boxeador capa frente real

Reinhard Kleist fez seu nome ao produzir uma série de biografias em quadrinhos (veja abaixo agenda do autor no Brasil). Depois de Elvis Presley, Johnny Cash e Fidel Castro, chega agora ao Brasil, novamente pela editora gaúcha 8Inverso, a história de vida de um personagem bem menos famoso.

O Boxeador relata o drama de Hertzko Haft, judeu polonês enviado aos campos de concentração nazistas quando ainda era adolescente.

Ajudou muito o fato de Haft ser um cara durão. Ele se destacou nas lutas de boxe improvisadas pelos militares alemães e ganhou a simpatia de um oficial. Se isso não lhe trouxe privilégios, pelo menos adiou a viagem sem volta para as câmaras de gás.

Com o final da guerra, Haft mudou-se para os Estados Unidos e deu início à carreira de pugilista profissional. Seu maior feito foi ter enfrentado um dos grandes nomes daquele esporte à época, Rocky Marciano.

Tudo isso é contado em primeira pessoa por Haft, num relato que fez perto do final da vida ao seu filho Alan – e que rendeu a biografia Um dia, eu contarei tudo, na qual se baseia a graphic novel de Kleist.

O pano de fundo do relato comovente de um sobrevivente de Auschwitz, entre outros campos por que passou, é o horror que o nazismo representou na história da Humanidade.

Quando esse panorama político é trazido para a vida cotidiana das pessoas é que se percebe com mais clareza a crueldade da política de Hitler. Foi o caso de Haft, arrancado de sua amada Leah às vésperas do casamento. Em grande parte, a esperança de reencontrá-la foi o que o manteve vivo.

O final, que não será revelado neste texto para não estragar a surpresa, traz o leitor de volta à primeira página e provoca aquele nó na garganta.

A grande ironia da história de Hertzko Haft é que se por um lado a guerra destroçou seu sonho, por outro trouxe a ele a fama que jamais poderia almejar se tivesse tocado sua vida como filho de um mercador numa cidade industrial do interior da Polônia.

Kleist tem traço preciso e narrativa fluida. Capricha nos enquadramentos e ousa na diagramação. Isso tudo aliado a uma história sensível faz de O Boxeador uma leitura para lá de agradável. O livro traz, como extras, esboços do autor, fotos de Haft e um posfácio sobre o esporte nos campos de concentração.

A 8Inverso mais uma vez fez um ótimo trabalho editorial. O único reparo é quanto ao tipo e tamanho do letreiramento que, especialmente no papel pólen, dificultam a leitura em alguns momentos.

O Boxeador tem 200 páginas, capa colorida, miolo em preto e branco, e preço de R$ 51.

Kleist no Brasil

Para divulgar o lançamento de O Boxeador, a 8Inverso está trazendo o autor Reihard Kleist para uma maratona de atividades na Bienal do Livro do Rio de Janeiro:

30 de agosto

14h30: Oficina de quadrinhos aberta ao público, com Reinhard Kleist.

31 de agosto

15h30: Oficina de quadrinhos com dez jovens da Rocinha, com Reinhard Kleist e mediação do editor Cássio Pantaleoni.

17h: Palestra “Um panorama da produção de quadrinhos na Alemanha”, com Reinhard Kleist e o tradutor Augusto Paim.

1º de setembro

12h: Reinhard Kleist no Café Literário discute “O traço e a escrita na produção do narrar”, com Daniel Pelizzari e Rodrigo Rosa; mediação de Bruno Dorigatti.

13h: Lançamento da obra O Boxeador e sessão de autógrafos com Reinhard Kleist. Mediação de Augusto Paim e Cássio Pantaleoni.

15h: Palestra “Castro, Cuba – como é a criação de uma novela gráfica?”, com Reinhard Kleist e Augusto Paim.

Comentários