Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

A nova lei dos quadrinhos na opinião dos profissionais (atualizado)

Atualizado em 18/01: Este debate finalmente se dará de forma presencial no próximo dia 4 de fevereiro, durante a premiação do Angelo Agostini, em São Paulo, no Instituto Cervantes, a partir das 14h30. Debatedores: Márcio Baraldi e JAL (a favor do projeto), e Guilherme Kroll e Spacca (contra). A mediação será do editor deste blog. Fica aqui o convite para todos os leitores da capital e imediações comparecerem e darem sua contribuição.

Atualizado em 16/01 com depoimento de Gonçalo Júnior.

Atualizado em 29/12 com depoimento de JJ Marreiro.

Atualizado em 22/12 com depoimento de Gustavo Vicola.

Atualizado em 21/12 com depoimentos de Moacir Torres, Edu Manzano e Cássio Pantaleoni.

Atualizado em 20/12 com depoimentos de Nestablo Ramos, Cláudio Martini e Flávio Roberto Mota.

Atualizado em 19/12 com depoimentos de Tony Fernandes, Alexandre Nagado, Rod Gonzales, Carol Almeida, Valdo Alves, Léo Santana e Ricardo Antunes.

Atualizado em 16/12 com depoimentos de JAL, Emir Ribeiro, Lorde Lobo, Mike Deodato Jr., Daniel Lafayette, Fernando dos Santos e DJ Carvalho.

Atualizado em 15/12 com depoimentos de Franco de Rosa, Samicler Gonçalves, Pancho, Spacca, Estevão Ribeiro, José Aguiar, Lobo, Maurício Muniz, Paulo Floro, Levi Trindade, Caio Majado, Octávio Aragão, Mário Cau, Roberto Guedes e do jornalista americano Rich Johnston.

Um debate tem agitado a comunidade quadrinística nas últimas semanas: o projeto de lei que determina cotas de publicação para quadrinhos brasileiros e acena com incentivos fiscais (leia a íntegra no final desta postagem).

O tema é antigo, mas foi reavivado pelo desenhista Rafael Grampá no início de novembro por meio do Twitter e ganhou repercussão num artigo publicado no blog do Universo HQ.

Na semana passada, o novo relator do projeto de lei 6.060/2009 esteve em São Paulo para discuti-lo com representantes de artistas e editoras. Uma nota sobre a situação atual do projeto no Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, evidenciou que o assunto divide os próprios profissionais do ramo.

Papo de Quadrinho consultou autores, editores e jornalistas que cobrem quadrinhos para saber o que pensam das novas regras. As opiniões foram divididas em “Contra”, “A Favor” e “Em termos”.

Caso algum profissional não tenha recebido o convite para participar – por esquecimento ou ignorância deste editor – pedimos a gentileza de mandar seu depoimento para o e-mail jotasilvestre@gmail.com.

Os leitores sintam-se à vontade para emitir sua opinião na área de comentários do blog. E fique de olho, pois à medida que novos depoimentos chegarem, este post será atualizado.

Projeto de lei 6.060/2009. Você é a favor ou contra?

A FAVOR

JJ Marreiro (autor de Mulher-Estupenda, Comando V, coordenador do Fórum de Quadrinhos do Ceará)

Uma política de estímulo à produção nacional é pertinente não apenas para dar vazão ao trabalho dos profissionais brasileiros e possibilitar sustento honesto para suas famílias, mas também faz coro a um resgate da alma brasileira como país, um país cheio de riquezas materiais e imateriais que, por questões meramente mercadológicas e materialistas, encontra-se refém de uma situação de colonialismo cultural bastante constrangedora. O cumprimento de uma lei de cotas depende também de fiscalização e acompanhamento por parte da sociedade e Estado; por conseguinte, pensa-se em punição para aqueles que incorram no não-cumprimento da lei. Quanto à publicação de tiras nos jornais, é boa a iniciativa de parear a produção estipulando uma tira brasileira para cada tira estrangeira publicada, mas faria sentido também estimular o retorno da publicação de tiras nos jornais que as aboliram na ânsia por espaços publicitários. Um equilíbrio poderia ser buscado nesse caso com tiras patrocinadas, com empresas e anunciantes patrocinando a produção de tiras em espaço determinado a isto. Estipular uma fatia de mercado para a produção nacional é libertar os artistas e o público, oferecendo novos produtos com diversidade de gêneros e estilos, deixando o Brasil autenticamente mais brasileiro.

Gustavo Vicola (editor do site Soc! Tum! Pow! e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Várias HQs nacionais lançadas nos últimos anos já deixaram claro que quadrinhistas de qualidade há em demasia no Brasil. Porém, ofuscados em meio a tantas publicações estrangeiras e até mesmo entre os profissionais brasileiros já favoritos do mercado, muitos não conseguem ser vistos. Com a lei, talvez as editoras passem a ter uma postura mais pró-ativa na busca de outras fontes de bons materiais. A verdade é que tanto para o leitor quanto para os empresários a lei não terá grande impacto. Quem será realmente beneficiado com ela são os quadrinhistas pequenos, cheios de talento, mas com poucos contatos. Afinal, se eu fosse um editor obrigado a publicar um determinado tipo de material, iria começar a me questionar onde encontrá-lo.

Moacir Torres (criador da Turma do Gabi)

Torço muito para que desta vez dê tudo certo! Mas acho que mesmo que essa lei seja aprovada, não acontece nada, ninguém (editoras) cumpre e no fim termina em “pizza” como quase tudo que se é feito para ajudar os quadrinhistas brasileiros..

Edu Manzano (autor de Alameda da Saudade)

Gostaria de ressaltar que muitos dos que aqui se puseram contra a lei de cotas dos quadrinhos não viram que, como qualquer tipo de mercado, o de quadrinhos gera cifras respeitáveis e tem suas regras. Em qualquer país com uma administração inteligente existe algo que se chama reserva de mercado e não se trata de nacionalismo cego, mas uma forma de se respeitar e não destruir o mercado interno. Portanto, a lei sugerida não é imposição nem autoritarismo, e sim e antes de tudo uma regra para se respeitar a reserva de mercado. Há também muita alegação de que a HQ nacional não faz frente ao material que é produzido lá fora… mentira! isso é papo de quem só compra o que lhe é empurrado e não conhece realmente o que se produz aqui. O leitor de quadrinhos brasileiro tem perfil modista e acomodado, ele reclama que não acha quadrinhos brasileiros pra vender em banca. Banca deixou há muito tempo de ser lugar de se vender quadrinhos, só que o leitor acomodado só consome o que a mídia lhe diz que é bom. Com medo de ficar fora das rodinhas de discussão e grupos ele se vê praticamente obrigado a ler certos títulos, mesmo sendo de baixa qualidade. Mesmo o quadrinho brasileiro sendo excelente, a maioria das pessoas compra o importado por modismo; convivo com quadrinhos há mais de 25 anos, conheço muita gente que estoca quadrinho em casa e nem os lê. Sobre as editoras, terão mais produtos a serem trabalhados além dos de fácil vendagem, mas isso não é empecilho, e sim uma obrigação de quem trabalha com vendas. Por estes exemplos é que temos mesmo que ter mais quadrinhos brasileiros tendo suas cotas respeitadas e colocados nas lojas, pra fazer este povo ver que há outras opções de leitura, fazer o leitor ver que não existe só um jeito de se fazer quadrinhos, combater anos e anos de propaganda fazendo as pessoas acharem que só quadrinho americano e japonês é bom. Portanto essa lei não é só importante pelo que se propõe, mas também pra mudar um pouco muito de nossa mentalidade viciada.

Nestablo Ramos (autor de Zoo)

Acredito que o mercado está muito bom para uma pequena parcela que se encontra bem à vontade. É uma pena que tenha que existir uma lei para isso, mas se tiver de ser assim, que seja. O importante é que mais artistas e roteiristas tenham maiores condições de mostrar seus trabalhos. O mercado precisa mudar. 

Flávio Roberto Mota (ilustrador e presidente da Associação Brasileira dos Ilustradores Profissionais)

Eu percebo muita gente se posicionando a favor de um sistema mais liberal, ou que permita uma maior liberdade para que o editor ou o mercado escolha exatamente aquilo que quiser consumir. No entanto, isto seria justo se houvesse condições de plena igualdade entre a produção nacional de quadrinhos e a produção estrangeira. O que vemos é que a produção nacional de quadrinhos é perto de zero, embora um ou outro quadrinhista consiga lançar seu material. Se formos analisar então o público consumidor de quadrinhos, o quadro é mais alarmante ainda, pois a maioria dos consumidores brasileiros (na maioria crianças e adolescentes) consome muito mais quadrinho produzido fora do Brasil do que quadrinho nacional. A empatia entre o tipo de quadrinhos que são produzidos em um país e o seu povo gera uma identidade nacional e faz com que os estilos e traços dos artistas nacionais tenham forte apelo social e econômico, aumentando a demanda dos artistas para terem seus trabalhos vinculados em outras mídias como desenho animado, livros, produtos diversos. Sem a lei de reserva de mercado, esse tipo de efervescência fica restrito apenas aos personagens estrangeiros que invadem as TVs, bancas e lojas de brinquedos de todo o país. Eu não vejo uma forma para que a produção de quadrinhos brasileiros possa ser maior e mais profissionalizada a não ser que haja alguma forma de reserva de mercado, que poderia ser essa como foi aprovada ou mesmo diferente dessa proposta, como, por exemplo, algum tipo de imposto que recaísse sob o material estrangeiro e que esse valor fosse revertido em forma de crédito de incentivo para a produção de quadrinhos no Brasil. A proposta aprovada dessa lei também poderá ser boa desde que para o seu cumprimento haja um mecanismo de controle e fiscalização com transparência. Desde que existam mecanismos em que o cidadão possa saber o que está sendo realizado e como está sendo realizado, não vejo motivos para entender que essa lei seja ruim. Se depender de mim eu apoio essa lei e farei tudo o que for preciso para que seja cumprida e se for necessário alterar algo para que ela possa ser mais eficaz, que seja. 

Rod Gonzales (criador do Blenq e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Sou a favor dessa lei desde que descobri a existência da antiga versão, aprovada em 1963 e nunca colocada em prática. Creio que essa lei atual está mais completa e muito se deve a luta da CQB (Central de Quadrinhos Brasileiros), uma organização de que participei e que lutou pelo crescimento do quadrinho nacional e dos super-heróis brasileiros a partir de 2005. Entramos em contatos com vários deputados, inclusive o Simplício Matos e o Vicentinho; portanto, acho importante ressaltar a relevância da CQB nessa retomada da possível aprovação da Lei dos Quadrinhos Nacionais. Espero que os nomes que lutaram arduamente pela implementação dessa Lei sejam lembrados caso ela seja aprovada e beneficiados por seus recursos.

Léo Santana (roteirista, mantém o site de vendas de HQs independentes Bodega do Léo)

A lei seria um incentivo inicial para o mercado ser criado. Acho engraçado falar que hoje temos mercado nacional quando poucos artistas (percentualmente) é que são publicados. Mercado é quando temos roteiristas, desenhistas, arte-finalistas, letristas e coloristas recebendo decentemente por seus trabalhos. Enquanto não tivermos isso, não temos mercado. Hoje a situação é muito cômoda para as editoras. Não existe pesquisa de mercado, marketing, publicidade, criação de nichos, investimentos de nenhum tipo. Elas estão publicando (na maioria das vezes) quadrinhos nacionais com dinheiro de PROACs e afins. Isso não é mercado: é um atalho. A editora não está ganhando para vender, mas para imprimir e distribuir. A verdade é que o risco da coisa tem que ser das editoras, não dos artistas. As editoras nacionais se tornaram preguiçosas. Existe alguém fazer o seu próprio caminho e depois que ele está rendendo lucros, ser captado por alguma editora “caça-níqueis”. Deixem de ter pena das editoras! Nós fomos (ainda estamos sendo) ferrados por elas a gerações. Deixem que fiquem com a dor de cabeça de descobrir como fazer a coisa funcionar. Nós temos que nos focar em fazer aquilo que melhor sabemos fazer: escrever e desenhar. A grande chance oferecida por essa lei é a de, ao obrigar as editoras a adquirirem quadrinhos nacionais, nós possamos nos esforçar para oferecer o trabalho de qualidade que nós reclamamos produzir.

Valdo Alves (quadrinhista, blog Mangaká Valdo)

Eu aprovo o Incentivo como muitos já colocaram, mas convenhamos que assim leis impostas à força, como, por exemplo, o “Tolerancia Zero”, não impediu que houvesse quem as burlasse, mas que diminuiu os acidentes de transito isso é um fato .”Onde falta consciência, sobram leis” e por isso sou a favor, mesmo sabendo que apesar de tudo não é garantia de muito, mas dá a opção das editoras vasculharem o que tem de bom Brasil afora e pelo menos olhem o que nós temos a oferecer, pois o que importa a eles é o lucro, e se quadrinho é produto, é  lógico que eles vão atrás do que dá mais lucro, que já vem pronto e mastigado. Aprovando essa lei pelo menos temos algo a nosso favor e que podemos usar pra brigar por nosso espaço.

JAL (cartunista e presidente da Associação de Cartunistas do Brasil – ACB)

Sou a favor em parte importante da lei que fala sobre incentivos fiscais e linha de financiamento para quem publicar quadrinho nacional. Existe um circulo vicioso no mercado que é a facilidade em publicar material estrangeiro. É mais barato e já vem com marketing e promoção prontos. Já o quadrinho nacional tem um custo maior de partida, pois a produção não começa com a distribuição mundial que dilui custos. Se continuar assim, nunca sairemos dessa inanição. Está provado por iniciativas como o ProAC em São Paulo que incentivos criam uma alavanca para a produção nacional. Isso une editores e desenhistas em uma batalha conjunta.
Assim a lei funciona para todos.

Emir Ribeiro (criador da Velta)

Já Ficou provado por “a + b” que não adianta os autores nacionais deterem boa qualidade em roteiro e desenhos. Sempre são preferidos os materiais estrangeiros, seja por que motivo for – qualquer desculpa esfarrapada vale, para tal “escolha”. De qualquer forma, acho que tal lei não passará. E se fosse aprovada, as “editoras” dariam um jeito de burlá-la, ou “fabricar” empecilhos para sua execução. Ou, na melhor das hipóteses, criariam as famosas “panelinhas” de amigos ou figurinhas carimbadas do eixo Rio/São Paulo. Enfim, não me animo com essas “possibilidades”, mesmo porque – em caso de aprovação – eu seria um que não procuraria editora alguma, e continuaria publicando por conta própria, como se nada de novo tivesse ocorrido. 

Lorde Lobo (criador do Penitente)

Sou favorável pelo simples fato de que o Governo defende produtores locais dos mais diversos ramos. Tente importar um produto qualquer de um outro país, de forma a acabar com as fábricas nacionais… isso não é permitido! É assim com o fumo, por exemplo, algo extremamente prejudicial à saúde! Tenho como extremamente injusto o atual mercado de HQs no Brasil, o qual privilegia a produção estrangeira, a ponto de a maioria dos leitores nacionais sequer conhecerem os personagens daqui. E é importante lembrar que as HQs tupiniquins não são feitas apenas do gênero humor, pois também existem muitos super-heróis brasileiros que precisam ser descobertos pela grande massa. Atualmente, sem falar da produção do Mauricio de Sousa, os quadrinhos nacionais estão sendo representados por iniciativas de autores independentes e pequenas editoras, como a Júpiter II, mas isso é muito pouco!

Franco de Rosa (editora Kalaco: A Balada de Johnny Furacão, Fantasma, a saga do casamento)

Já participei de duas longas campanhas a respeito, uma no final dos anos 1970 e outra em meados de 1980. Acho que deveria haver um “complemento nacional”. As revistas periódicas estrangeiras deveriam ter algumas páginas de HQ brasileiras. Assim, os personagens e autores ficam conhecidos. O mesmo deve ocorrer com a seção de tiras dos jornais. As editoras de livros e álbuns devem publicar parte de seu catálogo com obras brasileiras. Já regulamentar tiragens e formatos é inviável.

Samicler Gonçalves (criador do Cometa)

Sou a favor e incentivo a outros serem também. É nossa chance de termos mais alguns anos de fôlego na industria da mídia impressa. É a chance de ouro de termos direito a um espaço que é nosso por direito e nos libertar da escravidão americana, que com sua industria milionária não permite nem sequer um esboço de avivamento artístico aqui. Ela sempre fará com que nunca tenhamos um mercado sólido e independente, pois para eles dinheiro gasto aqui não é dinheiro para eles. Eu não entendo a cabeças de alguns escravos babões que acham que sairão perdendo. É uma burrice tremenda! Desculpe a franqueza! Quero anotar os nomes de todos os que são contra  para, quando a lei estiver em vigor, ver se vão tentar ou não se beneficiar dela. Ai quero divulgar aos 4 ventos!

Pancho (autor de Porc Pig)

Quem questiona a cota responde ao afirmar que as boas editoras já cumprem esse requisito, logo isso está resolvido sem trauma. O 5º artigo versa sobre algo fundamental que é a formação de um novo público. Hoje o quadrinho me parece preso em um ciclo vicioso onde é fã fazendo quadrinho para fã e quem está de fora, fica fora. Pôr agências e bancos de fomento como versa a 6ª lei é solução para muita gente, inclusive editoras que podem se valer desse recurso para lançar algo se o orçamento estiver apertado, como muitos temem. E o único problema que percebo é realmente não tratar nada sobre distribuição, que é um problema principalmente para quem está no Norte; aqui no Nordeste eu já fiquei sem encontrar nas bancas alguns dos quadrinhos que acompanhava. Acho que com investimento, isso deixa de ser um problema para grandes editoras. Mas o autor independente vai se valer da internet para mais isso também? Posso parecer ingênuo, mas dessa forma ele não ficará focado na produção e jamais alcançará a mesma quantidade de público que uma editora aliada a um bom serviço completo de marketing poderá alcançar.

Bira Dantas (autor de O Ateneu, Dom Quixote, Lula, a História de um Vencedor)

Acho que toda iniciativa é sempre bem-vinda. Mesmo publicando meus Quadrinhos pela editora Escala Educacional (que publica 100% de Quadrinho Nacional), acho importante uma Lei como essa por levantar a discussão na categoria. Varias editoras talvez publiquem estes 20% ou mais; o importante é levantar essa discussão e criar a Lei para regulamentar isso. Podemos notar que na historia recente do Brasil, nomes de batalhadores do Quadrinho brasileiro surgiram em grandes embates em meios públicos e parlamentares. Despontaram nessas lutas pelo desenvolvimento de produtores, editores e leitores do Quadrinho nacional nomes como Julio Shimamoto, Ely Barbosa, Jayme Cortez, Flavio Colin, Mauricio de Sousa, Franco de Rosa, Gualberto, Jal, Worney e tantos outros. Ou seja, sempre que tem debate publico, os quadrinhistas se fortalecem, o mercado se engrandece e o publico leitor recebe mais Quadrinhos, com mais qualidade. Isso já é motivo para apoiar o Projeto de Lei 6.060/2009.

Márcio Baraldi (autor de Roko Loko e Adrina-Lina, Rap Dez, Vale Tudo)

Essa luta é antiga no Brasil, já tem no mínimo 50 anos. Quadrinho precisa voltar a ser um entretenimento popular e educativo como foi durante tantas décadas. Vamos arrumar um espaço nas bancas para um bom quadrinho brasileiro. Tá cheio de profissionais ótimos precisando trabalhar e de personagens bacanas que têm tudo para agradar o público. No Japão, o povo consome toneladas de quadrinhos japoneses e praticamente não ligam para quadrinho estrangeiro. Precisamos dar valor a nossa própria cultura. Vamos colocar quadrinho nacional em todas as escolas como instrumento paradidático. Vamos salvar o Quadrinho Brasileiro! Vamos trabalhar!

Daniel Esteves (autor de Nanquim Descartável, 3 Tiros e 2 Otários, O Louco, A Caixa e O Homem)

Eu não consigo ser contra algo que pode somar na formação de um mercado de quadrinhos brasileiro, por mais que discorde de alguns trechos do projeto de lei. Só o fato de ele prever no texto o incentivo estatal para os quadrinhos já torna a possível lei interessante. Sobre cotas sempre haverá temor e discordância, mas nem acho que a cota de 20% seja o mais importante na lei, e sim a regulamentação do apoio estatal as histórias em quadrinhos brasileiras. Por mais que digam que o mercado de quadrinhos brasileiro está em crescimento, não sabemos o quanto uma crise poderia afetar isso. Imagine um cenário onde o governo diminua as compras de quadrinhos para bibliotecas e escolas? Ou então se pararem com as iniciativas isoladas de apoio cultural de governos estaduais ou prefeituras? Nada garante que esse mercado continue se expandindo. Nada garante que esses incentivos financeiros estatais continuarão. Essa lei garantiria. E usar dinheiro do Estado para cultura não é vergonhoso, é obrigação.

Renato Lebeau (editor do site Impulso HQ)

Sou a favor de qualquer tipo de incentivo aos quadrinhos. As cotas podem ser um bom caminho para as editoras investirem e descobrirem novos autores. Não acredito que isso será motivo para publicações com pouca qualidade apenas para cumprir cota, pois, como empresa, nenhuma editora vai querer ficar com material parado em estoque. O objetivo sempre é vender.

César Freitas (editor-chefe e apresentador do programa HQ & Cia)

Sou a favor, mas com uma certa ressalva. Nosso mercado hoje esta bem aquecido. Temos muita coisa nacional e todas de excelente qualidade,
tudo isso regido pelo mercado, pelos leitores que estão comprando mais quadrinhos nacionais pela sua atual qualidade. O meu receio é quando vier um momento ruim: o que fazer? Publicar coisas não tão boas só para não ser penalizado?

Pedro de Luna (editor do blog de quadrinhos do Jornal do Brasil)

Claro que sou a favor, mas acho precipitado aprovar sem mais discussão. Além disso, algumas cláusulas são um tiro no pé. Artigo 4º:
A Folha de S. Paulo, por exemplo, só publica tiras nacionais; O Globo já publica quatro nacionais contra duas estrangeiras. Então o que precisa é obrigar todos os jornais a publicarem tiras nacionais, porque o jornal Extra, O Fluminense e O São Gonçalo, entre outros, não têm seção de tira. Da mesma forma, o Artigo 2º  vai ter brechas. Afinal, as editoras vão lançar 20% sim, mas dos medalhões de sempre, e não necessariamente abrir espaço pros talentos ainda desconhecidos do grande público. Em resumo, a lei é bem-vinda, mas devemos ter fiscalização para que seja cumprida e, principalmente, saber o que é prioridade, que no meu entender passa pela criação de mais processos de difusão, como gibiterias e eventos do gênero; repensar a questão da distribuição (hoje na mão de poucos); e a criação de linhas de crédito para que todos os autores possam lançar seus próprios livros e abrir suas editoras.

Rodrigo Febrônio (editor e apresentador do programa Banca de Quadrinhos e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Sou a favor da iniciativa, apesar de ver alguns sérios problemas. Acredito que pode ajudar a dar uma nova cara ao quadrinho nacional. Infelizmente o assunto não teve a ampla discussão que devia ter e no âmbito em que ela deveria acontecer.  Pouquíssimos profissionais estiveram presentes no debate sobre o tema. Há ótimos pontos no projeto como os programas para apoio e financiamento, mas na sequência há um ítem bizonho: “Na seleção dos projetos, será dada preferência àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira”. É vago demais! Acredito que ter um apoio federal previsto em lei pode transformar incrivelmente a cara dos quadrinhos brasileiros como acontece em outros países. Só que no Brasil não há uma classe unida de quadrinhistas, nem associações fortes como em outras áreas culturais. Mesmo com essa medida, a HQB ainda vai precisar de uma associação forte ou agência como a ANCINE, que regula o conteúdo audiovisual nacional e pode ajudar no fomento aos novos produtores. Na Coreia do Sul, por exemplo, existe a agência federal Komacon, que reúne 500 quadrinhistas num mesmo espaço, minimizando custos, que contam com suporte, orientação, pesquisa de mercado e venda de conteúdos para outras mídias. 

 

CONTRA

Gonçalo Júnior (jornalista, autor de A Guerra dos Gibis, Enciclopédia dos Monstros)

Sou radicalmente contra qualquer lei de reserva de mercado para quadrinhos. É uma ideia anacrônica, ineficiente e completamente equivocada. Estudei muito todas as propostas feitas desde 1949. É uma estupidez. O problema é mais embaixo: arrogância, prepotência, egocentrismo e amadorismo dos nossos artistas em admitir que são incapazes de oferecer um bom produto ao mercado. Em qualquer profissão, para competir, é preciso trabalhar duro, treinar, estudar, aprimorar. No Brasil, acostumou-se a culpar os estrangeiros (americanos) por dominar nosso mercado quando, na verdade, jamais tivemos um nível mínimo de competitividade com os gringos, como acontece na Argentina. O brasileiro se faz de coitadinho, diz que precisa de lei para abrir mercado. Que é isso, gente? Cada um que se vire, que procure ser bom o suficiente para abrir mercado. Por que tem de ser diferente com quadrinhistas? Não vamos nos privar de coisas boas para dar espaço ao muito lixo que se produz por aqui.  

Cássio Pantaleoni (editora 8Inverso: Castro, Johnny Cash, Elvis)

Em tempos onde se defende a liberdade de escolha, a liberdade pela opção religiosa ou sexual, toda a tentativa de imposição nos parece coação. O Art. 2º colabora para essa percepção, na medida em que impõe a publicação compulsória dos quadrinhos aos editores. A 8Inverso crê que a escolha da publicação depende substancialmente do valor intrínseco da obra e, nesse sentido, os melhores quadrinistas nacionais sempre encontrarão lugar nos catálogos das editoras. No entanto, cremos que o incentivo à publicação dos quadrinhos nacionais pode colaborar e muito para mitigar os custos de produção. Em grande medida, a negociação de direitos autorais de autores brasileiros está levemente aviltada em termos de valores, se compararmos com os preços praticados pelos autores internacionais. Especialmente os Art. 5º e 6º concedem aos editores e distribuidores um modelo de viabilização comercial muito interessante. Todo o fomento é bem vindo. Acreditamos que os quadrinistas nacionais devem ser valorizados, especialmente pela intimidade com os valores culturais nacionais.

Cláudio Martini (editora Zarabatana Books: Necronauta 2, Noturno, Bando de Dois, Fierro)

Sou contra as cotas e a favor dos incentivos. Estabelecer cotas não é incentivo, é obrigar a editora a fazer algo contra sua vontade e talvez contra sua linha editorial. A lei não afetará a Zarabatana, que publicou em 2011 mais de 50% de títulos brasileiros e em 2012 terá 25% (por enquanto) de edições nacionais. Ela também não afetará a maior parte das editoras que, como a Zarabatana distribuem HQs apenas em livrarias e comic shops. Outra questão é como será feito o controle disso. Teremos que apresentar relatórios e declarações? No meu caso, uma editora pequena, qualquer aumento de burocracia que venha se somar à já existente já é um problema. Por outro lado, apoio e incentivo à produção de quadrinhos brasileiros são ótimos para todos: autores, editores, revendedores, governo e leitores.

