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Contém spoilers. Leia por sua conta e risco…

 

A responsabilidade do mais recente longa-metragem da Marvel não era pequena. Homem de Ferro 3 – que estreou no Brasil no dia 26 e chega às telas americanas neste final de semana – é o primeiro filme depois do megassucesso de Os Vingadores e o primeiro da chamada Fase 2, que vai desembocar na próxima reunião da superequipe nos cinemas, em 2015.

A missão foi cumprida com méritos. É, de longe, o melhor filme da trilogia do herói.

O roteiro tem como base o arco de histórias Extremis, publicado na revista Invencible Iron Man 1 a 6 em 2005, com roteiro de Warren Ellis e arte de Adi Granov.

Na HQ, os cientistas Aldrich Killian e Maya Hansen desenvolvem um vírus tecnológico que dá poderes regenerativos e amplia as capacidades físicas e cognitivas de seres humanos. O Homem de Ferro enfrenta um terrorista inoculado com Extremis e acaba submetendo a si próprio ao vírus para fazer frente ao oponente. A história redefiniu o herói nos quadrinhos para os anos seguintes.

KIllian e Maya estão no filme. Um encontro casual de ambos com Tony Stark, 13 anos antes, define a parceria entre os cientistas, a criação da IMA (Ideias Mecânicas Avançadas, um grupo de terroristas tecnológicos recorrente nos quadrinhos do Homem de Ferro) e a criação do Extremis.

Isso tudo é revelado no decorrer da trama. No início, Stark vem testando um novo controle mental remoto da sua armadura que lembra o Extremis dos quadrinhos. Nesse meio tempo, o terrorista internacional Mandarim ameaça os Estados Unidos com uma série de atentados.

Num deles, o amigo e ex-segurança particular Happy Hogan acaba ferido, o que coloca Stark e o Mandarim num estado de guerra particular. O milionário quase morre quando sua mansão é destruída pelo terrorista, perde todos seus recursos e precisa começar o caminho de volta. Nessa trajetória, Stark vai contar com a inesperada ajuda do garoto Harley Keener (Ty Simpkins) enquanto tenta sobreviver ao ataque de poderosos agentes inoculados com Extremis.

A investigação leva a Killian, o verdadeiro líder e mentor de todo o caos. O Mandarim? Um ator falido contratado para se fazer passar por líder terrorista e dar um “rosto” aos planos do cientista.

Esta última foi uma opção temerária dos produtores. Ao transformar um dos maiores inimigos do Homem de Ferro nos quadrinhos num bufão, correm o risco de desagradar boa parte dos fãs e desperdiçam um ótimo antagonista para filmes futuros.

O filme tem ação de sobra, mas sem comprometer a complexidade do roteiro. Boa parte dela fica nas mãos de um Tony Stark desprovido da armadura do Homem de Ferro, quase um superespião.

Os fãs ainda podem se deleitar com as várias armaduras dos quadrinhos que aparecem na batalha final. Há também o Patriota de Ferro, identidade assumida pelo coronel James Rhodes em substituição à Máquina de Combate (do segundo filme).

Aliás, a valorização dos protagonistas é algo marcante em Homem de Ferro 3. Apesar de nenhum deles eclipsar a sempre magnífica atuação de Robert Downey Jr. como Homem de Ferro/Tony Stark, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), Patriota de Ferro/James Rhodes (Don Cheadle) e Happy Hogan (John Favreau) fazem valer cada minuto em que aparecem na tela. Guy Piece, no papel de Aldrich Killian, também faz bonito.

Há várias referências a Os Vingadores, mas sem exagero – apenas o suficiente para ambientar o filme após o ataque de Loki e seus Chitauri a Nova York. Tony Stark inclusive demonstra sofrer de estresse pós-traumático causado pela batalha. A cena pós-crédito é uma piada que se concentra mais na relação firmada entre os Vingadores do primeiro filme do que prepara o terreno para o segundo.

Por tudo isso, Homem de Ferro 3 é um ótimo filme: prende a atenção, diverte, emociona, tem excelentes efeitos especiais, homenageia os fãs com várias referências aos quadrinhos e mantém o alto nível estabelecido pela Marvel no cinema. É isso que se espera de um filme de super-heróis, não?

Nota: 9

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