Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Autor: Társis Salvatore

ComicCON RS chega em agosto com atrações internacionais

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Marcando a contagem regressiva de um mês para a maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul, a ComicCON RS divulga sua programação oficial. O evento realizado pela Produtora Multiverso acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Em sua sexta edição, a convenção tem como atração internacional o artista inglês David Lloyd, parceiro de Alan Moore na cultuada graphic novel V de Vingança. Outro destaque estrangeiro é o argentino Juan Ferreyra, que acaba de assumir a arte do título Arqueiro Verde no Rebirth da DC Comics, depois de passagens por revistas como Batman, Constantine e Esquadrão Suicida, prestes a ganhar sua aguardada adaptação para o cinema.

Variedade nacional

Entre os convidados nacionais está Danilo Beyruth, ícone dos quadrinhos independentes que neste ano faz sua estreia na Marvel, depois do estrondoso sucesso de Astronauta pela coleção Graphic MSP.
Sidney Gusman, editor do bem-sucedido selo de releituras dos personagens de Mauricio de Sousa, também marca presença e traz consigo outras duas revelações do projeto: Rogério Coelho, ilustrador de Louco – Fuga, e Bianca Pinheiro, artista escolhida para assinar a obra solo da Mônica.

Um dos homenageados do evento em 2016 é Ivan Reis, brasileiro com sólida carreira no mercado norte-americano, aclamado por títulos de destaque da DC Comics como Lanterna Verde, Aquaman e Liga da Justiça. Ele vem acompanhado dos amigos de longa data Joe Prado, arte-finalista e parceiro em diversos trabalhos, e Ivan Freitas da Costa, agente da Chiaroscuro Studios e organizador da CCXP. Também recebem a Medalha Renato Canini o cartunista gaúcho Santiago, a ilustradora Ana Koehler e o mineiro Afonso Andrade, coordenador do FIQ. Quadrinhos gaúchos estão bem representados por nomes como Cris Peter, Gustavo Borges, Daniel HDR, Rafael Corrêa e outros, em uma programação formada por mais de 50 convidados.

Cultura pop para todos

Foi-se o tempo em que a cultura pop era interesse de poucos: hoje o mundo nerd abre suas portas para todos e a ComicCON RS tem orgulho de receber um público diversificado e sua programação reflete esse conceito fazendo um verdadeiro panorama da cultura pop atual com quadrinhos, games, cinema, séries de TV, para todas as idades, gêneros, gostos e estilos.

Entre os convidados que evidenciam a abertura estão Alexandre Beck, da popular tirinha da internet Armandinho, o youtuber Sergio Vinicius do canal 2Quadrinhos, a jornalista Natália Bridi, editora de cinema do site Omelete, e Cecília Dassi, atriz e psicóloga que palestra sobre a Jornada do Herói. Painéis variados trazem assuntos do momento como o jogo Pokémon Go e a série Game of Thrones. Para completar, a convenção será sede da Maratona Conselho Jedi, tradicional encontro gaúcho de fãs de Star Wars realizado pelo CJRS.

Serviço

Com ampla estrutura, dois palcos com programação simultânea, espaço para estandes e artists alley formado por mais de 60 artistas, desfiles cosplay, áreas de lazer, alimentação, exposições e sessões de autógrafos, a ComicCON RS acontece nos dias 20 e 21 de agosto, das 11h às 20h, no campus da Ulbra em Canoas.

Ingressos à venda online na página www.facebook.com/comicconrs

Ingressos à venda em Porto Alegre na Nerdz (R. Sarmento Leite, 627), Tutatis Revistaria (Av. Assis Brasil, 650), Banca da República (Rua da República, 21) Geek Stuff (Av. Assis Brasil, 3522, Lindoia Shopping), Beco Diagonal (Av. Dr. Nilo Peçanha, 3228, Shopping Viva Open Mall) e Café Cartum (José do Patrocínio, 637), e em Canoas na Game House (Rua Guilherme Schell, 6750, Canoas Shopping) e Estação do Livro (Av. Farroupilha, 8001, Ulbra Canoas, Prédio 16B).

Vale o Investimento – January Jones: Corrida Contra a Morte

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Os quadrinhos europeus, ou banda desenhada como é chamada, produzem uma quantidade imensa de HQs de qualidade, mas infelizmente um percentual pequeno é traduzido e publicado aqui. Assim, não dá para perder a oportunidade de adquirir alguns trabalhos famosos quando aparecem, principalmente com preço acessível.