Tony Fernandes (editor e autor de Fantastic Man, Apache, Pequeno Ninja)

Essa história é antiga. Na década de 1970, eu já participava de debates na TV sobre leis de nacionalização, reserva de mercado, cotas etc. Em primeiro lugar, para que haja nacionalização tem que existir produção. Sem isso nada acontece. Enquanto nós, os criadores, não constituirmos empresas e nos organizarmos (trabalhar em equipe), vai continuar esta situação ridícula: um bando de gatos pingados querendo peitar grandes corporações americanas, cheias da grana, de bons marqueteiros, que transformaram HQs em indústria e ganham milhões com isto. A lei hoje é obsoleta. O mundo mudou. A realidade do mercado mundial também. Qualquer lei que imponha cota aos editores é ridícula. Cadê a tal de democracia? Uma lei de cota seria ótima para obrigar os grandes editores a dar espaço pro material nacional – já que estes dificilmente pensam em investir nesse tipo de material -, mas, por outro lado, seria uma tragédia para os pequenos e médios editores. Falo isso de cátedra, pois além de produtor gráfico também sou editor. Os editores (pequenos e médios) é que precisam de apoio. Se existissem leis que facilitassem a eles o acesso ao crédito, a compra de papel subsidiado, campanhas publicitárias e veiculação em mídia eletrônica a preços módicos, estes poderiam concorrer de igual para igual com os produtos editoriais gringos, ganhar dinheiro e oferecer aos seus autores condições dignas de trabalho pagando um bom preço. Cadê a lei que diminui a porcentagem cobrada pelo distribuidor? Cadê a lei que amenize os custos operacionais ou a carga tributária também do distribuidor? Cadê a lei que acabe com o monopólio e incentive mais distribuidoras? Como pode existir uma lei que impõe cota a editores que mal conseguem se manter? Sempre existirá aqueles que são contra o meu ponto de vista. A estes recomendo: abram sua casa editorial e aprendam como funciona a coisa.

Alexandre Nagado (quadrinhista, blog Sushi Pop)

Sou contra todo tipo de cota por não aceitar medidas arbitrárias em detrimento de qualidade e livre escolha. Mas também por uma questão prática. Você até pode obrigar uma editora a publicar autores nacionais, mas não pode obrigar o leitor a comprar. É o gibi mensal, de banca (e não álbum de livraria), o que realmente faz mercado de trabalho. Para produzir mensalmente, tem que ganhar dignamente pra isso, porque publicar de graça (ou por royalties esparsos e tímidos) não faz um bom mercado de trabalho. Mas a ideia de cotas tem uma intenção boa, que é a de criar condições para que quadrinhistas vivam de sua arte dignamente, como qualquer categoria profissional deveria poder almejar. Temos muitos álbuns nacionais sendo editados, mas isso só seria sinal de mercado bom se os autores estivessem ganhando valores justos. Profusão de títulos só é sinal de mercado bom para editores, críticos de HQ e quadrinhistas que tiram seu sustento de outras fontes, fazendo seus quadrinhos por amor à arte e satisfação pessoal, sem maiores preocupações com retorno financeiro. Ou seja, o mercado de publicações está bom, mas o de trabalho com HQs, não. Em vez de cotas, proponho uma luta por incentivos fiscais para ajudar a parte gráfica e de distribuição. Isso poderia tornar os quadrinhos mais acessíveis (tiragens maiores e preços de capa menores) e minimizar riscos para as editoras, além de permitir melhor remuneração aos profissionais. Lutar na frente tributária pode ser mais difícil, mas potencialmente mais benéfico a uma área cuja existência como atividade profissional é controversa até entre seus conhecedores. Uma explicação sobre a situação de mercado pode ser conferida aqui

Carol Almeida (colunista do Terra Magazine)

Sou (quase) sempre a favor das cotas. Diria até que sou fã de vários sistemas de cotas. Mas quando se fala em cotas para criação cultural, aí é preciso ver caso a caso. E no caso da produção de quadrinhos nacionais, me parece ser completamente fora de tempo se criar uma lei que incentive algo que, justo agora, começa a andar com suas próprias pernas. Afinal de contas, no meu entender, cotas servem justamente para ajudar pessoas e projetos que não têm oportunidade de estar no lugar certo, na hora certa. Não vejo os quadrinistas nacionais com falta de oportunidades. Temos hoje uma “carta de editoras” que publica quadrinhos ao menos três vezes maior (na minha conta de cabeça) do que tínhamos há 10 anos. E temos festivais e eventos em quadrinhos que estimulam o contato entre essas editoras e os quadrinistas. É claro que nem tudo são flores, nem sempre a pessoa talentosa vai conseguir chegar “lá” tão fácil, mas para isso podem e devem existir os estímulos, tais como os incentivos fiscais. O que é completamente diferente de se impor um percentual às editoras. Vou além e digo que a obrigatoriedade de uma cota nacional para os quadrinhos poderia frear uma cena que vem se amadurecendo naturalmente. Posso estar enganada, mas não me parece lógico forçar água na boca de alguém que já está sedento.

Mike Deodato Jr. (artista de New Avengers, Secret Avengers, Thunderbolts)

Não tenho muito o que falar, na verdade. Basicamente sou contra cotas em qualquer setor e sou a favor do livre mercado.

Daniel Lafayette (autor de UltraLafa)

Fabio Lyra disse uma coisa que é a síntese do que penso: a função do governo é estimular a produção e não se meter nela. Atravessamos um ótimo momento. Em outro momento, eu talvez até apoiasse a causa, mas, sinceramente, não entendo a quem interessa levantar essa questão agora, quando boa parte das editoras já atinge (quando não ultrapassa) os 20% de produção de quadrinhos nacionais. Forçar as editoras a cumprir esses números é um risco muito grande. Um risco que não vejo sentido em correr.

Fernando dos Santos (autor de Humor em Quadrinhos)

A lei é estranha, cheia brechas e com artigos vagos (os artigos 5º e 6º são os mais precários, em, em si, definitivamente não resolveria os problemas atuais como: distribuição e condições que possibilitem aos autores trabalhar profissionalmente com esse segmento. E quais seriam exatamente os “órgãos competentes” que “implementariam medidas de apoio e incentivo à produção de histórias em quadrinhos nacionais”? Isso parece um prato cheio para o famoso “jogo de empurra”. “…inserção de disciplinas práticas, tais como roteiro e desenho, no currículo das escolas e universidades públicas…” Esse tipo de coisa parece “forçar a barra”…  O Projeto de lei 6.060/2009 é cheio de equívocos, sem um objetivo claro, propostas mal definidas e na prática não atende o interesse dos artistas, do possível publico e muito menos das editoras que correm um serio risco em arcar graves prejuízos.

DJ Carvalho (editor do site Mundo HQ)

A iniciativa de se incentivar a produção de quadrinhos nacionais é válida, mas o formato de cotas é questionável, pois pode gerar distorções. Em vez de obrigar a publicação dos quadrinhos nacionais sem critérios além da nacionalidade, seria melhor pensar em uma forma de incentivar o ensino e a produção de qualidade, com consequente publicação, quem sabe aliando, por exemplo, a publicação a escolas de HQs, prêmios e salões de humor. É a tal história: é melhor garantir um ensino básico forte para que o estudante tenha condições de entrar na universidade por si próprio e aproveitá-la, do que dar uma bolsa no ensino superior a um aluno que teve um ensino fraco e não terá condições de entender e absorver o que é ensinado no campus. Outra opção seria aliar as tais cotas a critérios bem definidos para publicação que garantissem que as editoras publicassem – com equilíbrio – HQs de boa qualidade, inéditas, de diversas partes do país, tanto de autores revelação como consagrados (mais uma vez, aqui, a ideia de se aliar a escolas, salões e prêmios parece uma ferramenta viável). Acho difícil, porém, que o governo pense em critérios além da simples certidão de nascimento do autor. É mais provável que tais critérios fiquem por conta das editoras, já que dificilmente algum órgão público terá competência para estabelecê-los e fiscalizá-los”

Spacca (autor de João Carioca, Santô e os pais da aviação, Jubiabá)

Há outras maneiras não autoritárias de estimular a produção de HQ nacional como as descritas no parágrafo 5. As editoras não podem ser forçadas a adquirir HQ nacional se não quiserem. É como o McDonalds ser forçado a ter 20% de comida brasileira no cardápio. Há razões para não quererem: podem não estar satisfeitas com a qualidade, com o conteúdo. Quero ser editado porque a editora livremente apostou em mim. Essa lei é autoritária, demagoga e populista. Liberdade para os editores!

Estevão Ribeiro (autor de Os Passarinhos, Pequenos Heróis)

Isso não ajudará quem está começando, apenas aos profissionais consolidados, os quadrinhos institucionais e eventuais celebridades instantâneas, que já publicam. Se qualquer grande nome fizer uma revista ou livro será publicado imediatamente e entrará na “cota”, enquanto e o “Zé do Nanquim” ficará de fora. A coisa mais efetiva que se deveria fazer é o governo criar uma editora – sim, o governo, e sim, uma editora –, assim como existe a TV Brasil – ou seja, um órgão público que se dispusesse a publicar materiais mais difíceis de vender, publicações para as escolas (juntamente com as compras de outras editoras). Uma editora que visasse à difusão cultural em vez de apenas lucros.

José Aguiar (autor de Quadrinhofilia, Folheteen, Vigor Mortis)

Sou a favor de uma lei que fomente a produção de quadrinhos, a manutenção de um mercado e, principalmente, o consumo dessa forma de leitura. As cotas, ao meu ver, criam limites que me desagradam, pois são uma maneira de simplificar  uma questão mais ampla. A lei proposta, como está, não enfatiza o que, a meu ver, deveria ser o ponto focal da discussão. Que é o que propõe os seus  Art. 5º e 6º. Agora que o quadrinho nacional começa a dar sinais de estar criando novos públicos,  uma lei que incentiva a produção de HQs “voltadas para o público infanto-juvenil”  e também diz que “será dada preferência àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira” não está antenada nos demais gêneros de quadrinho autoral que vem se estabelecendo nas livrarias, tampouco lida com a realidade dos quadrinhos em mídias eletrônicas. Sem falar que é necessário termos os meios de fazer a produção chegar efetivamente ao público.

Lobo (editora Barba Negra: Encruzilhada, Kardek, Koko be good)

A Barba Negra já publica quadrinhos nacionais em quantidade e, se fosse possível, publicaria apenas nacional. Acredito que o quadrinho brasileiro deve se impor pela qualidade e pela formação de mercado, como já está acontecendo. 

Maurício Muniz (editora Gal: Combate Inglório, Mundo Fantasma, Fracasso de Público)

Sou contra cotas em geral; especificamente com relação a essa nova lei, entendo que ela venha a inibir empresas interessadas em entrar no mercado trazendo títulos de fora, sejam editoras já estabelecidas ou novas. Parece um tanto desnecessária neste momento específico, quando os quadrinhos nacionais estão ocupando cada vez mais uma posição de destaque no mercado, sendo bem-aceitos como nunca pelo público-leitor. Transformar em “obrigatoriedade” uma evolução natural, que já vem acontecendo, pode causar um efeito reverso no médio prazo. As editoras terão que publicar “qualquer coisa” pra manter a cota? Isso seria um retrocesso frente ao espaço já alcançado pelas HQs nacionais em livrarias e bancas. Dizem que essa lei já tramita há trinta anos pelos corredores governamentais e acho que surge, agora, um tanto obsoleta e sem propósito. Um projeto de lei para incentivo aos quadrinhos nacionais seria mais interessante do que obrigar as empresas a fazerem isso ou aquilo.

Paulo Floro (editor da revista eletrônica O Grito!)

Sou contra uma interferência tão grande do Estado em um mercado que registra um ótimo momento e o aparecimento de nomes nacionais de destaque, seja em editoras grandes ou pequenas. Acredito que precisa existir um maior incentivo de programas e editais de mecenato ou de apoio como o ProAC, em São Paulo e, aqui em Pernambuco, o Funcultura. Li muitas HQs ótimas vindas desses produtos. Do jeito como a lei está, parece que a situação da HQ nacional enfrenta uma crise. É muita miopia do Congresso propor algo assim, como se estivéssemos precisando de uma política de afirmação. Já existe uma demanda por autores daqui, não precisamos de cotas. O que queremos são bons produtos, e isso cota nenhuma irá assegurar. Deixemos o mercado seguir seu curso que já está bom.

Levi Trindade (editor-sênior da linha DC Comics da editora Mythos)

O sistema de cotas nunca funcionou no passado e não é agora que vai começar a funcionar. Já temos bastante quadrinhos de qualidade sendo publicados atualmente (e até sem qualidade nenhuma, visando apenas uma indicação no PNBE), não dependendo de cotas para serem lançados. O que seria bem-vindo é um programa de incentivos para as editoras que se dispusessem a publicar mais material nacional, desde amortização nos impostos sobre o papel até fazer com que os quadrinhos cheguem às escolas públicas. Afinal, sem existir um público, não há razão para se fazer qualquer ação. E seria bem-vinda também uma diminuição da porcentagem que fica com as distribuidoras, caso as editoras optem pelos métodos tradicionais para fazer com que as revistas atinjam todo o território nacional. Também seria benéfico se mais projetos como o ProAC fossem criados ou se aperfeiçoasse o que já existe.  

Caio Majado (autor de 3 Tiros e 2 Otários, Consequências)

Sou contra qualquer tipo de cotas. Não acredito que o fato de existir uma obrigatoriedade faça o mercado andar. Hoje em dia, o mercado de quadrinhos está bastante aquecido; colocar uma cota de 20% não vai mudar muito o panorama atual. O problema é que em um país onde o analfabetismo chega a quase 30%, fica difícil vender qualquer material de leitura para um povo que prefere ouvir músicas de baixo calão a comprar um bom livro para se entreter. Talvez um incentivo como diz o artigo 5º funcione melhor que cotas para as editoras, que vão continuar publicando quem sempre publicou.

Octávio Aragão (autor de Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira)

A princípio, contra, apesar de perceber a boa intenção por trás da proposta. Creio que tudo depende da proposta editorial de cada empresa. A editora que publicou minha primeira HQ, a Draco, só trabalha com autores nacionais. Já a Gal e a novíssima Bolha, fazem o caminho inverso, só fechando com estrangeiros. Todas, creio, têm planos e projetos para mais e maiores lançamentos dentro suas respectivas linhas e, com isso, promovem uma diversidade (com qualidade) raras vezes vista no Brasil. E diversidade é bom e eu gosto.

Raphael Fernandes (editor da MAD e autor de Ditadura no Ar)

Sou contra esse tipo de cota, pois grandes empresas já publicam 20%. Portanto, esse tipo de atitude só vai afundar as boas editoras pequenas. Ao invés de obrigar os editores a publicarem mais (e nem sempre pagando o justo), o ideal seria ampliar projetos como o PROAC somado a um trabalho de divulgação dos quadrinhos nas escolas. O governo poderia encomendar obras e comprar mais tiragens de divulgação.

Laudo Ferreira Jr. (autor de Yeshua, Histórias do Clube da Esquina, Auto da Barca do Inferno)

O momento atual do quadrinho brasileiro está bem legal, como nunca esteve antes. Acho choradeira isso, mendicância. Mais que cotas, é importante se criar estímulos para mais leitores, mais interesses e, conseqüentemente, interesse tanto artístico como financeiro de uma editora em publicar determinado autor. No atual momento, é o que vem acontecendo com muitos autores e suas publicações, tanto independente quanto via editora, pelo número de leitores conseguidos e vendagens. Precisa-se de cotas?

Gustavo Duarte (autor de Có, Táxi, Birds)

Acho patético. Neste momento penso não só como autor, mas também como leitor. Quero ler e conhecer o que tem de melhor, não importa se é brasileiro, americano, belga ou do norte da Bielo Rússia. Não conheço ninguém que tem um bom trabalho e não conseguiu publicar por falta de espaço. As editoras estão ávidas por bons materiais. Historicamente a reserva de mercado sempre atrapalhou todos os setores da indústria brasileira por onde passou.

Will (autor de Subterrâneos, Sideralman, O Louco, A Caixa e O Homem)

Por princípios, sou contra. No entanto, acredito que disso pode advir uma discussão interessante. Penso que no momento a Lei, se vier, não muda nada. Parece-me que a única editora de quadrinhos que teria que se mexer é a JBC, salvo engano meu, pois só trabalha com material de fora. Espero que autores, editores e poder público saibam dialogar.

Eloyr Pacheco (criador do Escorpião de Prata)

Essa lei é retrógrada e ultrapassada. Há alternativas de incentivo à produção nacional de histórias em quadrinhos sem esse tipo de imposição. Ela poderá trazer benefícios, mas não acredito que possa funcionar. Essa lei exige regulamentação, e não percebo conhecimento do mercado por parte de seus criadores para tal.

Omar Viñole (autor de Yeshua, Histórias do Clube da Esquina, Auto da Barca do Inferno)

Principalmente hoje em dia, as editoras vêm publicando bastante material nacional. A lei não vai fazer as editoras pagarem pela produção de quadrinhos. Alguns artigos da lei já são cumpridos sem precisar que se obrigue a isso.

Mário César (autor de Entrequadros – A Walk on the Wild Side, o Círculo Completo)

Cota não é incentivar, é obrigar à força. Na realidade atual do mercado, praticamente todas as editoras já publicam quadrinhos nacionais sem precisar de lei pra obrigá-las a tanto. Além disso, há um perigo na questão de dar preferência a obras com temáticas ligadas à cultura nacional. Isso é de uma visão política de arte como propaganda e não como arte em si. Um personagem folclórico, índio, cangaceiro ou figura histórica acabará tendo prioridade mesmo quando tiver qualidade duvidosa. O efeito disso pode ser muito negativo junto ao público, pode gerar algo semelhante ao que cinema sofria até um tempo atrás. Não estou afirmando que não seja possível criar uma obra incrível assim; o que estou dizendo é que arte não pode ser limitada por temas ou política. A lei não pode esquecer de que as próprias obras em si são patrimônios culturais de um país não por sua temática, mas por sua qualidade e relevância.

André Diniz (autor de Morro da Favela, 7 Vidas, Ato 5, Quilombo Orum Aiê)

Sou a favor de incentivos, que venham todos possíveis. Mas sou totalmente contra cotas. Depois de conquistarmos o nosso espaço nas livrarias, na mídia, no coração dos leitores e nas editoras somente por nossos méritos, agora vamos precisar de cota que obrigue as editoras a nos publicar? É um equívoco total, e vai se voltar contra nós. Foi a busca por nosso espaço que nos fez crescer enquanto artistas, autores e profissionais e a comodidade da cota só prejudica esse processo. E qual o sentido dessa lei hoje? A maioria das editoras já cumprem e até superam espontaneamente essa cota. Que dizer da Peirópolis, por exemplo, que publica praticamente 100% de quadrinhos nacionais? O mercado está totalmente aberto a bons projetos, ninguém precisa ameaçar editora com lei pra ser publicado. A não ser o autor que ainda não tem um trabalho ainda maduro. Mas de que adianta esse autor ser publicado, se o público vai rejeitar um trabalho aquém da média? Daí, só mesmo criando outra lei que obrigue o leitor a ler as HQs da cota.

Leonardo Vicente (editora HQM: Zoo, Os Mortos-Vivos)

A coisa toda é vendida de modo falso, como um incentivo à publicação de material nacional. Não se trata de incentivar, se trata de obrigar as editoras a fazer isso. E qualquer coisa feita à força já começa errada. No caso do HQM, nem nos afeta muito, pois sempre nos encaixamos nessa porcentagem com bons materiais. O que questiono é: quando pensaram nessa lei levaram em conta as várias facetas do mercado? Há editoras que trabalham apenas com material infantil, outras só com títulos adultos, ou somente para bancas e outras em livrarias. E o prejuízo em potencial, como fica? Sim, pois material nacional, mesmo os de muita qualidade, não vendem nem na velocidade nem na quantidade do gringo. E ainda insistem no apoio maior ao que fala sobre a cultura brasileira, limitando a criatividade dos autores. Mais importante do que uma lei, seja ela correta ou não, seria a criação de eventos, distribuição de revistas, tudo para, antes de fazer as editoras gastarem dinheiro, divulgarem, propagarem os quadrinhos nacionais para todos.

Guilherme Kroll (editora Balão Editorial: Os Passarinhos, EntreQuadros)

Sou contra imposições governamentais, quaisquer que sejam elas, na linha editorial de um veículo de imprensa (editora). A Balão até hoje só publicou autores nacionais, mas não o fizemos por obrigação, e sim porque gostamos dos projetos. A obrigatoriedade, ao meu ver, seria ruim. 

Manoel de Souza (editor da revista Mundo dos Super-Heróis)

O governo deveria se preocupar mais em criar projetos de abatimento de impostos e diminuição da burocracia. Qualquer imposição editorial é uma apunhalada nos editores sérios. Melhor seria incrementar os sistemas de incentivo como o PNBE e outros do gênero. O problema atual dos quadrinhos é encontrar leitores suficientes para absorver a grande quantidade de lançamentos. 

Sidney Gusman (editor do site Universo HQ, editor da série MSP 50)

A produção nacional não atravessava uma fase tão bacana desde os tempos da Ebal. E o fez sem auxílio de cotas. Se a lei se restringir a criar incentivos e formas de facilitar a publicação, ok. Mas impor cotas, na minha opinião, é tolice. Eu quero ler quadrinhos bons, independentemente do país onde eles foram produzidos. Para mim, a única “obrigatoriedade” para publicar uma HQ nacional deveria ser a qualidade.

Paulo Ramos (editor do Blog dos Quadrinhos)

Sou contra a obrigatoriedade dos 20% para editoras, mas a favor dos itens que propõem formas de incentivo à produção nacional. Políticas de incentivo, como a do ProAC, em São Paulo, já demonstraram ser mais eficazes que a obrigatoriedade de um percentual para autores nacionais que, na prática, já vem sendo cumprido, salvo algumas exceções. O melhor caminho ainda é o mercado se impor por meio do incentivo ao autor nacional e do controle da qualidade do que é produzido.

Eduardo Marchiori (editor do blog O X da Questão e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

A lei obrigaria a editora a produzir quadrinhos sem levar em conta a qualidade dos mesmos, apenas para cumprir uma cota, o que só serviria para denegrir ainda mais o mercado brasileiro e, possivelmente, prejudicar a carreira de bons profissionais que teriam seu trabalho no mesmo nível de outros inferiores.  

Alexandre Callari (editor do site Pipoca e Nanquim e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Acredito que o governo não pode se envolver em iniciativas privadas a ponto de querer determinar o conteúdo do que é lançado. As editoras pagam seus impostos em dia e, portanto, cumprem com suas funções. Se a proposta é dar incentivo aos quadrinhistas, que isso seja feito sem imposições sobre quem publica. O governo deveria se preocupar em criar mais programas de incentivo se quer resultados. O Proac contemploo 25 ou 30 ganhadores por ano? O que representa isso no universo de criadores? É tudo paliativo que: esconde a verdadeira raiz do problema; tira das costas do governo uma responsabilidade e a joga nas costas de quem não compete; e mobiliza uma camada menos esclarecida da população que identificará essa ação tosca como movimento social. Ao mesmo tempo, observamos que quem quer um curso de desenho, pintura, ilustração, artes plásticas etc tem que pagar. Onde estão os incentivos a fanzineiros, quadrinhos underground, cartunistas? As editoras se negam a lançar material nacional? Quadrinhos na Cia, Devir, Leya, Panini e tantas outras disponibilizam grandes HQs, cujo ponto em comum é um só: qualidade.

Fábio Sales (editor-chefe e apresentador do programa HQ Além dos Balões)

Qualquer imposição de cotas não vai gerar mercado consumidor. Pode gerar produção, mas e depois de anos de encalhe, será feito um projeto de emenda para esta lei? Sou contra cotas, porém caso esta lei realmente promova incentivos por parte dos poderes executivos, será um início. Considero que a discussão deveria ser também sobre fortalecer a classe de quadrinhistas como entidade representativa, ou seja, efetivamente com muitos integrantes. Desta maneira a regulação sobre o mercado de quadrinhos teria origem na classe e não dependeria de tempo e boa vontade de alguns poucos atuantes (Jal, Worney, Eloyr Pacheco lá em Londrina, entre outros raros).

Jota Silvestre (editor do Papo de Quadrinho e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

A lei é bastante generosa ao falar de cotas e bastante vaga na questão dos incentivos. Acredito na economia de mercado. Acredito que o que tem qualidade se impõe, vende, conquista leitores e editores. Exemplos recentes não faltam. A produção independente tem se mantido, graças a iniciativas como o Quarto Mundo e Pandemônio, com quadrinhos de excelente qualidade. Autores premiados como Gustavo Duarte, por exemplo, optaram pelo caminho independente e não se arrependem. Sou contra o paternalismo oficial. Contra qualquer ingerência do Estado na iniciativa privada. A reserva de mercado não foi benéfica para outros segmentos econômicos e culturais; nos quadrinhos, não tem como ser diferente.

 

EM TERMOS

Ricardo Antunes (editor da Revista Ilustrar, moderador do IlustraGrupo e ilustrador)

Toda essa confusão entre prós e contras em relação à lei de reserva do quadrinhos brasileiro não tem muito sentido, onde várias pessoas acreditam que muita coisa ruim vai ser produzida com essa lei. A verdade é que mesmo sem a lei muita coisa horrenda já é feita, então a lei não vai necessariamente estimular a produção de coisas ruins. Projetos ruins, produzidas a partir de profissionais ruins, sem talento e oportunistas, sempre vão existir. E sim, depois da lei aprovada muitos oportunistas vão aparecer para tentar garantir seu pedaço nessa mamata, mas também poderá ajudar muita gente talentosa a produzir coisas boas.
No mundo ideal esse tipo de lei não é seria necessária, onde a produção de quadrinhos deveria funcionar como funciona quase tudo no mercado, ou seja, os mais talentosos fazem sucesso e os menos talentosos desaparecem. Mas o mercado de quadrinhos tem meandros estranhos e intrincados onde fazer vir à luz uma obra de qualidade as vezes é um parto monumental e difícil. Pessoalmente, gostaria que os quadrinistas tivessem todas as possibilidades do mundo para não necessitarem desse tipo de lei, mas se ela vai existir para ajudar (pelo menos em teoria) então que usem da forma mais inteligente possível.

Rich Johnston (editor do site Bleeding Cool)

Eu não sei. Consigo ver os dois lados da questão. Mas as cotas podem levar a uma publicação “simbólica” de quadrinhos, lançamentos horríveis e baratos apenas para cumprir a lei.

