O “clássico” do título é mais pela relevância e caráter indie do que pela distância da primeira publicação.

O Vira Lata é um herói urbano, típico representante da miscigenação brasileira, criado por Paulo Garfunkel (roteiro) e Libero Malavoglia (arte) no início dos anos 1990.

Sua primeira aparição se deu na revista Grandes Aventuras Animal e chamou a atenção do médico Drauzio Varella, que vinha desenvolvendo um programa de prevenção à Aids no presídio paulista do Carandiru.

Após um processo de adequação do roteiro para ao código de ética dos detentos, as sete edições seguintes, com tiragem de 10 mil exemplares, passaram a ser distribuídas na Casa de Detenção – graças ao patrocínio da Universidade Paulista (Unip).

A edição que a Editora Peixe Grande lança agora reúne pela primeira vez todas estas oito histórias – a de estreia nas bancas e as destinadas aos detentos – e mais uma inédita, Na Amazônia, que não chegou a ser impressa à época. Um adendo de 16 páginas reconta a história da publicação no País.

O sucesso de O Vira Lata entre um público não habituado à leitura pode ser explicado pela própria personalidade do protagonista: misto de ronin urbano, praticante do candomblé e habitué do submundo.

Há outros fatores também: a abordagem de sexo e drogas, roteiros com linguagem direta, mergulhados em erotismo e ação, com sequências cinematográficas. O artista Libero Malavoglia não esconde as influências de Hugo Pratt, Milo Manara, Guido Crepax, Frank Miller, Moebius, Serpieri e Kazuo Koike e Goseki Kojima, do fodástico Lobo Solitário.

Altamente recomendada para colecionadores, fãs e estudiosos do quadrinho brasileiro, O Vira Lata tem 440 páginas, formato 17 x 24 cm, capa colorida e miolo p&b e preço de R$ 69,00. A distribuição será feita em livrarias e lojas especializadas.

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