe seja a bússola para guiar os filmes vindouros da Warner/DC.

Dizer que Aquaman é um dos melhores filmes do Universo Estendido da DC pode não parecer grande coisa, dada a decepção dos fãs com Batman vs. Superman, Liga da Justiça e Esquadrão Suicida.

Por outro lado, preste atenção quando dizemos que Aquaman se equipara ao Mulher-Maravilha, embora sejam cenários bem diferentesMais ainda: no primeiro ato, o filme se equipara a uma das produções cinematográficas mais queridas dos fãs de quadrinhos: Superman – O Filme, de 1978.

Com Aquaman – e o vindouro Shazaam! – parece que a Warner/DC enterrou de vez o clima sombrio que predominou até então em suas produções. Finalmente, o estúdio perdeu a vergonha de dizer que, sim!, faz filmes bons baseados em histórias em quadrinhos.

PS: desnecessário lembrar os leitores que filme bom de super-heróis tem cena pós créditos ;)

Papo de Quadrinho viu: Robin Hood – A Origem

(Não vamos falar de Spoilers, porque.. todo mundo conhece a história, certo?)

Robin Hood é um clássico amado por Hollywood que de tempos em tempos ganha uma versão repaginada. A história do nobre arqueiro inglês que se torna um ladrão e rouba dos ricos para dar aos pobres, parece que nunca vai deixar de encantar a audiência, seja por Robin ser um arqueiro, por ser um abnegado, um herói, um revolucionário, ou tudo isso combinado.

Robin Hood – A Origem é uma nova tentativa de recontar a história do famoso ladrão em uma nova roupagem. Talvez no melhor timing possível, as metáforas desta nova versão são o acerto do filme.

Sabemos que o jovem nobre Robin (Taron Egerton) retorna ferido à Inglaterra e descobre que foi dado como morto: suas terras foram confiscados pela coroa, sua esposa, pesarosa por sua morte, seguiu sua vida. Tudo arquitetado Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn) com as bênçãos da Igreja. O xerife é uma autoridade opressora que não pensa duas vezes antes de explorar a população em nome do “esforço de guerra”. A jovem Marian (Eve Hewson), ex-mulher de Robin foi levada para trabalhar nas minas com grande parte da população civil.

Diante da perda do seu mundo e suas posses, Robin é convencido por pelo prisioneiro sarraceno Little John (Jamie Foxx), a iniciarem um confronto contra os poderosos de Nottingham e destruir os responsáveis pela ruína de ambos. E o melhor modo de atingir qualquer pessoa ou grupo de poderosos é – e sempre será – tirando seu dinheiro.

O diretor Otto Bathurst acerta em fazer uma nova roupagem, com um herói carismático e contar sua história sem usar os caminhos anteriores, ou seja, deixando de lado qualquer tentativa de fazer uma verossimilhança histórica e focando na ação competente, nas intenções do grupo de foras-da-lei de derrubar a tirania.

Essa versão atualizada tem uso do arco e das bestas como se fossem metralhadoras, guardas com escudos e bastões semelhantes aos usados pela tropa de choque, revoltosos de capuz e lenço como black blocks. A própria Cruzada se mostra como era de fato, uma invasão política sob a desculpa religiosa. Tudo leva o expectador a ter a sensação que já viu (ou está vendo) essa história antes, com a diferença que o mítico herói fará a diferença para libertar o povo.

O problema é que mesmo em um filme de aventura e ação, os ótimos efeitos e as grandes lutas bem coreografadas não funcionam sozinhos. Faltam elementos narrativos para contar uma boa história, como personagens com motivações mais bem desenvolvidas. Se você prestar atenção aos detalhes, vai acabar ficando com a sensação de que falta alguma coisa: a própria floresta de Sherwood, o bando de ladrões de Robin, Ricardo Coração de Leão no final? A construção da lenda do “Hood” deveria ser melhor (talvez mais tempo de filme?)

Robin Hood – A Origem é divertido, e claro, vale seu ingresso. Tem uma mensagem política metafórica que não poderia ter chegado em melhor hora. Ainda reapresenta para uma nova geração esse herói fantástico e atemporal. Mas merecia sim, ter uma narrativa melhor, mais bem trabalhada, dando tempo para contar a história dessa lenda notável.

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