É o caso de January Jones, heroína criada em 1986 por Martin Lodewijk (roteirista) e Eric Heuvel (ilustrador), em uma série consagrada no mercado Franco-Belga de Banda Desenhada.

Lançado em junho pela AVEC EditoraJanuary Jones: Corrida Contra a Morte é o primeiro álbum da aviadora publicado no Brasil

Jones é considerada a sucessora de Tintim pois tem um estilo de quadrinho conhecido como linha clara. Mas ela não é apenas uma versão feminina do Tintim. January Jones é uma personagem cativante, que representa o espírito desbravador e aventureiro de uma época especial do século XX. É uma heroína forte, perspicaz e corajosa. Sua criação mistura características de figuras históricas – como a aviadora Amelia Earhart e a espiã Mata Hari – e de personagens fictícios como Indiana Jones e TinTin.

Eric Heuvel explica: “O que mais acho interessante nessa protagonista, em primeiro lugar, ela é uma mulher. Na época em que Martin e eu concebemos este personagem, não haviam tantas heroínas nos quadrinhos”.

Outra característica prazerosa das histórias é a inserção de citações a fatos e personagens históricos. Para que o público pudesse aproveitar esses detalhes, a edição brasileira traz notas de rodapé para contextualizar o leitor sobre alusões à história da Europa. Como explicou o editor Artur Vecchi: “Várias das citações a personagens ou episódios históricos na edição são de fácil compreensão para os europeus, mas para que os brasileiros, que podem não conhecer tão a fundo a história da Europa, resolvemos inserir as notas para que nossos leitores tenham a melhor experiência possível”.

January Jones: Corrida Contra a Morte  é primeiro volume de uma série ambientada na década de 1930 e que narra as aventuras desta aviadora destemida, que viaja pelo mundo a bordo de um avião Havilland Comet, se envolvendo em conspirações, vivendo em situações de risco, sempre com muita ação, aventura, suspense e humor.

Em Corrida Contra a Morte, J.J. deixa os céus um pouco de lado para participar do Rali de Monte Carlo, uma famosa prova que existe desde 1911. Nesta corrida, ela pilota o Viragiro, um carro revolucionário que lhe dá boas chances de vencer, mas para isso ela precisa lutar contra espiões alemães, corredores desleais e estradas com muita neve.

Ter a oportunidade de ler histórias tão ricas em uma aventura tão divertida e recomendada para leitores de todas as idades, já é a primeira boa notícia. A segunda é saber que a edição está bonita, bem feita e o site da AVEC está com um preço promocional de R$ 29,90. Vale muito o investimento.

 

 

ComicCON RS anuncia vinda do artista de V de Vingança

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Do Press Release

Em agosto a ComicCON RS chega à sua sexta edição e confirma o posto de maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul ao anunciar a vinda do inglês David Lloyd, lendário ilustrador de V de Vingança. Presença constante em eventos internacionais do gênero – e certamente o nome mais relevante dos quadrinhos a passar pelo estado –, o artista participa de painéis, entrevistas e sessões de autógrafos nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Criador de uma das obras fundamentais da nona arte junto com o roteirista Alan Moore, Lloyd é responsável por dar vida à icônica máscara de Guy Fawkes que se popularizou com a adaptação da história para o cinema em 2005, transformando-se em símbolo moderno de contestação em movimentos e manifestações globais. Autor da graphic novel Kickback e conhecido ainda por parcerias com autores de peso como Garth Ennis, Warren Ellis e Grant Morrison, desde 2012 o quadrinista se dedica à revista Aces Weekly, sua inovadora iniciativa voltada às HQs digitais.

O evento

Três vezes indicada ao Troféu HQMix, a ComicCON RS prepara neste ano a sua maior edição, contando com a ampla estrutura da Ulbra para oferecer dois palcos com programação simultânea, espaço para estandes e Artists Alley expandido, assim como áreas de lazer, alimentação, exposições e sessões de autógrafos. Além disso, a convenção será sede da Maratona Conselho Jedi – antiga Jedicon RS – tradicional encontro gaúcho de fãs de Star Wars realizado pelo CJRS.

