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Crítica: X-Men: Dias de um Futuro Esquecido

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Atenção: contém doses leves de spoilers

A decisão do diretor Bryan Singer de unir duas gerações de heróis mutantes do cinema – os da primeira trilogia e os da franquia iniciada em 2011 em X-Men: Primeira Classe – foi, no mínimo, inusitada. E acertada, como os fãs poderão comprovar nesta sequência que entrou em cartaz na última sexta-feira (23) no Brasil.

O roteiro é adaptado da HQ homônima produzida por Chris Claremont e John Byrne nos anos 1980: num futuro sombrio dominado por robôs caçadores de mutantes, os Sentinelas, os poucos sobreviventes dos X-Men mandam um dos seus integrantes ao passado a fim de remodelar a História.

Neste futuro estão os personagens mais conhecidos do público – as versões mais velhas do Professor Xavier (Patrick Stewart), Tempestade, Homem de Gelo, Kitty Pride, Colossus e Magneto (Ian McKellen) – e também alguns rostos novos: Bishop, Blink, Mancha Solar e Apache.

É a época em que têm lugar as melhores cenas de ação. As batalhas contra os Sentinelas, avançadas máquinas de extermínio capazes de replicar qualquer poder mutante, são pura narrativa de quadrinhos.

No passado, vive o que sobrou do elenco de Primeira Classe: a versão jovem de Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender), Fera e Mística. Aqui fica concentrada a parte mais dramática do filme. A pouca ação é compensada pela breve, porém marcante, participação do velocista Mercúrio.

Hugh Jackman é o único ator a interpretar o mesmo personagem, Wolverine, nas épocas distintas. É ele quem faz a viagem mental no tempo e tem a missão de impedir o assassinato que vai desencadear a supremacia dos Sentinelas.

Uma vez que a trama se desenrola quase toda no passado, o resultado de Dias de um Futuro Esquecido é muito mais um drama sobre pessoas do que uma aventura de super-heróis.

Mudança de foco

Pela primeira vez, um filme dos X-Men não coloca a intolerância como tema principal. Claro, a questão continua lá; a criação dos Sentinelas pelo cientista Bolivar Trask (Peter Drinklage) e sua aceitação por parte do governo têm como base o preconceito contra os mutantes e o temor de que venham a se tornar a raça dominante.

Mas X-Men: Dias de um Futuro Esquecido prefere concentrar-se numa questão mais humana: as escolhas que pessoas fazem todos os dias, e que modelam seu futuro e o de outras. Os protagonistas – Wolverine, Xavier, Magneto e Mística – precisam fazer suas escolhas, e sobre esta última recai a maior responsabilidade em relação ao futuro.

Paradoxo

Viagens no tempo sempre criam paradoxos. Ao final, muitos fãs podem se perguntar quanto da trilogia anterior ainda vale, o que se repetiu e o que deixou de acontecer na nova linha temporal.

Esse parece um nó difícil de desatar, e é provável que não se resolva. Ao corrigir o futuro, Bryan Singer aproveitou para consertar também a cronologia dos X-Men no cinema. Não foi 100% bem sucedido, mas amarrou algumas pontas soltas.

Ao que tudo indica, o diretor passa agora a olhar para frente e não deve investir mais energia em questões antigas. A cena pós-credito confirma o que ele revelou meses atrás: o próximo filme da franquia terá como focos o vilão Apocalipse e a origem da raça mutante.

A nova aventura dos X-Men no cinema deve agradar e desagradar partes iguais de fãs. Nesta última categoria estão os desapontados com a ação comedida, os que não aceitam as mudanças em relação à HQ original ou os que se incomodam com o protagonismo de Wolverine.

Bobagem. Dias de um Futuro Esquecido é um filmaço. Está mais alinhado com Primeira Classe do que com a primeira trilogia, tanto em termos de densidade do roteiro, quanto nas pequenas doses de humor. Mais alinhado com a proposta de Capitão América 2 – O Soldado Invernal do que com a de Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro. E isso diz muito sobre o tipo de fã que deseja agradar.

