Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Autor: Társis Salvatore

Papo de Quadrinho viu: Liga da Justiça (SEM SPOILERS)

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas nesta terça-feira (14). Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para que serve um filme de super-heróis?
Se você responder essa pergunta, pode ser que o entendimento deste filme (e dos muitos que estão por vir neste subgênero cinematográfico) se torne mais claro e com isso as motivações para assistir filmes de super-heróis adquiram outros significados.

Se o objetivo for se divertir, se encantar, se emocionar com o dia sendo salvo por pessoas com dons especiais e, finalmente, ter o prazer de passar algumas horas vendo ao vivo seus super-heróis favoritos dos quadrinhos – ali, em uma versão em carne e osso – você não deve perder o filme Liga da Justiça.

Vamos listar 5 motivos para você ir ao cinema e se divertir, e focar no que deu certo, SEM SPOILERS. Sim, nós sabemos que a boa crítica deve pesar o que deu errado também, mas vamos dar uma chance de fazer diferente desta vez.

1. É A LIGA DA JUSTIÇA, C%$&@L&O!

Não importa se você é fã veterano de histórias em quadrinhos, “bazingueiro” ou nunca deu bola para super-heróis e gibis: você nasceu neste planeta e sabe o que é a Liga da Justiça. Um grupo de super-heróis reunido para defender a Terra e seus habitantes de ameaças externas e internas. Ver o grupo em ação já é motivo suficiente para pagar o ingresso (cada dia mais caro) e passar 2 horas em companhia de Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Ciborgue, Flash e Aquaman – os super-heróis da vez (#saudadesLanternaVerde), escolhidos para essa estreia cinematográfica.

2. É UMA BOA (E SIMPLES) HISTÓRIA

Não tem nenhum segredo ou roteiro rocambolesco. A história se passa levando em conta os eventos que ocorrem após a morte do Superman, mostrados no polêmico  Batman vs Superman – A Origem da Justiça. Sem o Azulão de Krypton, a Terra está aberta para qualquer ameaça em larga escala. Assim, surge um vilão ancestral, o Lobo da Estepe, comandante de um exército de criaturas horrendas chamadas de parademônios. Nos quadrinhos, esses monstros são ligados ao maior vilão da editora, Darkseid, criação do genial Jack Kirby.

O Lobo da Estepe está na Terra em busca das Caixas Maternas, artefatos de poder imensurável, capazes de terraformar um planeta por meio da vida ou da morte. A motivação é essa, tomar o planeta Terra e transformá-lo em um inferno (muito, muito pior do que é hoje). Simples assim, sem enormes digressões filosóficas e conceituais, sem muita margem para interpretação. E ainda que este vilão seja o ponto mais fraco do filme, não compromete. Ele não tem incríveis axiomas emocionais, nem um intelecto soberbo alienígena ou um refinamento tático: é um comandante de invasão e veio aqui acabar com tudo. Ponto.

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3. OS SUPER-HERÓIS ESTÃO ÓTIMOS

Os primeiros 5 minutos do filme ganham o espectador. Aos poucos, vemos a Mulher-Maravilha (Gal Gadot) em ação enquanto Batman (Ben Affleck) procura os outros super-heróis para formar um grupo de defesa da Terra que está, ao que tudo indica, diante de um ameça iminente. Na medida em que Bruce Wayne parte em busca destes escolhidos que possuem dons especiais, vamos aos poucos vendo o que cada um é capaz de fazer individualmente.

A Mulher-Maravilha continua ótima, tanto quanto em seu filme solo. Protagoniza cenas memoráveis de luta e, no decorrer do longa, tem uma relação intrincada e interessante com Batman.

E o Superman (Henry Cavill)? Bom, ele retorna e faz muito bem seu papel na história. Aquaman (Jason Momoa) surge muito bem dados os contextos da história e sua participação dá pistas – e boas esperanças – do que será seu filme solo. O Flash (Ezra Miller) é o alívio cômico, e também tem boa participação. Lembram do Flash do desenho Liga da Justiça sem limites do Bruce Tim? É esse Flash que está no filme.

Por fim, uma grata surpresa: Ciborgue (Ray Fisher). Apesar do visual que lembra um transformer humano, o Victor Stone do filme tem toda a carga trágica dos quadrinhos. Se você não sabe quem é o Ciborgue, ou só viu nas animações infantis de Teen Titans Go! não se preocupe, pois sua trágica história é revelada nesse filme.

No transcorrer da trama, vemos o time todo em ação, como já foi mostrado em trailers e cenas divulgadas. O objetivo do filme afinal é mostrar essas lutas amarradas em uma boa história, e assim chegamos no próximo item.

4. É UM FILME REDONDO

A estrutura e narrativa têm um ritmo adequado, bem conduzido, mas claro, não é e nem precisa ser uma obra-prima cinematográfica. O filme dá certo porque os eventos acontecem no ritmo certo. Como e por que os super-heróis se reúnem para defender a Terra e o custo dessa batalha são questões que vão envolvendo a audiência.

Outro acerto é a Warner sair do clima excessivamente sombrio, equilibrar essa paleta de cores escura adotada anteriormente (influencia de Joss Whedon, talvez?). Algumas piadas, ajustes e uma narrativa simples e coerente fizeram a diferença. Existem alguns problemas, mas nada que comprometa. Poderia ser melhor se a Warner tivesse contado as histórias anteriores de seu universo de forma diferente.