Entre as primeiras atrações anunciadas está Danilo Beyruth, forte expoente do quadrinho nacional por obras como Necronauta e Bando de Dois, além de recentes trabalhos para a Marvel nos títulos Gwenpool e Deadpool vs. Gambit.
Primeiro artista escolhido para atuar no selo Graphic MSP, Danilo se consagrou com a trilogia Astronauta, que rendeu prêmios e conquistou o mercado europeu. Acompanham o veterano quadrinista outros dois recentes reforços desse seleto grupo: o premiado ilustrador Rogério Coelho, que reinterpretou um dos mais carismáticos personagens da Turma da Mônica com a elogiada Louco – Fuga, e a jovem revelação Bianca Pinheiro, escolhida para assinar a HQ solo da Mônica. Até agosto a CCRS promete anunciar muitas outras atrações e novidades que podem ser acompanhadas pela página http://www.facebook.com/comicconrs.

Com o primeiro lote já esgotado, os ingressos antecipados a preços promocionais podem ser adquiridos pelo site http://www.comicconrs.com/ingressos-2016, com opções de pagamento por cartão de crédito, débito em conta e boleto bancário. A ComicCON RS 2016 acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, e é uma realização da Produtora Multiverso.

Papo de Quadrinho viu: Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

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ATENÇÃO, para fazermos essa resenha será necessário usar SPOILERS. Se você ainda não viu o filme, veja antes de ler nossa resenha.

Quando foi anunciado um filme conjunto entre Batman e Superman, os maiores super-heróis da DC Comics, e ícones mundiais da cultura pop, a expectativa se tornou imensa. Some-se a isso uma novidade importante: a introdução da Mulher Maravilha, terceira figura mais importante na trindade da editora e que ganhará filme solo. Como a Warner/DC apresentaria seus heróis sem usar o consagrado recurso transmídia da Marvel Studios?

Foi com essa e outras perguntas em mente que a ansiedade tomou conta dos fãs e da imprensa, seguido por um curioso clima de haterismo na medida em que imagens e informações sobre o filme  eram divulgadas, principalmente pela escolha do ator Ben Affleck para viver o novo-velho Batman. O diretor, Zack Snyder, que também conta com um respeitável fã clube de haters, foi alvo contante de críticas antes sequer de o filme estrear.

Aos poucos, trailers mostraram grandes cenas, ideias promissoras, mas a dúvida permaneceu por parte de muitos fãs e haters: será um bom filme?

A despeito de todas as dúvidas e críticas, a resposta é SIM, é um bom filme. Ainda que tenha complexidades inesperadas para o público acostumado às adaptações de super-heróis (mas nem tanto para os leitores habituais de gibis da DC), e ainda que sofra uma inevitável comparação com o bom e bem azeitado universo cinematográfico da Marvel, Batman vs Superman – A Origem da Justiça tem muitos acertos e, a sua maneira, vai montar o universo DC no cinema.

Um passo para a Liga da Justiça

Ao contrário da sua concorrente, a DC trilhou um caminho denso, adulto e referendado por obras clássicas das HQs da editora, como O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller) e a Morte do Superman (Dan Jurgens), amarrando com a nova mitologia criada pelos Novos 52, de Geoff Johnsem que a DC Comics dá origem à Liga da Justiça a partir de um esforço para defender a Terra do maior vilão da editora, Darkseid (criação de Jack Kirby).

A paleta de cores escolhida para o filme é soturna. O Batman de Miller vivido por Ben Affleck é violento, capaz de usar uma arma. Um Batman pouco convencional. É um guerreiro amargurado, taciturno, que observa pesaroso uma armadura do Robin pixada com um desafio do Coringa, referência a Batman: A morte do Robin (Jim Starlin) e que vamos ter que esperar para saber mais no filme do Esquadrão Suicida. Um Batman repleto de perdas que percebe, após 20 anos combatendo o crime em Gotham, que seu trabalho é pequeno perto da ameaça representada pelo poderoso alien que atende por Superman (Henry Cavill) .

Visto ora como salvador ora como uma maldição, Superman é julgado por conta do espetáculo de destruição na luta contra o General Zod em O Homem de Aço, ainda que tenha salvado a Terra. O poder e o descontrole desses seres são questões levantadas pelo governo e por seu antagonista, Lex Luthor (Jesse Eisenberg), apresentado como um jovem gênio psicótico, mimado e típico dos nossos dias, ao mesmo tempo em que lembra um cientista louco clássico dos quadrinhos.

