O Festival Guia dos Quadrinhos comemorou 10 anos de casa nova, o amplo Hakka Plaza, no bairro da Liberdade, em São Paulo (a cinco minutos do metrô São Joaquim). É consenso entre todas as pessoas com quem conversei de que se trata do evento mais “raiz” dos quadrinhos – ou seja, um espaço de excelência para consumidores, colecionadores e fãs da nona arte.

Funciona um contraponto às lotadas Comic Cons, daqui e lá de fora, que têm no entretenimento e no merchandising – notadamente grandes produções para cinema e TV – seu maior atrativo, exceção feita aos chamados “Beco dos Artistas”.

No Festival, ao contrário, os quadrinhos continuam como a estrela principal. É possível comprar HQs autorais do pessoal do circuito independente, edições antigas vendidas por colecionadores e raridades em lojas especializadas como a Comic Hunter, que tem um amplo acervo e pratica preços bem honestos.

Uma das atrações deste ano foi a Culturama, que recentemente assumiu a publicação dos quadrinhos Disney no Brasil. Já de largada, a editora mostrou respeito aos leitores com um tratamento editorial de primeira e proximidade com seu público.

Para coroar estes esforços, a Culturama trouxe para o Festival o roteirista e desenhista italiano Francesco Guerrini para participar de painéis e de sessões de autógrafos.

O artista esbanjou talento e simpatia no estande da editora, que registrava as maiores filas do evento – nada comparado às filas da CCXP, por exemplo. Cada autógrafo vinha acompanhado de uma pequena obra de arte em forma de sketch.

O ambiente meio intimista do Festival Guia dos Quadrinhos é propício para o networking. Em meio às mesas dos artistas, colecionadores e visitantes, sempre tem alguém que você conhece para rever e bater papo.

A programação também é bem bacana, com mesas redondas de profissionais da área, os tradicionais quizz nerds e uma novidade deste ano (até onde me lembro), os leilões de HQs raras.

Colecionadores de action figures não ficam totalmente órfãos e conseguem encontrar lojas e vendedores espalhados em meio à predominância de mesas de gibis. Para os que curtem Funko Pop (como este editor), a Funkomania é uma expositora tradicional do Festival, com peças bacanas e bons preços.

A revista Mundo dos Super-Heróis também está no Festival vendendo suas edições regulares e especiais

Enfim, é muito bom que festivais de quadrinhos com este perfil sobrevivam, e o Edson Diogo está de parabéns por manter a chama acesa.

Para quem é de São Paulo e estiver lendo isto a tempo, o Festival Guia dos Quadrinhos vai até este domingo, 14 de abril, das 10h às 18h, com ingresso a R$ 60 (meia entrada para estudantes e para quem doar pelo menos dois gibis em bom estado para ajudar a formar a gibiteca da Escola Estadual Castro Alves).

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