Não que o estúdio precisasse copiar o modelo eficiente da Marvel, mas o fato de não ter mais tempo para explorar as relações entre os super-heróis e outros pequenos ajustes finos impedem que Liga da Justiça seja um filme épico (para usar uma palavrinha da moda). Mas nada disso diminui seu valor nem a diversão, pode ficar tranquilo.

Atenção para duas cenas pós-créditos! Não saia do cinema antes do acender das luzes.

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5. VOLTAR A SER CRIANÇA FAZ BEM

Para uma geração que ficou feliz com Superman: O filme (1978) e nunca imaginou viver uma Era heroica no cinema, com dezenas de filmes – alguns muito bons –  baseados no universo dos super-heróis dos quadrinhos, ter o prazer de acompanhar as aventuras de uma Liga da Justiça no cinema com amazonas, atlantes, parademônios, novos deuses de Jack Kirby, caixas maternas… quem sonharia? Ajudou muito Liga da Justiça ser um filme bem-feito, com roteiro amarrado, paleta de cores mais viva.

Foi um prazer ver tudo isso! Ainda que não seja uma obra-prima, Liga da Justiça cumpre com louvor o papel de representar bem esses heróis tão icônicos para a Cultura Pop e, modo sutil, levantar algumas questões, valores do heroísmo, companheirismo e dos perigos que a nossa escuridão pode trazer. Nunca é tarde para enfrentar as trevas, ainda que elas pareçam invencíveis. São ideias que chegam em boa hora para o mundo atual que vivemos, principalmente por essas bandas tupiniquins.

Papo de Quadrinho viu: Blade Runner 2049

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidores nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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Para falar sobre este novo filme do diretor  Denis Villeneuve (A Chegada) é preciso voltar momentaneamente aos anos 1980.

Blade Runner – O Caçador de Androides (1982) de Ridley Scott, com o astro Harrison Ford no papel principal, é um filme de ficção científica distópica com raízes do cinema noir, muito mais preocupado com questões filosóficas do que em ser um filme de ação.

O roteiro foi inspirado no conto do escritor Philip K. Dick chamado Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides sonham com ovelhas elétricas?) mostra o trabalho de um caçador de androides (ou blade runner), em uma Los Angeles distópica que procura androides assassinos renegados (chamados de Replicantes). Essa história funciona como alegoria para pensar nas grandes questões sobre a existência humana; vida, morte e propósito, além de tantas outras perguntinhas que evitamos questionar.

Remendado pela Warner a contragosto de Scott e talvez por sua proposta vanguardista, o filme foi fracasso de público (e crítica) na época. Mas ninguém imaginaria que poucos anos depois, impulsionado pelo aluguel de fitas VHS, essa obra-prima visionária alcançasse o merecido sucesso e hoje fosse considerada um dos mais importantes filmes de todos os tempos.

Com isso em mente, sabíamos que esse seria o primeiro obstáculo para o novo Blade Runner 2049: avançar sob esse legado, nos levando de volta ao universo ficcional que marcou gerações de fãs e admiradores. O diretor Denis Villeneuve revela que impôs uma condição antes de concordar em dirigir o filme. “Eu precisava da benção de Ridley Scott. Essa foi a minha única condição”. Mais do que dar a sua benção, Scott se tornou produtor executivo desta continuação. “(…) se por acaso precisasse dele, eu poderia ligar; ele estaria ao meu dispor a qualquer hora. E, de fato, toda vez que eu precisei, ele estava lá. Eu sempre serei grato a ele”- concluiu Villeneuve.

Uma nova história

Com a bênção de Ridley Scott na produção, o novo Blade Runner começa na internet. Villeneuve criou três curtas para situar o público sobre as mudanças do mundo ficcional de Blade Runner neste período entre os filmes: Black Out 2022 – anime de Shinichiro Watanabe (de Cowboy Bebop) mostrando os acontecimentos depois do filme clássico; 2036: Nexus Dawn apresentou o cientista Niander Wallace (Jared Leto), um magnata que recriou os replicantes e por fim, 2048: Nowhere To Run, que se passa um ano antes da história do filme ocorrer e mostra um acontecimento na vida de Sapper Morton (Dave Bautista).

Para fugir de SPOILERS e tentar falar sobre a história da melhor maneira possível, vamos focar no que faz deste filme um bom filme, e sobretudo, uma continuação honesta (embora desnecessária).

Primeiro, Blade Runner 2049 parte do “clima” original para construir uma nova história e recompõe elementos que fizeram de Blade Runner um clássico. Esse respeito é um acerto e começa na cidade/cenário. Para o cyberpunk, a cidade é um personagem fundamental. Nesta versão L.A. é reapresentada e expandida. Villeneuve procura ser fiel ao espírito do filme original para homenagear a estética do cinema noir, mas não fica preso a isso e apresenta outros cenários de forma atraente – pronto também para Roger Deakins, diretor de fotografia que fez um trabalho excelente. A lista de acertos avança para os figurinos, bons diálogos, a tecnologia mostrada e o que importa: uma história redonda.

O filme tem seu ritmo, com boas cenas de ação, embora nem todas as cenas sejam realmente úteis e o trailer (Ah! O trailer!) simplesmente entrega um pouco mais do que precisa. Por fim, fecha com boas atuações, ou pelo menos uma boa direção.