Mario Cau (autor de Pieces, Nós, TerapiaHQ)

Eu seria contra, a princípio, por ser algo criado por pessoas que provavelmente não conhecem os quadrinhos. Tudo que vem “de cima” com tom de obrigação me incomoda. Mas isso seria um discurso político, e não quero fomentar esse lado do debate. Como autor, acho interessante que exista qualquer tipo de incentivo e apoio. O que eu não entendo é a obrigatoriedade dos 20% de quadrinhos nacionais (o que é nacional de fato? Feito por brasileiros, ou com temática brasileira? Eu poderia fazer uma história passada em Londres, por exemplo?). A maioria das editoras, grandes ou pequenas, já faz isso. Ser obrigatório só torna a coisa mais incômoda. A qualidade deveria ser obrigação das editoras, não a cota. Também não gosto da preferência a temas ligados à cultura brasileira. Eu quero poder fazer meus quadrinhos sem precisar me preocupar com isso. Quero contar minhas histórias, não importa o tema ou a localidade. Sobre apoio financeiro, seria perfeito, e nisso concordo com quem diz que esse apoio deveria vir para o autor, para que ele pudesse se dedicar com certa exclusividade ao seu trabalho. Muitos autores não podem se dedicar só às HQs porque isso não rende o suficiente para se manter. Muitos autores crescem no meio independente pois o retorno financeiro pode ser melhor do que com uma editora. Mas a presença de um(a) editor(a) (o profissional), de uma editora (a empresa) e da estrutura providenciada por eles é indispensável.

Roberto Guedes (autor e editor do Almanaque Meteoro)

Nem a favor nem contra! O primeiro impulso é sempre ir contra, pois sempre olho com desconfiança tudo que vem da esfera política. Nada é de graça, e o “diabo” sempre cobra o seu preço lá na frente. Por outro lado, a situação do quadrinho nacional continua muito ruim, embora alguns queiram passar a ideia que as coisas andam às mil maravilhas. Existe um monopólio nas bancas e livrarias, e o circuito independente, embora se constitua numa alternativa muito boa do ponto de vista autoral, em termos financeiros ainda é frustrante. Acho que o ideal seria mesmo incentivos fiscais, talvez uma distribuidora de revistas estatal que trabalhasse com tiragens pequenas e pronto. 

Gabriel Bá (autor de Daytripper, The Umbrella Academy, 10 Pãezinhos)

Não sou nem a favor nem contra, mas a simples obrigatoriedade de publicação de material nacional não vai resolver nada. O que falta no mercado nacional é profissionalismo. Uma editora publicando material amador não faz bem algum. Este trabalho deve ser publicado de maneira independente, pois é (deveria ser) o caminho natural de aprendizado do autor iniciante de quadrinhos. Hoje os melhores autores nacionais são independentes, pois eles vêm publicando, melhorando, evoluindo. A publicação com uma editora não é mais o sonho dourado do autor nacional, é apenas mais uma opção. Tudo que está previsto no artigo 5º pode ajudar a formar público, disseminar e divulgar melhor a profissão. A ajuda financeira poderia ajudar se fosse direcionada à remuneração dos autores para que estes pudessem se concentrar somente na qualidade do trabalho, mas isso também não é uma garantia. Pagando bem aos autores, respeitando seu trabalho, as editoras poderiam cobrar deles mais seriedade, profissionalismo e qualidade. O importante é criar esta relação profissional entre autor e editora, de respeito e cobrança, coisa que ainda não é bem trabalhada no cenário nacional.

Vitor Cafaggi (autor de Punny Parker, Valente para Sempre, Duo.Tone)

Eu não tenho uma opinião muito formada sobre o assunto ainda. Tem seu lado positivo, com certeza, mas acho difícil todas as editoras que publicam quadrinhos no Brasil dedicarem 20% a quadrinho nacional. Geralmente, não costumo adotar discursos muito nacionalistas. Acho que sempre teremos espaços para bons quadrinhos. Sejam eles nacionais ou não. Eu não compraria nunca uma revista só por ela ser nacional. Também nunca deixaria de comprar uma revista que me parecesse interessante só por ser nacional. Quem tem um trabalho de qualidade e corre atrás não precisa dessa lei. Essa pessoa vai conseguir um jeito de publicar seu material com qualidade.

Cadu Simões (criador do Homem-Grilo)

Apesar de estar acompanhando o trâmite e as discussões que vêm acontecendo, , ainda não tenho uma opinião completamente formada e definitiva. Do ponto de vista estritamente pessoal, essa lei não me beneficia (mas também não me prejudica), pois meu trabalho com quadrinhos é feito majoritariamente em meio digital. E o texto da lei não chega nem mesmo a mencionar a existência deste tipo de história em quadrinhos, o que é uma pena, pois é um mercado consumidor e tanto para ser ignorado e ainda elimina um dos maiores problemas do mercado nacional, a distribuição. Do ponto de vista mais geral, creio que a lei não irá mudar muito o cenário atual, pois creio que só uma ou outra editora não conseguiria cumprir a cota de publicação de 20%. E como a lei não especifica detalhadamente como serão feitos o incentivos fiscais, é difícil saber qual será o real impacto deles no mercado. A mudança mais significativa, ao meu ver, seria nos jornais, mas não saberia dizer se isso faria com que os jornais contratassem mais tiristas brasileiros para cumprir a cota, ou se escolheriam a solução mais extrema de simplesmente acabar com a seção de tiras.

André Morelli (colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Não acho a idéia de reserva de mercado ruim, mas não concordo com a forma de implementação. De uma hora pra outra, empresas que não publicam material nacional vão ser obrigadas a ter 5% de títulos brasileiros em seus catálogos. A estratégia pode inundar o mercado de trabalhos feitos às pressas, sem planejamento e, no fim, uma política que se dizia favorável ao quadrinho nacional pode criar uma série de encalhes em livrarias e bancas, o que seria péssimo para todos os envolvidos. A adequação das editoras a nova lei precisa ser mais gradual e deveria estar aliada a outras iniciativas. Uma lei de incentivo fiscal para os quadrinhos brasileiros levaria os títulos a um preço mais competitivo, o que poderia ser até mais efetivo do que a imposição de cotas.

Társis Salvatore (editor do Papo de Quadrinho e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis)

Venho acompanhando o debate de perto e ainda não cheguei a uma conclusão. A priori, sou contra cotas de todos os tipos. Por outro lado, não deixa de ser uma oportunidade de incentivar a leitura de HQs pelas crianças, já que o formato HQ é mais agradável para os jovens leitores. Como o Governo Federal comprará o material de qualquer modo, de repente, vale a tentativa. Resta saber se as editoras aproveitarão a oportunidade para lançar material de qualidade, ou farão qualquer coisa. Se forem atentas, lançarão material bom, não apenas adequado e arriscarão formar um público leitor no futuro. De todo modo, ainda insisto que o problema de fato são : falta de educação básica de qualidade para formar leitores; mudanças de hábito comportamental, já que o entretenimento jovem é digital, games; a leitura é vista como “chata”, muito em razão da falta de educação básica e da falta de exemplos dos pais que provavelmente não são leitores.

 

O PROJETO DE LEI 6.060/2009

Art. 1º Esta Lei estabelece incentivo para a produção e distribuição de histórias em quadrinhos de origem nacional no mercado editorial brasileiro.

Art. 2º As editoras deverão publicar um percentual mínimo de 20 por cento de histórias em quadrinhos de origem nacional, considerando-se o conjunto das publicações do gênero produzidas a cada ano, na forma da regulamentação.

§ 1º Considera-se história em quadrinhos de origem nacional aquela criada por artista brasileiro ou por estrangeiro radicado no Brasil e que tenha sido publicada por empresa sediada no Brasil.

§2º O percentual de títulos estipulado no “caput” deste artigo será atingido da seguinte forma: cinco (5) por cento no primeiro ano de vigência desta lei; dez (10) por cento no segundo ano; quinze (15) por cento no terceiro ano, atingindo-se a cota de 20 por cento no ano subsequente.

Art. 3º As empresas distribuidoras deverão ter um percentual mínimo de 20 por cento de obras brasileiras em quadrinhos entre seus títulos do gênero, obrigando se a lançá-los comercialmente.

§1º O percentual de títulos e lançamentos a que se refere este artigo será implementado na forma prevista no § 2º do artigo anterior.

Art. 4º Em se tratando de veículos impressos de circulação diária, semanal ou mensal, deverá ser observada a relação de uma tira nacional para cada tira estrangeira publicada.

Art. 5º O Poder Público, por meio do órgão competente, implementará medidas de apoio e incentivo à produção de histórias em quadrinhos nacionais, tais como, estimular a leitura em sala de aula, promover eventos e encontros de difusão do mercado editorial de histórias com quadros em seqüência voltadas para o público infanto-juvenil e a inserção de disciplinas práticas, tais como roteiro e desenho, no currículo das escolas e universidades públicas.

Art. 6º Os bancos e as agências de fomento federais estabelecerão programa específicos para apoio e financiamento à produção de publicações em quadrinhos de origem nacional, por empresa brasileira, na forma da regulamentação.

§1º Na seleção dos projetos, será dada preferência àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira.

§2º Os projetos financiados com recursos públicos deverão destinar percentual de, no mínimo, 10% da tiragem das publicações em quadrinhos para distribuição em bibliotecas públicas, na forma da regulamentação.

Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Comentários

Previous

O retorno em grande estilo de Mutarelli

Next

Morre o criador do Capitão América

268 Comments

  1. Marcio Baraldi

    Otimo debate.Demorou pra acontecer.Quanto mais profissionais debatendo o assunto, trocando ideias, melhor para o mercado e para a profissao.O mais importante nisso tudo ,na minha opiniao, e ter uma ACB forte que ajude a organizar e profissionalizar o mercado da HQ no Brasil.Nao bastam leis, PROACS, cotas,precisamos nos comportar como uma categoria profissional de verdade, organizada, com um associacao atuante e tal.O melhor de tudo nesse debate e que ele esta aproximando os profissionais uns dos outros, pois essa categoria sempre foi muito dispersa.Independente de como fique esta lei, uma ACB forte e presente e fundamental pra gente.

  2. Obrigado por seu depoimento, Baraldi. Vai ao encontro do que o Rodrigo Febrônio falou: fortalecer a profissão e aumentar a participação.

    Abs

  3. Marcio Baraldi

    Daqui pra frente a ACB e AQC vao ter um papel fundamental.Vao ter que trabalhar juntas e assumir a linha de frente nesse processo de adaptacao da lei e possiveis reestruturacoes do mercado.Vao ter que possuir um espaco fixo na net para o debate permanente com a categoria.Essas associacoes foram criadas ha 30 anos atras para isso mesmo, e agora, 30 anos depois, finalmente chegou o momento delas executarem seu papel politico,de representantes de uma categoria profissional.Apesar de alguns alarmistas de plantao,Isso tudo que esta acontecendo é INEDITO (da ditadura militar pra ca) e muito positivo pra todos nos!Muitas dessas pessoas que deram depoimentos aqui na verdade NAO CONSEGUEM viver de quadrinhos.Chegou o momento de tentar criar um mercado que realmente absorva essa mao de obra e gere renda mensal para todos.Ao inves de apenas o PROAC , que gera uma renda ocasional para um ou outro profissional.

  4. Parabens Jota, tem mais é que incentivar o debate. Fiz um em 2006 com o Simplicio Mario, autor do projeto, aqui no Rio. Mas precisávamos ter mais encontros e debates, como rolou na nova lei do Direito Autoral. O importante é que o assunto caiu na boca do povo, e chamará a atenção dos políticos pra questão. (Só falta o Ministerio da Cultura e tb da Educação acordar pra isso…)

  5. Carlos Holanda

    Essa lei é completamente inócua para nós leitores e prejudicial para as editoras. O leitor vai continuar comprando apenas o que lhe interessa, separando o joio do trigo. As editoras vão ser obrigadas a publicar HQs nacionais sem qualidade apenas para cumprir a lei. Vai ser encalhe e prejuízo. É diferente do que acontece com a TV por assinatura e sua cota de produções nacionais que obriga o assinante a desligar a TV para não ver porcarias que a lei obriga a ter na grade. Neste caso o assinante paga ou cancela a assinatura mas aí perde tudo.

  6. Valeu, Luna. Estou pensando em organizar em debate aqui em Sampa. Vamos ver se consigo.

    Abração

  7. Não entendo muito os profissionais da área que são tão contra esta lei assim. Imagino que seja por conta do livro do Gonçalo Júnior, “A Guerra dos Gibis”, que descrevia umas terríveis propostas de reserva de mercado para os gibis, envolvendo censura e controle do material estrangeiro.

    Pra começar, esta nova lei não propõe reserva de mercado, pois não impõe nenhum limite ou censura à publicação de material estrangeiro. Reserva de mercado era o que havia na época da ditadura, com a informática. Material estrangeiro era proibido. Não é o caso aqui. Editoras podem publicar o quanto quiserem de material estrangeiro, apenas precisam ter uma porcentagem equivalente de material nacional.

    Argumentos como “Quero ler e conhecer o que tem de melhor, não importa se é brasileiro, americano, belga ou do norte da Bielo Rússia.” ao meu ver não cabem, já que a nova lei não fala nada de censura ao conteúdo estrangeiro.

    Não entendo também o temor da queda de qualidade. Quem foi à FIQ BH este ano viu a quantidade absurda de material independente que o Brasil está produzindo, a maioria com altíssima qualidade. Basta as editora saberem absorver este material para que essa questão da qualidade esteja resolvida.

    Tem muito material brasileiro antigo de qualidade que anda sumido do mercado. Alguns “revivals” deste material também ajudariam a manter a cota e divulgariam coisas que hoje estão injustamente esquecidas. Artistas brasileiros que só têm obras publicadas na Europa também poderiam ter essas obras trazidas para cá.

  8. Fico muito feliz do Papo de Quadrinho fazer seu papel de divulgador e mediador dessa discussão tão importante.
    Parabéns ao meu irmão Jota pela iniciativa!

    Se todos participarem da discussão para acrescentar vai valer muito a pena. No final das contas, o que todos querem é que o mercado de quadrinhos no Brasil evolua sempre e abra espaço para todos que trabalham com qualidade e profissionalismo.

    Aproveito para convocar todos que estão participando aqui e em outros espaços, para a darem Quadrinhos e Livros de presente de Natal para seus filhos, sobrinhos, enteados, agregados, bastardos, adjacentes etc! ;)

  9. Marcio Baraldi

    Obrigado, Daniel,por jogar no chao um monte de argumentos velhos e surrados que muitos colegas ainda usam nesse nosso combalido mercado.Se fosse eu que falasse isso muita gente ia criticar, mas ainda bem que foi voce que falou.Bom saber que tem gente que raciocina com logica e com a propria cabeca, sem repetir a ladainha do vizinho.

  10. Se a lei vingar quem que vai pagar pela produção desses 20% da produção do quadrinho nacional?? rsrs
    A lei pode até ser boa, eu só tenho medo dela ñ funcionar na prática.
    Muito boa a inicativa, Mr. Jota.
    Esse debate só acrescenta e é bom a gente ver todos os lados dos quadros…no caso os quadrinhos! rsrs

    Abs

  11. Sidney Gusman

    Combalido mercado, Baraldi? Pra quem? Nunca se publicou tanta HQ nacional como atualmente. Só tem dificuldade para publicar quem, de fato, não tem qualidade.

    Daniel, na prática, acha que uma editora que investiria em material europeu vai fazer isso se tiver “obrigatoriedade” de publicar materiais nacionais.

    Eu estive no FIQ e li muita coisa independente boa. E mais um tanto ruim.

    Pra mim, quadrinhos não combina com “obrigatoriedade”.

  12. Um amigo, Reinaldo Seriacopi – que acaba de ter seu roteiro de Noite na Taverna publicado pela Ática – levantou um ponto interessante: será que essa lei é constitucional? Será que o Governo pode fazer uma ingerência dessa ordem numa empresa privada? Vejam, editoras e jornais não são concessão pública como rádios e TVs. Vou tentar falar com algum advogado para entender.

  13. Marcio Baraldi

    Sidao, vc e gente boa mas finge que e mais esperto que os proprios quadrinhistas.Tirando o Mauricio de Souza quem que ta ganhando uma boa grana mensal com quadrinhos no Brasil?Esses albuns de baixissimas tiragens nao dao grana decente pra ninguem.Esses fanzines de luxo independentes so dao gasto pros seus autores.O problema desse mercado e dessa categoria e que todo mundo quer viver de aparencias, quer parecer que ganha mais do que realmente ganha, que tem mais do que tem, que pode mais do que pode e, sobretudo,que sabe mais do que realmente sabe.

  14. Sidney Gusman

    Eu não finjo nada, Baraldi. Olhe quantos (e quais) quadrinhistas também são contra as cotas. Eu fui a todos os principais eventos do País este ano e há muita, muita gente que vive de seu trabalho com HQs. Você goste ou não.

    Mas você tem sua opinião e não respeita as demais. Paciência.

    Eu, na boa, terei pena de gente que só conseguirá publicar por causa da obrigatoriedade imposta por esta lei, pra mim, equivocada.

  15. Concordo em muito do que o Daniel Araujo comentou abaixo. A acrescentar tenho a dizer que o problema visto com a cota vem do fato do brasileiro estar acostumado com seu “jeitinho” pra resolver as coisas. Isso gera o medo e a repulsa ao se pensar em cotas.

    Da minha parte, se houverem os incentivos ditos pelo artigo 5º e 6°, acho que só vai aumentar ainda mais a quantidade de hqs nacionais, isso claro se tudo proposto for cumprido. Só tiraria o tal §1º do artigo 6º pois está muito vago, foi o que mais me incomodou.

    O que eu quero é que quadrinhos nacionais de qualidade abarrotem as bancas preu comprar. Tô meio de saco cheio de ter que ficar comprando pela net, pagando frete, pagando preços altos por causa de tiragem curta ou mesmo, caso vá pra banca, ter que aturar a tal distribuição setorizada preu pagar o mesmo preço por um gibi já amassado e, as vezes, detonado.

    Como Baraldi mesmo disse, vocês quadrinhistas não vivem só disso. Era hora de apoiar a Lei não em sua totalidade, mas botar a boca no trombone e fazê-la melhor, aprimorá-la antes dela ser votada.

  16. Marcio Baraldi

    Sidao, acredito que o UNICO quadrinhista que vive de HQ AUTORAL no Brasil atualmente é o Mauricio mesmo.Aqueles funcionarios todos do Mauricio vivem so de HQs mas nao é autoral, pois os personagens NAO sao deles.Outros quadrinhistas, como Eu, Bira, Ziraldo,Zalla,Laudo,Angeli,Fernando Gonsales, etc, vivemos do famoso “desenho pau pra toda obra”;temos nossos personagens mas nao vivemos so deles, tambem fazemos quadrinhos institucionais, publicitarios, charges, ilustracoes para todo tipo de publicação.Precisamos fazer tudo isso para conseguir viver da profissao, somente nossas tiras com personagens proprios nao segura a onda.Essa é a REALIDADE de uma parte da categoria.Outra parte dela, a grande MAIORIA, vive de outras profissoes paralelas:professores, designers, jornalistas, assessores de imprensa, editores, editores de arte,arquitetos,comerciantes, bancarios, há até médicos como o LOR ,de Minas,e o Ronaldo, do RS.E claro, há a galerinha que ta trabalhando pra Marvel, mas aquilo não é autoral e na minha opiniao nem quadrinho nacional nao é,apenas a mao de obra que é nacional nesse caso.O quadrinho mesmo é americano.Se voce me falar o nome de DEZ quadrinhistas que vivem EXCLUSIVAMENTE de quadrinho autoral no Brasil,sem precisarrem fazer outras coisas como as que citei, eu te compro uma camisa do Corinthians novinha.Se vc nao conseguir,vai ter que admitir que tem gente que conhece essa profissao melhor que voce , que sao…advinha? OS QUADRINHISTAS! Incrível,né, Sidão?!…

  17. Marcio Baraldi

    Jota, tira esse Juiz Dredd dai, mano!!!!Nos tamos discutindo HQ NACIONAL e tu bota um personagem GRINGO?!?Tira essa tranqueira e bota Henfil aí, que foi simbolo da luta por uma HQ legitimamente BRASILEIRA!!!O cara ate morreu de aids num transfusao de sangue, ou seja o cara DEU O SANGUE literalmente pelo Brasil!Fora Dredd, Viva GRAUNA!!!

  18. Pronto, Baraldão. Acho que essa montagem representa melhor a questão :)

    Abs

  19. Eu tenho que concordar como Baraldi e com o Sidão. Não, não sou tucano nem estou em cima do muro. Como diria o Paulo Ramos “explico”: O mercado realmente não esta’ combalido, se pensarmos no mercado como um todo. O mercado de BANCA sim. Em paises como Franca, vc chega na BANCA e tem BD francesa, e’ claro que nas livrarias tem MUITO mais. Na Coreia, tambem, Japão idem. Os coreanos chegaram no Brasil em janeiro deste ano e me pediram para leva-los a uma banca. De nacional so’ tinha os gibis do Mauricio e MAD (porque o Rapha publica muito material nacional). De resto, so’ super-heroi e Manga’. Adoro o trabalho do Ivan Reis, Luke Ross, Barrows, Bene Nascimento e todos os outros maravilhosos desenhistas (a idade ja’ não me permite lembra de todos -rs), mas eles fazem super-gibis Marvel, DC, não e’ Quadrinho Nacional (vai tentar explicar que Super-homem e Mulher Maravilha são brasileiros)… Ou seja, pra maioria da populacão, Quadrinho brasileiro e’ Mauricio de Souza. OK, o mercado alternativo e independente esta’ crescendo. Mas a gente sabe que a venda em livrarias e’ restrita (tiragens de mil, 2 mil), pois a GRANDE maioria da populacão não vai as livrarias. Então, exceto pelos gibis do Mauricio, o Quadrinho brasileiro perdeu a popularidade. Outra coisa, Sidao, o Mauricio devia pensar seriamente em dar credito aos profissionais na abertura das HQs como a Abril vem fazendo com a Disney. Não vai tirar o merito de criador do Mauricio e ele vai ser muito mais respeitado (assim como os profissionais que trabalham no estudio), certamente.

  20. Marcio Baraldi

    Mandou bem, Bira!Mudando de assunto,Outra coisa que eu nao entendo é esse argumento que alguns colegas tem de que fazer quadrinho legitimamente brasileiro é TER QUE desenhar cangaceiros, indios, pais de santo e sabe-se la o que mais!De onde voces tiraram isso afinal?É algum delirio coletivo?!?Voces acham mesmo que uma lei vai OBRIGAR os profissionais a desenharem cangaceiros ou o que quer que seja?!?O que eu percebo é que tem muita gente nesse mercado que nao para pra pensar com clareza e sai repetindo a bobagem que o vizinho falou, porque é mais facil repetir uma desculpa pronta do que pensar por conta propria.Eu por exemplo, tenho personagens roqueiro, rapper, tatuador,passarinhos,mas nao tenho nenhum cangaceiro,e sou tao brasileiro quanto qualquer um aqui.Mais uma coisa, vcs falam de cangaceiros como se fosse a coisa mais ridicula do mundo, mas a critica acabou de premiar dois livros de cangaceiros:o Cabra , do Flavio Luiz, e o Bando de Dois, do Beirute.Ou seja, primeiro lambem os bagos dos cangaceiros, depois escurraçam o genero.Sem falar que isso é preconceito, pois cada um desenha o que quiser.Vamos raciocinar mais, galera,vamos.

  21. Na minha opinião qualquer tipo de cota é uma espécie de autoritarismo. Ninguém deve ser forçado a nada, a não ser os próprios quadrinistas a produzirem material de qualidade o suficiente para que as editores queiram publicá-los.

    Incentivo é uma coisa, cota é outra.

  22. Sidney Gusman

    Baraldi, pra resumir: na lista dos autores que são contra tem mais de dez nomes. Preciso dizer alguma coisa?

  23. André Diniz

    Tudo bom, Baraldi?

    Só pra ir no foco do que você falou: segundo você, só o Maurício de Sousa ganha a vida com HQs de sua autoria no Brasil e a lei de cotas resolveria isso. Vou ter que discordar das duas.

    Embora não viva exclusivamente das HQs, é delas hoje que tiro boa parte do meu sustento. E as perspectivas são cada vez melhores, e a parcela das HQs na minha renda aumentam cada vez mais. E estou longe de ser uma exceção, embora esteja mais longe ainda de ser regra. Mas isso era impossível há seis anos atrás. Logo, o mercado está melhorando, sim, e só não enxerga quem não quer ver. Está maravilhoso? Longe disso. Mas melhorando, sim.

    Agora, quanto às cotas resolverem essa questão, elas não vão mudar em nada. Ser publicado não quer dizer necessariamente ser bem remunerado. A editora pode muito bem publicar pagando apenas a margem de vendas. E aí?

    Um livro que venda 2 mil exemplares no Brasil – quadrinhos ou não – é um livro que vendeu muito bem. Se for vendido a R$ 20,00, vai dar, no final do processo, após meses de acerto, uns R$ 4 mil. Claro, se o acerto combinado for de 10% (há editoras que propõem 7%). E, repito, o livro do exemplo é um livro que vendeu muito bem.

    Para realmente compensar financeiramente, a editora precisa pagar pela produção também, ou pelo menos dar um bom adiantamento. A lei de cotas nem sequer esbarra nesse assunto, enquanto que um incentivo, como o Proac, esse sim age nesse sentido. Cota obrigatória para publicação não vai mudar nada, com sorte. Se mudar, vai ser pra pior.

  24. Marcio

    Desculpa, Sidao.Ali nao tem NENHUM que viva EXCLUSIVAMENTE de seus personagens!Todo mundo ali atira pra tudo quanto e lado pra sobreviver.Perdeu a camiseta.E a chance de ficar quietinho.

  25. Marcio

    Diniz,vamos combinar que vc , eu e todos nos aqui ja temos um bom tempo de estrada e nao podemos viver apenas de um livro esporadico no PROAC.Essa grana que o PROAC paga nao da pra sustentar nossas familias,tanto é que vc, nao ta se sustentando com isso(como vc mesmo disse).Vamos combinar tambem que vcs estao criticando (e se preocupando) com uma lei que ainda nem foi posta em pratica.Toda lei vai se ajeitando aos poucos, conforme forem surgindo os problemas,é por isso que eu to defendendo aqui, nao apenas leis de protecao a um mercado nosso, mas tambem a nossa ORGANIZACAO permanente enquanto categoria profissional.Eu entendo que precisamos ter uma ACB forte que participe permanentemente desse processo de adaptacao e cumprimento dessa ou qualquer outra lei de incentivo,que participe do processo de construcao de um mercado solido e permanente para nos.Voces estao deslumbrados com esse negocio de PROAC, mas nao assumem que isso NAO E suficiente para colocar pao na mesa de todo mundo aqui todo santo dia.A maioria aqui, apesar do talento, NAO CONSEGUE viver integralmente de quadrinhos!E isso precisa mudar!Lugar de quadrinhos é nos jornais, nas revistas , nos gibis, nas escolas, nas bancas, tudo a preco popular.E, claro, os mais sofisticados, nas livrarias tambem, para aquele publico mais sofisticado tambem.
    Nós queremos e precisamos viver dignamente como quadrinhistas nessa encarnacao, Diniz.E nas proximas 7 vidas tambem!

