Os livros em quadrinhos que Gustavo Duarte publicou nos últimos anos se destacam por dois aspectos: a ausência de textos e o caráter independente.

É o caso das premiadas , Táxi e Birds. Com um traço característico e extremamente expressivo, as histórias têm um forte poder narrativo mesmo sem diálogos. As três publicações foram lançadas sem o selo de uma editora.

Monstros! é o primeiro trabalho de Gustavo Duarte que foge a um dos padrões: será lançada no dia 1º de outubro pela Quadrinhos na Cia., o selo de quadrinhos da editora Companhia das Letras.

A outra “marca registrada” do autor foi mantida: trata-se de mais uma HQ “muda”. Monstros! é uma homenagem aos filmes catástrofe japoneses ao estilo Godzilla. Nesta versão, Tóquio foi trocada pela cidade de Santos, no litoral de São Paulo, e o improvável herói é um pescador e contador de “causos”.

Monstros! tem 88 páginas, formato 18 x 25,5 cm, capa colorida, miolo em preto e branco e preço de R$ 34,50.

Em tempo: no último dia 11, o quadrinhista anunciou em seu blog que deixou de colaborar com o diário esportivo Lance! depois de 12 anos.

Gustavo Duarte conversou com o Papo de Quadrinho sobre o novo projeto:

Monstros! é seu primeiro livro em quadrinhos por uma editora, confere? Como se deu isso?

Sim. É algo que vem desde 2009, quando lancei a !. A partir daí, vários editores começaram a falar comigo. E o primeiro deles foi o André Conti, agora meu editor na Companhia. Desde então, sempre que a gente se encontrava falávamos sobre trabalhar juntos no futuro. Depois de lançar três álbuns independentes, achei que seria legal fazer algo com uma editora.
Daí sentamos, falei sobre a idéia central da HQ e fechamos.

Em termos criativos, você sentiu alguma diferença entre publicar um livro independente e por uma editora?

Não. Nenhuma. A única diferença do processo foi ter que mostrar o roteiro para o André antes de começar a desenhar. Ele aprovou de primeira e deu algumas sugestões que acabaram gerando boas cenas na HQ.

E quanto a todo o resto (impressão, distribuição, divulgação), é melhor?

Isso só poderei saber quando o livro estiver pronto e nas livrarias. O livro sai agora no dia 1º de outubro. E espero que esteja em todas as livrarias. Mas pela produção acredito que vá ser tudo muito bacana. A minha opção pela Companhia foi por isso. Existe sempre um cuidado gráfico e uma ótima distribuição. Gramatura, impressão, tipo de papel. Foi tudo escolhido para fazermos o livro da melhor forma possível. Isso é legal de estar numa boa editora.

Veremos outros livros seus independentes ou a tendência é passar a publicar pela Companhia das Letras?

Acho que teremos as duas coisas. Uma não inviabiliza a outra.

Parece que a saída do Lance! pegou você de surpresa. Alguma chance de voltarmos a ver suas charges em alguma publicação diária de grande circulação?

Sim. Foi uma surpresa depois de 12 anos de trabalho. É uma pena, pois, apesar de mal pago, era um trabalho que gostava e fazia com muita dedicação. Mas vamos em frente. Quanto a voltar a publicar periodicamente em algum jornal, revista ou site, é algo que eu gostaria, sim. Mas não sei se vai acontecer. O que aconteceu comigo não foi um fato isolado.  A imprensa passa por uma crise feia, em que cada vez se demite mais e se publica e opina menos. Torço para que este momento seja passageiro e que não só eu como outros cartunistas voltem a ter espaço de verdade em publicações diárias.

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