cagnin

A triste notícia chegou por meio da página do Facebook de Sonia Bibe Luyten, também ela respeitada pesquisadora da Nona Arte.

Cagnin estava com 83 anos. É dele o primeiro estudo semiológico sobre a linguagem dos quadrinhos no País. Alguns pesquisadores o precederam – Moacy Cyrne, Álvaro de Moya, Zilda Augusta Anselmo e a própria Sonia Luyten – mas a diferença é que Cagnin lançou um olhar acadêmico sobre a estrutura narrativa dos quadrinhos, seus vários elementos e como eles se relacionam para contar uma história.

Sua tese, que teve como orientador ninguém menos que o escritor e crítico Antônio Cândido, virou o livro Os Quadrinhos, em 1975.

Cagnin introduziu a linguagem dos quadrinhos em suas aulas de Língua e Literatura Portuguesa; em 1984, ingressou no departamento de Cinema, Rádio e TV da Universidade de São Paulo e logo no primeiro ano assumiu a disciplina de Quadrinhos.

Em 1986, durante suas pesquisas, deparou-se com a obra de Angelo Agostini, considerado o precursor dos quadrinhos no Brasil e até, talvez, no mundo. A paixão e dedicação de Cagnin ao tema o tornaram o maior especialista brasileiro em Agostini.

Infelizmente, o professor partiu sem ter conseguido concretizar o projeto de reeditar Os Quadrinhos. O livro está esgotadíssimo e hoje é considerado item raro.

Uma amostra do que ele apresenta pode ser vista em outro livro, bem mais recente: A Leitura dos Quadrinhos, do jornalista e professor Paulo Ramos, que tem a obra de Cagnin como importante fonte bibliográfica.

Também vale muito a pena ler a extensa entrevista de Cagnin ao cartunista Márcio Baraldi em 2010 (aqui).

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