  26. André Diniz

    OK, Baraldi, você acha que o fato de, segundo você, só o Maurício viver exclusivamente de quadrinhos quer dizer que tá tudo uma porcaria, ignorando por completo as conquistas feitas nos últimos poucos anos, inimagináveis a uma década atrás.

    Então, volto a perguntar: no que essa lei de cotas vai mudar essa questão que é tão drástica pra você? Até porque, segundo o seu próprio argumento, apenas ser publicado não representa praticamente nada (e nisso nós concordamos).

    A lei de cotas garante apenas isso, que as editoras serão forçadas a publicar quadrinhos nacionais. O que ela tem de tão maravilhosa, então? Você a defende com o argumento de que o atual mercado é uma farsa, só porque ninguém (segundo você) vive exclusivamente de quadrinhos. Mas ela não vai nessa questão. Ela não oferece absolutamente nada nesse sentido. Não há uma contradição aí?

    E, por favor, eleva um pouco o nível. É difícil levar a sério qualquer opinião que vem acompanhada de palavras em caixa alta e comentários do tipo “perdeu a oportunidade de ficar calado”.

  27. Caro Sidney

    Com seu trabalho no MSP e no UHQ você é sozinho um força motriz gigante da HQ brasileira. Então já começo pedindo desculpas por discordar de você :¬) .

    Eu trabalho em produtoras há mais de 10 anos. Minha mulher já trabalhou em produtoras e em canais por assinatura. Tem uma lei de cotas parecida com essa de HQ para exibição de material BR em canais por assinatura. O pessoal de produtoras de conteúdo próprio está unido esperando a lei passar, e comemorando o fato de ter mais janelas disponíveis. Olhando a posição do pessoal de vídeo e a posição do pessoal de HQ, me parece que fica evidente a desunião e o pouco profissionalismo de quem faz HQ no Brasil.

    Você disse que “tem mais de 10 nomes” na lista dos que são contra. Bom, também tem mais de 10 na lista a favor. Estes a favor não contam? São menos importantes, menos representativos que os contra? Como disse Orwell, todo mundo é igual, mas alguns são mais iguais que outros?

    Quando aparece a palavra “cota” o pessoal já fica assustado. Ora, já existe cota de tela para as salas de cinema. Muitos paises trabalham com cota de exibição para os canais, de publicação para as editoras. O Seriacopi, e sua já consagrada inteligência, foi o único a levantar uma lebre realmente importante: será que as cotas são inconstitucionais? Se forem, aí não há o que discutir. Mas arrisco a dizer que não são, justamente por esses outros casos de cota já em atividade.

    Quem trabalha com produção de conteúdo em vídeo e também acompanha HQs está sem entender tanta repulsa dos artistas pelas cotas. Medo de cair a qualidade? Oras, são exatamente eles que deverão mantê-la, criando conteúdo decente. Medo de censura, de ficar sem suas HQs estrangeiras? Bobagem, a lei não fala nada disso.

    A lei estabalece que devem haver mais mecanismos de fomento à produção de HQ. De que adianta fomentar a produção sem haver escoamento? Hoje em dia o ProAC é o mecanismo de fomento para HQ mais destacado. Todos os contemplados encontraram editora? E quando houver mais fomento, mais HQ sendo produzida? Vão encontrar editora se não houver a cota? Sem a cota as editoras vão desencanar de comprar conteúdo estrangeiro a preço de banana para comprar conteúdo nacional só porque tem um monte sendo produzido?

    A meu ver o único problema da lei é o artigo 8, que estabele preferência para “àqueles de temática relacionada com a cultura brasileira”. Enorme bobagem, não deve haver limitação de conteúdo. Contra este artigo, porém, não há ninguém gritando, e ele é bem mais danoso que as cotas.

    Também não acredito que a lei vá resolver a vida dos artistas. Todo mundo vai ter que continuar se virando. Mas terão um trampolim a mais para dar seus pulos.

  28. Ah, mais um ponto que esqueci de falar no outro comment.

    Com a Amazon e similares, e com a publicacão digital, as editoras nacionais são cada vez menos necessárias para se acessar material estrangeiro. Posso comprar Asteryos Polyp por quase metade do preço nacional pela Amazon, posso comprar o Superhomem do Grant Morrison no dia em que sai nos EUA através do meu iPod. Sem pirataria em nenhum dos casos, notem. Mas preciso das editoras nacionais para comprar material nacional. Arrisco dizer que até para elas essa lei vai ser boa.

  29. Marcio

    Ue?Cade meu comentario pro Diniz?

  30. Pessoal, vou pedir um pouco da paciência de vcs na liberação dos comentários. Por uma questão de segurança e para evitar trollagem, preciso liberar os comentários um a um e nem sempre estou na frente do computador. Sei que isso emperra um pouco o debate, tira agilidade, mas, como eu disse, é uma questão de segurança. Pela relevância do tema provocado aqui, prometo ficar atento e liberar todos comentários o mais rápido possível. Agradeço a compreensão.

  31. André Diniz

    Bira, entendo que uma lei de incentivo deva, como o próprio nome diz, incentivar, e não sustentar eternamente.

    Quadrinhos em banca não se sustentam mais, salvo as pouquíssimas exceções que todo mundo conhece. Tentou-se ao longo de décadas e nenhuma foi adiante.

    Não dava certo quando as revistas eram baratas (nos anos 80, eu passava um recreio com fome, pegava o dinheiro que seria pra um mixto-quente e uma Sukita e comprava 7 ou 8 gibis na banca). Também não deu certo quando os preços de algumas revistas encostou no preço de alguns livros.

    O mundo mudou, as livrarias também. Dependendo do ponto de vista, as bancas de jornais também são um espaço elitizado.

    Se a lei for focada na produção de HQs pras bancas, vai-se depender de um incentivo eterno, e todo esse “mercado” das bancas vai virar pó a partir do momento em que tal incentivo seja suspenso.

    O Proac e as compras pelo PNBE impulsionam em muito a produção atual, mas tem autor e editora que publica um atrás do outro sem ser contemplado diretamente por nenhum dos dois, mas certamente essas duas leis de incentivo ajudaram o mercado como um todo. Se acabarem amanhã, vai haver retração, mas muita coisa boa vai continuar sendo produzida.

    Esse apoio, aí sim, fortalece um mercado que pode vir a andar com as próprias pernas.

  32. Tenho 12 revistas em hqd prontas para publicar, com histórias bem laboradas e arte de ótima qualidade. Só quero saber até quando vai ter que continuar na gaveta. Também quero saber se está lei pode me amparar para um dia eu ter a oportunidade da minha arte ficar conhecida.
    Porque até hoje eu já procurei dezenas de editoras e todas que tentei entrar em contato me bateram a porta na cara.
    Algumas disseram que só investe em publicação de nomes conhecidos como monteiro lobato e outros.
    Agora pergunto se esses renomados dessa arte ou de outros seguimentos se eles não tivessem a oportunidade de expor seus talentos estariam eles até hoje no anonimato, sem fama e conhecimento. Ou eu estou errado ?

  33. Apenas para avisar os colegas, encaminhei o link para o Deputado Rui Costa. Espero que o e-mail chegue até ele e que as muitas opiniões dadas aqui possam auxiliá-lo na relatoria do projeto de lei.

  34. André Diniz

    Esse é o grande equívoco de muitos (mas não de todos, claro) que defendem essa lei de cotas. Acha que, como mágica, vai tirar o que está na gaveta e colocar nas livrarias (ou bancas, já que você citou revistas). Mas nenhuma editora vai bater na sua casa ou vai passar a receber de forma entusiasmada projetos de autores ainda desconhecidos. A batalha vai ser a mesma para você ser visto e reconhecido como um autor. Se aumentarem os títulos (o que não deve acontecer de forma relevante, já que a maior parte das editoras já cumpre essa cota), a maior parte desses novos títulos vão ser de quem já estaria publicando, com ou sem cota. A editora vai continuar precisando vender os livros ao público, sejam ou não publicados por causa de cota, e os critérios de escolha e seleção continuarão sendo os mesmos.

  35. Marcio Baraldi

    Diniz (e outros afoitos),Voces tão esquentando demais com um troço que ainda nem saiu do papel,galera.Eu sei que toda novidade assusta, mas deixa rolar pra ver na pratica o que acontece.O mercado ta cheio de gente pra dar conta de demanda de producao. Diniz, voce fala baseado na TUA experiencia pessoal, nao na de todo mundo. O que ta acontecendo aqui é que muita gente ta querendo prever o futuro, achando que tem bola de cristal.O mercado ta ruim sim, meu veio. O que acontece e que vc entrou nesse mercado ja nessa epoca do PROAC, de todo mundo fazer zilhoes de revistas bem feitas, mas de baixissimas tiragens, que nao pagam sequer as contas de ninguem. Entao vc acha que isso é o melhor que podemos ter. Mas o mercado já foi muito melhor em decadas passadas, ja deu um bom salário mensal e fixo pra centenas de profissionais. Mas vc nao pegou essa epoca, nesse tempo vc ainda era so leitor. O que devemos discutir,na minha opinião, é se ainda existe um caminho de volta pras bancas, para os 50 MILHOES de crianças (e outros tantos de jovens) deste pais, ou se o futuro da HQ brasileira é realmente mil exemplares para um grupo de nerds. E passarmos o resto da vida fingindo que estamos melhor do que estamos.
    Ah, e por favor, Diniz, discuta encima dos meus argumentos, nao encima das minhas CAIXAS-ALTAS! O texto é meu e eu escrevo como eu QUEROOOOOOOOOOOOOOO! Você é contra cotas obrigatorias mas quer me OBRIGAR a escrever do seu jeito,ne? Tsk, tsk… Dificil levar a sério isso, viu?..

  36. Heitor Pitombo

    Sensacional o debate. Sou contra cotas e a favor do fomento da produção de quadrinhos. Mas meus argumentos caem por terra ou se renovam a cada intervenção dos amigos. O importante, porém, é agir e chamar quem está por trás da lei pra conversa.

  37. Bem-vindo ao debate, Heitor!

  38. André Diniz

    Ué, Baraldi, é claro que estamos todos opinando sobre uma lei que ainda nem saiu do papel, o objetivo dessas discussões é exatamente esse!

    Concordo que seria muito melhor termos milhões de leitores (e porque você só citou crianças e jovens? Não é uma visão meio estagnada?) em vez dos alguns milhares, se muito, que um livro atinge. Mas o que eu perguntei, e você não respondeu é: onde essa lei atua para mudar isso? Em nada, pelos motivos que relacionei na outra postagem. Nesse sentido, a mais acertada é o PNBE, que leva os livros para todas as bibliotecas de escolas públicas do país. Quer algo mais democratizante que isso?

    Quanto às caixas, altas, os “tsk tsks” e os “perdeu chance de ficar quietinho”, eu não quero obrigar você a nada. Apenas acho uma forma infantil de se trocar opiniões, mas não vou me manifestar mais a respeito.

  39. Marcio

    Chegou o HEITOOOOOR!!!!!!!E cade o JAL?!?Ta faltando muita gente aqui ainda!Divulga mais ai,Jota!Manda uma convocacao pra todo mundo participar.Os vencedores do debate ganharao uma vaga no PROAC!Rarararararar…

  40. O JAL foi um dos primeiros convidados a mandar depoimento. Talvez ele ainda não tenha visto meu e-mail. Estou acionando toda minha rede de contatos, Baraldão. Alguns eu esqueci e estou correndo atrás; de outros, não tenho o endereço e-mail; e muitos eu realmente não devo conhecer. Se puder convocar mais gente que vc conheça, agradeço. Abs

  41. Rapaziada, estou liberando os comentários, mas infelizmente hoje, estamos operando com internet discada aqui onde estou e isso está tornando o processo um pouco mais demorado.
    Continuem participando (é importante) e argumentando (pelo bem dos quadrinhos!) mas educadamente (.*minha constituição é delicada*.). Abraços gerais.

  42. Marcio

    Poe esse cangaceiro chutando o rabo do Superman!!Esse Superman ta boiolinha pra carvalho.O cangaceiro ta muito loko, parece traco do Colin!!!

  43. Hehehe… foi o Társis que fez a montagem. Não sei por que, ele não gostou da minha :). Salvo engano, esse cangaceiro é do Danilo Beyruth.

  44. J Daniel

    Sou contra. Os quadrinhos autorais brasileiros, bem ou mal, conseguem ser publicados. É só ir numa livraria para ver quantos títulos tem à venda. São muitos. Quadrinhos comerciais mesmo, de grande tiragem, Maurício de Sousa é quem domina.

    Mercado de quadrinho forte só existe se tiver uma grande variedade de quadrinhos comerciais que sejam baratos, que vendam bastante em banca, tenham potencial para licenciamentos de diversos produtos como franquias e façam tráfego para outras mídias.

    Em países como Japão, Coréia e EUA a indústria do entretenimento é estratégica. Gera bilhões. Gera empregos e movimenta a economia. Há incentivo do governo desses países para a indústria do entretenimento funcionar. Quadrinhos está inserido dentro dessa indústria.
    Uma obra comercial em quadrinhos não fica só nos quadrinhos. Ela parte para a tv, para o cinema, para o videogame e gera inúmeros produtos para consumo: mochilas, camisetas, bolachas… ou parte de um jogo de videogame, que depois vira filme, que vira quadrinhos… ou começa num desenho animado, que depois vira videogame, ganha versão em quadrinhos… e tudo isso até movimenta a indústria musical, pois se produz trilha sonora para jogos de videogame, séries, filmes e desenhos animados.

    Os produtores, autores e editoras estrangeiras fazem um planejamento e pensam num trafégo de mídias para suas obras. Na França também é assim. É só ver como funciona, por exemplo, a Ankama. As obras criadas e que vem com o selo da Ankama se transformam em HQ, jogo de videogame, desenho animado…

    Aqui no Brasil, com raras exceções (a maior delas, Mauricio, domina o mercado), o autor de quadrinhos não tem essa visão comercial de quadrinhos de massa. Tampouco uma visão empresarial. Não encara isso como um negócio. Não tem essa mentalidade, ou mesmo não tem formação necessária e preparo suficiente para criar um produto comercial de qualidade capaz de uma editora investir nele.
    Por isso temos tantos quadrinhos autorais nas livrarias com preços exorbitantes para um público mais restrito.

    No Brasil há leis de incentivos à cultura, mas se comparados aos países que citei, os incentivos são muito modestos e eles caem no colo sempre dos mesmos que, convenhamos, tem mesmo o melhor a oferecer numa licitação do que o Zezinho ou a Zezinha.

    Se na educação em geral o Brasil ainda sofre com a precariedade, o que dizer da formação de profissionais para a indústria do entretenimento? A indústria do entretenimento deveria ser vista no país como um todo, e não individualmente, como neste caso dos quadrinhos.

    Anos atrás o Vicentinho já tinha feito um projeto de cotas para emissoras de tv abertas colocarem uma porcentagem de animação nacional em sua grade. Vê se o projeto foi para frente? Esbarra no mesmo problema. Querem cotas. Mas cadê projetos complementares de formação de profissionais para preencherem as vagas com competência? Aqui no Brasil os estúdios de animação chegam a importar profissionais da Argentina para cobrirem as vagas porque falta profissional capacitado. O próprio Maurício de Sousa vive dizendo que quer contratar profissionais e não encontra número suficiente.

    Outro dia li um manifesto que dizia: “com o objetivo de pressionar as autoridades para aprovarem leis de incentivo a produção de HQ no nosso país”. Se é para “pressionar”, deveriam primeiro “pressionar” a ter uma educação de qualidade para se formar profissionais: roteiristas, quadrinhistas, arte-finalistas, ilustradores… Eu vejo um monte de garoto nas redes sociais (facebook, orkut, fóruns) que quer fazer uma HQ e está mais perdido que cachorro em dia de mudança. Ele não sabe nem por onde começar.

    Quadrinhos envolve inúmeros profissionais de diversas áreas, muita gente, nem sempre um único indivíduo. Por isso eu falo que muitas vezes o desenhista olha só para seu próprio umbigo e não pensa num todo. Não é só desenhista que existe. É editor, roteirista, arte-finalista, colorista… são várias funções. E o profissional precisa ter noção de marketing, de direitos autorais, da parte jurídica… é mais complexo do que se imagina. Pensando no futuro, como um garoto pode se preparar para tudo isso? Num curso de quadrinhos lá da esquina?

    Portanto, canetar a cota de 20% por si só, sem projetos complementares, não vai adiantar nada. Teria de vir junto projeto de formação de novos profissionais, fomentação do empreendedorismo, incentivo na redução de impostos para a produção, a questão da distribuição, questões trabalhistas das profissões, também essa outra questão levantada pelos ilustradores e que também serve para ilustradores de quadrinhos: http://montalvomachado.com.br/blog/?p=3753

    Vejam como tem tanta coisa para ser discutida junto, de uma forma abrangente. Ficou claro que o projeto está incompleto. Há muitas lacunas.

    E tem o lado das editoras também. As editoras de quadrinhos tem diversas linhas editoriais. Por exemplo, uma editora como a JBC, que publica mangá japonês, é obrigada a publicar 20% de nacional. Ok. E se ela não encontrar autores nacionais que tragam um projeto de qualidade de um mangá brasileiro dentro da sua linha editorial? Vai publicar qualquer coisa na correria só para “satisfazer” a lei? Vai ser obrigada a mudar a sua linha editorial para publicar de qualquer jeito material que fale da cultura brasileira? Daí não vende nada e tem prejuízo. É complicado.

    Enfim, vários detalhes que levantei precisam ser levados em conta nesse debate. O certo é ver o lado de TODOS OS ENVOLVIDOS, não apenas o lado do quadrinista, do desenhista.

    Sinceramente, eu ainda acredito muito mais em ações individuais de editoras, autores e empresários, que por esforço próprio conseguem movimentar alguma coisa interessante do que leis arbitrárias como essa que vão na contramão do que eu acredito que o Estado tem que se meter.

  45. Opinião de leitor: Cota para quadrinhos nacionais não vai fazer diferença nenhuma na hora de selecionar o que vai para a cesta de compras. Qualidade é o que deve orientar o leitor e Deus queira seja sempre este critério a orientar os editores. O mercado tem de crescer e se desenvolver de forma segura, meritocrática e principalmente livre, ainda que lenta. Mais salutar, a meu ver, seria o surgimento de outras editoras nacionais como a Nemo, com incentivos dos entes públicos. Incentivar sempre, impor a publicação nunca.

  46. Marcio

    Daniel, eu ja tinha trocado ideia com vc la no blog do Paulo Ramos , mas vamos la de novo.Seu texto comeca super bem, qdo vc admite que a industria de HQ e entretenimento é forte em outros paises e que tem apoio dos governos de la.Todo mundo sabe que governos do Japao, Europa e EUA defendem seus proprios produtos em primeiro lugar.Os EUA so importam o que eles nao conseguem produzir suficientemente em seu proprio territorio, como petroleo por exemplo(por isso eles querem rouba-lo de outros paises).Nós, brasileiros , nao.Nós sempre importamos TUDO, inclusive a cultura alheia em detrimento da nossa propria.Fomos “educados” pela merda da ditadura militar e pela midia poderosa que ela criou (leia-se Globo e afins) a gostar so de coisas estrangeiras, sobretudo a norte-americana.Ate hoje nos estamos colonizados.Quer um exemplo?Nos nao conhecemos praticamente nada da musica argentina, uruguaia, equatoriana,chilena, mas conhecemos de cor e salteado todos as merdas americanas do momento, como Justin Biba e outros lixos. Enfim, voce falou a verdade que todo mundo conhece.Ai ,la no meio do texto, pra variar, voce voltou a dizer que os quadrinhistas brasileiros sao todos incompetentes, que nao sao serios e nao sabem trabalhar direito.É um saco explicar pela milesima vez pra um leitor da sua idade que o Brasil sempre teve profissionais talentosos e com tino comercial como Ely Barbosa, Cesar Sandoval, Ziraldo, Cedraz,Daniel Azulay,Rodofo Zalla,Tony Fernandes,Franco de Rosa,Claudio Seto,Gedeone,Minami Keizi,etc, que gastaram fortunas pra colocar seus produtos e personagens no mercado.E que conseguiram algum sucesso bacana, mas que cedo ou tarde, perceberam que nao conseguiriam competir com os enlatados estrangeiros que entravam quase de graca para as editoras.Outros sucumbiram a censura e violencia da ditadura militar e fecharam suas portas na base da porrada mesmo.Eu podia ficar horas explicando isso pra vc, mas vc e tao repetitivo nos seus argumentos que eu acho que nao vale a pena.Talvez outro quadrinhista aqui tenha mais paciencia para isso.
    PS:Ah, quem sabe na proxima encarnacao vc aprende a desenhar , vira quadrinhista profissional e aí vc vai entender na propria pele o que eu to te explicando.

  47. A discussão está bacana… pena que algumas opiniões interessantíssimas não tiveram a repercussão merecida. O comentário do Daniel Araújo é preciso. Realmente é espantoso ver como um projeto assim pode causar tanta ojeriza exatamente na classe que vai se beneficiar dele. No meu entender, o principal ponto negativo que deveria ser debatido é o absurdo artigo de “cultura nacional”. Gostaria de ver a opinião dos colegas sobre o que disse o Daniel Araújo. Ele e eu pensamos exatamente a mesma coisa sobre esse assunto. Essa má vontade em discutir o tema de forma aprofundada é uma tolice. Os exemplos de outras áreas da cultura beneficiados por leis semelhantes e de outros países podem ajudar a enriquecer esse debate.

  48. O Carlos Holanda disse: “a lei é completamente inócua para nós leitores e prejudicial para as editoras. O leitor vai continuar (…) separando o joio do trigo”.
    Bem, ao que me parece as editoras ja’ publicam ate’ mais do que esses 20%, então, não vejo em que a Lei seria prejudicial para as editoras… Nesse quesito, talvez seja mesmo inocua, mas no sentido de fortalecer os investimentos na producão de Quadrinhos, parece que muda bastante coisa sim.
    Quanto a separar joio do trigo, vc achava os gibis do Ziraldo (Turma do Perere, Julieta), Turma do Arrepio, Senninha e do Sitio do Picapau Amarelo, em banca joio ou trigo? Eles pararam de ser publicados pelas editoras por causa das baixas vendas em bancas. Eu, pessoalmente conheco profissionais destas varias revistas e posso garantir que tinham excelente qualidade (eu comprava todos esses gibis pra minha filha desde que ela tinha 5 anos, e ela NUNCA disse que eram gibis mal feitos). Então, a meu ver esses dois pontos não fazem sentido. O que faz sentido e’ que a molecada que ia na banca e comprava varios gibis, hoje vai e compra Turma da Monica Jovem, turminha da Monica, um ou outro Manga’. Mas os pre’-adolescentes como minha filha de 12 anos querem revistas de adolescentes. Ora, o que o Franco falou faz sentido. Um dia abri uma revista dessas da minha filha e vi ilustracoes do Orlando Pedroso e Quadrinhos da Samanta Floor. Achei MUITO legal. Isso não quer dizer que se eles lancarem revistas em Quadrinhos, minha filha vai querer comprar. Mas pelo menos ela esta’ lendo Quadrinhos… Isso e’ positivo. Assim como essa Lei e’ positiva no sentido de fazer a gente discutir essa situacão trincada (e intrincada) autor>editor>leitor.

  49. Uma coisa que não ficou clara para mim é o seguinte: vamos pegar como exemplo a Gal Editora, do meu amigo Maurício Muniz. Em 2011, salvo engano, publicou 4 livros em quadrinhos. Quanto é 5% de 4 livros? 0,2 livro? Como as pequenas editoras farão para cumprir a cota?

  50. Todos os comentários são bem amparados, cada qual por seus motivos. Porém, independente de hoje estar sendo publicado mais quadrinho no Brasil (na maioria de forma independente ou por pequenas editoras), isso não configura uma resposta efetiva à toda esta invasão gringa!
    Se pensarmos em quadrinhos como um PRODUTO DE MERCADO, bem, então, como ocorre em qualquer outro setor, porque não aceitar a RESERVA DE MERCADO?!
    Tem gente que está com receio da palavra “cota”… Ora bolas, na real, este é o Brasil! E estamos tendo que lutar por um pedacinho em banca, pois a grande maioria está ocupada por estrangeiros!
    Já o quadrinhista nacional, bem, este que se dane! Ele pode ser qualquer outra profissão e brincar de arte sequencial nas horas vagas! Ou, se quiser mesmo ser profissional das HQs, tem a possibilidade de trabalhar para os gringos, mudando até o seu próprio nome (pois nós aceitamos o material gringo e lutamos a favor deles, mas os estrangeiros sequer aceitam os nomes verdadeiros dos nossos artistas).
    É lamentável ver “profissionais” BRASILEIROS dos quadrinhos contra uma iniciativa que lei que amparará os quadrinhos BRASILEIROS.
    Por fim, pensem nisso:

    Queria ver se as empresas passassem a contratar apenas os médicos, advogados, engenheiros ou jornalistas estrangeiros… Aposto que se isso passasse a acontecer, muitos aqui seriam favoráveis às cotas (ou, se quiserem mudar, às “reservas de mercados”!!!) Ou não?! Estariam dispostos a ceder suas vagas aos estrangeiros, por pensarem que eles tem mais qualidade que vocês?!

  51. Estou gostando da conversa, so’ acho que a gente não precisa pegar pesado aqui, nem de um lado, nem do outro. Pode ter gente que abandone o forum de discussão porque teve uma resposta inviezada (Cade o Sidao?)… Então, vamos manter a linha aqui pra manter todo mundo discutindo ate’ o fim.
    Marcus (E Spacca, Gustavo Duarte e todos que falaram duramente contra uma lei que crie cotas/divisoes/obrigatoriedades): tenho que concordar com vc, o sistema de cota pode parecer autoritario e injusto conta o “livre mercado”, mas muitas vezes e’ (não no caso dos Quadrinhos que parece as editoras ja’ passaram dos 20% faz tempo) NECESSARIO. Nos vivemos num mundo injusto pacas e o preconceito contra cor, raca, religiao, classe social que existe deve ser combatido SIM. Não adianta vc dizer para alguem que não se deve discriminar outra pessoa por ser negro, pobre, mulher, gay ou muculmano. Vc tem que falar: Se vc continuar assim, vai ser processado, julgado, condenado e preso, OK? Porque discriminacão e’ crime. E ai’ vc não vai passar a mão na cabeca de quem faz bullying, vai dizer: Para com isso ou vc vai dancar! Mas são milhares de anos em que esta praga de raca humana luta por poder e para isso, mata, rouba, mente (como o Baraldi citou os EUA que fizeram isso contra Cuba, Vietnã, Coreia do Sul, Iraque, Afeganistão vai fazer com o Irã e todo mundo vai falar: “Oh, como esses louros americanos de olhos azuis são competentes defensores dos ideais da liberdade e vão colocar esses radicais do Islã no lugar deles! Deus Salve a America!”). Mas mesmo um pais belicista, invasor, transgressor e impiedoso como os EUA, percebeu que o que eles fizeram com os negros so’ tinha um jeito transitorio de se resolver: com as cotas. Os racistas brancos nos EUA continuam com vontade de pendurar negros nas arvores, mas sabem que o Tio Sam agora não esta’ tão condescendente assim.
    Eric falou dos trabalhos de gaveta e da discriminacão que sofre nas editoras por quererem trabalhos so’ dos medalhões. Isso e’ lamentavel, como Spacca e Gustavo falaram aqui, as editoras deveriam publicar o que e’ bom, se olhar de quem. Mas sabemos que muita gente compra (eu) algo do Eisner so’ porque e’ dele e a gente sabe que ele e o estudio nunca fizeram nada meia-boca.
    Daniel Araujo, gostei do que vc escreveu. S’o não entendi uma coisa, vc e’ contra a cota de programas nacionais nas TVs fechadas? Porque gracas a essa obrigatoriedade muita emissora teve que ir atras de empresas produtoras de conteudo, e claro, se o conteudo não for interessante, o publico muda de canal e a emissora muda de produtora.

