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Em respeito aos leitores do blog, o texto abaixo não contém spoilers

Há alguns anos, “super-herói” deixou de ser um gênero de cinema. Por questões de inteligência e sobrevivência, para não deixar a fórmula esgotar, roteiristas e diretores passaram a tratar os personagens de quadrinhos e seus superpoderes como pano de fundo para outros gêneros, como suspense político (Capitão América 2: O Soldado Invernal, de 2014), drama histórico (a crise dos mísseis de Cuba, em X-Men: Primeira Classe, 2011) e até comédia (Guardiões da Galáxia, 2014).

Capitão América: Guerra Civil, que estreou nessa quinta-feira, dia 28, no Brasil, faz parte dessa nova abordagem. O filme beira a perfeição: não há furos ou atalhos de roteiro, as cenas de ação são um espetáculo de coreografia, muito bem distribuídas nas 2h30 de duração, e os momentos de humor são equilibrados.

Na trama, um novo incidente coloca as ações dos Vingadores em suspeição. Cento e dezessete países assinam o Tratado de Sokovia, documento que obriga a superequipe a operar sob supervisão das Nações Unidas.

A decisão divide os heróis, tendo como expoentes Capitão América (Chris Evans, contra) e Homem de Ferro (Robert Downey Jr., a favor). Os demais membros tomam partido muito mais por lealdade ou pragmatismo do que por convicção.

Em meio a esse debate, surgem duas figuras controversas: o Soldado Invernal (Sebastian Stan), amigo de infância do Capitão que foi transformado pela Hidra num mercenário assassino e é caçado pelos crimes do passado, e Helmut Zemo (Daniel Brühl), um pote cheio de mágoa e desejo de vingança.

Talvez aí resida o único senão de Guerra Civil. Mais que o Tratado de Sokovia (o equivalente ao Registro de Super-Heróis dos quadrinhos), é a motivação pessoal, e não a ideológica, que vai dar o contorno das desavenças entre os heróis no desenrolar da trama.

Os estreantes

Boa parte dos heróis criada no universo cinematográfico da Marvel desde 2008 está no filme: os já citados Capitão América e Homem de Ferro, Falcão (Anthony Mackie), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany), Máquina de Combate (Don Cheadle), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Homem-Formiga (Paul Rudd).

Apesar de conhecidos do público e de cada um ter recebido seu quinhão de atenção, quem brilha mesmo são os estreantes Homem-Aranha (Tom Holland) e Pantera Negra (Chadwick Boseman).

O primeiro faz parte de um acordo entre Marvel e Sony (que detém os direitos do personagem no cinema). O reboot funcionou: Peter Parker ganhou sua versão cinematográfica mais condizente com os quadrinhos em termos de idade, visual, personalidade e poderes. Todo esse cuidado só aumenta a expectativa para o filme solo do aracnídeo, agendado para o ano que vem.

Da mesma forma, o Pantera Negra é a perfeita tradução de sua contraparte nos quadrinhos. Vale um destaque para seu estilo de luta que lembra o de um felino. Também ele ganhará filme solo, em 2018.

Mesmo não sendo um estreante, o Homem-Formiga guarda uma das maiores surpresas do filme para os fãs.

Ótimo, mas não o melhor

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Capitão América: Guerra Civil é um baita filme. Impõe um paradigma de qualidade que vai dar trabalho para os roteiristas e diretores dos próximos filmes da Marvel igualarem. Pela densidade do roteiro, pelo cuidado e respeito com um grande número de personagens, pelo notório comprometimento dos atores, pelas homenagens prestadas aos leitores de quadrinhos, Guerra Civil merece lugar privilegiado entre os melhores filmes de super-heróis de todos os tempos.

Ainda assim, não é “o” melhor. Não é nem mesmo o melhor filme do universo cinematográfico da Marvel. Não tem o mesmo vigor de Os Vingadores (2012), a tensão de O Soldado Invernal ou a ousadia de Guardiões da Galáxia (nossas críticas aquiaqui e aqui). E isso não é nenhum demérito. Um filme de super-herói não precisa ser “o” melhor para ser ótimo, precisa ser empolgante, inteligente e bem feito.

Guerra Civil é, sem dúvida, um ótimo filme. Que merece ser visto, revisto e comentado, agora e nos muitos anos pela frente.

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