The-Amazing-Spider-2

Marc Webb se redimiu. Pelo menos com a parcela de fãs que não gostou do primeiro filme de seu reboot, em 2012 – este editor entre eles (leia nossa crítica aqui).

Difícil dizer se o diretor ouviu os apelos destes fãs, se leu mais e melhores quadrinhos do aracnídeo ou simplesmente livrou-se do fantasma da trilogia anterior dirigida por Sam Raimi.

O fato é que O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro – que estreou no dia 1 de maio no Brasil e manteve a liderança na bilheteria pelos dois primeiros finais de semana – é tudo que seu antecessor não foi: leve, divertido, com doses certas de ação e drama (veja trailer abaixo).

Webb conseguiu, inclusive, cumprir a promessa feita desde o filme anterior, que é fazer a audiência sentir-se como o próprio Homem-Aranha enquanto ele balança pelos prédios de Nova York. Os momentos em que a computação gráfica funciona melhor causam o frio na barriga que o diretor vinha buscando.

O filme começa em ritmo acelerado – mesmo não tendo o herói no centro da ação – ao revelar o que aconteceu aos pais do menino Peter Parker, deixado para ser criado pelos tios.

Emenda com o Homem-Aranha em perseguição ao caminhão roubado pelo bandido russo Aleksei Sytsevich (Paul Giamatti) numa sequência típica das histórias em quadrinhos, e conclui com um quase atraso de Peter Parker à própria formatura – numa clara referência, também aos quadrinhos, das dificuldades de conciliar a vida particular com a de super-herói.

Tudo funciona nesta continuação: o humor é orgânico; o tom sombrio cedeu lugar à fotografia clara, à paleta de cores vibrante. Webb livrou-se também da carga de tentar contar a história de forma “realista” – o que por si só uma contradição em se tratando da adaptação de um super-herói. As cenas de ação ganharam vários momentos alternados entre super câmera lenta e acelerada, recurso que, apesar de meio batido, ainda cai muito bem nesse tipo de aventura.

O que se salvava no filme anterior fica ainda melhor neste: as atuações e a química entre o casal Peter Parker (Andrew Garfield) e Gwen Stacy (Emma Stone, lindíssima). Ambos se mostram muito à vontade nos papéis, e até Sally Field, que fez uma tia May apática, agora imprime mais vitalidade à sua personagem.

A escolha do vilão principal também ajuda. Max Dillon/Electro (Jamie Foxx) é mais interessante e foi mais bem construído e caracterizado que o Lagarto do primeiro filme. A estreia de Harry Osborn/Duende Verde (Dane DeHaan) na franquia como o amigo de infância de Peter é bem conduzida.

O único senão de O Espetacular Homem-Aranha 2 é a quebra de ritmo. Depois da abertura alucinante, o filme patina um pouco. Se já leva tempo construir um vilão trágico, imagine dois. É o que acontece quando a atenção se volta à origem e motivações do Electro e do Duende.

É tanto tempo investido nisso que ao retomar o ritmo, o final soa acelerado demais. A primeira batalha do Homem-Aranha com Electro na Times Square é mais trabalhada que a última, na usina. E o Duende Verde acaba desperdiçado numa luta curta e que serve apenas para fazer cumprir a tragédia que os fãs de quadrinhos suspeitavam.

Novamente nesta cena, Webb, Garfield e Emma voltam a brilhar. Diretor e atores conseguiram passar toda a carga dramática do mesmo acontecimento nas HQs, e de modo tão envolvente que as pequenas alterações em relação ao material original não interferiram.

Decorrido um intervalo após o clímax, o retorno do Homem-Aranha como o herói divertido que é, na conclusão contra o vilão Rino, dá o tom que deve prevalecer no próximo filme do herói aracnídeo.

Webb finalmente encontrou o caminho. Melhor que continue nele.

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