“Eu tive seu emprego…” (Decker)

RYAN GOSLING as K in Alcon EntertainmentÕs sci fi thriller BLADE RUNNER 2049 in association with Columbia Pictures, domestic distribution by Warner Bros. Pictures and international distribution by Sony Pictures Releasing International.

Ryan Gosling é K, um detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles, cujo trabalho ainda é encontrar, investigar e “aposentar” replicantes antigos, remanescentes do período antes do grande black out. Já os Replicantes atuais estão totalmente sob controle e  coexistem com humanos, ainda que com desconfiança. Ambas as questões são tratadas nos curtas disponíveis no Youtube – os links estão ali no texto. Não é obrigatório para entender a história mas é legal conferir.

É neste cenário que K, o novo blade runner, esbarra em uma trama que pode definir o futuro da humanidade, cujas conexões vão levá-lo a procurar sua própria origem e de quebra, reencontrar Decker (Harrison Ford), o ex-blade runner original, enquanto é vigiado por Luv (Sylvia Hoeks), uma vilã convincente.

Mais uma vez os valores da humanidade são questionados durante a procura de K e trazem novamente à tona questões como: O que nos faz humanos? Qual nosso propósito?

Talvez o maior mérito desta continuação (de novo – boa, porém desnecessária) não seja apenas respeitar o clima do filme clássico, ter boas atuações e uma história ok. Talvez as dúvidas de K por respostas sobre sobre sua existência nos dêem a oportunidade de revirar questões em nossa própria cabeça, uma boa ideia exatamente no momento em que a humanidade parece estar cheia de certezas, incapaz de formular grandes perguntas, com preguiça de rever seus próprios atos.

Ponto para Villeneuve que acertou o tom e nos deu um Blade Runner novo para curtir – ou no caso dos fãs mais xiitas, um novo para odiar.  Fica nossa torcida para que seu novo projeto, uma nova adaptação do romance clássico de ficção científica de Frank Herbert Duna, também tenha sucesso.

 

Papo de Quadrinho viu: Homem-Aranha – De volta ao lar

A convite da produtora Espaço/Z, este editor assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Em respeito aos nossos leitores e seguidos nas redes sociais, essa resenha NÃO TEM SPOILERS.

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O novo Homem-Aranha no cinema criou inúmeros dilemas. O jurídico, dizia respeito à disputa pelos direitos do personagem no cinema. A solução foi um entendimento entre Sony Pictures e Marvel Movies que levou o Homem-Aranha a fazer uma ponta em Capitão América: Guerra Civil (2016).

Superado o entusiasmo e o amplo debate nas redes sociais, o caminho estava aberto para a Marvel Movies adaptar o “novo” Homem-Aranha em um filme solo. Mas como recontar uma história que todos conhecem de cor, e de quebra, inserí-la de forma coesa no rentável e organizado Universo Cinematográfico da Marvel (UCM)?

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Esse foi o desafio do diretor Jon Watts. Sem grandes filmes do gênero no curriculo, Watts encararia as inevitáveis comparações com os bem sucedidos filmes, como Homem-Aranha (2002) do diretor Sam Raimi, (estrelado por Tobey Maguire), bem como os mal sucedidos, como O Espetacular Homem-Aranha (2012) do diretor Marc Webb, (com Andrew Garfield como protagonista).

O resultado é positivo com sobras. Podemos considerar Homem-Aranha – De volta ao lar como o melhor Homem-Aranha já feito até aqui, por várias razões, mas em grande parte, graças ao carismático Peter Parker vivido de forma bilhante por Tom Holland.

Atualização necessária

O filme acerta em atualizar Peter Parker, mas sem esquecer elementos básicos dos quadrinhos, muitos tirados do extinto universo Ultimate. Também acerta em não transformá-lo em um cara descolado, fugindo de sua essência de nerd tímido, talvez um dos maiores pecados dos filmes anteriores.

E felizmente o mais importante, não precisar recontar pela trilhonésima vez sua origem, outro acerto do longa.

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Peter Parker continua um nerd inseguro, embora muito inteligente. Constantemente trollado pela turma da escola e ainda fechado em seu mundo de diversões solitárias, tecnológicas e paixões platônicas.

Porém, é ai que temos o encaixe preciso com o UCM: Peter Parker já estava nele e já havia participado de uma missão com os Vingadores, já tinha ganhado um uniforme desenhado por Tony Stark.

Ao retornar para Nova York depois da luta em Capitão América: Guerra Civil, Parker fica como “estagiário” e enfrenta criminosos da vizinhança sob a supervisão do Homem de Ferro.

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O garoto acredita que pronto para desafios maiores, quando descobre as atividades do Abutre (muito bem feito por Michael Keaton) na cidade, mas perceberá o peso de suas responsabilidades e terá que lidar com perigo real. E neste contexto o Abutre é um vilão com motivações reais, e o mais importante: é um vilão factível,  assustador, não é um vovozinho decrepto de colant verde.

Com um sorriso no rosto ao final

A partir dai – para fugirmos de Spoilers – podemos dizer apenas que temos um filme muito bem dirigido. A narrativa não dá margem para dramas exagerados, nem excesso de piadinhas. Equilibra ação com emoção, enquanto entendemos um pouco o que se passa com o novo Peter Parker.

