hector-jaqueta-200x300Hector Lima tem uma longa ficha corrida de serviços prestados à divulgação da Cultura Pop e da produção de Quadrinhos nacionais. É jornalista, tradutor e DJ; como roteirista de quadrinhos, Hector foi publicado nas coletâneas britânicas Just 1 Page #2 e #4, Commercial Suicide #1 e #2 e nas brasileiras FRONT #9 [conto em prosa] e Manticore #3.

Sua webcomic de ação O Major foi publicada semanalmente no site estadunidense Komikwerks e depois impressa pelos selos Smashout e Ronin Studios.

Desta vez, Hector atacou como editor-coordenador, cotradutor e roteirista da excelente coletânea digital INKSHOT, lançada pela editora norte-americana MonkeyBrain no site Comixology.

Hector Lima responde 5 Perguntas do Papo de Quadrinho:

1. Como surgiu esse trabalho com a editora MonkeyBrain?

Hector: A INKSHOT estava pronta desde 2010/2011 e seria lançada em livro impresso pela editora norte-americana IDW. Mas ela desistiu por achar arriscado lançar um livro com tantos autores desconhecidos. No fim de 2012, fiz contato com a MonkeyBrain por gostar de seus gibis e por ela ter se destacado no cenário com lançamentos digitais. O custo para lançar é zero, então arrisquei e o editor adorou as histórias.

2. Como foi o processo de seleção dos autores brasileiros?

Com a ajuda de Pablo Casado, Felipe Cunha e George Schall – com quem depois eu fiz Sabor Brasilis – escrevi para vários autores pedindo histórias entre 3 e 5 páginas sem tema, estilo ou gênero definido, mas que puxassem pela criatividade – o que acabou virando até tema de alguns dos trabalhos. Fiz questão de formar duplas de roteiristas e desenhista em alguns casos, para valorizar o trabalho de quem escreve, e assim chegamos nessas mais de 200 páginas de gibi.

3. Você acha que essas coletâneas digitais têm futuro enquanto produto final, ou apenas a título de divulgação para que mais adiante outros brasileiros sejam publicados em papel nos EUA?

Eu adoro coletâneas de todo tipo, são sempre celeiro de novos autores e fonte de material criativo muito interessante. A nova Dark Horse Presents, por exemplo, é uma das revistas mais legais do mercado atualmente (nosso colaborador George Schall publicou este ano lá) e oferece um respiro quando se está cansado da mesmice.

Do ponto de vista comercial acho que as coletâneas funcionam mais como exposição mesmo, são notoriamente uma “venda difícil” em todos os sentidos. Mas uma das inspirações da INKSHOT são os anuários de ilustradores e designers, então nesse sentido ela pode cumprir seu papel de mostrar novos autores ao público. No Brasil meio que já cumpriu em parte esse papel: alguns dos colaboradores dos três álbuns MSP saíram de um embrião da INKSHOT que o Sidney Gusman (coordenador editorial da Mauricio de Sousa Produções) viu há alguns anos.

4. O DRM (Digital Rights Management) é uma proteção paliativa, qualquer criança com algum conhecimento de informática sabe como burlar. Temos iniciativas totalmente abertas como a HQ The Private Eye de Brian K. Vaughn e Marcos Martin, onde você literalmente paga o que achar justo ou nem precisa pagar, colocando o leitor em uma armadilha moral. Você acredita que o público já está mais maduro para encarar a HQ digital como um produto bem feito e pagar por ele o preço justo?

Hoje em dia estamos mais acostumados a pagar pelo que achamos na internet. É tudo muito novo e ainda vai melhorar. Os gibis lançados digitalmente na Comixology são muito baratos, não envolvem custos de impressão e correio; eu, por exemplo, já me acostumei a comprar por lá. O sistema e o processo lembram o do iTunes ou Amazon. A questão da DRM é chata, mas é o preço que o autor paga por estar em um sistema com tanta exposição.

A Image Comics tem vendido seus gibis pela Comixology, mas também pelo seu site, sem proteção de DRM e com uma porcentagem maior de lucro para os autores. A Dark Horse também, mas no caso só vende por aplicativo próprio.

No Brasil, acho que estamos nos acostumando aos poucos a pagar pelo que vemos na internet. Conheço gente que baixa cada vez menos filmes e séries porque fez uma assinatura da Netflix, por exemplo, que não permite mandar os arquivos para os amigos. Tudo vai depender de qual modelo vai ser o mais fácil de ser usado e o mais adotado pelas pessoas.  A Comixology é muito prática, você pode ler as revistas na web, no computador, tablet ou celular, logando de qualquer lugar.

5. Alguma chance desses projetos se tornarem HQs impressas, ou não é necessário?

Pessoalmente gostaria que a INKSHOT tivesse versão impressa. A MonkeyBrain fez um ano e começou parcerias com algumas editoras como Image e (ironicamente) a IDW, para lançar coleções de certos títulos. Por ora, na versão digital, a coletânea pode ir mais longe e ser acessada por qualquer pessoa ao redor do mundo. Ainda não temos dados de vendas da MonkeyBrain, mas pra se ter uma ideia os países que mais acessam nosso blog de previews são Brasil, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, Portugal, Canadá… vai saber onde os gibis brasileiros podem chegar.
 

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