chicobento

“Em time que está ganhando não se mexe” não é um ditado que se aplica a Mauricio de Sousa. Com personagens cinquentenários e enraizados na memória de seguidas gerações, o editor-empresário não hesita em abrir caminhos alternativos para suas criações.

Prova disso são dois de seus mais recentes e bem sucedidos projetos: Turma da Mônica Jovem e Graphic MSP.

O primeiro adianta a cronologia da Turma da Mônica e se posiciona para leitores pré-adolescentes e adolescentes, com uso do “estilo mangá” e tramas típicas da idade.

Graphic MSP traz a visão de autores de fora dos estúdios de Mauricio de Sousa sobre personagens consagrados, com acabamento de luxo e enredos essencialmente – mas não só – adultos.

Coincidência ou não, novidades dos dois projetos chegaram simultaneamente às bancas pela Panini, ambas estrelados pelo caipira Chico Bento.

Pavor Espaciar

Terceiro volume da série Graphic MSP, Chico Bento – Pavor Espaciar, de Gustavo Duarte, mantém a qualidade artística e gráfica dos anteriores Astronauta – Magnetar e Turma da Mônica – Laços.

Duarte parte de um costume das cidades do interior – a contação de “causos” – e cria uma aventura em que Chico Bento, seu primo Zé Lelé, o porco Torresmo e a galinha Giselda são abduzidos por alienígenas. A esperteza dos garotos – e dos bichos – prevalece sobre a avançada tecnologia e garante o final feliz – pena que ninguém acredita neles.

Gustavo é conhecido por suas HQs “mudas”: , Táxi, Birds e Monstros. O autor compensa a ausência da palavra escrita com uma arte expressiva (corporal e facial) acima da média.

Mesmo sendo “quase muda” – 33 páginas das 68 de história não têm balão de fala – Pavor Espaciar herda essa técnica. Uma das diversões da leitura é acompanhar as sutis reações dos personagens; outra é procurar as várias referências à cultura pop, ao universo de Mauricio de Sousa e aos personagens do próprio Gustavo Duarte.

Dos três volumes de Graphic MSP publicados até agora, Pavor Espaciar é o mais simples. Não se propõe a dissecar o DNA dos personagens como Danilo Beyruth fez com a solidão do Astronauta, e os irmãos Cafaggi, com a amizade da Turma da Mônica.

Em vez disso, conta uma aventura divertida, magnificamente desenhada e com potencial para agradar um leque etário mais amplo de leitores.

Chico Bento Moço

A outra novidade é Chico Bento Moço, a versão “jovem” da turma da Vila da Abobrinha. Chico, Zé Lelé, Rosinha, Zé da Roça e Hiro estão todos com 18 anos, e prestes a trocar a vida pacata do campo pela agitação da faculdade nos grandes centros (a exceção é Zé Lelé, único a optar por se manter presos às raízes).

Se o ditado “em time que está ganhando…” não se aplica à Turma da Mônica Jovem, o mesmo não se pode dizer de Chico Bento Moço. O novo título carrega todas as características do outro: mesmo “estilo mangá”, mesmo tipo de humor, mesmos dilemas, mesmo sistema de flashbacks.

É mais que uma extensão; é como se fosse a própria revista da Turma da Mônica Jovem com outros protagonistas.

Faltou ousadia e sobrou confiança que Chico Bento Moço vai repetir o sucesso comercial da sua antecessora – o que é muito provável, já que a equipe que faz as revistas sabe trabalhar muito bem com as emoções adolescentes.

Para completar, o visual do Chico recebeu um tratamento “sertanejo universitário”. Não falta nem a cena em que ele exibe o novo físico sarado.

A primeira edição trata da transição; as próximas devem explorar as dificuldades de adaptação de um caipira na cidade grande e deixar as coisas um pouco mais agitadas. Mesmo sem inovar, Chico Bento Moço tem tudo para agradar o público-alvo.

SERVIÇO

Chico Bento – Pavor Espaciar: 84 páginas coloridas, formato 27,5 x 19 cm, e duas opções de capa: cartonada (R$ 19,90) e dura (R$ 29,90).

Chico Bento Moço 1: 100 páginas, capa colorida, miolo em preto e branco, formato 21 x 16 cm e preço de R$ 7,50.

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