  52. Marcio Baraldi

    Ta chegando mais gente boa ai na conversa.Lorde Lobo e Febronio trouxeram mais bom-senso e lucidez para o debate!Sejam bemvindos.Cade o Guedes, o Jal, o Ota,o Goncalo,o Nagado, o Marcatti, o Salles,etc?!?Jota, chame esses viados pra ca!E cuidado que agora tem DOIS DANIEIS na conversa, o Araujo ,com o qual eu concordo ,e o J.Daniel, do qual discordo de muita coisa.Fiquem espertos pra nao rolar confusao!

  53. Marcio Baraldi

    O JAL precisa entrar na conversa pra tirar duvidas da gente,pois lei é uma coisa extensa, cheia de paragrafos e tais.Que requer muita discussao e precisa ficar TUDO claro pra nós.

  54. Baraldão, alguns dos nomes que vc citou já estão no debate, pelo menos via depoimentos postados. Outros (não vou dizer quem por questão de ética), preferiram não se manifestar. E, outros, como disse antes, não tenho o contato. Tenho minhas limitações. Peço a vc, ao Bira e aos demais – que são bem mais enfronhados no meio dos quadrinhos que eu – que convoquem mais gente para participar. Quanto mais gente, melhor! Abs

  55. E’ Jota, tem que ter jogo de cintura em casos como da Gal (não a amiga de Caetano, claro). Não tem como se medir essa cota na producão de 1 ano de uma editora pequena. Acho que vale a pena anotar pra conversar com o deputado.
    Lobo, certamente vc tocou num ponto nevralgico: quando que o calo comeca a apertar no meu sapato? Minha enteada tem cidadania portuguesa e e’ dentista em Londres. Beleza, ha’ falta de dentistas em Londres, mas e se em 15 anos se formar um batalhão de dentistas e os ingleses acharem melhor revogar algumas leis do Mercado Comum Europeu, como de ser dentista? Sera’ que vão aceitar uma brasileira-lusitana trabalhando la’? Acho que não.
    Quanto a viver de Quadrinhos… Eu não viveria bem. Ganharia o equivalente a uns 2.500,00 por mes (tira diaria Tatu-man jornal Correio Popular, tira semanal Lino para o Sindipetro SP, Quadrinho Literario anual pra Escala e os royalties dos 3 titulos que desenhei Memorias de um Sargento de Milicias, D.Quixote e O Ateneu). Eu pago 770,00 pra minha empregada (registrada) que trabalha 3 dias por semana. 800,00 de condominio e aluguel de estudio. Luz, agua, telefone, net deve dar mais uns 500,00. 120,00 de clube (economizo com academia) pra familia. Sobrou uns 280,00 pra fazer supermercado. Eu não teria grana pra comprar Quadrinhos e
    passaria fome e sede (OK, estou falando de cerva mesmo).
    O que me garante uma vida mansa financeiramente e’ meu trabalho editorial mesmo, alem de alguns chatos gibis empresariais. Chatos porque alguns assuntos TEM de ser abordados como o cliente quer. Afinal, quem entende da empresa são eles e eu não discuto quando não tem espaco… Mas eu gosto de fazer Charge que e’ um produto mais bem pago do que Quadrinho! E e’ o que garante o conforto aqui em casa e a cerva do fim de semana!

  56. Marcio Baraldi

    Ja mandei email pra meio mundo chamando pro debate!

  57. Rodolfo da Rocha

    Ninguém é borigado a publicar nada que não gosta. Aqueles que usam isto como desculpa, são os que não tem argumento para questionar o assunto. Esta tem que existir, assim como diversas outras. Agora as editoras terão que prestar o devido valor aos artistas nacionais. Apoio este projeto e lei, já estava na hora de se criar vergonha na cara!

  58. A verdade é a que ninguém gosta de adimitir: A grande maioria não gosta de trabalhar. Isso serve para qualquer área. Querem a vida fácil, de mão beijada. Querem destaque, querem ser reconhecidos? Então trabalhem, e trabalhem muito. Invistam e insistam, que vocês acabarão encontrando o seu caminho. Agora esse negócio de cota, é desculpa para preguiçoso e sem talento ocupar um lugar e se encostar. Essa lei está esquecendo o outro lado mais importante dessa cadeia: o leitor. Ele é quem decide o que comprar, não importando cotas ou leis. Se o trabalho for bom e honesto, terá seu espaço.

  59. Marcio Baraldi

    Esse papinho de que nao precisa de lei no Brasil é furado, coisa de cabecinha neoliberal que quer parecer gente moderna, descolada e globalizada!Acontece a mesma coisa com a musica brasileira.Nos temos MILHOES de musicos maravilhosos no Brasil, de altissima qualidade, mas eles NAO TOCAM nas radios!As radios so tocam meia duzia de artistas nacionais movidas a jaba de gravadora, e o resto é musica NORTE-AMERICANA!O unico jeito de fazer as radios brasileiras tocaram musica nacional de QUALIDADE e atraves de LEI!Uma cota obrigando a tocar mesmo e acabou!Nao se trata do Estado se intrometer na iniciativa privada, mas de colocar REGRAS nesse mercado da cultura brasileira!!!!Acabar com essa farra do boi gringo!!!Da gente ser a lata de lixo dos norte americanos e char que isso é nomal, que não pode ser mudado!A mesma coisa acontece com o Quadrinho nacional.As editoras brasileiras acostumaram o povo brasileiro com personagens gringos a vida inteira e nao deram oportunidades iguais pro Quadrinho brasileiro se desenvolver em pé de igualdade com os gringos.Ta cheio de autor brasileiro de talento, inclusive o Mauricio em determinado momento da carreira dele, que teve que PAGAR pra publicar!É o jabá no Quadrinho Nacional!Isso tem, que acabar!Se tem manga japones vendendo bastante nas bancas, pode ter o Quadrinho brasileiro tambem.Basta nos propiciar condicoes para isso.Precisamos de uma lei que justamente nos GARANTA essas condicoes,nos garanta as oportunidades.O espaço a gente conquista com qualidade e com igualdade de oportunidade!

  60. Vou chover no molhado, mas se existe uma intenção governamental de se incentivar a produção cultural, isso deve acontecer em forma de incentivo – ou seja, dinheiro. Seja por injeção direta de capital público ou isenção fiscal – ou ao menos um desconto nos impostos da empresa que resolver publicar material nacional.

    Enquanto profissional da área, claro que é muito bem vindo uma lei que obrigue que tenhamos trabalho. Assim como a discussão sobre produção audiovisual (lei semelhante que tenta forçar os canais a cabo a ter produções nacionais em sua grade).

    Enquanto público, contudo, isso é um disparate. Há muito material bom, de fora, que JÁ não chega ao país. Imagine se as editoras ainda tiverem que reservar cota para produções nacionais… Produtos bons, bem divulgados e adequadamente distribuídos vendem bem. Simples assim.

    Que as editoras deveriam ter algum tipo de “carinho” para estimular a publicar mais material nacional? Quanto a isso, sem dúvida. Obrigá-las a fazê-lo é outra história…

  61. Obrigar a publicar?! Em menos de dois anos você afunda as poucas editoras que publicam quadrinhos com essa atitude. Daí quero ver onde irão publicar! Já disse e repito, quer seu espaço? Seja BOM e conquiste o leitor. Ofertas não lhe faltarão. Temos exemplos disso no mercado aí.

  62. Continuo acompanhando o debate e estudando as informações com atenção, mas cabe aqui uma observação importantíssima que o Bira levantou: a cerveja é sagrada! :)

  63. Marcio Baraldi

    Essa lei vai servir sobretudo pra editora e veiculos grandes.Jornais como o Estadao por exemplo NAO TEM tira nacional NENHUMA! Ja tiveram nos anos 80 e era bem legal. Mas cortaram tudo, ate chargista, e mandaram tudo pro olho da rua.
    Essa lei pode obrigar os jornais a recolocarem esses postos de trabalho e abrir novos.

  64. J Daniel

    Pera lá, Baraldi.
    Eu não escrevi que “TODOS os quadrinhistas são incompetentes, que não são sérios e não sabem trabalhar direito”. Você está tão exaltado com essa história que não soube interpretar ou não quis entender o que escrevi. Leia de novo o ponto que destaquei sobre quadrinhos comerciais. Eu escrevi:
    “Aqui no Brasil, com RARAS EXCEÇÕES (a maior delas, Mauricio, domina o mercado), o autor de quadrinhos não tem essa visão comercial de quadrinhos de massa. Tampouco uma visão empresarial. Não encara isso como um negócio. Não tem essa mentalidade, ou mesmo não tem formação necessária e preparo suficiente para criar um produto comercial de qualidade capaz de uma editora investir nele”.
    Sobre quadrinho autoral, repito, bem ou mal ele está acontecendo nas livrarias. Há vários autores e títulos disponíveis. As editoras estão investindo (até acho que essa lei de cotas, aprovada do jeito que está, vai ter efeito contrário: as editoras vão se desinteressar dos quadrinhos)
    O problema é que as tiragens de quadrinhos autorais não são altas, são voltadas para um público mais restrito, e os preços são caros demais, o que os afasta do grande público. Entendeu agora?
    É muito fácil e cômodo botar a culpa na cultura estrangeira pelas mazelas do quadrinho nacional. Não é por aí.
    Quanto às outras ofensas que me fez não vale nem a pena comentar… não entro nessa.

  65. A questão do Quadrinho brasileiro em banca, Baraldi, a gente ja’ discutiu antes: e’ que o publico não quer mais. Parece que e’ simples assim mesmo. Se o Ziraldo que e’ o Ziraldo não conseguiu manter seu publico nas bancas, nem o Sitio do Pica-pau amaraelo (com programa na TV e tudo) tambem não, quem conseguiria? A Graphic Talents era maravilhosa, fez algum sucesso com Marcatti, Orlandelli, Maxx, Estevao Ribeiro, mas exceto pelo Marcatti (que logo desistiu tambem) ninguem mais se manteve. E eram OTIMAS revistas em Quadrinhos. Eu acho que o publico de banca DEFINITIVAMENTE não nos quer. Defendo que a gente fique atras das bancas e faca uma enquete “por que vc não comprou nenhum gibi”. E depois a gente da’ um pau nas pessoas que não comprarem. Hauhahuaauhahahahahha

  66. Marcio Baraldi

    Voces querem ver como no Brasil tem que ter lei pra TUDO?!?Ta uma verdadeira onda de ESPANCAMENTO e TORTURA de animais no Brasil.Todo dia tem uma denuncia nova e HORRIPILANTE na midia!Pra acabar com essa estupidez so tacando lei encima desse povo ignorante.Mete multa sem dó, cadeia se for o caso, retirem os animais dessas pessoas e encaminhem pra adocao.Se o governo nao fizer isso , continuam os abusos cada vez mais!O mesmo serve pras pobres criancas, filhos de pais inuteis!
    Outra lei que botou ordem na casa foi a do cigarro!Ninguem aguentava mais neguinho fumando na sua cara em lugar fechado! Essa lei é rigida e todo mundo obedece! Se um bar aceitar alguem fumando la dentro toma MULTA PESADA!!!!No Brasil tem que ser assim, neguinho só cumpre suas obrigacoes na base da LEI!Os meninos mais sensiveis torcem o nariz, mas se essa lei for realmente cumprida, se o mercado melhorar como deve e comecar a dar dinheiro para esses meninos delicados quero ver se eles vao continuar reclamando.

  67. Houve uma tentativa de lei de proteção do quadrinho nacional no governo Jânio Quadros mas, com o golpe de 64 foi esquecida.Em início dos anos 80, participei de um debate no congresso com Henfil, Edgar Vasques, Claudius e Jô Oliveira mas, a conclusão que chegamos é da necessidade de mobilização organizada da categoria pra garantir a eficácia de qualquer lei neste sentido.

  68. Marcio Baraldi

    Daniel, falar:”o autor de quadrinhos não tem essa visão comercial de quadrinhos de massa. Tampouco uma visão empresarial. Não encara isso como um negócio. Não tem essa mentalidade, ou mesmo não tem formação necessária e preparo suficiente para criar um produto comercial de qualidade capaz de uma editora investir nele”
    é a mesma coisa que chamar agente de incompetente e sem seriedade. Quem nao tem preparo,cara palida?!? Acabei de dar 200 exemplos pra vc de artistas que foram ótimos empresarios, mas que NAO CONSEGUIRAM lutar indefinidamente contra a HQ norte-americana, porque sempre foi uma luta DESIGUAL! Cara, vai estudar a historia do Brasil e da HQ nacional antes de dar palite, por favor. Ficar arrotando os mesmos cliches a vida inteira cansa, nao cansa?

  69. Continuo acompanhando o debate e estudando as informações com atenção, mas cabe aqui uma observação importantíssima que o Rafael levantou: o carinho é fundamental! :D

  70. Se fulano ou cicrano foi demitido, é porque não tinham mais retorno positivo de seu trabalho. Funciona assim em qualquer área. Uma cota, ou lei não vai adiantar. Vai só manter o cara no emprego, mas a produção dele não vai valer de nada. Repito, essa lei vai ser a corda no pescoço de algumas editoras que publicam quadrinhos. Daí vão chorar na cama que é lugar quente. Quem manda é o leitor e fim de papo.

  71. Se eu tivesse o PODER de tirar os POLÊMICOS 20% (que pra mim é birrinha de ambos os lados, quem é a favor e quem é contra) da lei e deixar só a parte dos incentivos e fomentos eu faria isso. Mas não tenho. Então só me resta torcer para que se regulamente algo que prevê sim os tais INCENTIVOS que TODOS aqui nessa lista de autores, editores e jornalistas são a favor. Tem alguém contra a possibilidade de mais fomento estatal para as histórias em quadrinhos??? Acho que não. Sobretudo por sabermos que o tal mercado em crescimento é fruto do esforço dos quadrinistas, mas também da possibilidade vislumbrada por editores de serem comprados por algum programa como o PNBE, ou então pelo dinheiro que vem direto de incentivos como o PROAC. Sem esses dois últimos braços da balança teria MUITO MENOS DINHEIRO fluindo nos quadrinhos. Que tal nos esforçarmos então para, em vez de brigarmos entre a gente, ajudarmos na criação de mais fomento aos quadrinhos??? O CINEMA vive disso no Brasil. O Teatro vive disso. E os quadrinhos ganham ESMOLAS perto do que as outras mídias recebem de dinheiro todos os anos. Por que não uma chance a mais para os quadrinhos???

  72. Marcio Baraldi

    Calma, Bira.Nao e tao simples assim, nao.Todo dia nascem milhares de criancas brasileiras, o publico nao para de chegar.Temos que discutir formas de voltar pras bancas e reconquistar o publico.Nao existe esse papo de “Ah, nao adianta, nao tem jeito!”.Se o governo investir pesado na gente, se nossos personagens estiverem em animacoes na TV, gibis nas bancas e escolas ,na publicidade, esse troço vai pra frente.O Superman ja era faz tempo,hoje é um verdadeiro lixo, mas as pessoas continuam lendo porque foram (des)educadas desde cedo a gostarem dele. Se a gente fizer o mesmo com as novas geracoes eles vao gostar da HQ Nacional .Isso e uma coisa que as grandes editoras deviam ter feito decadas atras mas nao fizeram.
    Roberto Marinho implantou os gibis no Brasil, mas so ensinou o povo brasileiro a gostar de gibi norte americano,Depois veio a ditadura , ele ganhou a Rede Globo de presente dos milicos e , em troca, ensinou o povo a gostar de novelas idiotas e alienantes.Investiu pesado nelas, produziu as melhores do mundo (melhores na producao, nao no conteudo) e ate hoje o povo brasileiro ADORA novelas.Se ele tivesse feito o mesmo com a HQ nacional, ate hoje o povo ADORARIA nossos quadrinhos.Mas infelizmente , nem ele nem outros empresarios da comunicaao brasileira fizeram isso.E ,preste atencao, nos SOZINHOS nao sairemos dessa situacao NUNCA!So com ajuda do GOVERNO!

  73. Em tempo: Rodrigo, a tal “cultura nacional” no caso de uma país multicultural como o nosso é mais polêmico e mais difícil de entender do que as mulheres!
    Arrisco dizer que “cultura nacional” é tudo o que o brasileiro, ou seja, o camarada que nasceu no Brasil (não importa sua herança cultural, origem e influências), produz. TUDO. Eu, como sou gaúcho, não tenho esses problemas de identidade cultural! hahahah.. ;)

  74. Marcio Baraldi

    Parabens ao Daniel Esteves e ao Oscar.Concordo plenamente com ambos!

  75. Vou fazer coro ao Daniel Esteves. O que incomoda na lei é o sistema de cotas. Na parte de incentivos – se houver – sou totalmente a favor. Taí o ProAC pra provar. Imaginem um ProAc em nível federal, que ampara o autor desde o processo de produção!

  76. Marcio Baraldi

    Walter, O Estadao tinha varios chargistas, Paulo Caruso, Maringoni,JAL, alem de varias tiras nacionais:LOR,Celus,NEwton Foot,Salvador, etc.
    O jornal cortou TUDO pra economizar dinheiro de pinga encima da gente, nao porque nao dava ibope.Desde quando charge e secao de tiras nao dao ibope?!? E a PRIMEIRA coisa que as pessoas leem num jornal, oras!Fecharam um monte de vagas no nosso mercado, uma delas poderia ate ser sua.E aquele concurso fajuto que o Estadao fez uns anos atras, entao?!?Quem ganhou foi o Rodrigo Rosa, do RS, mas publicaram apenas meia duzia de paginas de humor e depois tchau!O Estadao cancelou tudo e nem deu satisfacao. O povo gosta de humor nos jornais sim, o problema é que MUITO jornal por ai que quer esse humor DE GRAÇA!!!Uma lei botaria ordem em situacoes como essa e faria com que os veiculos nos respeitassem mais.Por isso uma ACB permanente e forte é tao importante pra nos quanto uma lei.Categoria organizada impoe MUITO mais RESPEITO!

  77. J Daniel

    Calma, Baraldi. Você está muito exaltado.
    Não são clichês. Os fatos dizem por si só. O mercado de quadrinhos em banca está dominado praticamente por um único empresário. A verdade é essa.
    Mas a culpa é sempre dos estrangeiros, do Mauricio de Sousa, do governo, do leitor e nunca do autor nacional. O autor nacional nunca tem culpa de nada por sua mazela.
    Se tem quadrinho comercial de qualidade, o leitor compra. Se não tem, ele não compra. Simples assim.
    A editora também não vai ficar investindo em barca furada. Ela quer ganhar dinheiro.
    O governo não tem que dar dinheiro para desenhista coisa nenhuma!
    O governo tem que investir em educação, saúde e segurança. Isso é mais importante do que gibi!
    O que o governo pode fazer para incentivar a indústria do entretenimento?
    1-Fomentar o empreendedorismo.
    2-Incentivar a formação de profissionais de DIVERSAS ÁREAS, ligadas à indústria do entretenimento. Tem que ter sempre gente nova e bem preparada no mercado para preencher vagas.
    Repito, quadrinho deve estar inserido dentro desse contexto.
    Sinceramente, eu duvido que essa lei arbitrária de cotas, do jeito que está, será aprovada. Vai pro limbo igual o projeto de lei do Vicentinho para cota de animação nacional na tv aberta.

  78. Marcio Baraldi

    Epa, perdao.Concordo PARCIALMENTE com o Esteves.Nao tiraria as cotas nao, pelo contrario, trabalharia junto aos quadrinhistas e a ACB para preenche-la de maneira satisfatoria.

  79. Marcio Baraldi

    Epa, perdao.Concordo PARCIALMENTE com o Esteves.Nao tiraria as cotas nao, pelo contrario, trabalharia junto aos quadrinhistas e a ACB para preenche-la de maneira satisfatoria.Tem muita gente falando aqui ao mesmo tempo e, como diria o bom e velho Didi, eu acabo me “cafundindo”.

  80. É aí que divergimos, Baraldi. Acredito de verdade que incentivos fiscais são mais benéficos que a simples ingerência do Estado na atividade privada.

  81. Galera, e tem mais o seguinte:
    Esse papinho de que não é preciso lei, que material bom se destaca por sí só é a maior ingenuidade! Até parece que não conhecem o mercado! É claaaaaro que é necessário regras e leis!
    Todos sabemos que não se deve roubar, não se deve matar, não se deve caluniar… mas ainda assim, existem leis que garantem isso (ou tentam).
    Ser a favor desta lei não é mendigar uma ajuda do Governo! É LUTAR por um direito trabalhista! É ser cidadão!
    Alegar que o que os gringos fazem tem mais qualidade é RIDÍCULO! Qualidade só se atinge com a produção constante, com o seguimento do trabalho! Ou as HQs gringas já nasceram como são hoje?! Como se antes não eram tolas e infantilóides!!! Por favor, pensem!!!
    Exigem dos quadrinhos brasileiros a mesma qualidade das HQs gringas… só se esquecem que é uma luta injusta, de metralhadoras contra estilingues! Que nos deem as armas certas, então!
    Aos que são contra uma lei de amparo aos quadrinhistas brasileiros, convido-os que, ofereçam suas vagas de emprego para os gringos, pois também tenho certeza que eles melhores médicos, melhores advogados, melhores dentistas, melhores planejadores editoriais e melhores qualquer outra coisa que vocês possam ser!
    Entenderam agora?

  82. “O governo não tem que dar dinheiro para desenhista coisa nenhuma!
    O governo tem que investir em educação, saúde e segurança. Isso é mais importante do que gibi!”

    Desculpe J Daniel, mas isso é uma visão pequena da responsabilidade do estado. O Estado tem também de atuar na CULTURA (e isso abrange não só Cinema, Teatro, Artes Plásticas, Literatura… mas também QUADRINHOS). Não fosse isso não existiria ministério da cultura, secretaria de cultura, etc, etc, etc.
    Falar que uma coisa é mais importante que a outra é bobagem. Existem orçamentos a serem gastos em todas as áreas, inclusive em CULTURA.

  83. Respondendo ao amigo Lorde Lobo: veja só, sou jornalista e contra a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão! Ou seja, estou abrindo concorrência não só para gringos, mas também para gente que não passou quatro anos na faculdade como eu. O que defendo para os quadrinhos defendo também para minha profissão. Grande abraço!

  84. Pessoal, peço novamente paciência na liberação dos comentários. Vou me ausentar umas horas e, caso o Társis esteja ocupado, o que for comentado aqui ficará aguardando liberação. Sei que tira o dinamismo do debate mas, vão por mim, este controle é necessário. Abs a todos e obrigado pela participação.

  85. J Daniel

    Daniel Esteves,
    Se você ler bem tudo o que escrevi até agora vai entender que acho que há formas do governo incentivar o crescimento da indústria do entretenimento como um todo, assim como ele incentiva as outras indústrias estratégicas do país, e cumprir seu papel. Não vou repetir.
    Mas é LÓGICO que saúde, educação e segurança é prioridade. É mais importante sim. Vocês devem estar loucos, não é possível!
    E o estado não tem culpa, nem responsabilidade do mercado de quadrinhos não andar.
    Sustento o que escrevi: governo não tem que dar dinheiro para desenhista, não. O que pode ser benéfico para ajudar o profissional a caminhar bem com suas próprias pernas? Taí um exemplo: http://montalvomachado.com.br/blog/?p=3753

  86. não sou a favor de reservas ou cotas, mas e se pensássemos em algo como a SIB (http://www.sib.org.br/) ou a ADG (http://www.adg.org.br/)?

  87. “PS:Ah, quem sabe na proxima encarnacao vc aprende a desenhar , vira quadrinhista profissional e aí vc vai entender na propria pele o que eu to te explicando.”

    “Voces querem ver como no Brasil tem que ter lei pra TUDO?!?Ta uma verdadeira onda de ESPANCAMENTO e TORTURA de animais no Brasil.Todo dia tem uma denuncia nova e HORRIPILANTE na midia!Pra acabar com essa estupidez so tacando lei encima desse povo ignorante.Mete multa sem dó, cadeia se for o caso, retirem os animais dessas pessoas e encaminhem pra adocao.Se o governo nao fizer isso , continuam os abusos cada vez mais!O mesmo serve pras pobres criancas, filhos de pais inuteis!
    Outra lei que botou ordem na casa foi a do cigarro!Ninguem aguentava mais neguinho fumando na sua cara em lugar fechado! Essa lei é rigida e todo mundo obedece! Se um bar aceitar alguem fumando la dentro toma MULTA PESADA!!!!No Brasil tem que ser assim, neguinho só cumpre suas obrigacoes na base da LEI!Os meninos mais sensiveis torcem o nariz, mas se essa lei for realmente cumprida, se o mercado melhorar como deve e comecar a dar dinheiro para esses meninos delicados quero ver se eles vao continuar reclamando.”

    Perdoem a franqueza, mas as opiniões do Marcio estão destoando do nível do debate, beirando ao fanatismo e não estão ajudando em nada a causa que deveriam exaltar.

    Caros, se lei fosse solução de alguma coisa o Brasil seria o melhor país do mundo. Como bacharel em Direito afirmo a vcs com toda segurança: Boas leis nós temos, o que nos falta é uma sociedade civil organizada, educada, empenhada e CUMPRIDORA das leis. Temos tantas leis, TANTAS, que o ordenamento jurídico se tornou um labirinto insolúvel, no qual os textos se tornam letra morta, inócuos. No Brasil temos normas legais que regem até mesmo o preparo da caipirinha. Não estou brincando, procurem. Não se iludam, esta lei é uma falsa tábua de salvação para o quadrinho nacional. Tiragens não vão aumentar, veículos não vão gastar mais do gastam hoje com pessoal. Ao invés disso teremos um monte de material publicado apenas para preencher a cota e mostrar para a fiscalização – se é que haverá – que está “tudo bem”, e muitos veículos por aí vão jogar a remuneração lá em baixo, pagando para quatro o que antes pagavam para um. E vai ter gente que vai aceitar receber 25% do que antes era um salário de quadrinista, vcs duvidam disso? Eu não duvido.