Acompanhamos seu desafio em dominar seus talentos, potencializados por seu traje-aranha tecnológico e o que é mais importante: sofremos com suas dúvidas entre conciliar uma vida comum e ordinária como estudante, com as responsabilidades e desafios de ser super-herói a altura dos Vingadores.

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Para tranquilizar os especuladores, o Homem de Ferro não interfere demais no filme e ainda garante boas risadas no final.  E por falar em final, há duas cenas extras, não saia da sala mesmo quando a música dos Ramones terminar.

Homem-Aranha – De volta ao lar é um filme redondo, com atuações muito boas e mistura ação e humor na justa medida, repetindo a (inesgotável) fórmula de sucesso dos filmes da Marvel. Além disso, o filme também funciona dentro de um universo maior, mas de forma bem encaixada, sem transtornos.

Deve divertir muito leitores de quadrinhos, (os mais velhos e saudosistas nem tanto…) ou quem for apenas fã do bem sucedido UCM. Mas para todos os público é um convite para sair do cinema com um sorriso no rosto.

ComicCON RS chega em agosto com atrações internacionais

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Marcando a contagem regressiva de um mês para a maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul, a ComicCON RS divulga sua programação oficial. O evento realizado pela Produtora Multiverso acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Em sua sexta edição, a convenção tem como atração internacional o artista inglês David Lloyd, parceiro de Alan Moore na cultuada graphic novel V de Vingança. Outro destaque estrangeiro é o argentino Juan Ferreyra, que acaba de assumir a arte do título Arqueiro Verde no Rebirth da DC Comics, depois de passagens por revistas como Batman, Constantine e Esquadrão Suicida, prestes a ganhar sua aguardada adaptação para o cinema.

Variedade nacional

Entre os convidados nacionais está Danilo Beyruth, ícone dos quadrinhos independentes que neste ano faz sua estreia na Marvel, depois do estrondoso sucesso de Astronauta pela coleção Graphic MSP.
Sidney Gusman, editor do bem-sucedido selo de releituras dos personagens de Mauricio de Sousa, também marca presença e traz consigo outras duas revelações do projeto: Rogério Coelho, ilustrador de Louco – Fuga, e Bianca Pinheiro, artista escolhida para assinar a obra solo da Mônica.

Um dos homenageados do evento em 2016 é Ivan Reis, brasileiro com sólida carreira no mercado norte-americano, aclamado por títulos de destaque da DC Comics como Lanterna Verde, Aquaman e Liga da Justiça. Ele vem acompanhado dos amigos de longa data Joe Prado, arte-finalista e parceiro em diversos trabalhos, e Ivan Freitas da Costa, agente da Chiaroscuro Studios e organizador da CCXP. Também recebem a Medalha Renato Canini o cartunista gaúcho Santiago, a ilustradora Ana Koehler e o mineiro Afonso Andrade, coordenador do FIQ. Quadrinhos gaúchos estão bem representados por nomes como Cris Peter, Gustavo Borges, Daniel HDR, Rafael Corrêa e outros, em uma programação formada por mais de 50 convidados.

Cultura pop para todos

Foi-se o tempo em que a cultura pop era interesse de poucos: hoje o mundo nerd abre suas portas para todos e a ComicCON RS tem orgulho de receber um público diversificado e sua programação reflete esse conceito fazendo um verdadeiro panorama da cultura pop atual com quadrinhos, games, cinema, séries de TV, para todas as idades, gêneros, gostos e estilos.

Entre os convidados que evidenciam a abertura estão Alexandre Beck, da popular tirinha da internet Armandinho, o youtuber Sergio Vinicius do canal 2Quadrinhos, a jornalista Natália Bridi, editora de cinema do site Omelete, e Cecília Dassi, atriz e psicóloga que palestra sobre a Jornada do Herói. Painéis variados trazem assuntos do momento como o jogo Pokémon Go e a série Game of Thrones. Para completar, a convenção será sede da Maratona Conselho Jedi, tradicional encontro gaúcho de fãs de Star Wars realizado pelo CJRS.

Serviço

Com ampla estrutura, dois palcos com programação simultânea, espaço para estandes e artists alley formado por mais de 60 artistas, desfiles cosplay, áreas de lazer, alimentação, exposições e sessões de autógrafos, a ComicCON RS acontece nos dias 20 e 21 de agosto, das 11h às 20h, no campus da Ulbra em Canoas.

Ingressos à venda online na página www.facebook.com/comicconrs

Ingressos à venda em Porto Alegre na Nerdz (R. Sarmento Leite, 627), Tutatis Revistaria (Av. Assis Brasil, 650), Banca da República (Rua da República, 21) Geek Stuff (Av. Assis Brasil, 3522, Lindoia Shopping), Beco Diagonal (Av. Dr. Nilo Peçanha, 3228, Shopping Viva Open Mall) e Café Cartum (José do Patrocínio, 637), e em Canoas na Game House (Rua Guilherme Schell, 6750, Canoas Shopping) e Estação do Livro (Av. Farroupilha, 8001, Ulbra Canoas, Prédio 16B).

Vale o Investimento – January Jones: Corrida Contra a Morte

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Os quadrinhos europeus, ou banda desenhada como é chamada, produzem uma quantidade imensa de HQs de qualidade, mas infelizmente um percentual pequeno é traduzido e publicado aqui. Assim, não dá para perder a oportunidade de adquirir alguns trabalhos famosos quando aparecem, principalmente com preço acessível.

