Astronauta-Singularidade-Capa

Danilo Beyruth consegue extrair o melhor de cada gênero dos quadrinhos em que se aventura: do super-heroísmo sobrenatural de Necronauta ao existencialismo de Astronauta – Magnetar, passando pelo faroeste caboclo de Bando de Dois.

Ele é o tipo de artista que definitivamente não se “deita em berço esplêndido”, como se costuma dizer de alguém que não quer ou não consegue abandonar uma fórmula que deu certo.

Prova disso é seu mais novo trabalho no selo Graphic MSP, que revisita personagens de Mauricio de Sousa com visão autoral: Astronauta – Singularidade (veja um preview aqui).

Mesmo tendo sido convidado a dar continuidade a provavelmente seu trabalho de maior popularidade – Danilo já era um artista premiado por ocasião de Magnetar, mas não é exagero dizer que a graphic novel ampliou sobremaneira seu espectro de leitores –, ele optou por seguir um caminho oposto.

Na primeira Graphic MSP, o autor explorou a principal característica do personagem, a solidão. Em Singularidade, este aspecto é solenemente descartado: agora, ele é forçado a trabalhar em equipe. O tom filosófico da HQ anterior foi substituído por outro, mais aventureiro – o que também não deixa de ser algo inerente ao Astronauta. O resultado é menos poético, é verdade, mas não menos divertido.

Na trama, o Astronauta embarca na investigação de um buraco negro – a chamada “singularidade” do título – na companhia da psicóloga que vinha avaliando sua sanidade após os eventos traumáticos de Magnetar, e de um oficial de outro país.

No chamado “horizonte de evento”, a área periférica ao buraco negro, o grupo se depara com um objeto descomunal e desconhecido. É aí que diferentes interesses começam a aflorar e o Astronauta precisa partir literalmente para a ação a fim de não colocar em risco nosso planeta.

Como em todos os trabalhos de Danilo Beyruth, revela-se aqui a ampla pesquisa que norteia o roteiro. Neste em particular, a pesquisa estendeu-se à mitologia do próprio Astronauta, com direito a uma breve participação de um integrante dos chamados Homens-Geleia.

Danilo, como foi dito, transita com naturalidade entre diferentes gêneros. Mas uma constante em seu trabalho é a qualidade de roteiro e arte, e o domínio da narrativa gráfica, em particular na escolha da disposição dos quadros nas páginas. Assim como em Magnetar, em Singularidade as cores de Cris Peter potencializam a força do traço e contribuem para dar o tom de continuidade entre as duas obras.

Se o buraco negro é uma metáfora para evidenciar a singularidade do Astronauta enquanto personagem, também vale para Danilo Beyruth enquanto artista.

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