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8 Comments

  1. Elidiomar R Da Silva

    Concordo com cada vírgula. Filmaço.
    Não vi protagonismo do Wolverine, achei que a coisa foi dividida com o trio Xavier / Magneto / Mística.
    E ter usado Wolverine (e seu poder de regeneração) como elo de ligação com o passado foi genial.

  2. X-Men, quase sempre, é diversão garantida, ainda mais baseando-se numa das melhores HQs da equipe. Precisa ser muito incompetente pra estragar uma história que já nasceu excelente – coisa que Bryan Singer não é. Minha única ressalva é que o filme se arrasta em determinado momento no dramalhão, mas como você muito bem disse, o roteiro pede isso e o público a que se destina é outro. Que, certamente, não é aquele que nunca leu uma linha de quadrinhos nem aquele que não consegue raciocinar ao ver uma narrativa um pouco mais complexa.

  3. Grande stats, X-Men foi um dos maiores filmes de todos os tempos.é um filme impressionante.

  4. Dennis de Assis Pacheco

    Acabei de ver o filme. Muito caça-níquel. Algo do tipo: “precisamos experimentar esses novos efeitos, essas novas tecnologias. – Mas quase todo mundo já morreu em “O Confronto Final”. Bobagem! Vamos voltar pelo túnel do tempo”. Efeitos 3D já não me enchem os olhos. E os sentinelas em questão, desde Noé, eu já tive a sensação de ter visto esses “Gigantes de Aço” em outras produções. Sou muito fã de X Men, mas faltou ação e uma história original em Dias de um Futuro Esquecido. Senti que o filme esfriou depois dos quinze minutos e só voltou a ficar MORNO nos vinte minutos finais. Se a proposta era uma produção aproveitando um alto orçamento em relação aos outros da série, parabéns, o filme não ficou devendo em efeitos, embora nada de novo. O mais fraco da série. Como entretenimento nota 7,0.

  5. claudio

    excelente…filmaço.vale bis

  6. Sergio Raposo

    Concordo. O mesmo diretor começou essa onda de filmes sobre super-heróis com uma ótica diferente, ou seja, com uma ótica mais humana e menos caricata, desde o primeiro X-Men. Após a trilogia Batman de Nolan, o legado parece ser evidente, só vermos Capitão América 2, Homem de Aço, X-men First Class e, finalmente, X-men Dias de um Futuro Esquecido.
    O público parece cada vez mais interessado em ver o lado racional, lógico, humano, sensível, conflitante do ser humano e menos o lado superpoderes dos heróis. O estilo de X-men Dias de Um Futuro Esquecido é exatamente assim, uma visão mais profunda sobre o ser humano, as decisões, os conflitos internos, as reações que cada um tem em relação aos acontecimentos em sua vida pessoal (Xavier ter ficado paralítico e perdido a companhia de Mística) quanto na vida em sociedade (década de Guerra no Vietnã, morte de JFK etc.). Xavier não aguentava sentir as dores dos outros, mas – principalmente – não aguentava e se escondia de sua própria dor.

    Um filmaço. Homem de Aço, X-men Dias de um Futuro Esquecido, Capitão América 2 – Soldado Invernal são belíssimos (em minha opinião).

  7. diogo

    Vi o filme, sou muito fã dos X-Mens e concordo cm a crítica, o filme foi perfeito principalmente em consertar a bosta que fizeram no X-Men 3 confronto final, excelente filme, na ansiedade para ver o próximo.

  8. José Souza

    Eu ja digo: QUE BOM QUE A ERA DE APOCALIPSE será o ultimo filme de Bryan Singer. E infelizmente que ele tenha produzido algum. O cara que nunca leu um quadrinho, não tem competência para produzir x-men.

    NÃO VEJO A HORA DA MARVEL PEGAR DE VOLTA OD DIREITOS E DAR UM PÉ NA BUNDA DA FOX. QUE ATÉ AGORA AGORA SÓ FEZ MERDA!

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