morning glories

Frente ao atual marasmo dos quadrinhos de super-heróis, é reconfortante descobrir que ainda há vida inteligente produzida pelo mainstream.

É o caso das três ótimas séries encadernadas que a Panini começou a publicar no Brasil no final do ano passado: Sweet Tooth, O Inescrito (ambas da DC/Vertigo) e Morning Glories (da Image).

De todos, esta última foi o que mais surpreendeu este editor. Não que seja a melhor – as três são igualmente acima da média. Mas o que parecia ser mais uma história linear de terror adolescente ganha camadas de mistério a cada novo capítulo.

Morning Glory é uma das mais prestigiadas escolas preparatórias dos Estados Unidos. O que ninguém sabe é que seu método de ensino é baseado em tortura física e psicológica, e até morte. Muito cedo, um grupo de calouros – Casey, Hunter, Jun, Jade, Zoe e Ike – descobre da pior forma que são prisioneiros da escola e reféns de seus sádicos professores.

A cada capítulo, os mistérios vão se acumulando: qual o objetivo da abjeta pesquisa realizada em Morning Glory? A quem os administradores respondem? O que os calouros têm de especial além da mesma data de nascimento? Por que os veteranos agem de forma tão imprevisível?

Mesmo o segundo volume, que se propõe a jogar alguma luz sobre o passado dos jovens alunos (atualmente nas bancas), só faz aumentar o mistério.

A analogia com o seriado Lost é uma brincadeira que faz sentido. A escola é a ilha isolada do mundo exterior; o corpo docente são os Outros, que tocam terror nos novatos e respondem a uma enigmática autoridade, o “diretor”; os calouros, claro, são os sobreviventes do voo Oceanic 815: perdidos, sem ter para onde fugir ou saber em quem confiar, e aparentemente vítimas da situação – mas que, no fundo, escondem algum tipo de segredo sujo do passado.

Nos Estados Unidos, a série mensal está quase na 30ª edição. Por aqui, os dois encadernados lançados até agora reúnem as 12 primeiras e a promessa de muitos mistérios por vir.

Morning Glories é HQ da melhor qualidade. O roteiro de Nick Spencer é kafkiano e cada porta aberta leva a outras três fechadas. Tudo isso amparado pelo traço elegante de Joe Eisma.

Se a comparação com Lost é válida, fica a torcida para que a HQ se saia melhor que a série de TV e não frustre os fãs no final.

Comentários