Lex Luthor é um homem temeroso quanto ao futuro da humanidade, mas sedento pelo controle sobre ela. Ele sabe que esses super-humanos – ou metahumanos – são como os antigos Deuses. Essa loucura atinge seu expoente quando ele usa tecnologia kryptoniana para criar o monstro Apocalypse e tem contato, ao que parece, com a caixa materna. Antes, para que seu controle seja total, Luthor manipula os heróis e os guia rumo a um confronto inevitável.

Descobertas como vida alienígena, tecnologia avançada e aparição dos deuses e super-seres parecem ter grande impacto na vida do homem comum no universo cinematográfico da DC. Essas descobertas geram medo e levantam suspeitas. E nesse clima de desconfiança e descobertas está a figura enigmática de Diana (‎Gal Gadot ) uma poderosa guerreira que só conheceremos melhor em seu filme solo

Há também a citação nos arquivos de Luthor sobre outros personagens poderosos: um homem submarino, um jovem velocista e um ciborgue humano  criado com o uso de um objeto confidencial encontrado nos anos 1980, que os iniciados reconhecem como a caixa materna.

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Dessa forma, o filme sai do convencional quando mostra num misto de sonho e profecia, um Flash vindo de um futuro incerto, onde o Superman se tornou um mero agente local de um poder maior.

Eis os deslizes

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O ritmo da narrativa é muitas vezes quebrado, não funciona e arrasta o filme. E ainda que a narrativa de Snyder não obedeça a cartilha simples dos heróis Marvel, falta fluidez em diversos momentos.

A fluidez se perde, a grande quantidade de referências é um acerto que diante dos leigos, atrapalha. O público não iniciado tem problemas para entender referências da vinda de Darkseid, da Terra invadida por Apokolips, da caixa materna e dos parademônios. Acostumados à narrativa simplificada da Marvel, esse excesso de informações e referências são um problema para o filme, que eventualmente seria corrigido em uma versão estendida.

Nosso veredito

Se o filme não é perfeito por causa do ritmo e de tanta informação, as virtudes em Batman vs Superman – A Origem da Justiça estão na ousadia de tentar algo diferente para o gênero, sem apostar em soluções comuns e lineares que nos acostumamos a ver nos filmes da Marvel.

É um filme carregado de simbolismos, denso, soturno. Não é um filme infantil. Tem uma trilha sonora muito boa, atuações convincentes e surpreende o público ao tirar de cena um dos protagonistas, embora todo mundo que tenha lido quadrinhos sabe que ele vai voltar. A DC apontou um caminho interessante e diferente para seus filmes, que incluem um clima de tragédia para a humanidade, supostamente já condenada nas mãos de Darkseid.

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A forma como os outros filmes amarrarão essa narrativa é um novo mistério. Como apresentar os novos super-heróis sem usar a fórmula bem sucedida da Marvel?

A Warner/DC criou seu jeito de contar sua história. Às vezes confusa, às vezes pessimista, muitas vezes empolgante. Nada que um leitor de quadrinhos não conheça. Valeu também pela ousadia de trazer um clima sombrio aos filmes, de mostrar que antes de ser nossos salvadores, o super-heróis carregam um legado de destruição, morte e transformação para a humanidade. Que venham mais filmes de super-heróis sérios, mais destruição em massa e mais Deuses, mas sem perder a empolgação e a aventura.

A Ameaça do Barão Macaco introduz novo anti-herói das HQs nacionais

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O crime organizado toma conta da cidade grande, com envolvimento dos políticos e a apatia de uma polícia bem-intencionada, porém despreparada. É nessa hora que a sociedade abre espaço para os vigilantes, que buscam fazer justiça mesmo à margem da lei. Nesse ambiente de corrupção, tráfico e violência se desenvolve a trama de A Ameaça do Barão Macaco, mais um lançamento em quadrinhos da Zarabatana Books, desta vez em parceria com o coletivo de quadrinhos Fictícia. Hector Lima (roteiro), Milton Sobreiro (arte) e Felipe Sobreiro (capa e letras) constroem a gênese de um anti-herói urbano, que com sua máscara de macaco e mira certeira, ameaça as estruturas do crime.

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Mas quem é esse vigilante solitário que age nas sombras para fazer de sua cidade um lugar mais justo e seguro? Este é um mistério que a repórter Renata tenta desvendar, mesmo que isso coloque em risco sua carreira e sua vida. A Ameaça do Barão Macaco é um thriller urbano atual, surpreendente e cheio de reviravoltas, que faz justiça à qualidade da atual safra de histórias em quadrinhos nacionais.

