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Fenômeno nos anos 1990, The X-Files voltou para uma décima temporada de seis episódios pela Fox americana no último domingo (24). O segundo irá ao ar hoje (25).

No Brasil, ao final de uma maratona de 22 episódios das nove temporadas anteriores – especialmente selecionados pelo criador da série, Chris Carter – a Fox Brasil exibe o primeiro episódio à meia-noite de hoje.

O que se viu, ao menos nessa estreia, é, infelizmente, mais do mesmo. Os produtores flertam com a nostalgia dos fãs de primeira hora ao manter a abertura original e detalhes como o gerador de caracteres que indica os locais onde se dão os acontecimentos.

O problema é que todo o resto continua igual.

A trama começa com um popular e sensacionalista apresentador de TV, Ted O’Malley (Joel McHale), tentando convencer os agentes do FBI aposentados Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) de que ele realmente conhece a verdade por trás das aparições e abduções alienígenas.

A chave de seus argumentos é a jovem Sveta (Annet Mahendru), que teria sido abduzida dezenas de vezes, ficou grávida em todas elas e teve seus fetos roubados.

Agora, responda: você que, assim como nós, acompanhou as primeiras temporadas em meados dos anos 1990 pela Record e, mais tarde, pela Fox:

Quantas vezes não vimos Mulder acreditar numa espetacular teoria da conspiração e encarar o ceticismo de Sculluy?

Quantas vezes não vimos Scully ser vencida pelas evidências e abraçar as crenças de Mulder?

Quantas vezes não vimos Mulder desconfiar de que tudo em que acreditou foi uma farsa? De que ele foi manipulado a acreditar nos extraterrestres quando a verdade estava aqui mesmo, entre homens poderosos do nosso planeta?

Quantas vezes não vimos Mulder confrontar a idoneidade do diretor-assistente Skinner (Mitch Pileggi)?

E os próprios Arquivos-X, quantas vezes não foram ameaçados de serem fechados e reabertos, para arrepio de homens poderosos como o Canceroso (William B.Davis)?

Pois é esse mesmo cardápio com sabor de requentado que a nova temporada de The X-Files apresenta no primeiro episódio da nova temporada.

Pode ser apenas uma introdução, um resgate para relembrar aos fãs veteranos, e apresentar aos novatos, a dinâmica do programa. E que, nos cinco episódios restantes, The X-Files traga elementos novos e dignos da criatividade de Chris Carter. É nosso desejo e nossa esperança.

Só assim para a série retornar à grade da Fox e enfrentar a concorrência dos atuais seriados de ficção e suspense que, ironicamente, devem sua existência de forma direta ou indireta a The X-Files.

O fato é que, além do saudosismo, a série precisa entregar mais para sua base de fãs fiéis, que têm hoje um nível muito maior de exigência.

Ao mesmo tempo, precisa introduzir elementos para se conectar à nova geração de espectadores. Se conseguir isso, The X-Files voltará a ter, se não a mesma audiência do passado, pelo menos a mesma relevância.

Aguardem, pois voltaremos aqui ao final da temporada para ratificar ou não essa impressão inicial.

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