ccxp

O texto abaixo é muito mais um relato pessoal do que uma cobertura jornalística; mais a visão do leitor que a do profissional.

Uma palavra define a Comic Con Experience (CCXP), que começou ontem em São Paulo e vai até domingo (4 a 7 de dezembro): profissionalismo. Do carpete aos corredores largos, dos sanitários limpos e sem fila à robusta praça de alimentação, da climatização do pavilhão à equipe de apoio bem treinada, tudo lembra as milionárias feiras de negócios organizadas por empresas com décadas de experiência – só que voltada ao público final.

Levando em conta apenas o primeiro dia da convenção, dá para prever que esta edição de estreia da CCXP será um sucesso.

O público aderiu à ideia de ver reproduzido no Brasil o formato das convenções internacionais de cultura pop. Apesar do elevado valor do ingresso – e aqui não faço considerações se é justo ou não, e sim o padrão médio do leitor brasileiro de quadrinhos -, durante várias horas corredores e estandes permaneceram lotados.

Outros públicos importantes também aderiram:

Mídia: a quantidade de jornalistas na abertura e coletiva de imprensa vai garantir uma ampla divulgação do evento. E não se trata apenas de mídia especializada. Várias equipes de emissoras de TV aberta circularam pelo pavilhão durante todo o dia. Antes da abertura, jornais impressos de circulação nacional deram bom espaço para o evento.

Grandes expositores: as editoras, estúdios de entretenimento e lojas de colecionáveis investiram alto em estandes. Eddy Barrows, que há anos desenha para o mercado internacional, me disse que o da Marvel na CCXP está melhor do que na San Diego Comic Con de 2013, última vez que ele visitou o evento gringo;

Pequenos expositores: lojas pequenas reunidas no espaço Stores Alley registraram movimento de compradores o dia todo. Muitos me disseram que mal conseguiram sair do estande para aproveitar o evento, e o proprietário da Empório HQ dava como certo o retorno do investimento;

Artistas: O Artists Alley reuniu 215 quadrinhistas em 125 mesas. Cada um deles pagou entre R$ 375 e R$ 475 por uma mesa com dois lugares, dependendo da data da reserva. A mesa de artistas mais conhecidos pelo público – Danilo Beyruth, Vitor Cafaggi, Gustavo Duarte, Fábio Moon e Gabriel Bá – tiveram fila o dia todo, e no geral todas estavam bem frequentadas.

Problemas

Sim, há. O credenciamento de imprensa foi confuso. Logo na abertura, quando ocorre maior concentração destes profissionais, três guichês de atendimento permaneceram fechados. Demorei 30 minutos para pegar meu crachá, e colegas relataram que perderam quase uma hora na fila.

Assim como aconteceu comigo, muitos outros que fizeram o pré-credenciamento pela internet e receberam e-mail de confirmação da assessoria de imprensa não estavam com o nome no sistema. Acabamos liberados, mas é o tipo de coisa que atrasa o processo. Se o problema for reproduzido na bilheteria para público, a situação pode ficar caótica.

De resto, não há registro de mais incidentes. A presença da segurança e brigada de incêndio é constante. O vidro de uma das vitrines do estande da Eaglemoss quebrou; cheguei bem no instante em que o espaço estava isolado para reparo, com presença do bombeiro.

Vale o ingresso?

Esse é o tipo de resposta que depende do perfil e das intenções do visitante. O preço da meia-entrada nos dois primeiros dias é R$ 80; no fim de semana, R$ 100. Se ele pagar na esperança de resgatar o valor em desconto nas compras, como acontece no FestComix, por exemplo, pode se desapontar.

Não observei preços abusivos, mas também nenhuma grande promoção. Um amigo disse que a Panini estava dando 25% sobre todos os títulos; não consegui conferir: por duas vezes entrei e saí do estande porque a fila para pagamento estava desanimadora. Na Comix era possível garimpar alguma coisa com preço convidativo, mas não como regra.

Por outro lado, para aquele visitante que busca maior aproximação com seus ídolos o ingresso pode valer a pena. Don Rosa e Klaus Janson estão disponíveis a maior parte do tempo no Artists Alley; há também muitos artistas brasileiros que desenham para o exterior. Sem falar da oportunidade, dentro do próprio Artists Alley, de comprar HQs independentes difíceis de achar nas lojas e interagir com seus autores.

Os grandes estandes também oferecem várias atrações gratuitas, como exposições, sessões de fotos e oficinas. Além disso, a curiosidade de visitar uma convenção nos moldes internacionais pode justificar o valor do ingresso.

Os organizadores revelaram durante a coletiva de imprensa de abertura que pelo menos mais duas edições da CCXP estão confirmadas. A de 2015, inclusive, já tem data marcada: 3 a 6 de dezembro.

Se alcançaram a meta de receber 20 mil visitantes no primeiro dia (a previsão é de 80 mil para os quatro) não há informação disponível. Mesmo que tenha ficado abaixo, é bem possível que o final de semana compense, tendo em vista não só a divulgação na mídia, mas também o fato de que a convenção ficou espantosamente cheia para uma quinta-feira.

Fico devendo detalhes sobre a área voltada para videogames, a Go4Gold. Não é minha praia, e nem passei perto.

Para mais detalhes sobre as atrações, leia nosso post anterior.

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