Sobre os autores

Hector Lima: Autor de Zumbingo, o Major, colaborou nas coletâneas nacionais Front e Manticore, e na britânica Commercial Suicide, e organizou a coletânea de brasileiros Inkshot, pelo do selo americano Monkeybrain Comics entre outros.

Milton Sobreiro: Começou a trabalhar com HQs aos 70 anos, depois de uma carreira como ilustrador, pintor e diretor de arte em agências de publicidade. Teve histórias publicadas nas coletâneas norte-americanas Heavy Metal, colecionadas em Divergent Dimensions, Cthulhu Tales, Zombie Tales (Boom Studios), Popgun Vol. 1 (Image Comics) e Inkshot (MonkeyBrain Comics). Desenhou também Bestiarium Nocturna e La Santa (Ruptura Comics) e colaborou em Smoke / Ashes (Dark Horse Comics).

Felipe Sobreiro: Filho de Milton Sobreiro, desenhou The New Adventures Of Sigmund Freud (de Juan Arteaga) e outras histórias curtas como Cartilha Da Bala, para a coletânea Inkshot (MonkeyBrain Comics.Atua como colorista em HQs publicadas nos Estados Unidos, como na saga Luther Strode (Image Comics), a minissérie Polarity (Boom Studios), a revista mensal Spread (Image Comics), e produziu capas para títulos da Marvel e da DC Comics.

Sobre a editora

Com sede em Campinas, no Estado de São Paulo, a Zarabatana Books publica livros e quadrinhos, nacionais e estrangeiros, que não costumam ter espaço nas demais editoras de quadrinhos brasileiras.  Mais informações em www.zarabatana.com.br.

Agenda: Santander Cultural recebe ComicCON-RS Pocket

Com o sucesso da estreia do formato em janeiro, a ComicCON RS Pocket ganha sequência com uma nova edição no dia 20 de março. A atividade marca o início da parceria entre a CCRS e o Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028 – Centro Histórico, PoA-RS), que cede sua confortável estrutura localizada bem no centro de Porto Alegre para os fãs de quadrinhos e cultura pop em um domingo de confraternização e muitos debates.12801499_923517701100375_863116607312287685_n

Às vésperas da estreia mais aguardada do ano, o evento tem como destaque o painel  ‘Batman versus Superman: A Origem da Justiça’, produção que reúne dois dos maiores heróis do universo DC e chega aos cinemas no dia 24.

Já o debate “A força das super-heroínas” aproveita o mês comemorativo para falar sobre a representação feminina as HQs. A programação conta ainda com um debate sobre HQs regionalistas com a presença de artistas locais. A entrada é franca e acontece das 13h às 16h, com distribuição de senhas para cada sessão.

Consolidada como a principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul, a ComicCON RS realiza mini-edições em diferentes datas e locais, servindo de aquecimento para o evento principal em agosto. Batizada de CCRS Pocket, a iniciativa propõe maior continuidade e descentralização, oferecendo ao público opções variadas e gratuitas de entretenimento nerd.

5 perguntas para: Samanta Flôor

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Samanta Flôor é uma ilustradora e quadrinista que vem se destacando no mercado de quadrinhos com uma arte expressiva e delicada, aliada a uma narrativa consistente, elegante e sensível.

Foram inúmeras participações: Café Espacial, MSP, Guia Culinário do Falido e algumas internacionais como Aqui e Acolá e trabalhos autorais pela Marsupial e Polvo Rosa Books.

Antes que ela se torne uma pop star e não tenha mais tempo de nos atender, Papo de Quadrinho fez 5 perguntas para essa talentosa artista.

1) Para quem ainda não conhece, quais suas influências e como é seu trabalho?

Minhas influências estão mais fora do mundo dos quadrinhos, na verdade. São mais filmes, livros e seriados e o que eu estiver ouvindo no momento. Mas posso citar alguns (certamente esquecerei de gente importante, por isso detesto listas… hehe) como: Lynda Barry, Charles Schulz, Chris Ware, Laerte, Laura Park, Lucy Knisley etc.

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O meu trabalho é essencialmente de humor, mas como todo humorista, tem um lado mais sombrio. Eu gosto muito dessa mistura de humor com melancolia, acho que o humor mais interessante anda de mãos dadas com a tristeza. Gosto muito do trabalho do Louis CK, por exemplo, que é o cara que atualmente melhor trabalha isso, na minha opinião.

2) Como você vê o mercado de quadrinhos hoje no Brasil?