É o caso de January Jones, heroína criada em 1986 por Martin Lodewijk (roteirista) e Eric Heuvel (ilustrador), em uma série consagrada no mercado Franco-Belga de Banda Desenhada.

Lançado em junho pela AVEC EditoraJanuary Jones: Corrida Contra a Morte é o primeiro álbum da aviadora publicado no Brasil

Jones é considerada a sucessora de Tintim pois tem um estilo de quadrinho conhecido como linha clara. Mas ela não é apenas uma versão feminina do Tintim. January Jones é uma personagem cativante, que representa o espírito desbravador e aventureiro de uma época especial do século XX. É uma heroína forte, perspicaz e corajosa. Sua criação mistura características de figuras históricas – como a aviadora Amelia Earhart e a espiã Mata Hari – e de personagens fictícios como Indiana Jones e TinTin.

Eric Heuvel explica: “O que mais acho interessante nessa protagonista, em primeiro lugar, ela é uma mulher. Na época em que Martin e eu concebemos este personagem, não haviam tantas heroínas nos quadrinhos”.

Outra característica prazerosa das histórias é a inserção de citações a fatos e personagens históricos. Para que o público pudesse aproveitar esses detalhes, a edição brasileira traz notas de rodapé para contextualizar o leitor sobre alusões à história da Europa. Como explicou o editor Artur Vecchi: “Várias das citações a personagens ou episódios históricos na edição são de fácil compreensão para os europeus, mas para que os brasileiros, que podem não conhecer tão a fundo a história da Europa, resolvemos inserir as notas para que nossos leitores tenham a melhor experiência possível”.

January Jones: Corrida Contra a Morte  é primeiro volume de uma série ambientada na década de 1930 e que narra as aventuras desta aviadora destemida, que viaja pelo mundo a bordo de um avião Havilland Comet, se envolvendo em conspirações, vivendo em situações de risco, sempre com muita ação, aventura, suspense e humor.

Em Corrida Contra a Morte, J.J. deixa os céus um pouco de lado para participar do Rali de Monte Carlo, uma famosa prova que existe desde 1911. Nesta corrida, ela pilota o Viragiro, um carro revolucionário que lhe dá boas chances de vencer, mas para isso ela precisa lutar contra espiões alemães, corredores desleais e estradas com muita neve.

Ter a oportunidade de ler histórias tão ricas em uma aventura tão divertida e recomendada para leitores de todas as idades, já é a primeira boa notícia. A segunda é saber que a edição está bonita, bem feita e o site da AVEC está com um preço promocional de R$ 29,90. Vale muito o investimento.

 

 

ComicCON RS anuncia vinda do artista de V de Vingança

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Do Press Release

Em agosto a ComicCON RS chega à sua sexta edição e confirma o posto de maior convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul ao anunciar a vinda do inglês David Lloyd, lendário ilustrador de V de Vingança. Presença constante em eventos internacionais do gênero – e certamente o nome mais relevante dos quadrinhos a passar pelo estado –, o artista participa de painéis, entrevistas e sessões de autógrafos nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, região metropolitana de Porto Alegre.

Criador de uma das obras fundamentais da nona arte junto com o roteirista Alan Moore, Lloyd é responsável por dar vida à icônica máscara de Guy Fawkes que se popularizou com a adaptação da história para o cinema em 2005, transformando-se em símbolo moderno de contestação em movimentos e manifestações globais. Autor da graphic novel Kickback e conhecido ainda por parcerias com autores de peso como Garth Ennis, Warren Ellis e Grant Morrison, desde 2012 o quadrinista se dedica à revista Aces Weekly, sua inovadora iniciativa voltada às HQs digitais.

O evento

Três vezes indicada ao Troféu HQMix, a ComicCON RS prepara neste ano a sua maior edição, contando com a ampla estrutura da Ulbra para oferecer dois palcos com programação simultânea, espaço para estandes e Artists Alley expandido, assim como áreas de lazer, alimentação, exposições e sessões de autógrafos. Além disso, a convenção será sede da Maratona Conselho Jedi – antiga Jedicon RS – tradicional encontro gaúcho de fãs de Star Wars realizado pelo CJRS.

Entre as primeiras atrações anunciadas está Danilo Beyruth, forte expoente do quadrinho nacional por obras como Necronauta e Bando de Dois, além de recentes trabalhos para a Marvel nos títulos Gwenpool e Deadpool vs. Gambit.
Primeiro artista escolhido para atuar no selo Graphic MSP, Danilo se consagrou com a trilogia Astronauta, que rendeu prêmios e conquistou o mercado europeu. Acompanham o veterano quadrinista outros dois recentes reforços desse seleto grupo: o premiado ilustrador Rogério Coelho, que reinterpretou um dos mais carismáticos personagens da Turma da Mônica com a elogiada Louco – Fuga, e a jovem revelação Bianca Pinheiro, escolhida para assinar a HQ solo da Mônica. Até agosto a CCRS promete anunciar muitas outras atrações e novidades que podem ser acompanhadas pela página http://www.facebook.com/comicconrs.

