(Não vamos falar de Spoilers, porque.. todo mundo conhece a história, certo?)

Robin Hood é um clássico amado por Hollywood que de tempos em tempos ganha uma versão repaginada. A história do nobre arqueiro inglês que se torna um ladrão e rouba dos ricos para dar aos pobres, parece que nunca vai deixar de encantar a audiência, seja por Robin ser um arqueiro, por ser um abnegado, um herói, um revolucionário, ou tudo isso combinado.

Robin Hood – A Origem é uma nova tentativa de recontar a história do famoso ladrão em uma nova roupagem. Talvez no melhor timing possível, as metáforas desta nova versão são o acerto do filme.

Sabemos que o jovem nobre Robin (Taron Egerton) retorna ferido à Inglaterra e descobre que foi dado como morto: suas terras foram confiscados pela coroa, sua esposa, pesarosa por sua morte, seguiu sua vida. Tudo arquitetado Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn) com as bênçãos da Igreja. O xerife é uma autoridade opressora que não pensa duas vezes antes de explorar a população em nome do “esforço de guerra”. A jovem Marian (Eve Hewson), ex-mulher de Robin foi levada para trabalhar nas minas com grande parte da população civil.

Diante da perda do seu mundo e suas posses, Robin é convencido por pelo prisioneiro sarraceno Little John (Jamie Foxx), a iniciarem um confronto contra os poderosos de Nottingham e destruir os responsáveis pela ruína de ambos. E o melhor modo de atingir qualquer pessoa ou grupo de poderosos é – e sempre será – tirando seu dinheiro.

O diretor Otto Bathurst acerta em fazer uma nova roupagem, com um herói carismático e contar sua história sem usar os caminhos anteriores, ou seja, deixando de lado qualquer tentativa de fazer uma verossimilhança histórica e focando na ação competente, nas intenções do grupo de foras-da-lei de derrubar a tirania.

Essa versão atualizada tem uso do arco e das bestas como se fossem metralhadoras, guardas com escudos e bastões semelhantes aos usados pela tropa de choque, revoltosos de capuz e lenço como black blocks. A própria Cruzada se mostra como era de fato, uma invasão política sob a desculpa religiosa. Tudo leva o expectador a ter a sensação que já viu (ou está vendo) essa história antes, com a diferença que o mítico herói fará a diferença para libertar o povo.

O problema é que mesmo em um filme de aventura e ação, os ótimos efeitos e as grandes lutas bem coreografadas não funcionam sozinhos. Faltam elementos narrativos para contar uma boa história, como personagens com motivações mais bem desenvolvidas. Se você prestar atenção aos detalhes, vai acabar ficando com a sensação de que falta alguma coisa: a própria floresta de Sherwood, o bando de ladrões de Robin, Ricardo Coração de Leão no final? A construção da lenda do “Hood” deveria ser melhor (talvez mais tempo de filme?)

Robin Hood – A Origem é divertido, e claro, vale seu ingresso. Tem uma mensagem política metafórica que não poderia ter chegado em melhor hora. Ainda reapresenta para uma nova geração esse herói fantástico e atemporal. Mas merecia sim, ter uma narrativa melhor, mais bem trabalhada, dando tempo para contar a história dessa lenda notável.

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