Fica difícil opinar sobre o mercado. Se produz muita quadrinho hoje no Brasil, tem muita editora independente surgindo, muitos projetos de financiamento coletivo, mas o mercado continua o mesmo, não acho que essa intensa produção nacional atual (não apenas em números,  também em qualidade) esteja se refletindo em uma popularização das HQs, infelizmente. Mas posso estar errada (tomara né?).

3) Como é trabalhar fora dos grandes Centros (Samanta é de Pelotas-RS e mora em Porto Alegre). Seu trabalho encontra espaço ou fica difícil por conta da distância?

Acho que não tem tanta diferença hoje em dia, a internet tá aí pra isso. Porém é muito importante participar de feiras e convenções, não apenas pelo contato com o público, mas pra conhecer outros artistas. E porque é divertido pra cacete, né?

4) A questão de gênero é a pauta da vez no Brasil. Você sente que o mercado tem alguma reserva ao seu trabalho ou isso não existe? Como funciona?

Não tive nenhuma dificuldade por isso, mas confesso que tive muito receio de me expor no começo, como qualquer mulher iniciando num mercado dominado por homens. Sobre eventos e publicações: acredito que seja um pouco mais difícil de ser convidada. Ou às vezes te convidam e deixam claro que estão te convidando apenas para preencher “cotas”, não porque o teu trabalho é bom. É muito mais simples pro cara que está começando conseguir uma certa relevância nesse meio do que uma mulher. 

É como se, por ser mulher, ela tem que fazer algo mil vezes melhor que o homem, apenas pra ficar no mesmo nível. Hoje me sinto muito mais à vontade porque existem muitas mulheres publicando e ganhando espaço. Não acho que todas elas tenham surgido ontem, acredito que elas não apareciam tanto, não conseguiam espaço ou simplesmente ficavam temerosas de se expor, como eu, no começo. É uma ótima época para os quadrinhos, mas infelizmente o machismo ainda é muito presente no meio, por isso eu admiro tanto cartunistas como a Lovelove6 (que faz a tira Garota Siririca) que encabeçam debates e discussões sobre feminismo. Mas as coisas estão melhorando, eu sou otimista. :)

5) Fale do teu último projeto e o que os fãs (este editor incluso) podem esperar para 2016?

Meu último trabalho foi uma Chance tem roteiro do Diogo Cesar e eu fiz a arte. Foi um processo novo pra mim. Esse ano eu também colaborei com autores portugueses, no livro Aqui e Acolá, mas Chance foi meu primeiro projeto grande colaborativo e foi ótimo! Foi bem orgânico, no sentido que eu me meti a dar pitacos no roteiro e o Diogo ajudou muito na arte, sugerindo ângulos e enquadramentos diferentes.

Eu diria que Chance é uma história de suspense e humor com pitadas de mitologia e muitos gatos. Está na coletânea Tentáculos, em ótima companhia, em uma nova editora, mas muito promissora: o cuidado com o design dos livros e toda atenção que o editor dispensa aos autores certamente renderá muitos ótimos livros! Em 2016, de confirmado eu tenho um novo livro infantil (esse com palavras) e pelo menos mais duas colaborações. Espero ter uma HQ própria também, mas veremos!

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Você pode acompanhar o trabalho da Samanta Flôor aqui.

SUPER nº1 ganhará versão impressa

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SUPER nº1  está ganhando uma versão impressa. A história tem roteiro de Douglas MCT, arte de Fabiano Ferreira, e é uma das várias produções impressas do Lamen, portal de webmangás nacionais que estreou em julho deste ano.

De 23 a 30 de novembro, o mangá está em pré-venda promocional, de 20 por apenas R$ 14,00, com frete grátis para todo o Brasil. E extras como um marcador e um card autografado, exclusivo dessa promoção. As revistas serão enviadas após a CCXP, ou poderão ser retiradas no próprio evento. A compra antecipada pode ser feita aqui.

SUPER nº1 foi criado e editado pelo selo Lamen e tem capa colorida cartonada, brochura, 14 x 19,2 cm, com 68 páginas em PB, recheado de extras!

Sinopse:
O garoto Edrik Everton sempre sonhou em se tornar um super-herói. Depois de passar por uma grande reviravolta na vida, ele faz de tudo para ingressar na Excelsior, uma escola onde ele poderá estudar e treinar para se tornar um SUPER, fazendo muitos amigos e inimigos pelo caminho.

