O Papo de Quadrinho nunca ficou preso apenas em resenhas de gibis e mangás. Depois de focar esforços em filmes e séries nós voltamos com força total a publicar resenhas de livros neste espaço. A ideia é poder falar com mais abrangência e propriedade de algumas obras que chamaram nossa atenção, um trabalho que é impossível em redes mais visuais ou objetivas como nosso twitter e nosso instagram. Também é um trabalho que demanda tempo e análise, por isso a dificuldade em resenhar livros com grande rapidez.

Nosso intuito é ampliar o espaço de divulgação de produtos da cultura pop como um serviço de indicação e diversão para nossos leitores. Como é habitual neste espaço, não vamos nos deter em produtos que achamos abaixo da crítica, apenas para dizer que é ruim, polemizar e atrair visualizações através de haterismo. Pedimos desculpas, mas a vida é curta para perder tempo se detendo em coisas que não gostamos e não recomendamos. E de todo modo, já tem muito canal na internet especializado em polemizar.

Esperamos que nossos leitores curtam, divulguem e claro, o mais importante, leiam nossas resenhas escritas.

A literatura infanto-juvenil nacional já produziu bons livros que influenciaram e marcaram a vida de muitos jovens leitores. Embora ainda tenhamos de modo geral um conservadorismo no modelo de ensino de literatura – que infelizmente cria mais ex-leitores do que leitores – existe um movimento de educadores que trabalha com uma perspectiva mais adequada, pensando na leitura como uma oportunidade de divertir e estimular os jovens, com histórias ágeis, divertidas, conectadas com a realidade atual e com tramas que se passam em nosso país. Aqui se encaixa O Centauro Guardião (Panda Books) do escritor gaúcho Christian  David, com uma história de aventura e fantasia, leve, mas sem subestimar a inteligência dos jovens.

O palco destes acontecimentos extraordinários é a cidade do escritor, Porto Alegre, e a trama leva os personagens por diferentes cartões postais da cidade, relacionando-as à busca por artefatos mágicos, capazes de mudar o rumo da humanidade.

A história é divertida, narrada de forma clara e bem escrita. Trata dos acontecimentos fantásticos que mudarão a vida dos irmãos Clarice e Gustavo, dois jovens do interior que vão para Porto Alegre para terminarem o ensino médio e são envolvidos em uma disputa entre duas antigas ordens secretas por artefatos mágicos de poder descomunal e incerto. Um grupo ancestral, Os Centauros, planeja neutralizar o poder destes artefatos assim que os encontrar; mas o grupo rival, Os Minotauros, quer tomar posse dos artefatos com intuito de usá-los para seus próprios propósitos. O problema é que além da procura pelos artefatos perdidos, não está claro os interesses reais de alguns dos envolvidos. Os irmãos se unem aos Centauros, mas aos poucos, precisarão aprender sobre os artefatos e sobre si mesmos para serem capazes de salvar a humanidade.

A forma como os personagens são apresentados, cada um com suas motivações e temperamentos, vão trazendo sutilmente algumas questões sobre a responsabilidade da vida adulta nesta passagem da adolescência, com medos e descobertas. Tudo como pano de fundo, de modo leve e sem pesar a mão. A apresentação de algumas lendas da cidade, incorporadas na história, são outro acerto da trama, porque é feita de forma orgânica.

O desfecho é muito comedido. Talvez um final grandioso – dado os poderes envolvidos – ficasse mais interessante.

A edição da Panda Books está bonita, com capa e ilustrações internas do artista Leblu. Chama a atenção na capa o selo “Minha Biblioteca 2018” do programa de livros que a prefeitura de São Paulo criou para distribuir livros entre as escolas municipais de São Paulo. O Centauro Guardião é um dos 70 títulos contemplados, um livro de qualidade que terá a  chance de circular nas mãos de alunos que correspondem à faixa etária leitora.

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