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A polêmica envolvendo a contratação do escritor de ficção científica Orson Scott Card para a série em quadrinhos Adventures of Superman ganhou um novo capítulo.

Card é diretor de um grupo que combate a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos. No mês passado, a DC recusou-se a atender a petição online da organização AllOut que pedia a demissão do escritor (entenda tudo aqui).

Nesta semana, Chris Sprouse, o artista contratado para desenhar a história escrita por Card, abandonou o projeto.

“Pensei muito antes de chegar a esta conclusão, mas decidi não desenhar esta história. A repercussão em torno dela chegou a um ponto que superou o próprio trabalho e isso é algo com que não me sinto confortável”, confirmou Sprouse numa declaração reproduzida pelo site USA Today.

A decisão do artista não afetou só a ele. Por falta de tempo hábil para encontrar outro desenhista, a história escrita por Card não será incluída na primeira leva da coletânea a ser lançada nos meios digitais no dia 29 de abril, e de forma impressa no começo de maio.

Da mesma forma que fez na declaração sobre Card, a DC permaneceu isenta em seu comunicado: “Nós apoiamos, entendemos e respeitamos completamente a decisão de Chris de deixar o projeto Adventures of Superman. Chris é um artista extremamente talentoso e estamos ansiosos para trabalhar com ele em seu novo projeto para a DC”.

Vivemos tempos estranhos. Claro que Sprouse tem todo o direito de recusar um trabalho, assim como a DC tem a liberdade de chamá-lo novamente ou não. Não dá para saber se o artista realmente amarelou quando viu o tamanho da encrenca e não quis ter seu nome associado a um projeto controverso ou se sofreu algum tipo de pressão de pessoas ou grupos organizados.

A pergunta é: se um artista se recusasse a trabalhar sobre o roteiro de um escritor gay, qual seria a reação?

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