Serviço:
Lançamento em São Paulo: 3 a 6 de dezembro, na CCXP 2015, mesa 31 do artist´s alley (São Paulo Expo Exhibition & Convention Center) e também no estande do Social Comics no dia 05/12, das 10h30 às 11h30.

Papo de Quadrinho visitou: Forbidden Planet UK

Imagine um lugar onde é possível encontrar action-figures e afins de todas as franquias famosas da cultura pop, com ênfase nas novidades, mas sem esquecer os clássicos. Imagine que, nesse mesmo lugar, é possível encontrar quadrinhos, mangás e livros de todos os tipos, de todas as editoras, desde os mainstream até os  independentes (incluindo alguns brasileiros). Por fim, nesse mesmo (grande) espaço, encontramos acessórios, estatuetas, brinquedos, merchandising de games, de animações, de séries, camisetas (acompanhe nosso vídeo acima, com mais detalhes mostrando a loja).

Sim, queridos leitores, esse lugar mágico existe. Ele se chama Forbidden Planet, uma loja dos sonhos para qualquer nerd e demais amantes de cultura pop.

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O verdadeiro templo da perdição

Fundada em 1975, a loja está localizada numa grande área – térreo e subsolo – em 179 Shaftesbury Ave, próximo ao metrô Tottenham Court Road Station, na região central de Londres. Para se ter uma ideia do poderio, a rede Forbidden Planet possui dezesseis lojas espalhadas pelo Reino Unido e uma nos Estados Unidos.

Embora o Brasil tenha boas lojas de quadrinhos e o mercado venha crescendo nos últimos anos, não é exagero dizer que nada se compara à Forbidden Planet.

Passado o choque de descobrir uma loja com essa magnitude, trocamos o desejo de comprar TUDO o que havia ali por esse breve registro do que mais nos chamou a atenção.

De cara, temos que destacar que a loja aproveita as febres do momento, e nada por aqui chama mais atenção do que Star Wars (vídeo). No primeiro andar, área dos action figures, há vitrines enormes com a franquia.

Entre os modelos, a febre são os Pop Vynil da Funko, que estão em todas as outras lojas, mas, aqui, ganham destaque. Há, claro, outras figuras de ação bacanas…

Clássicos como esse podem ser econtrados

Clássicos como esse podem ser econtrados

Bem como figuras de ação mais novas

Figuras de ação mais novas, baseadas em filmes

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Releituras do passado como essa de ‘Bátima e a Feira da Fruta’

Figuras de heróis que estão bombando nos quadrinhos atualmente

Figuras com os heróis  e heroínas que estão bombando nos quadrinhos agora

E outros brinquedos e camisetas também, tudo ambientado em um cenário adequado e que evoca o que há de melhor na cultura pop, sobretudo na ficção científica. São as mais variadas franquias das séries de TV, cinema e quadrinhos. 

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Kit revolução, criado na Inglaterra e exportado para o mundo todo

Essa nave ENORME fica na entrada para o andar dos quadrinhos e livros

Essa nave linda é ENORME (arrisco dizer uns 3 metros) e fica na entrada para o subsolo.

No subsolo fica a área de quadrinhos. É possível se perder lá entro. Ampla e repleta de objetos do desejo, vale destacar as vitrines especiais de quadrinhos, livros e afins para todos os gostos, divididas por gêneros: infantil, adulto, adolescente, independentes, autores, mangás etc. Há vitrines especiais para alguns gêneros como steampunk, clássicos, sci-fi e RPG, entre outros.

Ao contrário da Nostalgia & Comics, a loja não tem uma área específica de HQs antigas, dando ênfase aos lançamentos e graphic novels. E vale lembrar que para os ingleses, graphic novel é um eufemismo para gibis encadernados. E aqui tudo que é lançado em revistas avulsas (com 22 páginas e capa simples), será encadernado posteriormente em arcos fechados.

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Tem muita HQ independentes!

Manga

Área de mangá é bem servida, com trabalhos atuais e clássicos

Uma área destacando autores famosos em coleções especiais

Uma área destacando autores famosos e suas coleções especiais

Tem brasileiro em destaque

Tem brasileiro em destaque, sim!

Para quem tem curiosidade sobre questões de gênero, no momento em que essa discussão está tão em voga no Brasil, vale destacar que a maioria dos atendentes da área de quadrinhos é de mulheres que entendem do riscado.

