Difícil explicar por que algumas personalidades emblemáticas, porém esquecidas, voltam a ganhar os holofotes de tempos em tempos. É o caso de J. Edgar Hoover, o diretor do FBI que serviu o governo americano por mais de meio século.

No ano passado, Hoover foi o personagem de uma cinebiografia dirigida por Clint Eastwood e estrelada por Leonardo Di Caprio, injustamente ignorada pelo Oscar 2012. No embalo do lançamento do filme no Brasil (no final de janeiro), a Editora Seoman, do Grupo Editorial Pensamento, acaba de lançar J. Edgar Hoover – Uma Biografia em HQ, escrita e ilustrada por Rick Geary.

O livro foi publicado nos Estados Unidos em 2008 e conta a vida do criador de uma das maiores e mais poderosas agências de investigação do mundo, do seu nascimento em 1895 até a morte, em 1972.

Diferentemente do filme de Eastwood, que intercala flashbacks com os últimos anos de vida de Hoover, a HQ traça uma narrativa linear de sua carreira desde o primeiro emprego na biblioteca pública do Congresso.

O livro de Geary tem o mérito de estabelecer um paralelo entre a cena política nos Estados Unidos e a trajetória profissional de Hoover, evidenciando a forma como uma influenciou a outra mutuamente.

Graças a um misto de competência, obsessão pela ordem e alguma chantagem – fala-se da existência de arquivos secretos com informações nada agradáveis sobre um grande número de políticos – Hoover sobreviveu no cargo a oito mandatos presidenciais de diferentes espectros, conservadores e liberais.

J. Edgar Hoover dá o devido peso a pessoas importantes na vida do diretor do FBI, caso da secretária Helen Gandy e do braço direito e amigo pessoal, Clyde Tolson. A suposta relação homossexual com este último também é explorada pela HQ, porém em dose bem menor que no filme – da mesma forma que o papel decisivo que a mãe, Annie, teve na formação e manutenção de seu caráter rígido e moralista.

O que não dá para entender é por que um profissional experiente como Geary – com passagem pela Heavy Metal, Dark Horse, DC, Mad e outras publicações e editoras – produziu um trabalho tão pobre em termos de linguagem sequencial.

Apesar de seu traço realista e hachurado em preto e branco combinar muito bem com a história, a HQ limita-se a uma sequência de quadros e splash pages cercados de legendas em que os fatos vão sendo narrados. No livro todo, conta-se meia dúzia de balões de fala; não há diálogos nem dramatização de momentos importantes da vida pessoal e profissional de Hoover. Neste sentido, é pouco mais que um livro ilustrado.

Ainda assim, a HQ é uma ótima introdução para os interessados em conhecer a vida de uma das mais polêmicas figuras políticas do século passado.

A Editora Seoman caprichou na edição e acertou ao manter as características originais: capa dura e formatinho 14,6 x 21,6 cm. J. Edgar Hoover – Uma Biografia em HQ tem 112 páginas e preço de R$ 19,90. Vale o investimento.

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