A nova animação da Warner/DC, que tem lançamento previsto em DVD e Blu-Ray somente para o dia 28, mantém a mesma equipe criativa das anteriores (Bruce Timm, Allan Burnet, Lauren Montgomery, Andrea Romano) e, consequentemente, a mesma qualidade.

Mais que isso, mantém a clássica e melhor formação da Liga da Justiça, já vista em Crise nas Duas Terras: Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde e Caçador de Marte. Como sempre, o injustiçado Aquaman ficou de fora; no lugar dele, Cyborg ganhou participação especial.

A formação da equipe é apenas um dos aspectos que diferenciam o novo desenho do arco de histórias em quadrinhos em que é baseado: Tower of Babel, escrito por Mark Waid e publicado no ano 2000 na revista JLA43 a46.

As mudanças foram tantas que nem dá para chamar de adaptação. Em comum, ambos produtos têm apenas o argumento principal: vilão megalomaníaco quer destruir a humanidade, mas antes precisa anular a Liga da Justiça. Para isso, rouba um dossiê que Batman mantinha secretamente com todas as fraquezas de seus colegas.

Alguns dos ataques aos membros da superequipe também são parecidos, mas as semelhanças terminam aí. Nos quadrinhos, o vilão é o terrorista Ra’s al Ghul e quem faz o trabalho sujo são sua filha Talia e alguns asseclas. No desenho, Vandal Savage pretende dizimar metade da população da Terra e contrata inimigos clássicos de cada membro da Liga para neutralizá-los: Mulher Leopardo, Bane, Metalo, Mestre dos Espelhos, Safira Estrela e Ma’alefa’ak – a autodenominada Legião do Mal.

As armas utilizadas por Ghul são, primeiro, um ataque de dislexia em escala global que interfere na economia, transportes, segurança (daí o título original “Torre de Babel”) e, em seguida, armas químicas no Oriente Médio. Já Savage quer dizimar parte da humanidade com uma explosão de raios solares.

Colocar cada super-herói combatendo um inimigo conhecido torna, sem dúvida, o desenho mais atraente para diferentes públicos, leitores de HQ ou não. Outra novidade é o confronto da Liga com a Gangue Royal Flash, que imprime bom ritmo já no início da animação (veja trecho abaixo).

Deixando as diferenças de lado, Justice League: Doom cumpre seu papel de entreter. O roteiro segue a linha básica: surpreendido em algum ponto vulnerável, cada herói tomba frente a seu oponente. Ciente de sua culpa, Batman é quem primeiro a desvendar o plano e parte para ao resgate de seus amigos.

Unida novamente, a Liga volta a enfrentar os vilões e sai vitoriosa. Pena que para um plano tão grandiloqüente quanto o de Savage foi preciso encontrar uma solução idem, num desfecho que lembra o desenho dos Superamigos.

No final, a animação retoma o argumento original, com a Liga da Justiça dividida entre aqueles que compreendem os planos de contingência de Batman para o caso de algum super-herói sair da linha e aqueles que consideram seus protocolos secretos uma grave quebra de confiança.

Justice League: Doom tem qualidades, muitas, mas não se iguala a seu antecessor, o já citado Crise nas Duas Terras, uma das melhores animações da Warner/DC até o momento. Ainda assim, é boa diversão.

Nota final: o roteiro é de Dwayne McDuffie, em seu último trabalho antes da morte prematura em fevereiro de 2011. Considerando a trama confusa de Tower of Babel, até que ele fez um bom trabalho. Os produtores dedicaram o desenho à sua memória.

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