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Crítica: Capitão América 2 – O Soldado Invernal

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Em respeito aos leitores deste blog, o texto a seguir não contém spoilers.

Quem leu a edição 53 da revista Mundo dos Super-Heróis ou alguma outra entrevista de Anthony e Joe Russo sabe que os irmãos diretores fizeram duas promessas.

A primeira é que Capitão América 2 – O Soldado Invernal, que estreia nesta quinta-feira (10) no Brasil, é um suspense político inspirado em clássicos dos anos 1970; a segunda, derivada dessa, garante que a densidade do roteiro não anula o que se espera de um bom filme de super-heróis: muita ação.

Os fãs podem comprar seus ingressos sossegados. Os Russos cumpriram a palavra, com louvor.

Capitão América – O Soldado Invernal é a melhor aventura solo do universo cinematográfico iniciado pela Marvel Studios em 2008. O filme tem roteiro mais bem elaborado, adulto e tenso que todos os anteriores, e as cenas de ação são de tirar o fôlego.

Conspiração

A trama se passa dois anos após os eventos vistos em Os Vingadores. Capitão América virou agente especial da SHIELD, tendo a Viúva Negra como sua companheira nas missões.

Chris Evans está perfeito no papel e soube transmitir a evolução de um personagem, que mantém a integridade moral, mas perdeu aquela inocência vista nas outras duas aparições no cinema – no primeiro filme e em Os Vingadores. Ele se recusa a aceitar os métodos de uma organização que tem no sigilo e na intriga suas principais funções.

Num dado momento, o filme passa a mesma sensação da minissérie em quadrinhos Guerra Civil. O herói se vê perseguido e enredado numa conspiração em que não pode confiar em ninguém.

As exceções são a Viúva Negra (Scarlett Johansson) – a personagem tem seu maior destaque nos filmes da Marvel, e a química com o Capitão funciona muito bem – e o Falcão (Anthony Mackie), uma ótima aquisição para o universo cinematográfico.

O Soldado Invernal/Buck Barnes (Sebastian Stan) tem papel relevante, mas não é, como sugere o título, o vilão mais importante da trama. O mercenário é apenas uma peça no intrincado e longevo quebra-cabeças que se instalou no coração da SHIELD.

Por falar em vilão, a reaparição de Arnin Zola, visto no primeiro filme do Capitão, é uma das grandes surpresas dessa sequência.

Muita ação

A perseguição ao carro de Nick Fury é de tirar o fôlego, e faz justiça a uma das referências cinematográficas citadas pelos Russos: Operação França, de 1971. Há muitos outros momentos de ação, todos empolgantes. Não importa se num espaço fechado – a já famosa “cena do elevador” – ou em cenários amplos, como as ruas de Washington.

As lutas são muito bem coreografadas. Evans treinou jiu-jitsu brasileiro, caratê, boxe, ginástica e parkour para atualizar o estilo de luta do Capitão América, e o resultado convence.

O uniforme também foi atualizado: retoma características militares e deixa para trás o visual espalhafatoso de Os Vingadores. O famoso escudo virou uma arma muito mais de ataque que de defesa.

O humor é bastante orgânico, sem piadas forçadas nem frequentes. Atenção ao bloco de notas em que o Capitão anota todos os artistas que “perdeu” nos setenta anos em que ficou congelado.

Futuro

Capitão América 2 – O Soldado Invernal dá origem a muitos elementos que podem ser aproveitados no futuro: o Falcão e o Soldado Invernal são os principais, mas há também Sharon Carter, e os vilões Batroc e Ossos Cruzados.

Mais que isso, o filme provoca uma ruptura no status quo do universo cinematográfico da Marvel, com consequências imprevisíveis. Os primeiros reflexos já se fizeram sentir na série de TV Agents of SHIELD, no episódio que foi ao ar em 1º de abril com o sugestivo nome End of the Beginning.

O filme representa um novo patamar da Marvel no cinema. Aposta no público novo, claro, mas mira principalmente naqueles que vêm amadurecendo junto com seu universo nos últimos seis anos.

É muito provável que o estúdio mantenha o caráter de entretenimento e fantasia que vem garantindo o sucesso de seus filmes – afinal, ainda se trata do gênero de super-heróis. Mas depois de Capitão América 2 – O Soldado Invernal, é de se esperar também uma nova abordagem: complexa, elaborada, que vai exigir dos fãs um conhecimento de mundo que vai além das HQs.

Comentários

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5 Comments

  1. Perfeito, Jota! E seu texto encerra com algo que também venho pensando: assim como acontece nos quadrinhos, em breve vai ficar impossível ver um filme da Marvel sem ter visto os anteriores. É uma faca de dois gumes: ao mesmo tempo em que pode atrair espectadores para os outros heróis da franquia como também – como nos quadrinhos – pode afastá-los por se tornar complexo demais. Vamos aguardar. Parabéns pela crítica.

    • Valeu, Edu. Mais que isso: espero que a Marvel ache o tom correto entre densidade do roteiro e entretenimento.

      Senão, daqui a pouco, Vingadores vai ficar mais sombrio que Batman :)

      Abs

  2. Lancelott

    Bem, voce tem razão para mim (sem spolier mas, como suspense…) é fantástica essa mistura rápida dos fatos das HQs com o roteiro do cinema, que é sempre agil na interrelação dos acontecimentos… Quando vi Agentes SHIELD já saquei alguns possíveis lances… Estou impressionado ( e contente) com certas alusões aos quadrinhos de maneira bem “real”…. Agora o Zola…ahahah!!!

  3. nunca vi o filme apesar de ser da america mas falo brazileiro deve ser legal esse filme

  4. Mateus Tavares

    Foi muito bom,pois consegui fazer o trabalho da escola,que era sobre esse filme:Valeu Jota!

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