Com o primeiro lote já esgotado, os ingressos antecipados a preços promocionais podem ser adquiridos pelo site http://www.comicconrs.com/ingressos-2016, com opções de pagamento por cartão de crédito, débito em conta e boleto bancário. A ComicCON RS 2016 acontece nos dias 20 e 21 de agosto, no campus da Ulbra em Canoas, e é uma realização da Produtora Multiverso.

Papo de Quadrinho viu: Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

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ATENÇÃO, para fazermos essa resenha será necessário usar SPOILERS. Se você ainda não viu o filme, veja antes de ler nossa resenha.

Quando foi anunciado um filme conjunto entre Batman e Superman, os maiores super-heróis da DC Comics, e ícones mundiais da cultura pop, a expectativa se tornou imensa. Some-se a isso uma novidade importante: a introdução da Mulher Maravilha, terceira figura mais importante na trindade da editora e que ganhará filme solo. Como a Warner/DC apresentaria seus heróis sem usar o consagrado recurso transmídia da Marvel Studios?

Foi com essa e outras perguntas em mente que a ansiedade tomou conta dos fãs e da imprensa, seguido por um curioso clima de haterismo na medida em que imagens e informações sobre o filme  eram divulgadas, principalmente pela escolha do ator Ben Affleck para viver o novo-velho Batman. O diretor, Zack Snyder, que também conta com um respeitável fã clube de haters, foi alvo contante de críticas antes sequer de o filme estrear.

Aos poucos, trailers mostraram grandes cenas, ideias promissoras, mas a dúvida permaneceu por parte de muitos fãs e haters: será um bom filme?

A despeito de todas as dúvidas e críticas, a resposta é SIM, é um bom filme. Ainda que tenha complexidades inesperadas para o público acostumado às adaptações de super-heróis (mas nem tanto para os leitores habituais de gibis da DC), e ainda que sofra uma inevitável comparação com o bom e bem azeitado universo cinematográfico da Marvel, Batman vs Superman – A Origem da Justiça tem muitos acertos e, a sua maneira, vai montar o universo DC no cinema.

Um passo para a Liga da Justiça

Ao contrário da sua concorrente, a DC trilhou um caminho denso, adulto e referendado por obras clássicas das HQs da editora, como O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller) e a Morte do Superman (Dan Jurgens), amarrando com a nova mitologia criada pelos Novos 52, de Geoff Johnsem que a DC Comics dá origem à Liga da Justiça a partir de um esforço para defender a Terra do maior vilão da editora, Darkseid (criação de Jack Kirby).

A paleta de cores escolhida para o filme é soturna. O Batman de Miller vivido por Ben Affleck é violento, capaz de usar uma arma. Um Batman pouco convencional. É um guerreiro amargurado, taciturno, que observa pesaroso uma armadura do Robin pixada com um desafio do Coringa, referência a Batman: A morte do Robin (Jim Starlin) e que vamos ter que esperar para saber mais no filme do Esquadrão Suicida. Um Batman repleto de perdas que percebe, após 20 anos combatendo o crime em Gotham, que seu trabalho é pequeno perto da ameaça representada pelo poderoso alien que atende por Superman (Henry Cavill) .

Visto ora como salvador ora como uma maldição, Superman é julgado por conta do espetáculo de destruição na luta contra o General Zod em O Homem de Aço, ainda que tenha salvado a Terra. O poder e o descontrole desses seres são questões levantadas pelo governo e por seu antagonista, Lex Luthor (Jesse Eisenberg), apresentado como um jovem gênio psicótico, mimado e típico dos nossos dias, ao mesmo tempo em que lembra um cientista louco clássico dos quadrinhos.

Lex Luthor é um homem temeroso quanto ao futuro da humanidade, mas sedento pelo controle sobre ela. Ele sabe que esses super-humanos – ou metahumanos – são como os antigos Deuses. Essa loucura atinge seu expoente quando ele usa tecnologia kryptoniana para criar o monstro Apocalypse e tem contato, ao que parece, com a caixa materna. Antes, para que seu controle seja total, Luthor manipula os heróis e os guia rumo a um confronto inevitável.

Descobertas como vida alienígena, tecnologia avançada e aparição dos deuses e super-seres parecem ter grande impacto na vida do homem comum no universo cinematográfico da DC. Essas descobertas geram medo e levantam suspeitas. E nesse clima de desconfiança e descobertas está a figura enigmática de Diana (‎Gal Gadot ) uma poderosa guerreira que só conheceremos melhor em seu filme solo

Há também a citação nos arquivos de Luthor sobre outros personagens poderosos: um homem submarino, um jovem velocista e um ciborgue humano  criado com o uso de um objeto confidencial encontrado nos anos 1980, que os iniciados reconhecem como a caixa materna.

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Dessa forma, o filme sai do convencional quando mostra num misto de sonho e profecia, um Flash vindo de um futuro incerto, onde o Superman se tornou um mero agente local de um poder maior.

Eis os deslizes

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O ritmo da narrativa é muitas vezes quebrado, não funciona e arrasta o filme. E ainda que a narrativa de Snyder não obedeça a cartilha simples dos heróis Marvel, falta fluidez em diversos momentos.

A fluidez se perde, a grande quantidade de referências é um acerto que diante dos leigos, atrapalha. O público não iniciado tem problemas para entender referências da vinda de Darkseid, da Terra invadida por Apokolips, da caixa materna e dos parademônios. Acostumados à narrativa simplificada da Marvel, esse excesso de informações e referências são um problema para o filme, que eventualmente seria corrigido em uma versão estendida.