O prédio tem amplo acesso tranquilo para cadeirantes e só não é mais espaçoso porque a loja abarrota nos finais de semana de gente das mais diferentes nacionalidades.

Acesso especial para leitores especiais

Acesso especial para leitores especiais

Encerramos o passeio com uma sensação óbvia de incompletude, levando poucos produtos e chorando lágrimas de sangue pelo que não deu para comprar ou levar. Além da histórica falta de grana, há o problema de transportar tudo para o Brasil, ou seja, ficamos babando mas comprar mesmo…

Os preços dos produtos são semelhantes aos de outras lojas do gênero, com algumas promoções e, claro, um pouco maiores nas action figures que são lançamento.

Para os padrões locais, os valores são acessíveis até para quem não é tão abonado, bem diferente do Brasil. Mas se uma ilha pode ter tanto público consumidor e um lugar tão bacana, quem sabe um dia um país de proporções continentais como o nosso não chega lá?

Fica nossa reflexão e mais uma dica de lugar obrigatório para se visitar quando estiver em viagem pelo Reino Unido.

Papo de Quadrinho visitou a Nostalgia Comics, em Birmingham

Moderno e vitoriano se confundem na paisagem de Birmingham

Uma das vantagens de visitar um país como a Inglaterra é a possibilidade de vivenciar o entretenimento e a Cultura Pop em sua forma mais organizada e destacada.

Em Birmingham, um dos berços da revolução industrial, cidade natal da banda Black Sabbath e dos estudos acadêmicos sobre subculturas, encontramos a segunda loja mais antiga da Inglaterra: a Nostalgia Comics.

Nostalgia Comics

Nostalgia, só no nome. A loja é moderna, ampla e com muitas novidades

Não se deixe enganar pelo nome. A Nostalgia & Comics é muito bem aparelhada, com todas as novidades da Cultura Pop. Num amplo espaço é possível encontrar o que há de mais interessante em termos de colecionáveis e quadrinhos.

Amplo espaço da Nostalgia: organização e atendimento nota 10

Amplo espaço da Nostalgia: organização e atendimento nota 10

A loja oferece os principais lançamentos em quadrinhos, action figures, pôsteres, camisetas, chaveiros, adesivos, acessórios etc. Depois de 40 minutos com o olhar preso olhando nas novidades em HQs, este editor se perdeu na loja tentando encontra um único ponto de destaque, mas foi impossível.

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Espaço reservado aos ilustradores locais

Talvez esses destaques sejam as graphic novels (que na prática é o termo usado para todos os encadernados aqui). Quando se trata desse tipo de HQ, a Inglaterra tem uma relação muito especial e uma diversidade de lançamentos e material tão grande que é difícil localizar alguns itens sem ajuda de um funcionário, por mais organizada que seja a loja.

Dá para supor que a maioria dos quadrinhos lançados em linha (sejam ou não de super-heróis) se transformam em encadernados, além, claro, das edições especiais. Isso configura um modelo diferenciado na forma como as Bibliotecas oferecem quadrinhos para o público – isso será tema de outro post mais para frente.

 

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Destaques e lançamentos que fizeram este editor se perder

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O capricho nas fichas de catalogação diz muito sobre a loja

O segundo andar da Nostalgia Comics é dedicado aos quadrinhos mais antigos, principalmente aqueles de linha reunidos manualmente e vendidos em arcos fechados, prática idêntica à de sebos e de algumas lojas de São Paulo e Porto Alegre.

Esse capricho em organizar arcos de histórias em saquinhos plásticos facilita a procura. Mas se você não achar “aquela” HQ, basta falar com os proprietários. O atendimento é outro ponto alto da Nostalgia. Eles são solícitos, atenciosos, gentis, pacientes e prestativos. Até aceitaram gravar um vídeo curtinho especialmente para nossos leitores aqui no Brasil:

Os preços praticados pelas principais lojas de quadrinhos e colecionáveis no Reino Unido não são abusivos, mas a Nostalgia Comics é comumente elogiada por praticar preços um pouco mais baixos do que as concorrentes em alguns itens – talvez por não estar localizada na capital, Londres.

Sejam quais forem os motivos, valeu a visita! E fica aqui nossa dica para quem puder conhecer mais esse templo da Cultura Pop: um lugar para fazer amigos, ficar por dentro das novidades e lançamentos e levar o visitante falência – ou, se você não tiver dinheiro como nós, vai ficar mesmo é deprimido :-)

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