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Livro analisa momento atual do quadrinho brasileiro

Nos seis últimos anos, o premiado Blog dos Quadrinhos vem se destacando na cobertura das histórias em quadrinhos pelo aprofundamento e caráter jornalístico das reportagens.

Não é de se estranhar, portanto, que o conteúdo viesse a ser transformado em livro. Entre final de abril e início de maio, a Devir vai lançar Revolução do Gibi – A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil, uma coletânea dos artigos publicados no blog do jornalista e professor Paulo Ramos.

A obra terá mais de 500 páginas divididas em 20 capítulos, cada um sobre um aspecto diferente da produção brasileira de quadrinhos. A ilustração da capa é do jovem talentoso João Montanaro.

Papo de Quadrinho conversou com o autor sobre o processo de produção do livro:

Como nasceu este projeto?

A ideia surgiu em conversas esporádicas com várias pessoas ligadas à área. Sempre me diziam que havia no conteúdo do Blog dos Quadrinhos um registro importante sobre o atual momento dos quadrinhos no Brasil e que deveria ser transformado em livro. Era algo que, honestamente, eu mesmo não havia percebido. Tanto que demorei um bom tempo para amadurecer essa ideia. Até que, numa conversa com a editora Devir, topei produzir a obra.

Qual o período de publicação abrangido e quantas notas entraram no livro?

O livro pega todo o período do Blog dos Quadrinhos, do início, em abril de 2006, até o último dia de 2011. Um detalhe importante é que, ao final de cada matéria, incluí um comentário atualizando a informação. A última atualização foi feita em janeiro deste ano. O conteúdo foi dividido em 20 capítulos, cada um abordando um aspecto do mercado de quadrinhos no Brasil. Não cheguei a contar quantas postagens entraram no livro. Mas o resultado final passa das 500 páginas.

Seu blog fala de quadrinhos de modo geral e o livro será orientado para o mercado brasileiro. Como se deu a seleção das notas?

Fazer este livro deu mais trabalho do que escrever uma obra do zero. Precisei reler todas as postagens desses quase seis anos de Blog dos Quadrinhos, separar o material por temas, selecionar os textos que tivessem maior densidade e relevância de informações, retirar as matérias que apresentassem as incontornáveis redundâncias. Depois, tive de fazer nova checagem das informações das postagens selecionadas e padronizar os textos (tamanho de parágrafos, forma de criação dos títulos, entre outras coisinhas assim).

Terminado tudo isso, criei um texto de abertura para cada um dos capítulos, contextualizando o assunto, e inseri uma a uma as notas ao final de cada uma das matérias, atualizando as informações. Para finalizar, precisei buscar imagens em alta resolução para ilustrar cada uma das postagens. Como disse antes, foi bem trabalhoso. Mas fiquei bem contente com o resultado final.

Como foi feito o trabalho de organizar notas de períodos diferentes para que, lidas em sequência no livro, mantivessem a coerência?

O que me ajudou a convencer a publicar o livro foi a possibilidade de termos um registro das informações do peculiar mercado atual de quadrinhos no Brasil. Para reforçar esse aspecto, mantive a data de cada uma das postagens. A ideia é que o leitor da obra saiba o dia exato em que ocorreu aquela informação e possa perceber a evolução do assunto ao longo do tempo. Acredito que isso irá constituir um conteúdo valioso para futuras pesquisas e consultas sobre as raízes do cenário contemporâneo de quadrinhos no Brasil. Eu mesmo, em alguns artigos e matérias que tenho feito, já me valho do livro como fonte de consulta.

Para você, qual é a “nova cara dos quadrinhos no Brasil”?

A cara dos quadrinhos de hoje no Brasil é parecida com a do brasileiro, que mostra uma rica mistura de raças e etnias. Minha leitura é a de que, a partir da metade desta década inaugural de século 21, vários fatores impactantes ocorreram simultaneamente no País e ajudaram a construir um novo cenário para o setor. Alguns deles: ampliação da autopublicação, ingresso dos quadrinhos nas livrarias, compra de obras pelos governos federal e estadual, fomento institucional para publicação, consolidação das narrativas gráficas mais longas, produção virtual, ampliação do escopo de editoras, impacto exercido pelos mangás. Há mais fatores, que o livro ajuda a entender e a costurar.

 

Em tempo: o Blog dos Quadrinhos foi, e continua sendo, uma referência conceitual e estilística para este Papo de Quadrinho.

Comentários

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2 Comments

  1. Muito bom!
    Agora com a reedição do “A guerra dos Gibis” do Gonçalo Junior, mais o livro do Paulo Ramos podemos ter um panorama geral dos quadrinhos brasileiros.
    Excelente lançamento!

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