Nosso veredito

Se o filme não é perfeito por causa do ritmo e de tanta informação, as virtudes em Batman vs Superman – A Origem da Justiça estão na ousadia de tentar algo diferente para o gênero, sem apostar em soluções comuns e lineares que nos acostumamos a ver nos filmes da Marvel.

É um filme carregado de simbolismos, denso, soturno. Não é um filme infantil. Tem uma trilha sonora muito boa, atuações convincentes e surpreende o público ao tirar de cena um dos protagonistas, embora todo mundo que tenha lido quadrinhos sabe que ele vai voltar. A DC apontou um caminho interessante e diferente para seus filmes, que incluem um clima de tragédia para a humanidade, supostamente já condenada nas mãos de Darkseid.

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A forma como os outros filmes amarrarão essa narrativa é um novo mistério. Como apresentar os novos super-heróis sem usar a fórmula bem sucedida da Marvel?

A Warner/DC criou seu jeito de contar sua história. Às vezes confusa, às vezes pessimista, muitas vezes empolgante. Nada que um leitor de quadrinhos não conheça. Valeu também pela ousadia de trazer um clima sombrio aos filmes, de mostrar que antes de ser nossos salvadores, o super-heróis carregam um legado de destruição, morte e transformação para a humanidade. Que venham mais filmes de super-heróis sérios, mais destruição em massa e mais Deuses, mas sem perder a empolgação e a aventura.

A Ameaça do Barão Macaco introduz novo anti-herói das HQs nacionais

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O crime organizado toma conta da cidade grande, com envolvimento dos políticos e a apatia de uma polícia bem-intencionada, porém despreparada. É nessa hora que a sociedade abre espaço para os vigilantes, que buscam fazer justiça mesmo à margem da lei. Nesse ambiente de corrupção, tráfico e violência se desenvolve a trama de A Ameaça do Barão Macaco, mais um lançamento em quadrinhos da Zarabatana Books, desta vez em parceria com o coletivo de quadrinhos Fictícia. Hector Lima (roteiro), Milton Sobreiro (arte) e Felipe Sobreiro (capa e letras) constroem a gênese de um anti-herói urbano, que com sua máscara de macaco e mira certeira, ameaça as estruturas do crime.

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Mas quem é esse vigilante solitário que age nas sombras para fazer de sua cidade um lugar mais justo e seguro? Este é um mistério que a repórter Renata tenta desvendar, mesmo que isso coloque em risco sua carreira e sua vida. A Ameaça do Barão Macaco é um thriller urbano atual, surpreendente e cheio de reviravoltas, que faz justiça à qualidade da atual safra de histórias em quadrinhos nacionais.

Sobre os autores

Hector Lima: Autor de Zumbingo, o Major, colaborou nas coletâneas nacionais Front e Manticore, e na britânica Commercial Suicide, e organizou a coletânea de brasileiros Inkshot, pelo do selo americano Monkeybrain Comics entre outros.

Milton Sobreiro: Começou a trabalhar com HQs aos 70 anos, depois de uma carreira como ilustrador, pintor e diretor de arte em agências de publicidade. Teve histórias publicadas nas coletâneas norte-americanas Heavy Metal, colecionadas em Divergent Dimensions, Cthulhu Tales, Zombie Tales (Boom Studios), Popgun Vol. 1 (Image Comics) e Inkshot (MonkeyBrain Comics). Desenhou também Bestiarium Nocturna e La Santa (Ruptura Comics) e colaborou em Smoke / Ashes (Dark Horse Comics).

Felipe Sobreiro: Filho de Milton Sobreiro, desenhou The New Adventures Of Sigmund Freud (de Juan Arteaga) e outras histórias curtas como Cartilha Da Bala, para a coletânea Inkshot (MonkeyBrain Comics.Atua como colorista em HQs publicadas nos Estados Unidos, como na saga Luther Strode (Image Comics), a minissérie Polarity (Boom Studios), a revista mensal Spread (Image Comics), e produziu capas para títulos da Marvel e da DC Comics.

Sobre a editora

Com sede em Campinas, no Estado de São Paulo, a Zarabatana Books publica livros e quadrinhos, nacionais e estrangeiros, que não costumam ter espaço nas demais editoras de quadrinhos brasileiras.  Mais informações em www.zarabatana.com.br.

Agenda: Santander Cultural recebe ComicCON-RS Pocket

Com o sucesso da estreia do formato em janeiro, a ComicCON RS Pocket ganha sequência com uma nova edição no dia 20 de março. A atividade marca o início da parceria entre a CCRS e o Santander Cultural (Rua 7 de Setembro, 1028 – Centro Histórico, PoA-RS), que cede sua confortável estrutura localizada bem no centro de Porto Alegre para os fãs de quadrinhos e cultura pop em um domingo de confraternização e muitos debates.12801499_923517701100375_863116607312287685_n

Às vésperas da estreia mais aguardada do ano, o evento tem como destaque o painel  ‘Batman versus Superman: A Origem da Justiça’, produção que reúne dois dos maiores heróis do universo DC e chega aos cinemas no dia 24.