    Insisto na linha que me parece mais acertada. INCENTIVO. SUBSÍDIOS talvez, como muitos países fazem. Como a França com seus produtos agropecuários por exemplo. Mas na França não há uma cota dizendo “Srs. comerciantes, doravante deverão vender 20% de queijos franceses no mínimo”…como também não sei da existência de nenhuma cota para os quadrinhos franceses. E por favor não venham me acusar de comparar quadrinhos com beterrabas, eu não estou comparando nada, apenas digo que do ponto de vista econômico tudo é produto, seja história em quadrinho ou queijo brie. APOIO GOVERNAMENTAL. EDUCAÇÃO QUE VALORIZE A CULTURA NACIONAL. Isto sim faz diferença, isto é real, é o modelo que deveríamos seguir.

  88. Fala Bira.
    Eu sou a favor da cota nos canais pagos. É visível o benefício que essa cota trará às produtoras de conteúdo. Por isso não entendo a ojeriza dos produtores de conteúdo de HQ com a cota nesta lei em discussão aqui.
    Caro Esteves,
    Acredito que a cota é parte integrante da lei, para que haja escoamento da produção fomentada pelo incentivo estatal. O mercado brasileiro de cinema e vídeo vive do incentivo estatal, e tem cota para eles sim. Cota de tela para salas exibidoras já está rolando, e em breve vai haver a cota para canais pagos. Se tirar a cota da lei de HQ a produção não chega até os leitores. Perguntei num comment anterior: todos os contemplados no ProAC conseguiram editora?

  89. Continuo acompanhando o debate e estudando as informações com atenção, mas cabe aqui uma observação importantíssima que o André Ornelas levantou: até mesmo o preparo da caipirinha tem normas legais que regem o seu sabor!

  90. Tarsis frisou muito bem: cerveja e’ sagrada. Ja’ são 6 horas, e’ dia de pizza e cerva, proponho que a gente se encontre tudo no Frango Assado da Bandeirantes (meio do caminho entre Campinas e Sampa) e termine essa discussão bebendo e desenhando… Ou so’ bebendo ja’ que eu tenho que admitir que concordo com a maxima macunaimica do Walter:
    “A grande maioria não gosta de trabalhar.”
    Se eu pudesse passava o dia lendo Quadrinhos, vendo filmes e desenhando so’ o que me desse na telha, fazendo as Paginas Non-sense que parei (por total falta de tempo). Eu desenho das 7 da manha a meia-noite e ainda to atrasado com uns projetos ai’. OK, faco muita coisa que não da’ dinheiro, como caricaturas pro Blog do TEX, caricaturas de quadrinhistas (como faco no FIQ de 2 em 2 anos), mas isso e’ coisa que me da’ prazer… Que nem tomar cerveja e cozinhar. Hoje a moqueca de peixe com camarao e cuscuz ficou ducalareo!
    1.Oscar bateu em cima: “necessidade de mobilização organizada da categoria pra garantir a eficácia de qualquer lei neste sentido.”
    2. Daniel Araujo (e’ meu primo?) foi perfeito em falar das cotas nos programas de TV fechada. Não e’ um qualquer (como eu) defendendo programas regionais de cultura para garantir mercado, emprego e coisas do nosso interesse na TV fechada. E’ alguem da area! Ele sabe do que esta’ falando!
    3. Eu proponho que o Jota Silvestre continue com essa discussão no Trofeu Angelo Agostini em fevereiro. Ele poderia elencar os principais pontos contra e a favor aqui e fazer um grande painel, onde a gente possa discutir. Vejam como esta’ sendo importante esse forum de debates, eu ja’ mudei de opinião umas 3 vezes aqui.
    4. Andre’ Diniz escreveu e eu concordo “uma lei de incentivo deva, como o próprio nome diz, incentivar, e não sustentar eternamente..” (quando escrevo com caixa alta e’ so’ pra frisar algo que acho relevante, não e’ grito -rs)
    5. Como concordo TOTALMENTE com o Esteves (parece que muita gente concordou com ele) que o ponto “cota de 20%” foi o que mais gerou celeuma (eu ainda estou me perguntando por que 20% e não 18% ou 22,5%), se não tivesse isso talvez muita gente aqui defendesse o projeto. Eu inclusive estou pensando em propor a troca da Lei pelo Daniel Esteves, que tal?
    6. O Ornelas falou que o pinto principal e’ incentivo. Concordo! Falou que o Baraldi ta’ “destoando do nível do debate, beirando ao fanatismo”. Discordo. O problema e’ que o Baraldi encarnou o Capitão Nascimento e não desencarnou mais, e acaba pegando pesado.
    7. Falando sobre banca, Baraldi, não adianta nascerem milhares de criancas, pois elas ja’ vão nascer com ipod, ipad, celular e e-book (ou e-mamadeira) na mão e não vão querer saber de quadrinhos brasileiros, exceto a Turma da Monica Manga’ (que certamente continuara’ fazendo sucesso daqui a 20 anos). Porque estarão jogando jogos em 3D com oculos, manoplas, botas eletronicas e e-gibis na web.
    8. O Sidao sumiu e nao respondeu: o Mauricio devia pensar seriamente em dar credito aos profissionais na abertura das HQs como a Abril vem fazendo com a Disney. Não vai tirar o merito de criador do Mauricio e ele vai ser muito mais respeitado (assim como os profissionais que trabalham no estudio), certamente.
    9. O Tarsis disse que “o preparo da caipirinha tem normas legais que regem o seu sabor”. Puxa vou conferir uma agorinha mesmo! Alguem ta’ servido?

  91. O Bira escreveu: “O Ornelas falou que o pinto principal é incentivo”. Normalmente, não libero comentário com palavrão. Mas, nesse caso, vou deixar passar, ok? hehehe.

  92. Pinto?????? Caracas, sorry, turma! E’ a caipirosa!

  93. Marcio

    Ornelas,seja democratico e deixe minhas opinioes em paz.Isso aqui é um debate democratico e ninguem aqui é dono da verdade, portanto SUAS opinioes NAO SAO melhores que a minha e nem vc esta ajudando mais do que eu.Pegar no meu pé só revela autoritarismo seu.Nao esquece que eu SOU quadrinhista e conheco essa situacao na pele minha vida inteira, enquanto vc é advogado e nao quadrinhista.Faz tua parte que eu faco a minha!Nem o Jota ta me censurando, o senhorito vai querer faze-lo?!?
    PS:Tu ta me criticando, mas tem coisas que vc falou como:”APOIO GOVERNAMENTAL. EDUCAÇÃO QUE VALORIZE A CULTURA NACIONAL.” que eu ja tinha dito 200 vezes ANTES de voce. Ou seja, tu ta me repetindo e me criticando ao mesmo tempo.

  94. Marcio

    AEEEEE, maior prazer ver o Emir aqui!!!!Grande mestrao Emir!!!Esse conhece o mercado muito melhor que todo mundo junto aqui !Preferia mil vezes ver a Velta nas bancas brasileiras que a ridicula da MUlher Hulk!!!Jota, chama o Tony Fernandes tonypegasus@hotmail.com
    E cade o Gualberto?!?

  95. J Daniel

    Quando se fala em tv por assinatura se fala de grandes corporações estrangeiras: Warner, Sony, Universal, Disney… elas tem cacife para se adaptarem à lei. Há leis de incentivos para produção de conteúdo audiovisual que complementam e facilitam o processo. É outra história.
    No caso dos quadrinhos, não há projetos que complementem esse projeto de lei autoritário e obtuso.
    Como estamos falando de quadrinhos, devemos falar também das editoras. Muitas das editoras que publicam quadrinhos no Brasil são de pequeno e médio porte. Não são grandes corporações estrangeiras, como das tv’s por assinatura. Muitas deles já publicam quadrinhos nacionais e até ultrapassam os tais 20%.
    Cada editora tem sua linha editorial. Existem quadrinhos de vários gêneros (humor, terror, ficção científica, aventura, romance, fantasia…) e com público-alvo de diversas faixas etárias. Se essa lei for aprovada (que acredito que não irá) a editora teria de ser obrigada a publicar autores que enfiassem obrigatoriamente a cultura nacional no meio para cumprir a maldita cota. Como se não bastasse o grande interesse que nasceu por causa da chuva de adaptações de literatura clássica brasileira para quadrinhos que caíram no mercado justamente porque o governo resolveu bancar esse tipo de publicação para abastecer as escolas…
    Por isso citei o exemplo da JBC lá trás, que publica mangá japonês e tem sua linha editorial de tratar da cultura japonesa.
    O autor deve ter sempre a liberdade para criar o que quiser. Se ele não quiser abordar a cultura nacional, que ele tenha SEMPRE liberdade de não abordar. Ele não pode ser preterido do mercado por uma lei obtusa por causa desse “detalhe”.
    Eu quero mais é que apareçam novas obras, novas ideias, novos personagens, novos mundos, NOVOS AUTORES, mais criatividade, mas que não fique tudo engessado pela avidez do autor de ter uma boquinha via estado.
    Esse projeto de lei faria o estado ter ingerência nas linhas editoriais das editoras, o que condeno fortemente.

  96. J Daniel, eu não sei como transpor essa experiencia das TVs a cabo para os Quadrinhos. Mais do que achar que as bancas deveriam ter mais Quadrinhos, eu queria que as pessoas de todas as idades continuassem a ler e a comprar. Uma boa iniciativa e’ a da Editora Lancaster. O MAurilio DNA me enviou este e-mail:
    “Ação Magazine #1 teve seu pré-lançamento no
    Festival do Japão, em julho. Desde então ela está à venda na Comix, loja e site, e na HQ Mix. Na última semana de novembro, ela passou a ser distribuida nas bancas de todo o Brasil. Seguindo essa periodicidade, os outros números vão para as bancas também.
    Diferente da grande maioria dos quadrinhos nacionais, que tem ido mais para as livrarias, a Ação tem como foco as bancas. Uma revista de massa. A Ação vai ter, a partir da edição #4, 6 títulos correndo mensalmente. Serão 2 com desenhista/roteirista e 4 com equipes de roteiristas e desenhistas diferentes.”
    http://blogdaanima.blogspot.com/2011/10/entrevista-com-maurilio-dna-sobre-acao.html

    Esta e’ uma boa iniciativa, que inclusive se desdobrou para o facebook:
    http://pt-br.facebook.com/acaomagazine?sk=wall
    E antes que digam que e’ Manga’ e que isso nao e’ Quadrinho brasileiro, algumas revistas terao temas brasileiros… http://www.jwave.com.br/2011/06/jwave-entrevista-a-equipe-da-acao-magazine.html

  97. Marcio

    Todo mundo aqui concorda num PONTO:as livrarias estao LOTADAS de bons quadrinhos nacionais!Ta.Dois problemas:esses livros nao sao suficientes pra garantir o sustento das centenas de bons quadrinhistas que temos no Brasil.Segundo:esses livros atingem um publico MUITO PEQUENO.Num pais de 200 milhoes de habitantes vc vender um gibi de mil exemplares é ridiculo!

    Entao as perguntas que faco sao:

    1-Como garantir que centenas de quadrinhistas vivam apenas de quadrinhos, sem precisarem fazer milhoes de outras coisas pra sobreviver?Com certeza o PROAC nao é suficiente para garantir um salario digno todo mes para tantos profissionais.

    2-Como aumentar esse publico consumidor?Como fazer para que num pais de 200 milhoes de habitantes pelo menos alguns milhares comprem quadrinhos TODO MES ,garantindo a existencia desses quadrinhos,desses empregos?

    Ja cansei de ouvir “ze-ruela sabe-tudo” aqui dizer que a lei é cabide de emprego,que as editoras so vao publicar merda, que os quadrinhistas sao todos incompetentes e que o mundo vai acabar se a lei for aprovada.Gostaria que tais gênios aqui presentes dessem respostas razoaveis e convicentes para minhas perguntas.Serei eternamente grato a seres tao evoluídos!

  98. J Daniel

    Pois é, Bira. Bem lembrado.
    Na discussão lá no blog do Paulo Ramos comentei sobre a Ação Magazine ( http://www.acaomagazine.com.br ).
    Tenho contato com os editores. O projeto da publicação é sério e levou anos de planejamento para acontecer. Tem uma linha editorial própria.
    A publicação tem alguns problemas, precisa de ajustes, tem sofrido também com problemas na distribuição, mas o pessoal não desiste fácil e tenta fazer quadrinhos de apelo comercial com esforço próprio, sem cotas, sem incentivos, sem jabá, sem se escorar em leis…
    É isso tipo de iniciativa empreendedora que acredito porque certamente, além da ideologia que é posta em prática, eles querem ganhar dinheiro com o negócio.

    Não dá para transpor a experiência das tv’s por assinatura para os quadrinhos, pois são mídias diferentes, cada uma com suas peculiaridades. Mas eu apoio incentivos fiscais para baratear os custos da produção de uma revista como a Ação Magazine, por exemplo, fazendo com que o preço final para o leitor consumidor também caia. Apoio linhas de financiamento especiais para editoras que queiram investir em quadrinhos nacionais e que apresentem um projeto editorial de qualidade.

    Acho que é possível os quadrinhos voltarem para as bancas. Os do Maurício funcionam porque ele conhece o seu público e faz histórias que agradam esse público. Ele pensa primordialmente no leitor. Por isso ele não arrisca muito e repete a fórmula. Com isso, suas publicações vão passando de pais para filhos, de geração a geração. A mãe que era leitora lá atrás, vai dar um gibi da Mônica para sua filhinha ler. É seguro. É que nem as novelas da Globo. Pode mudar uma coisinha aqui e ali com o tempo e a evolução da linguagem da televisão, mas a base das tramas sempre será a mesma. As novelas nunca vão mudar porque tem público fiel e cativo.

    Turma da Mônica Jovem é como a Malhação. As histórias são que nem novelinhas. Os roteiristas do Maurício sabem a linguagem do público-alvo, os jovens, e dão a esses leitores o que eles querem, abordam as temáticas de seu cotidiano e os divertem.

    O pessoal que faz a Turma da Luluzinha Jovem percebeu a mesma coisa e seguiu a fórmula. Faz novelinhas em quadrinhos para jovens. Por isso vende bem. Brasileiro adora novela.

    Com os mangás é mesma coisa. São novelinhas dramáticas, não importa o gênero (luta, ficção científica, fantasia, esporte…) E é sempre aquela coisa de “continua no próximo capítulo”, ou “continua no próximo volume”, assim como as novelas da tv são. Por isso são populares no Brasil.

    São exemplos de quadrinhos comerciais de massa.
    Se tiverem mais quadrinhos com essas fórmulas, bem escritos, bem desenhados, com roteiros cativantes, criativos, e forem baratos, vão ser concorrentes do Maurício, dos mangás e da Turma da Luluzinha Jovem.
    É isso.

  99. J Daniel

    ops! corrigindo…
    SE TIVER NA BANCA mais quadrinhos com essas fórmulas, bem escritos, bem desenhados, com roteiros cativantes, criativos, e forem baratos, vão ser concorrentes do Maurício, dos mangás e da Turma da Luluzinha Jovem.
    É isso.

  100. Marcio Baraldi

    Outra coisa que ta clara aqui aqui é que TODOS os editores estão do lado do CONTRA.Óbvio, né?Eles nao querem ser obrigados a nada.Isso eu até compreendo, mas esses mesmos editores que sao contra, tem condicoes de responder as duas questoes que eu coloquei aqui? O que eles propoem para que TODOS os profissionais tenham trabalho e renda fixa todo mes?E o que propoem para que as tiragens deixem de ser ridiculos MIL exemplares e alcancem um publico milhares de vezes maior?

  101. Analisar este projeto de lei pelo ponto de vista das editoras é prever o prejuízo, já que obviamente que não há interesse , principalmente em se tratando de cota pra material nacional , haja vista que boa parte delas vai atrás do que é líquido e certo, nunca deseja arriscar, salvo algumas exceções( bem poucas). Ainda mais em se tratando de artistas nacionais, que estão desenvolvendo trabalhos pro mercado americano ( que paga um pouco mais), ou se virando como ilustradores no mercado editorial ( que paga), e até aqueles que se aventuram independentemente (que se auto financiam), nenhum investimento de porte é tão interessante a ponto de bancar um título, um encadernado de um brasileiro, a não ser que ele seja o Maurício de Sousa, mas aí já é covardia.
    Certa vez o Ziraldo sugeriu que se tivesse na cesta básica, um livro, um gibi, no sentido de estimular o povo a ler mais.
    Acho que é por aí, incentivar a ler. Pois o povão, aquele que não tem dinheiroi pra comprar nem o pão, também não tem o hábito de ler.
    Ler se tornou uma atividade elitista, novamente. Mesmo que por outros fatores, afinal a política dos dias atuais é de ter todos na escola , não é?
    Promover o contato com outros autores, um titulo com novos talentos, outras abordagens, pois acredito que há tanta gente boa a espera de um espaço, e é uma forma de trazer o grande público que perdeu o hábito da leitura pra dentro desse universo.
    Sou favorável à cota sim, e acho pouco se destinar somente 20% para conteúdos nacionais. O mercado americano de cinema quase não passa filmes de outros países, e certamente eles rodam muita porcaria, nem tudo que é feito lá é filme bom, muito pelo contrário. Mas existem fatores que restringem a veiculação de materiais de fora, pois a ideia é incentivar o produto interno.
    Por que não aqui também?
    E por que não ter um incentivo da parte do governo na forma de redução de impostos às editoras que publicarem a cota e além disso? Poderia ser até melhor pra todos.
    O momento do quadrinho nacional é bom sim, mas eu não esqueço da palavra “momento”.
    Sou professor de escolas públicas em várias séries do ensino básico, e o que venho observando é que cada geração tem menos interesse por leituras, sejam por quadrinhos, livros ou até os enunciados das suas provas, é preciso fazer algo. O PNBE é um intrumento importante, assim como os incentivos dados pelo PROAC, e outras iniciativas semelhantes. É preciso fazer algo.
    Pouco se discutia de quadrinhos fora as rodas de nerds e estudiosos a até bem pouco tempo. Agora temos um representante do povo com a intenção de legitimar os quadrinhos como item obrigatório nas leituras a todas as camadas da sociedade. Eu como alguém que vive nesse meio a uns quase 15 anos , que estudei tanto tempo sobre o assunto não posso achar de todo ruim. Mas é preciso ficar de olho.

  102. J Daniel

    “Agora temos um representante do povo com a intenção de legitimar os quadrinhos como item obrigatório nas leituras a todas as camadas da sociedade. ”

    É disso que não gosto. A palavra OBRIGATÓRIO. Ninguém deve ser obrigado a ler quadrinhos. Aliás, ninguém deve ser obrigado a nada neste país. Não força a barra. As pessoas devem comprar quadrinhos se elas acharem que ele é interessante e bom. Só isso.

    Gibi na cesta básica? Ora… há projetos em discussão para incentivarem pessoas de baixa renda a consumirem cultura. Um deles é o vale-cultura. Quem quiser saber mais: http://blogs.cultura.gov.br/valecultura/

    Brasileiro lê bastante sim. Todas as camadas sociais lêem. Tem esse hábito. Livro vende que é uma beleza no Brasil. As editoras estão faturando muito. Na minha cidade, aqui no interior de SP, eu vejo livro vendendo até em bazares, em lojas que vendem de tudo um pouco (roupas, brinquedos, material escolar… e tem lá uma prateleira cheia de livros para vender). E olha que aqui já tem duas livrarias.

    É impressionante ver aqui que conversa vai, conversa vem, quadrinhos no Brasil não vendem porque a culpa é do leitor. Ou porque ele é ignorante e não gosta de ler, ou porque ele é pobre e não tem dinheiro, ou porque ele só quer jogar videogame, ou porque ele é mau, só quer ler Mauricio de Sousa e despreza os outros autores, ou porque ele está contaminado pela cultura estrangeira… ele é o maior culpado de tudo! Impressionante…

    Não é melhor ser mais humilde e se perguntar “eu sei agradar um leitor?” e refletir sobre isso?

  103. Marcio Baraldi

    Seja bemvindo Hugo Nanni!Mandou muito bem e acrescentou MUITO!

  104. Haroldo Junior

    Eu acho essa lei válida …e muito, Mesmo que não venha a mudar muito o panorama das hq’s brasileiras. No fundo, acho que a população dos países em geral se acostumou com os herois dos EUA…afinal de contas, os filmes e desenhos em geral, mostram eles como protagonistas, enquanto os Brazucas ficam sendo representados apenas pela Turma da Mônica com seus desenhos animados(muito bem feitos por sinal). Então, com essa lei nova, acredito que uma fatia maior(acho que menos menor é mais apropriado), estará a disposição de artistas brazucas de talento. Espero que seja bem direcionada e não atrapalhe quem já tem produções independentes bem estruturadas!

  105. 1. Baraldi acha que a disputa aqui e’ entre quadrinhistas que querem mais espaco para publicar e editores que nao querem ser enquadrados por uma lei. Acho que nao e’ isso. O que esta’ pegando e’ se o Estado deve se meter no Mercado Cultural (eu nao acho apenas que deve mas ‘e OBRIGADO a isso) e se deve obrigar editoras a publicar X% de Quadrinho nacional.
    Muita gente aqui deve conhecer a Lei que rege a TV aberta no Brasil, mas se esquece dela. A TV aberta e’ propriedade do Estado que concede (CONCEDE) o direito de veiculacao de programacao a empresas que DEVEM se comprometer a ter uma programacao que preze pelo alto nivel cultura, educativo e de lazer. Se nao fizer por merecer, no periodo determinado, tem a concessao retirada. Vcs acham que as TVs abertas fazem por merecer, salvo as TVs Culturas e Educativas? Quando o Lula criou a TV Brasil um monte de gente desceu o cacete, “onde ja’ se viu, o governo ter uma TV oficial???”, “Desgracado do Lula, o que mais ele quer? Ja’ tem a Globo na mao, a Folha, a Veja, agora quer uma TV so’ pra ele”. Pois e’ tem coisa que e’ melhor ouvir do que ser surdo, nao e’ mesmo? Pois bem, TV no Brasil e’ do governo e se a Lei fosse seguida risca, so’ ficavam 2 ou 3 em canal aberto!
    2. Hugo Nanni falou da ideia do Ziraldo em incluir gibi/livro na Cesta Basica. Essa ideia nao e’ todo ma’. Nao e’ questao de obrigar, J Daniel, se uma familia de baixa renda recebe um gibi ele pode ser lido, dado, encostado ou jogado fora (essa eu acho a mais dificil de acontecer). Qual seria o problema? Nao vejo nenhum.
    3. J Daniel falou que a questao e’ “eu sei agradar o leitor”? Na boa, Ziraldo, Cesar Sandoval, Primaggio Mantovi sabem ou nao sabem agradar o leitor?????? Ziraldo e’ fenomeno de vendas em livrarias e nas bancas foi um fiasco. Fenomeno em livraria e’ vender 200 mil exemplares. Ou, como o Amaury Jr, vendeu 15.000 Privatarias Tucanas (otimo por sinal, eu recomendo) em 5 dias. Vai vender mais 30.000 em outros 5 dias. Isso e’ um fenomeno, mas ele vai estourar em vendas (talvez chegue ai’ nuns 120 mil exemplares vendidos em 1 mes) e vai parar… O publico vai esgotar… Ai’ ele vai ter que lancar outro best seller (contra FHC, espero). Pra EUA, Franca, China isso nao e’ nada… O Brasil e’ um fiasco em leitura, J. Daniel… http://oglobo.globo.com/educacao/brasileiro-le-um-livro-por-ano-revela-pesquisa-3148497
    Norte-americanos leem 11 livros por ano, franceses leem 7 livros por ano, brasileiros (em media) leem 1 livro por ano. Vc acha isso decente? Quem le livro no Brasil (eu leio uns 6 por ano e uns 20 Quadrinhos por mes) esta’ noutra esfera. A gente esquece que a gente (que tem computador, CD, DVD, TV digital, assina net, celular com internet, web) esta’ no topo da piramide. A gente nao tem ideia do que e’ o mundo real. A gente vai na favela de um centro urbano e ve antena parabolica, pessoal ouvindo CD, isso e’ realidade de centro urbano. Nos rincoes do Brasil a coisa e’ bem diferente. CD, DVD e’ artigo de luxo. No’s estamos aqui discutindo algo totalmente INCOMPREENSIVEL para a maioria da populacao. Pode acreditar! E essa maioria nao entra nem em banca de jornal. Se leem a manchete do jornal do lado de fora da banca e’ muito!

  106. Marcio Baraldi

    Alguem aqui ainda tem paciencia pra responder pro J Daniel, que nao cansa de repetir a mesma ladainha um milhao de vezes?As novas geracoes nao leem, ate porque a maioria MAL sabe ler.E livro infelizmente nao vende bem mais.O que mais cresceu na ultima decada é o livro sob demanda, ou seja o editor imprime so a quantidade de pedidos.Hoje em dia se um livro vender 5 mil exemplares ja e considerado best-seller.Hoje so vende esses block busters tipo Harry Potter ou Codigo da Vinci, porque tem os filmes juntos pra puxar as vendas.Nao faco ideia de quem é esse J Daniel, mas ele deve estar a serviço de alguem pois o cara só atravessa o samba.Nao conhece a historia da HQ Nacional, nao sabe de nada e fica o tempo todo repetindo que ninguem tem humildade e nem sabe trabalhar.Voce que poderia ter a humildade de se informar melhor sobre o assunto antes de cair de para-quedas palpitando num mercado que vc nao trabalha e so vê de fora,né, Daniel?!?

  107. Infelizmente não consigo acompanhar as discussões por aqui, já que tenho ficado longe do pc nos últimos dias. Gostaria muito de ler a opinião de todos os colegas, mas está impossível.

    Só alguns pontos:

    1- quadrinhos = CULTURA
    CULTURA não deve ser encarada apenas pelo lado comercial. “Ah, os quadrinhos brasileiros não fizeram sucesso pq não sabem conquistar os leitores, pq não são comerciais, blablabla”.
    Ok, quadrinhos PODEM ser comerciais. MAS SÃO UM MEIO CULTURAL. Como tal não são apenas aspectos COMERCIAIS que interessam. Quadrinho não é BANANA.
    Um exemplo do nosso mercado:
    Lourenço Mutarelli durante anos vendeu pouco e a Devir investiu no trabalho dele por considera-lo um artista de grande qualidade. Pelo fato dele ficar lá uns 15 anos sem fazer sucesso comercial quer dizer que ele era ruim? Inclusive hoje ele é um sucesso comercial dentro de certo nicho, mas foi um processo lento e trabalhoso. O papel da DEVIR podia muito bem ter sido exercido pelo ESTADO através de leis de incentivo que beneficiassem o trabalho dele. Alguém aqui questiona que ele é um artista de primeira grandeza??? Independente de vender centenas de milhares de quadrinhos na banca de jornal.

