Conforme anunciado, hoje o Papo de Quadrinho publica a opinião do cartunista JAL, presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil, sobre a lei que vem dividindo as opiniões dos profissionais dos quadrinhos.

 

“Editores e desenhistas poderão cobrar do governo as propostas dos incentivos”

Por JAL

 O debate acontecido no último dia 4 de fevereiro na entrega do troféu Angelo Agostini foi muito bom. O Jota Silvestre, dono da ideia de chamar alguns interessados para a mesa e com a participação do público de desenhistas e editores independentes, fez com que se mostrasse ao vivo o que já vem sendo discutido pela Internet e que esse blog tem participação importante.

Há falta de informação sobre o que é o mercado de quadrinhos no País e no mundo. Por isso, as ideias andam só ao redor de um projeto de lei que é apenas uma das partes para se montar o mercado. Depende mais de nós do que de uma lei. Depende de sempre procurarmos fazer o melhor e conquistarmos editores e público.

Mas a lei vai sair e temos que analisar como ela pode ajudar ao invés de escrachá-la. A lei tem mais pontos positivos que negativos, vistos de todos os lados (de quem apoia e quem não apoia). Basta ver os depoimentos na abertura desse blog. Enquanto os desenhistas andam tão preocupados em como as editoras vão se adaptar, os próprios editores estão aceitando essa lei e até uma junção com os desenhistas para modelar o mercado a partir da proposta de incentivos que a mesma comporta.

Saindo do legislativo e indo para o executivo, nos próximos meses vai haver a regulamentação, e editores e desenhistas poderão cobrar do governo as propostas dos incentivos. JUSTAMNETE PORQUE TEM O LADO DA OBRIGATORIEDADE QUE O GOVERNO PEDE AOS EDITORES. Agora, alguns não percebem que a lei já está dando certo e nunca se discutiu tanto sobre mercado de trabalho junto aos editores como nesses últimos meses. Se isso não é uma evolução, então me desculpem.

Eu acredito que nunca estivemos tão preparados para ganhar mais mercado do que hoje. Podemos não ter muitos leitores ainda para os novos talentos, mas Mauricio de Sousa e Ziraldo um dia foram jovens talentos. As editoras podem cumprir os 20% na área digital, que um dia vai dominar, e também a aplicação dos 20% subiu de três anos para seis anos.

Na análise anterior que fiz sobre as editoras que lançam para o mercado, a Abril estava em defasagem, mas acaba de lançar três autores nacionais nas bancas. Os 20% não são o problema. O problema é o investimento que os quadrinhos estrangeiros têm quando chegam ao Brasil já com mídia garantida e o pouco caso com os brasileiros. Se não houver uma lei, como todo país tem suas leis de proteção, ficaremos só com os estrangeiros, e os nacionais continuarão choramingando pelos cantos sem alternativa.

Comentários