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Turma da Mônica – Laços: Uma das melhores HQs que você vai ler neste ano

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No mês passado, comentamos na página do Facebook deste blog que O Maravilhoso Mágico de Oz é forte candidato às listas de Melhores HQs de 2013. Pois bem, acaba de pintar mais um. Mas no caso de Turma da Mônica – Laços, o mais correto é trocar “forte candidato” por “presença garantida”.

Se ao final da leitura alguém disser que se surpreendeu com este segundo volume da coleção Graphic MSP é por que não teve a sorte de conhecer os trabalhos anteriores dos jovens irmãos e artistas mineiros Vitor e Lu Cafaggi. Está tudo lá: personagens lindamente caracterizados, perspectivas audaciosas, paleta de cores suaves, humor refinado.

Turma da Mônica – Laços parte de um argumento simples. Floquinho, o cachorro do Cebolinha, sumiu. Para encontrá-lo, a turma do bairro do Limoeiro vai embarcar numa grande aventura e provar que os laços que os unem são atados pelos valores da mais verdadeira amizade.

Este é o ponto de partida para os autores explorarem a rica mitologia da Turma da Mônica. Vitor e Lu chegam ao requinte de “explicar” um dos maiores dilemas dos quadrinhos infantis: por que só o Cebolinha usa sapatos?

Aproveitam, também, para incluir referências de sua própria formação pop. A semelhança com o filme Conta Comigo (Stand by Me, 1986) é evidente, mas há outras, como a citação a uma das cenas antológicas do filme Os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979).

No primeiro volume da coleção Graphic MSP, Astronauta – Magnetar, Danilo Beyruth deu nova dimensão a uma conhecida característica do personagem, a solidão. Em Turma da Mônica – Laços, Vitor e Lu vão pelo mesmo caminho.

Todo leitor do Mauricio de Sousa sabe que Floquinho é o animal de estimação de Cebolinha, e que eles se gostam muito. Mas nunca antes o amor de um menino por seu cão foi tão aprofundado. Impossível não se emocionar com o primeiro encontro dos dois, ainda bebê e filhote; impossível não se solidarizar com a melancolia que toma conta do garoto quando não tem notícias do cachorro desaparecido.

E aí está o ponto crucial desta HQ. Vitor e Lu manipulam a emoção do leitor com uma naturalidade que espanta. Eles captam o sentimento da infância de um modo que desconhece precedentes (se há, são raros). Criam uma história que é infantil, sem ser simplória; terna, sem ser piegas; lúdica, sem ser superficial.

Isto tudo já ficava evidente em obras-primas anteriores, como a história do Chico Bento para o primeiro volume da coletânea MSP 50 e a HQ independente Duo.tone (de Vitor), e Mixtape (de Lu).

Aqui cabe um comentário especial às páginas em que Lu Cafaggi intervém de forma mais direta, desenhando. São três flashbacks: o dia em que Cebolinha ganhou Floquinho de presente, uma homenagem explícita a Mauricio de Sousa, e o primeiro encontro da turma, ainda na creche. Há, ainda, duas páginas de “álbum de fotografias”. Se Vitor é mestre em representar crianças, Lu é insuperável com bebês.

O livro ganhou a qualidade gráfica que merece. A Mauricio de Sousa Editora e a Panini capricharam no projeto gráfico. Tem 84 páginas coloridas, formato 26 x 17 cm, e duas opções de capa: cartonada (R$ 19,90) e dura (R$ 29,90).

Turma da Mônica – Laços é uma das melhores HQs que você lerá neste ano e, provavelmente, na vida. Pode apostar.

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