    2- Não há formas de comparar CULTURA com SAUDE, SEGURANÇA, etc. São coisas diferentes e como disse antes existem ministérios e secretarias que cuidam de cada assunto. É a mesma bobagem que falar que o Brasil não devia fazer uma Copa do Mundo aqui pq a saúde está precária, a educação, blablabla. Porra, não misturem as coisas. Temos que cobrar comprometimento do governo com a saude, com a segurança, com a infra-estrutura, com educação E COM CULTURA.

    3- Se a lei da COTA cria asco em tanta gente PORQUE os artistas e editores não se pronunciaram antes, quando podíamos mudar o texto do projeto de lei (estou me incluindo aqui em quem deveria ter se manifestado antes). Agora é tarde para mudar algo. Não temos organização, somos muito separados para discutir qualquer questão. Se outras áreas culturais tão anos luz a frente em questões de incentivo e leis é pq são mais organizados que a gente.

    4- A quem essa lei prejudica? Se a maioria das editoras já cumpre os tais 20%? Se as que não cumprem podem conseguir incentivos para cumprir isso? Se as que já cumprem poderão lançar coisas amparadas em mais apoio? Eu sei que a questão de OBRIGATORIEDADE é mal-vista, eu mesmo (e vou deixar novamente isso registrado) não me sinto a vontade com isso, mas por outro lado é interessante como quando é pro ESTADO soltar GRANA ao estilo do PROAC e outras formas de incentivo todos são a favor, quando é pro ESTADO cobrar COMPROMETIMENTO todos são contra, fere as leis da livre economia. Oras, o fato do ESTADO injetar dinheiro ou apoiar de alguma forma já é uma intervenção do estado na economia, o estado intervêm na economia O TEMPO INTEIRO nas mais diversas áreas.

    5- Se a lei for REALMENTE aprovada, que tal nos unirmos para ter alguma representatividade, não para cobrar os tais 20%, mas para COBRAR esses incentivos e fomento previstos no texto da lei??? O que podemos fazer enquanto classe pra isso??? E digo isso entre artistas e também EDITORES. Isso interessa a todos.

    abraços!

  108. Para refletir

    “Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.”

    Malcolm X

  109. “Ornelas,seja democratico e deixe minhas opinioes em paz”.

    Democraticamente discordo das suas opiniões e da maneira deselegante como vc as expressa.

    “Isso aqui é um debate democratico e ninguem aqui é dono da verdade…”

    Até agora de todas as opiniões publicadas aqui as suas são as que mais se aproximaram disso. É vc que não cansa de repetir que sabe mais que editores, leitores e do que seus próprios colegas.

    “Pegar no meu pé só revela autoritarismo seu.”

    Até agora quem mais “pegou no pé” de outros comentaristas aqui foi vc.

    “Nao esquece que eu SOU quadrinhista e conheco essa situacao na pele minha vida inteira, enquanto vc é advogado e nao quadrinhista.”

    Exatamente por isso comentei sobre o excesso de leis neste país e a inocuidade de grande parte delas. Fiz isso em resposta a sua ingênua colocação no sentido de que “lei é solução, lei resolve”. Não esqueça que eu sou advogado e vc quadrinista. Vale pros dois lados.

    “Faz tua parte que eu faco a minha!Nem o Jota ta me censurando, o senhorito vai querer faze-lo?!?”

    Não merece comentário.

    “PS:Tu ta me criticando, mas tem coisas que vc falou como:“APOIO GOVERNAMENTAL. EDUCAÇÃO QUE VALORIZE A CULTURA NACIONAL.” que eu ja tinha dito 200 vezes ANTES de voce. Ou seja, tu ta me repetindo e me criticando ao mesmo tempo.”

    Posso concordar em vc alguns pontos e discordar em outros. Nosso principal ponto de discórdia, e aliás, não apenas nosso, pelo que li nos comentários, é a forma de incentivar o quadrinho nacional, e não o incentivo em si. Não seja prepotente Baraldi, apoio governamental e educação que valorize a cultura nacional (mas que não a torne uma catequese, quero frisar) não são argumentos seus. Vc não é o primeiro a defender esses postulados e dizer que “eu já tinha dito 200 vezes antes de vc” é um argumentação infantil. Vc quer a exclusividade desse baluarte? Depois que vc escreveu isso aqui eu não posso escrever? É isso?

    Quanto as suas grandes perguntas:

    1-Como garantir que centenas de quadrinhistas vivam apenas de quadrinhos, sem precisarem fazer milhoes de outras coisas pra sobreviver?Com certeza o PROAC nao é suficiente para garantir um salario digno todo mes para tantos profissionais.

    2-Como aumentar esse publico consumidor?Como fazer para que num pais de 200 milhoes de habitantes pelo menos alguns milhares comprem quadrinhos TODO MES ‚garantindo a existencia desses quadrinhos,desses empregos?

    Desculpe desmanchar sua ilusões, mas não existe resposta, nem garantia alguma. É um mercado. Nenhum emprego está garantido (tirando servidor público e mesmo assim isso é relativo) e não acredito que cotas vão resolver, sumamente para aumentar o público consumidor.

    Para fechar, antes de fazer desta lei um cavalo de batalha, penso que a classe dos quadrinistas deveria se organizar melhor. Veja bem, este projeto de lei em debate, houve alguma consulta a entidade de classe? Vcs participaram da elaboração do projeto? Eu realmente não sei, mas se a resposta for NÃO…uma parte importante do processo legislativo se perdeu, e a culpa é toda de vcs, por omissão.

  110. P.S. E devo dizer que concordo com a sua primeira colocação:

    “Otimo debate.Demorou pra acontecer”.

    Realmente, está ótimo.

    Realmente, demorou.

  111. “3– Se a lei da COTA cria asco em tanta gente PORQUE os artistas e editores não se pronunciaram antes, quando podíamos mudar o texto do projeto de lei (estou me incluindo aqui em quem deveria ter se manifestado antes). Agora é tarde para mudar algo. Não temos organização, somos muito separados para discutir qualquer questão. Se outras áreas culturais tão anos luz a frente em questões de incentivo e leis é pq são mais organizados que a gente.”

    Faço coro com o Daniel.

  112. J Daniel

    Percebe-se o quanto você é humilde, não é Baraldi?
    Suas palavras e atitudes só constatam o que escrevi até agora.
    O Ziraldo se dá bem em livrarias e não se deu bem nas bancas. Ok. Deve haver uma explicação. Perguntem para a editora que o publicava. Perguntem para o Ziraldo.
    Se os seus lvros ainda fazem sucesso, isso quer dizer que ele continua sendo um bom autor e é bem lido. Parabéns a ele.
    Agora…
    Por que o Maurício dá certo em banca? Porque a Turma da Luluzinha Jovem dá certo em banca?
    Por que o restante dos autores nacionais que tentam não dá certo em banca? Por que VOCÊ não dá certo em banca?
    A culpa é do universo que conspira contra você? O seu fracasso é culpa do brasileiro, que é ignorante, do leitor, que não sabe ler? É isso? Ah, dá um tempo! Tenho certeza que o Ziraldo não deve pensar assim.
    As novas gerações lêem sim. Façam um levantamento, pesquisem por aí e vejam o quanto o mercado de literatura infantil é forte.
    Percebe-se o quanto subestimam o brasileiro, subestimam o jovem, subestimam as crianças, e os criticam duramente. Desse jeito não vão conseguir criar nunca uma afinidade com eles em suas obras, pois tem preconceitos, rancores, não conseguem entender e falar a linguagem deles e assim passar algo que seja relevante e interessante para eles, que os divirtam. Isso é um problema de mentalidade. Por isso seus projetos de quadrinhos não funcionam em banca e os do Maurício funcionam, os da Luluzinha Jovem funcionam…
    Se o livro é bom e interessante, a editora publica e ele vende. Se o quadrinho é bom e interessante, a editora publica e ele vende.
    Simples assim.

  113. QUESTÃO DE ORDEM
    Este forum e’ aberto a todo mundo. Quadrinhista, editor, leitor, não-leitor, qualquer um pode falar aqui e a gente vai ter que respeitar. Não tem que nascer quadrinhista, nem nada pra escrever aqui. Não tem que dizer a servico de quem esta’. Isso não importa. O que importa e’ a gente clarear os pontos e aprofundar a discussão! Com briga isso não vai rolar!

  114. JAL

    Pelos ótimos debates sobre mercado de HQ nacional já dá pra perceber o quanto esse projeto de lei é importante. Por conta dele está havendo inclusive um debate desenhistas/editores que antes não havia. e isso é o que pode mudar o mercado para melhor para o desenhista brasileiro. Somos visíveis quando por muitos editores não estavamos sendo. E é nesse momento em que estamos bem na fita com os autores brasileiros é que fica bom debater com editores sobre como conquistarmos muito mais que 20% de público. Na verdade não vi ninguém aqui criticar uma lei que diz que as editoras podem publicare 80% de material estarngeiro. Isso já mostra o quanto somos legais com qualquer material vindo de fora, mesmo mais barato do que o nosso, e somos severos conosco mesmo. Vejam o exemplo da Coreia que montou seu mercado interno com base em leis desse tipo. Não sou a favor de cotas, mas esse ítem é que está dominando o debate. Isso não é ruim, nénão? Depois o mais importante é juntarmos força para lutar pela regulamentação da lei que depende mais do executivo do que do legislativo. aí poderemos brigar por incentivos para quem publicar hq nacional. Pensem bem!

  115. JAL

    Acho que discussão que vai para o pessoal e discutindo se alguém vende mais ou vende menos só radicaliza posições e não contribui para o debate mais importante que é o mercado em si. Aliás, nunca vi profissional que mais critica um ao outro do que os desenhistas. Isso na verdade é uma involução nossa e por isso refleto no próprio mercado. Vamos discutir algo maior? Pensem e analisem mais amplamente: DESENHISTA BRASILEIRO DÁ CERTO E VENDE BEM – a prova é de que Mauricio de Sousa bateu o Disney nas bancas por mérito próprio. Sem apoio governamental. Mas ele não deve ser o único a saber viver de HQ ou todos nós estamos assinando em baixo de que não temos competência para tal.
    Vejam que ele ficou 18 anos na Editora Abril vendendo bem. Ficou 20 anos na editora Globo e vendeu mais ainda. Agora está há poucos anos na Panini e vende mais ainda. Turma da Mônica Jovem virou case para quem dizia que hq(no geral) estava em queda porque crianças estavam migrando para os games, aparelhos eletrônicos e deixando de ler impressos. Vende cerca de 400 a 500 mil exemplares mensais só da Turma da Mônica Jovem. Agora vejam o que aconteceu com o departamento de quadrinhos da Abril e da Globo após a saída do Mauricio. Analisem cacilda!
    Vejo desenhistas criticando o lado comercial do Mauricio. Preferem isso do que ver o lado bom para o quadrinho nacional. Hoje temos esse sucesso para esfregar na cara de editores que não querem publicar hq brasileira por terem que pagar mais por isso do que publicar um Garfield que vem quase de graça. Existe um duping ao contrário nesse país. Quem não vê isso está parado na visão de mercado. Como mudar isso? Bem, a lei ajuda a discutir. ela pode pegar ou não, mas o valor é lewvar essa discussão de uma forma mais efetiva do que essa briga de gato e rato entre editores e desenhistas. Editor quer ganhar dinheiro e desenhista quer viver de seu trabalho. Para isso dar certo é evidente que tem que se ganhar leitores. Muito bem, não fosse Mauricio de Sousa, Ziraldo, Cedraz, Moacir Torres e outros heróis que ficam no mercado batalhando os quadrinhos infantis, por exemplo, estaríamos contentes em dizer que 100% do mercado é de material esterno? Para ganhar leitores é preciso investimento. para isso o governo deve incentivar dando uma contrapartida para um mínimo de cota nacional. Tudo o que é obrigatório é ruim para o mercado? Sim, pero nom mucho já que existe protecionismo em todos os países. Por lei ou por corporativismo de sindicates, por exemplo. Depois a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados chamou as duas partes para conversar sobre a lei. Agiram certo. Quem está interessado nessa discussão vai e coloca suas razões para que se chegue num acordo entre as partes. Todos concordam aqui com os parâmetros estabelecidos pelas editoras como critério do que deve ser publicado ou não para o público? Ou se os desenhistas ajudassem a melhorar esse mercado com diálogo com editores podertia ser mais justo e positivo? Muito bem, esse projeto de lei propõe isso. O legislativo tem que estar atento a isso já que existem leis para proteger o cinema nacional e outras atividades culturais do Brasil. cumpriram o que deve ser cumprido. Colcoram em discussão. Falaram com as entidades. Agora é com a gente! Vamos parar de choramingos e aproveitar isso para uma verdadeira evolução da discussão de mercado? Vamos nos maltratar menos e nos unir para lutar pelo que devemos sempre lutar? Existe uma lei de mercado da oferta e da procura. Mas existem investimentos que dimensionam o mercado. Como crianças ainda compram livros do Harry Poter para ler? Há investimentos no marketing. Um filme americano que tem orçamento de 100 milhões de dólares, metade é só para marketing. Sabiam disso? Aí vem o filme dos vampiros e ganha um público de imediato. Aí se a TV globo aproveita leis de incentivos para produzir cinema brasileiro tem gente que critica. Até quando vamos estar apenas do lado do poder econômico instalado ao invés de encontrar brechas para um mínimo de novos autores nacionais? Errado dizer que o mercado é só dimensionado pelo público. Os meios de comunicação indicam o que vão consumir por conta dos investimentos em anúncios e marketing. Só que nós nunca teremos algo assim se não brigarmos por isso. Portanto: havendo financiamento para nossoa ótima produção brasileira de HQ teremos um retorno evidente. Para que isso aconteça é preciso dividir entre poder público que defenda nosso mercado em conjunto com o poder privado. Não é isso que a lei busca? Será que os 20% de obirgatoriedade é tão ruim assim? Pois é com essa obrigatoriedade que podemos depois brigar com o executivo para que tenhamos a contrapartida de investimentos. Até os representantes dos editores entenderam isso na reunião de sampa com o relator do projeto deputado Rui Costa. Se é bom para as duas partes, é a primeira vez que isso acontece em noso mercado. nunca antes tivemos uma cordo entre a produção nacional e os editores e agora caminha para isso. Vamos então discutir o que pode vir depois dessa lei aprovada?

  116. JAL

    Só completando. O texto da lei será mudado conforme já pedimos ao relator em conjunto. O Daniel Esteves e o Mauricio Muniz estavam jutno e viram que inclusive os editores pedem para que se visione a parte digital para esse texto, o que havia escapado de nós. Levantaram que o governo ainda cobra ICMS de produtos digitais na área e isso encarece demais o produto final.
    Logo que a relatoria nos passar o novo texto com as mudanças pedidas vamos divulgar o máximo possível. Esse projeto, depois de aprovado na Comissão ( não em plenário) vai para as lideranças no Senado para aprovação e envio ( sem plenário) para a presidente Dilma aprovar ou vetar. Portanto a lei vai sair mesmo dessa vez. Cada vez que sai uma lei sobre nossa área quer dizer que existimos. Somos pauta. Criamos um ponto para brigar por outros ítens no Congresso como a lei de direitos autorais, por exemplo. Portanto esse projeto de lei é importante sim.

  117. JAL

    Puts! Fora os erros de digitação o “material externo” com “s” no externo é dose!
    Rsssss

  118. Na boa, nao sei como alguém pode ser contra esse projeto de Lei. O Gabriel Bá ainda teve a ousadia de dizer que quem começa tem mesmo é que ficar sem editora, ser independente e depois afirmou que as melhores publicaçãoes estão agora nos independentes! Eu realmente não consigo entender. Ok, ter editora não é exatamente o sonho de um autor. Mas viver do seu trabalho é. E não tem nada de errado numa lei que incetive isso, pela santa hóstia consagrada.

  119. Agora todo mundo achando ruim. Quando começarem os prêmios do Ministério da Cultura, espero que continuem achando ruim tbm, preu concorrer sozinha. Seus cabeções.

  120. Eu sou contra essa Lei. Após ler todas as opiniões e o corpo da lei, não mudei minha opinião.

    Como o Callari bem falou, isso tira das costas do governo a responsabilidade que o mesmo deveria ter com o mercado nacional.

    Porque existem mais títulos gringos nas prateleiras?

    Simples: São mais baratos de produzir e tem um marketing pronto e poderoso.

    O que poderia ser feito era:

    1 – Diminuir os impostos sobre a produção de fato nacional;

    2 – Melhorar a distribuição desses produtos, para que TODO país venha a consumí-lo.

    3 – Regulamentar a profissão de quadrinista com um salário piso e todos os seus direitos.

    4 – Investir no marketing do produto nacional

    Essa lei pode vir a inundar o mercado com produtos de má qualidade. Sendo assim o interesse pela mídia só vai cair. Outra falha grande é virar as costas para o mercado digital, isso só mostra o quanto a lei é ultrapassada.

    Outra coisa ruim é definir que “nacional” só são temas relacionados a cultura brasileira. Isso vai contra a liberdade criativa do autor.

    Fora que eu sou completamente contra qualquer tipo de cotas em qualquer esfera da sociedade.

  121. Marcio Baraldi

    Nao tem briga nenhuma aqui, Bira.Debate é assim mesmo, sempre foi.Vamos fazer uma coisa pra deixar a situacao mais clara por aqui?Eu conheço TODOS os quadrinhistas e profissionais do ramo que estao aqui e todos eles me conhecem tambem.Ja debatemos esse assunto em zilhoes de outras oportunidades anteriores.Mas tem gente aqui que eu NUNCA ouvi falar e essa pessoas DEVEM se apresentar pra todo mundo aqui,é uma questao de respeito com a gente!Esse negocio da gente ficar discutindo com quem a gente nem sabe quem é, qual é a do fulano, é meio dificil mesmo.Eu queria saber quem é o J Daniel e o que ele tem a ver com o mercado de HQ nacional.O mesmo digo pro Ornelas.Queria saber o que um advogado (se é que é mesmo) esta fazendo aqui num debate onde 99% sao profissionais de quadrinhos e ja se conhecem ha tempos?Por gentileza, nao tomem isso como grosseria, apenas considero que o certo é se apresentarem e dizerem quem sao voces e qual seu interesse nessa questao,ja que eu e outros aqui nunca conversamos com vcs antes na vida. Da maneira como entraram na conversa , e pelos argumentos que defendem,nao me faltam suspeitas de que sejam olheiros de editora.

  122. Marcio Baraldi

    J Daniel, leia o texto do JAL e vc vai entender por que Eu, Bira, cedraz, Zalla, Ziraldo, etc, nao estamos nas bancas.Nao e porque somos fracassados , mas porque nao temos alguns milhoes pra gastar com marketing.Voce acha que profissionais que estao a vida inteira vivendo de ilustracao (nao apenas quadrinho autoral) no Brasil sao fracassados?Mas,deixa pra la, eu nao me surpreendo mais com vc, nao.Desde que vc chegou o seu discurso é esse:”todo quadrinhista brasileiro é fracassado”.Os quadrinhistas aqui do debate devem adorar voce.

  123. Vamos lá: os profissionais (editores, autores, jornalistas, dirigentes) podem, preferencialmente, mandar o depoimento via e-mail para eu incluir na postagem. Os Comentários são, claro, um espaço também para estes profissionais, mas aberto a todos os leitores ou interessados no assunto. Não é necessário ser “do meio” ou se credenciar para comentar, ok?

  124. O Jal foi abrangente, explicativo e claro, principalmente no que tange as questões tecnicas entre executivo e legislativo. Não esgotou os assuntos, mas avancou bem. Os erros de digitacão são “de menos”. OK, Baraldi, cada um se apresentar e’ legal, mas não e’ o principal. E mesmo a gente (falo por mim, que sou menos conhecido) pode ser desconhecido de varios leitores. Então segue ai’ minha ficha (acho que não tenho passagem pelo DOPS, mas vai saber ne’?):

    Tenho 48 anos, em vias dos 49. Sou de Sampa. Moro em Campinas.
    Sou chargista sindical (Sinergia, Sindipetro-SP, FUP e NF e Sindae), fui assistente do Eduardo Vetillo, fui desenhista dOs Trapalhões da Bloch (1979 a 82), fui chargista do Sindicato dos Quimicos SP. Sou caricaturista do Blog TEX (de Portugal), ilustrador da Rigesa, Eaton, Unimed e Caterpillar, fiz a biografia do Lula em Quadrinhos (gibi da Campanha em que ele venceu a primeira vez), membro da AQC (Associacão dos Quadrinhistas e Caricaturistas SP) e do 4Mundo (Coletivo de Quadrinhos), quadrinizei Memorias de um sargento de Milicias, D.Quixote e O Ateneu (Escala Educacional), estou comecando A Iliada. Estive duas vezes na Coreia, a convite da Associacão de Cartunistas de la’ para falar do mercado de Quadrinhos brasileiro.

  125. Meu nome é André Augusto do Prado Ornelas, tenho 33 anos e sou entusiasta das histórias em quadrinhos. Leitor desde os 11/12 e colecionador desde os 16 anos, sou membro do Clube de Leitura da Gibiteca Antônio Gobbo em Belo Horizonte. Acompanho notícias, colunas, matérias e debates sobre o tema desde o surgimento dos primeiros sites (Área 51, UHQ, etc). Antes disso acompanhava notícias nos jornais e nos periódicos especializados. frequento eventos desde a Terceira BHQ de Belo Horizonte em 1997. Sou colaborador dos sites http://www.pipocaenanquim.com.br e http://www.area171.com.br e costumo assinar minhas publicações como “Marshall”, inclusive comentários, tendo optado não o fazer nesta ocasião. Sou a favor do incentivo aos quadrinhos nacionais, e contra sistemas de cotas, posições que entendo compatíveis. Mesmo discordando da lei em si, por entendê-la ilusória e ineficaz, concordo com o Jal que algo de positivo já surgiu: Os quadrinhos nacionais estão em pauta, os profissionais estão fazendo barulho e alguns leitores, creio que ainda pouco, estão ouvindo e repercutindo. O mercado de quadrinhos no Brasil sempre foi objeto de acaloradas debates, porém ocorridos nas alcovas. Já estava mesmo na hora de aumentar as proporções. Não tenho ligações com editoras.

  126. Marcio Baraldi

    Ta, Ornelas.Melhorou.Entrei la no Pipoca e vi seu texto da Mulher Gato, so achei aquele no site, mas ta bom.
    Ja deu pra ter uma ideia melhor sobre vc.

  127. Marcio Baraldi

    Desenvolvendo o que o JAL falou sobre marketing:Um quadrinhista colocar gibi nas bancas hoje é o mesmo que um musico tentar tocar suas musicas nas radios.Precisa ter uma VERBA violenta por tras!O musico precisa pagar milhoes de jaba pra ficar conhecido e o quadrinhista precisa ter um esquema de divulgacao carissimo tambem.Entao, do jeito que esta o esquema hoje fica inviavel para QUALQUER quadrinhista!A gente conhece casos de varios colegas que perderam tudo com essas dividas :carros, casa, etc.O esquema de hoje quebra o cara em pouco tempo!Tudo que o cara investiu no produto dele desaba!É preciso um novo esquema pra se trabalhar , e penso que uma lei e a organizacao da categoria via ACB pode criar uma estrutura melhor para se construir um mercado encima.

  128. Em defesa do Baraldi.
    J. Daniel, o Baraldi não e’ fracassado, o cara criou uma editora que co-edita seus livros que esgotam todo ano. E não tem edicoes de mil dois mil exemplares. O cara ganhou disco de ouro por vender sei la’ quantos mil CDs do game Rocko Loko em banca. Eu chamo o Baraldi de Silvio Santos dos Quadrinhos, pois onde ele coloca a mão, da’ certo (deve ser milagreiro, o cara). Tem gente que compra a MAD so’ pra ver o trabalho dele. Um dia eu fui na banca e esse cara tinha tiras e paginas de Quadrinhos em 7 (ou mais) revistas diferentes. Rock, punk, tatoo, espiritismo, Ovni, tudo!!!!!!! O cara podia estar em casa trampando e ganhando dinheiro (que ele sabe bem ganhar), mas est’a aqui lutando por um ideal, pra me;lhorar o mercado pra todo mundo. O mercado do Baraldi ele ja’ ganhou faz tempo. Entra no site dele pra ver quem escreve la’ dando os parabens pela producao monumental. Agora parece que vc nao leu o link da materia que eu postei sobre leitura no Brasil. Brasileiro le um livro por ano. Estudante tem preguica de ler. Isso nao e’ preconceito, critica, nem nada. E’ fato! Eu realmente nao sei em que pais vc vive.

    Ornellas, valeu por se apresentar, cara. J’a li muita coisa sua pela web.
    Bracao!

  129. Marcio Baraldi

    Eu queria que mais colegas respondessem estas duas questoes, que pra mim sao os pontos-chave no nosso mercado atual:

    1-Como garantir que centenas de quadrinhistas vivam apenas de quadrinhos, sem precisarem fazer milhoes de outras coisas pra sobreviver?Com certeza o PROAC nao é suficiente para garantir um salario digno todo mes para tantos profissionais.

    2-Como aumentar esse publico consumidor?Como fazer para que num pais de 200 milhoes de habitantes pelo menos alguns milhares comprem quadrinhos TODO MES ‚garantindo a existencia desses quadrinhos,desses empregos?

    Quem se habilita?

  130. Marcio Baraldi

    JAL, seu texto foi realmente muito bom e reitero o que ja havia lhe dito outras vezes:a ACB precisa ganhar forca e se tornar mais presente na vida da categoria.Alias, ela precisa ter estrutura para organizar e mobilizar a categoria de forma permanente.Com o tempo vc precisa propor maneiras disso ocorrer( se a categoria deve sustentar financeiramente a entidade,etc).
    Como quadrinhista, quero lhe cumprimentar por sua paciencia e perseveranca frente a uma batalha que vc ja enfrenta ha trinta anos.Uma batalha que vem desde os anos 60, mas que, apos a ditadura, foi retomada nos anos 80 por vc, Maringoni, Worney, Franco,Gualberto e outros mais.Agradeço em meu nome (e de quem mais o permitir) por vc nao ter desistido nesse tempo todo.Pra encerrar desejo a voce um Feliz Aniversario ligeiramente atrasado(risos)!
    Abracos.

  131. Marcio Baraldi

    Bira, faltou vc dizer que o Baraldi é um gato!

  132. J Daniel

    Bira, minha análise sobre o Baraldi foi de acordo com as palavras e o comportamento dele aqui no debate.
    Exaltado, veio com ofensas, demonstrou infantilidade e tentou desqualificar os outros só porque não concorda com as opiniões contrárias da dele. Desmonstrou ser preconceituoso, e, claramente frustrado, botou culpa em tudo e em todos pelo fracasso do quadrinho nacional. Não concordo com nada do que ele escreveu até agora. Ele choraminga muito. Simplesmente isso. O que eu posso fazer?
    O que abordei nas últimas postagens foi a questão dos quadrinhos de banca.
    Reafirmo que não concordo com essa postura de alguns de vocês de reclamarem e botarem culpa no brasileiro, botar culpa nos jovens, botar culpa na nova geração… eu acho que uma auto-crítica faria muito bem para vocês também, sabe?

