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Conforme anunciado aqui, neste fim de semana aconteceu o lançamento oficial de Morphine, novo trabalho do quadrinhista Mario Cau, durante a Gibicon, em Curitiba.

O selo “Pieces apresenta” já diz tudo: o álbum nasceu como uma história estendida dos primeiros trabalhos do autor. Na mosca! Morphine não só marca a volta do Cau à produção independente, como também evidencia o que ele faz de melhor: expor o emocional de personagens jovens à procura de seu lugar no mundo. É também palco de experiências narrativas que vêm se tornando uma marca registrada do autor.

Para não restar dúvida, a tatuagem no braço da personagem Lara estampa a peça do quebra-cabeça que falta na capa da primeira edição de Pieces.

Morphine é uma banda de rock alternativo e, como não poderia deixar de ser, a HQ é embalada por várias canções – deste grupo e de outros. Morphine é também o nome da casa noturna da HQ, para qual convergem os protagonistas e todos seus dramas pessoais.

Há aqui um elemento novo e, até onde me lembro, inédito na obra de Mario Cau. A tecnologia e as redes sociais fazem parte da rotina dos protagonistas e em vários momentos viram recursos narrativos.

O que chama atenção, porém, é a crítica embutida. Na balada inaugural de Morphine, Alex observa o vazio dos frequentadores: “É só olhar para status atualizados, tweets e coisas do tipo… Todo mundo tem certeza. Todo mundo é crítico, e toda opinião proferida parece verdade absoluta”.

Mais atual e certeiro que isso, impossível.

Morphine tem 112 páginas, capa colorida, miolo em preto e branco, e preço de R$ 20. Vale o investimento.

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