Já o debate “A força das super-heroínas” aproveita o mês comemorativo para falar sobre a representação feminina as HQs. A programação conta ainda com um debate sobre HQs regionalistas com a presença de artistas locais. A entrada é franca e acontece das 13h às 16h, com distribuição de senhas para cada sessão.

Consolidada como a principal convenção de quadrinhos e cultura pop do Rio Grande do Sul, a ComicCON RS realiza mini-edições em diferentes datas e locais, servindo de aquecimento para o evento principal em agosto. Batizada de CCRS Pocket, a iniciativa propõe maior continuidade e descentralização, oferecendo ao público opções variadas e gratuitas de entretenimento nerd.

5 perguntas para: Samanta Flôor

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Samanta Flôor é uma ilustradora e quadrinista que vem se destacando no mercado de quadrinhos com uma arte expressiva e delicada, aliada a uma narrativa consistente, elegante e sensível.

Foram inúmeras participações: Café Espacial, MSP, Guia Culinário do Falido e algumas internacionais como Aqui e Acolá e trabalhos autorais pela Marsupial e Polvo Rosa Books.

Antes que ela se torne uma pop star e não tenha mais tempo de nos atender, Papo de Quadrinho fez 5 perguntas para essa talentosa artista.

1) Para quem ainda não conhece, quais suas influências e como é seu trabalho?

Minhas influências estão mais fora do mundo dos quadrinhos, na verdade. São mais filmes, livros e seriados e o que eu estiver ouvindo no momento. Mas posso citar alguns (certamente esquecerei de gente importante, por isso detesto listas… hehe) como: Lynda Barry, Charles Schulz, Chris Ware, Laerte, Laura Park, Lucy Knisley etc.

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O meu trabalho é essencialmente de humor, mas como todo humorista, tem um lado mais sombrio. Eu gosto muito dessa mistura de humor com melancolia, acho que o humor mais interessante anda de mãos dadas com a tristeza. Gosto muito do trabalho do Louis CK, por exemplo, que é o cara que atualmente melhor trabalha isso, na minha opinião.

2) Como você vê o mercado de quadrinhos hoje no Brasil?

Fica difícil opinar sobre o mercado. Se produz muita quadrinho hoje no Brasil, tem muita editora independente surgindo, muitos projetos de financiamento coletivo, mas o mercado continua o mesmo, não acho que essa intensa produção nacional atual (não apenas em números,  também em qualidade) esteja se refletindo em uma popularização das HQs, infelizmente. Mas posso estar errada (tomara né?).

3) Como é trabalhar fora dos grandes Centros (Samanta é de Pelotas-RS e mora em Porto Alegre). Seu trabalho encontra espaço ou fica difícil por conta da distância?

Acho que não tem tanta diferença hoje em dia, a internet tá aí pra isso. Porém é muito importante participar de feiras e convenções, não apenas pelo contato com o público, mas pra conhecer outros artistas. E porque é divertido pra cacete, né?

4) A questão de gênero é a pauta da vez no Brasil. Você sente que o mercado tem alguma reserva ao seu trabalho ou isso não existe? Como funciona?

Não tive nenhuma dificuldade por isso, mas confesso que tive muito receio de me expor no começo, como qualquer mulher iniciando num mercado dominado por homens. Sobre eventos e publicações: acredito que seja um pouco mais difícil de ser convidada. Ou às vezes te convidam e deixam claro que estão te convidando apenas para preencher “cotas”, não porque o teu trabalho é bom. É muito mais simples pro cara que está começando conseguir uma certa relevância nesse meio do que uma mulher. 

É como se, por ser mulher, ela tem que fazer algo mil vezes melhor que o homem, apenas pra ficar no mesmo nível. Hoje me sinto muito mais à vontade porque existem muitas mulheres publicando e ganhando espaço. Não acho que todas elas tenham surgido ontem, acredito que elas não apareciam tanto, não conseguiam espaço ou simplesmente ficavam temerosas de se expor, como eu, no começo. É uma ótima época para os quadrinhos, mas infelizmente o machismo ainda é muito presente no meio, por isso eu admiro tanto cartunistas como a Lovelove6 (que faz a tira Garota Siririca) que encabeçam debates e discussões sobre feminismo. Mas as coisas estão melhorando, eu sou otimista. :)

5) Fale do teu último projeto e o que os fãs (este editor incluso) podem esperar para 2016?

Meu último trabalho foi uma Chance tem roteiro do Diogo Cesar e eu fiz a arte. Foi um processo novo pra mim. Esse ano eu também colaborei com autores portugueses, no livro Aqui e Acolá, mas Chance foi meu primeiro projeto grande colaborativo e foi ótimo! Foi bem orgânico, no sentido que eu me meti a dar pitacos no roteiro e o Diogo ajudou muito na arte, sugerindo ângulos e enquadramentos diferentes.

Eu diria que Chance é uma história de suspense e humor com pitadas de mitologia e muitos gatos. Está na coletânea Tentáculos, em ótima companhia, em uma nova editora, mas muito promissora: o cuidado com o design dos livros e toda atenção que o editor dispensa aos autores certamente renderá muitos ótimos livros! Em 2016, de confirmado eu tenho um novo livro infantil (esse com palavras) e pelo menos mais duas colaborações. Espero ter uma HQ própria também, mas veremos!

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Você pode acompanhar o trabalho da Samanta Flôor aqui.

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