    E reafirmo: eu não acho que TODOS os autores nacionais são fracassados e incompetentes. E nem escrevi isso. É só reler o que escrevi até agora. Só que o Baraldi, por exemplo, não entende. Ele vê tudo deturpado. Vou largar mão dele porque não adianta… não vou ficar repetindo sempre tudo de novo.

    E tem mais. Não faço parte de nenhuma turma, de nenhuma panela e de nenhuma patotinha. Não me importo se certas pessoas não sabem quem eu sou. Vim aqui para debater.
    Mas vou me apresentar…

  133. J Daniel

    Meu nome é João Daniel, tenho 34 anos, e sou amante dos quadrinhos desde os 7 anos.
    Fui radialista e produtor de rádio por 8 anos e trabalho há 10 anos com desenvolvimento de projetos para a internet.
    Tenho interesse de entrar no mercado de quadrinhos.
    Desenvolvo um projeto, em fase inicial, de uma editora de quadrinhos digitais (webcomics) para publicações de diversas obras em vários idiomas.
    Desenvolvo na minha área, com estudo da tecnologia atual, uma ferramenta de leitura de quadrinhos para várias plataformas e aparelhos eletrônicos (pc/notebook, tablets e smartphones), que tenha leitura fácil, confortável e dinâmica, sem perder a experiência da narrativa tradicional, e que possa ser comercializada digitalmente ao mesmo tempo para vários países.

  134. Marcio Baraldi

    Opa!Aposto que a JD Productions vai ganhar mais dinheiro que todo mundo aqui, ne? Vamos esperar pra ver…

  135. J Daniel

    Obrigado pela torcida, Baraldi. Fico comovido.
    Mesmo se eu não ganhar mais dinheiro que todo mundo junto, eu te mando um cartão de Natal bem bonito, não se preocupe.

  136. É muito legal ver o Márcio Baraldi, que é um cara que publica regularmente e está a favor da Lei. Denota personalidade e carater, parabéns por estar junto de nós, autores independentes, nessa luta. Quem está contra a lei tem medo de ver se perder seus privilégios, seja porque possuem fama, seja porque produzem quadrinhos impopulares. Só publicam porque fazem parte dessa panela “moderninha” que só produz HQs chatas pseudo-intelectuais, que só interessam para eles mesmos. É importante também o que o Samicler falou, de nada adiantará a Lei ser aprovada se os beneficiados forem os mesmos que estão contra ela, que são contra pelos motivos que citei acima.

  137. Rod sabe que tem todo meu respeito, mas não concordo com esse tipo de rótulo. Se é que alguns autores hoje têm “privilégio” ou fama, entendo que foram conquistadas com a qualidade de seu trabalho e não por fazer parte de panelinhas ou bancarem os pseudointelectuais. Se fossem HQs impopulares, não venderiam. Apenas como exemplo – e não estou dizendo que Rod se referiu a eles – Bando de Dois e Daytripper vão para a terceira impressão.

  138. Obrigar um veículo de imprensa a publicar algo que não faz parte da sua linha eu acho inaceitável, sejam quadrinhos, sejam clássicos, sejam receitas de bolo. Imagine uma editora estrangeira que pretenda abrir uma filial no Brasil com o único objetivo de publicar quadrinhos do país dela, uma editora japonesa, por exemplo. Qual é a lógica dela ser obrigada a publicar 20% de material brasileiro? Ao meu ver, isso é retrógrado e impositivo. Sou a favor de todos os incentivos possíveis, mas determinar o que alguém vai publicar ou deixar de publicar é foda.

  139. Marcio Baraldi

    Olha o ROD aeeeeeee!!!! O Maluco-Beleza da HQ nacional!!!Bemvindo,figura!

  140. Marcio Baraldi

    Oba! Ja faturei um cartao de natal!Pra mim o debate ta rendendo.

  141. alexandre

    Eu sou apenas leitor, não sei desenhar uma linha reta, mas sou a favor da lei de cotas por tudo que pude acompanhar desse debate aqui.
    Os profissionais brasileiros merecem espaço e respeito. Tem muito título e autor bom que publica de maneira independente que chega a ser um pecado não estarem sendo decentemente distribuídos nas bancas do país. A bem da verdade, nem os heróis gringos estão sendo bem distribuídos, mas aí é azar deles, que decaíram muito em qualidade e o leitor que não é besta parou de ler. Acho que quem é contra a lei é porque não compreendeu direito a sua finalidade, ou então porque trabalha numa editora ou pro Mauricio de Sousa e tá com medo da concorrência que vai ter caso a lei vigore e dê espaços pra outros autores brasileiros.

  142. alexandre

    Também acho engraçado algumas colocações aqui como “se aprovarem a lei a qualidade dos quadrinhos vai cair porque as editoras vão publicar qualquer coisa pra cobrir a cota”.

    Ora caraminholas, que papo mais besta é esse? Por que essa preocupação com a qualidade? Quem diz isso é o editor ou o leitor? Pergunto, pois o leitor não vai ser obrigado a comprar nada, e posso te garantir que o editor, por sua vez, vai ter um monte de opções pra escolher o que publicar, muito mais do que hoje.

    E quando essas pessoas se pegam nisso, fica parecendo que tudo que é publicado hoje é da mais fina qualidade, e até arrotam por aí que “fulano ganhou até prêmio”, mesmo não vendendo nada. Quem me garante que a Turma jovem é de alta qualidade? Eu por exemplo acho ruim.

    Mas entendo que tem bom marketing, ótima distribuição e um padrão de produção com a marca de um cara de sucesso, e que satisfaz um público fiel. Isso pode muito bem acontecer com os Baraldis, Biras, Moons, Samicleres, Guedes, Beirutes, Ziraldos da vida caso tenham as mesmas oportunidades do criador da dentuça.

  143. Grande JAL e companheiros, não se preocupem quanto a pequenos erros de digitação, é normal. Infelizmente nosso sistema não permite edição após publicar, mas todos sabemos que estamos debatendo um tema importante e não fazendo redação pra Vestibular ;)

    Preciso fazer um contraponto, saindo um pouquinho de HQs.

    J Daniel disse: “Brasileiro lê bastante sim. Todas as camadas sociais lêem. Tem esse hábito. Livro vende que é uma beleza no Brasil. As editoras estão faturando muito.”

    Me desculpe mas eu preciso retificar o que tu falou.
    Sobre vendas de quadrinhos, eu não vou me meter, até pq é outro tabu nacional, mas dizer que livro vende bem no Brasil, não é verdade, absolutamente.

    Eu acompanho, o mercado livreiro de perto há pelo menos quatro anos. Os últimos cursos que fiz foram todos ligados ao mercado livreiro. Eu não se de onde tu tirou essa.
    Livro no Brasil vende pouco, muito menos do que os editores gostariam. São vendas que beiram o rídulo em termos absolutos. Quem mantem o mercado livreiro é o Governo, o maior comprador de livros do pais.
    Resumidamente, o que acontece de bom aos livros são:

    – Há uma “melhora significativa” nas vendas por conta de ações do governo (veja só!) que datam desde o segundo govervo FHC e foram ampliadas no governo Lula.

    – A situação geral (financeira) do país melhorou e isso, aliado ao fator de que as classes mais pobres entendem o estudo como uma oportunidade de crescimento social, fez com os livros vendendessem “melhor”.
    Eu tive a chance de conversar longamente sobre esse tema com o ex-Ministro da Cultura do segundo Governo FHC e os números na ocasião eram animadores mas muito, muito aquém do que o mercado livreiro (Editoras) sonha.
    então por favor, livros não vendem bem no Brasil. O mercado está batalhando, está lançando material de quadlidade em todos a frentes, para todos os públicos, mas, tudo está muito aquém do que deveria ser.
    Só pra constar. Segue o bonde. ;)

  144. J Daniel

    Vejam essa matéria:

    http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2011/10/vendas-porta-porta-ganham-espaco-no-mercado-de-livros-no-pais.html

    (…)

    “Brasileiro lê em média 4 livros por ano
    Para Karine Pansa, presidente CBL, o potencial de crescimento do segmento ainda é enorme. “Há partes do país que ainda não foram atingidas e o brasileiro ainda lê pouco, principalmente se comparado aos Estados Unidos e Europa. Aqui a média é de 4,3 livros por ano por habitante, ao passo que lá fora esse número chega a 8″, afirma.”

    Então melhorou. O Bira escreveu que era só 1 livro em média por brasileiro.

    O mercado editorial vem crescendo ano a ano. Claro que ainda não é o ideal, mas está crescendo:

    “Mercado editorial cresce 8,12%”

    http://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/noticias/2011/08/17/20110816Mercado-editorial-cresce-8-12-por-cento.html

    Então o cenário não é tão tenebroso como vocês pensam. Brasileiro lê e compra livro cada vez mais.

  145. Marcio Baraldi

    Aeeee,Alexandre!Nao te conheco mas voce mandou MUITO BEM! Acrescentou MUITO!Vc falou como leitor mas entendeu muito bem o lado do quadrinhista e a situacao atual do mercado.Parabens e seja bemvindo! Lucidez e bom-senso sao SEMPRE bemvindos.

  146. Marcio Baraldi

    O Brasil ta vivendo um momento geral OTIMO! Todo mundo tem emprego ,a economia ta estavel e solida,a producao de carros e outros produtos ta bombando.Temos uma moral INEDITA no exrterior,tamos ate emprestando dinheiro pro FMI ,quem diria?! O que ta faltando URGENTE agora é investimento na EDUCAÇAO E CULTURA!O governo precisa melhorar URGENTE o nivel das escolas publicas e educar o povo a consumir sua propria cultura, seja em filmes, animacoes, HQs, musica,etc.Hoje em dia quem “EDUCA” as novas geracoes é a MIDIA! As TVs, radios e Editoras jogam o que querem encima da molecada e eles, logico, vao consumindo aquilo que lhes derem.Na maioria das vezes é LIXO:novelas,malhacao,Restart, Justin Biba, Britney Spirro,funk carioca,BBB, A Fazenda, reality-shows,etc.Isso está (de)formando toda uma geração que mal sabe ler e escrever.É preciso uma politica federal-estadual-municipal URGENTE para RECUPERAR o nivel das escolas publicas e REGULAMENTAR o papel da midia no Brasil!!!Pode passar pornografia na TV?Pode ter violencia ilimitada?Pode tocar palavrao no radio?Tudo na vida tem LIMITES e é preciso defini-los.Eu entendo que isso só se faz com LEIS.Apoio integralmente uma ou varias leis que regulamente a midia no Brasil e faca-a valorizar a cultura brasileira de QUALIDADE,seja na musica, TV, cinema, HQs, etc.

  147. J Daniel, por favor, não fale do que tu não sabe. E citar a CBL é uma meia verdade, porque de fato as vendas melhoraram sim, mas está muito, muito aquém do ideal.
    E ninguém da CBL vai falar que está ruim, até porque se cresce em vendas, não é para ser ruim. O problema é que cresce muito pouco, quando não decresce.
    Tanto que os editores vivem discutindo o porquê se publica tanto em termos absolutos no Brasil e se vende tão pouco. Outra coisa: São Paulo é uma ilha perto do restante do país. Só pra ter uma ideia o estado de São Paulo responde por 38% do total de livros comercializados no país. (fonte: IBOPE Inteligência).

    Agora, se tu acha que tiragens de 5 ou 10 mil são ótimas comparando com o grosso da população alfabetizada no país, ou vender 20 mil exemplares é muita coisa, não tenho mais o que te dizer, só largar mão. Tem um resumo adequado aqui: >> http://grem.io/RS4 << Para quem não entende ou não tem paciência, essa frase resume: - "Segundo a pesquisa anual realizada pela Fipe, o setor teve crescimento real de 2,63% (já descontada a inflação pelo IPCA) em 2010. O que me chamou a atenção foi que, desconsideradas as compras feitas pelo governo (e também a inflação), houve decréscimo de 2,25% no setor." Fazendo um paralelo, me parece um pouco aquela história de achar que o mercado de quadrinhos está bombando porque está cheio de lançamentos, mas na verdade é um mercado artificial, que produz muito em tiragens nanicas, e que no final servem para se pagar e lançar o próximo encadernado, tb em pequenas tiragens. Não dá pra se ufanar de um povo que deixou de ler 1,8 livros por ano para supostos 4,7 por ano, todos os analistas, educadores e principalmente editores, que comercializam e vivem do livro concordam: é muito pouco.

  148. Marcio Baraldi

    Pegando gancho nesse lance de livro e complementendo o que eu falei.Devido a escolaridade ruim e a força cada vez maior das novas midias digitais, as novas geracoes sao AUDIO-VISUAIS!Elas nao sabem mais ler um livro de 300 paginas, elas so querem imagens em movimento:internet, TV,etc.Da menos trabalho, nao é preciso ler nada , nao desenvolve a leitura nem o raciocinio critico.Por isso que essa molecada de hoje escreve TAO MAL, nao sabem o portugues correto, so sabem o internetes!Todo mundo sabe que a galera ta chegando nas faculdades semi-analfabeta.Quem é professor aqui vai confirmar isso.A “aprovaçao automatica” dos governos do PSDB em SP ha 15 anos passam a molecada de ano eles tendo aprendido ou nao.A ordem é passar todo mundo de ano e SE LIVRAR desses moleques logo!Por isso saem todos semi-analfabetos.Sem falar na violencia que tomou conta das escolas:traficantes, moleques armados,professores e diretores ameacados de morte, etc. Pra curar essa doença terrivel o jeito é UMA REFORMA Total na educacao!Melhorar aformaçao e salario dos professores e diretores.Equipar melhor as escolas,acabar com a aprovacao automatica ,SUBIR o nivel do ensino publico,usar GIBIS nas escolas desde a primeira serie, como material paradidatico e pra incentivar a leitura.Ensinar o povo a LER e a escrever fluentemente!Ensinar a GOSTAR DE LER!tanto livros como quadrinhos! Se isso acontecesse nos teriamos 200 milhoes de cidadaos interessados e habituados a comprar livros e quadrinhos.É isso que falta! Sem uma BOA educacao publica, nao ha leitores nem de livros, nem de quadrinhos!

  149. Concordo com o Baraldi: a salvação para todos é fomentar a leitura e melhorar a qualidade do ensino público fundamental. Eu não sou político, nem editor, mas faço meu trabalho de formiguinha, messiânico, começando por minhas filhas que são duas leitoras de quadrinhos/ mangás e livros.

    Recomendo e indico sempre, em todas as datas, compra de livros e gibis.

    Por fim, queria indicar a todos os interessados que eventualmente não conheçam os dados oficiais do Instituto Pró-Livro.
    ( http://www.prolivro.org.br/ipl/publier4.0/dados/anexos/48.pdf )
    E antes que alguém reclame que é uma pesquisa “antiga” lembro que há um relatório mais recente em versão impressa.
    Fui! Tomar cerveeeeja Biiiiraaaaa!!! :)

    PS: Jota, um mea culpa: esse script que coloca os links citados aqui em preto com fundo preto.. vou te falar que coisa chata. Vamos falar com o Paulo.

  150. Respondendo ao meu parceiro Társis: não concordo que o atual mercado de HQs brasileiras seja artificial. As tiragens são pequenas, é verdade, mas significativas tendo em vista nosso mercado – em que, como vc mesmo diz, quase não se lê. Vejo isso como o início de uma retomada, um crescimento consistente, sustentado e, mais importante, espontâneo. O livro Memórias do Clube da Esquina, do Laudo e Omar, foi o mais quadrinho mais vendido do ano na Livraria da Folha – superando, veja vc, Sandman!

  151. Jota, uma coisa não exclui outra.
    Sim, de fato é bom. Só que não temos um puuuuuta mercado.
    É artificial no sentido de ser minúsculo perto do que poderia/deveria.
    É o início de uma retomada, apenas um bom começo. Que vale lembrar, essa retomada é fudamentada em ações que já somam pelo menos 2 presidentes e 12 anos de acertos e ajustes em ações públicas. Não foi de um dia para o outro é bom que se lembre!
    Mas nem de longe essa retomada é motivo de ufanismo, ou razão para soltar rojão!
    O mercado pode crescer mais e precisa. Não apenas para ajudar editores e profissionais/artistas, mas pelo próprio bem do país.
    A leitura ainda é uma forma de entretenimento que supera todas em qualidade, inclusive os games, que como todos sabem, sou mais do que defensor.

  152. Marcio Baraldi

    Gostei dessa frase do Tarsis:

    “… pelo próprio bem do país!”

    Ou a educacao melhora e o povo aprende a gostar de ler ou a gente ta perdido!As pessoas hoje em dia tem dinheiro no bolso e saem gastando com carros, financiamentos, roupas,baladas, cervejas(nada pessoal Tarsis e Bira).Mas , a meu ver, nao se preocupam muito com O QUE estao consumindo,sobretudo CULTURALMENTE.A ordem é CONSUMIR!Se DIVERTIR!GASTAR!…

    “A leitura ainda é uma forma de entretenimento que supera todas em qualidade, inclusive os games, que como todos sabem, sou mais do que defensor.”

    A leitura é mais que entretenimente.É cultura e EDUCAÇÂO!Porisso é TAO fundamental pra uma nacao consciente e civilizada.

    • Baraldi, no cenário atual do país, não adianta pensar em leitura (livros e quadrinhos) somente nesse sentido.
      Precisamos expandir o mercado e ajudar os editores. Não é disso que trata essa lei? Como já foi amplamente repetido aqui, quem manda é o leitor. Uma vez que há opções o leitor decide o que quer consumir. Acho que o primeiro ponto para começar seria: formar leitores, aumentar as opções de leitura fomentando o mercado. Se vai ser via governo, via cota, vida milagre, via produto… ai não é comigo. :P

  153. Reli vários comentários partindo do último e fiz uma constatação que entendo digna de nota. Os comentários contrários ao projeto de lei estão minguando. O debate agora me parece muito menos voltado para o modelo prós/contras, caminhando para o unilateralismo. Ser contra o projeto não é ser contra o profissional brasileiro nem contra o quadrinho nacional. Ser contra é acreditar que a solução proposta é falaciosa, inócua ou até mesmo perniciosa. Posso estar equivocado, mas me parece que o pessoal do contra não está se sentindo muito a vontade pra comentar, talvez por querer evitar indisposições, talvez por indisposição, enfim, é uma pena.
    Como antecipei, não tenho ligação com editoras ou qualquer experiência no ramo, por isso gostaria de esclarecer um ponto.
    O editor tem um orçamento, um planejamento a observar. Ele pode não querer/poder gastar mais com os álbuns nacionais que está obrigado a publicar do que gastaria com os álbuns estrangeiros. É evidente que a atividade é de risco e sempre vai haver materiais que vendem bem e os que encalham. Mas e se o prejuízo vier dos materiais publicados por imposição legal, para preencher a cota, como fica? A obrigatoriedade vai esta lá no mês que vem.

    Em suma: minha preocupação é que algumas editoras não aguentem, pois a lei não faz distinção entre grandes e pequenas, nem prevê qualquer apoio em contrapartida das cotas. Objeto de regulamentação talvez? Fica a dúvida.

  154. J Daniel

    Uai, Társis.

    Você rodou, rodou, rodou e no fim concordou comigo, pois eu escrevi “O mercado editorial vem crescendo ano a ano. Claro que ainda não é o ideal, mas está crescendo”.

    Não sei porque veio com o “por favor, não fale do que tu não sabe”.

    Cada uma…

  155. Sua constatação é válida, Ornelas. Curiosamente, na postagem há mais pessoas contra o projeto. Talvez as a favor sejam mais participativas, vai saber. Pessoalmente, não vejo muita necessidade de repetir aqui nos comentários o que deixei claro na postagem. Sou contra por uma questão de princípio: acho temerário quando o Estado intervém na atividade da iniciativa privada. Nenhum argumento aqui foi capaz de mudar esta posição. Abs

  156. Marcio Baraldi

    Na minha opiniao a lei das cotas em si é otima pra nós quadrinhistas.Não tenho a menor duvida!Nossa intencao é que ela expanda o mercado , nao que traga prejuizos para ninguem.Como toda lei nova ela vai precisar de um tempo ate o mercado se adaptar a ela e a gente ver o que acontece. O quanto se produzira, o quanto se vendera, o quanto encalhara, o quanto se lucrara.Enfim, acredito que sera na pratica que a gente vai ver o que ta dando certo e o que nao. E nada impede que outras leis ou emendas surjam depois pra resolver possiveis problemas.Essa é uma lei de apoio aos quadrinhistas e a producao cultural nacional, mas podem surgir, se necessario, leis complementares de apoio as editoras tambem, como diminuicao de impostos e outros incentivos.Oras,nesse pais o governo ajuda ate banqueiros, por que nao pode ajudar editores? O que vai acontecer é que terao que sentar numa mesa governo, editoras e quadrinhistas para discutir as necessidades de cada um, um acordo para se criar conjuntamente um Mercado solido e duradouro para o Quadrinho brasileiro.Coisa que nós, quadrinhistas , estamos esperando a vida inteira!

  157. Então, J Daniel… acho que tu não entendeu muuuuito bem o que escrevi. Mas faz parte. Afinal, temos 32 milhões de analfabetos funcionais hj no país que definitivamente impedem o mercado de crescer como se deve. Uma hora, com muito trabalho isso muda e o mercado chega lá.
    Segue o bonde.

  158. Ornelas, como faço parte do grupo “Em termos”, estou mais interessado em aprender e incentivando o debate e a troca de ideias do que me posicionando. Até porque acho que vejo a coisa por um outro viés.

    Ao contrário do Baraldi, não tenho certeza se impor cotas, mesmo que com boa intenção, vai impedir as editoras de terem prejuízo (o que seria um tiro no pé do atual momento em que as editoras se esforçam para lançar material nas livrarias). Desonerar a cadeia produtiva parece mais simples e menos polêmico. Ou ainda criar talvez um meio termo, onde apenas os lançamentos de HQs com autores nacionais tivessem grande incentivo fiscal e diminuição de custos, porém sem obrigatoriedade de manter percentual de publicações nacionais no catálogo. A lei parece muito… dura, vista assim.

    Ao mesmo tempo, não tenho nenhum ranço ideológico contra o Governo intervir – se for necessário – em um determinado segmento (incluindo na Cultura). Afinal o Governo, teoricamente, não existe apenas para nos roubar :)

  159. Ah, os rótulos! Agora quem defende o livre mercado tem “ranço ideológico”. Francamente, parceiro!!

  160. Jota, acho que o governo existe pra governar, não penas pra nos roubar. :)
    Confiar que o mercado pura e simplesmente vai resolver tudo não é uma boa saída. Tai as últimas crises mundias de especulação imobiliária que não me deixam mentir.
    O maniqueísmo de apontar ora Governo, ora Mercado como culpado de tudo, não cola muito bem no século 21.
    Noves fora, eu trabalho em uma multinacional norte-americana (com muito orgulho, por sinal!) e sei como vários processos funcionam e como é fundametal que as empresas (na discussão aqui, as Editoras) sejam ouvidas. Defendo um mercado livre, mas não libertário. Quem não sabe brincar sai da quadra e pra isso todo jogo precisa de um juíz ;)

  161. J Daniel

    Pois é, Társis.

    O que você escreveu foi “de fato as vendas melhoraram sim, mas está muito, muito aquém do ideal (…) o mercado pode crescer mais e precisa”
    E o que escrevi foi “o mercado editorial vem crescendo ano a ano. Claro que ainda não é o ideal, mas está crescendo”.

    É praticamente a mesma conclusão.
    Não sei porque quis me atacar falando que “não sei o que falo” e vir com ironias.

    Parece bobo.

    Bom… tudo o que eu tinha para opinar aqui sobre o assunto, já opinei.
    Valeu pelo espaço dado para o debate, pessoal.

    • Eu sou meio bobo, mas não é ironia, J Daniel. Quem não entende um texto que lê, é considerado analfabeto funcional. Não sou eu quem está dizendo!
      Mas faça as contas se for possível. São 32 milhões de pessoas que não entendem um simples comentário num blog, por exemplo.
      Imagine essas pessoas, consumindo quadrinhos, ou livros, ou ambos!
      É ai que chegamos na diferença entre o “o mercado vir crescendo” e o “mercado precisa crescer mais”.
      Precisa assimilar essa pessoas, precisa de leitores, precisa crescer de verdade, vender de verdade… ou fica uma contagem burra: A Editora X vendia mil HQs, 2 anos depois vende 2 mil.. nooossa! Dobrou! Sim, dobrou, mas 2 mil é NADA pra um mercado como o nosso. Tiragens de 15 mil, 20 mil, pra todo país. É NADA! É piada. Outro exemplo: a Bolívia produz livros mais baratos que os nossos. O que que é a Bolívia perto do Brasil? Conseguiu entender agora?
      Abraço, valeu pela participação!

  162. Társis, vc pode pensar o que bem entender. Nossa amizade nunca foi baseada em opinião única. O que não pode é dizer que minha posição denota “ranço ideológico”. É o mesmo que eu chamar de stanilista quem defende a intervenção do Estado na iniciativa privada. Entendeu?

  163. Claro, Jota!
    Mas eu não estava falando da tua opinião quando falei de ranço ideológico….. :D
    De todo modo, lembre-se que o capitalista por excelencia da dupla sou eu!

  164. J Daniel

    Társis, já que você fala em analfabetismo funcional…
    Desde o começo, lá em cima nos comentários, bem antes de você, eu venho escrevendo que lamentavelmente a educação em geral no Brasil é precária, que é necessário melhorar, que é necessário melhorar a formação dos profissionais ligados à indústria do entretenimento, onde quadrinhos, o tema principal do debate, está inserido, que essa indústria poderia ser encarada como estratégica como é em outros países, onde gera bilhões, gera empregos e etc, etc, etc..
    E déficit de atenção também é um problema muito sério em nosso país, viu?
    Um abraço!

  165. Marcio Baraldi

    Carma, galera.Aqui ta todo mundo mesmo lado.No mesmo barco, na mesma praia.TODO mundo aqui quer um mercado MELHOR,RENTAVEL para todos.E estamos procurando JUNTOS o melhor caminho pra ele,certo? Faco votos que essa lei,sendo bem discutida e bem administrada, beneficie ate mesmo os quadrinhos digitais ,pra que empreendedores como J Daniel e outros tenham seu sucesso tambem.TODO mundo aqui merece sucesso!

  166. Olha, esse Superômi aí não tá cum nada, seria da hora se ele tivesse tomando um piau do Capítão 7.

  167. É nóix que tá, Baraldão! E tu é o Geraldo Vandré da HQ Nacional: quem sabe faz a hora não espera acontecer”!! shuaushuahsua

  168. Fala Jota, meu chapa, não citei nome e nem quero ofender ninguém pessoalmente, somente expressar a minha opinião no contexto. Essas HQs aí não são populares, popular é gibi que criança gosta, que taxista gosta, motoboy, aposentado, roqueiro, sapateiro, mendingo, etc… Gibi de moderninho é chato pra caralho! Tem muito nego aí que desce a madeira no meu gibi, porque ele é muito simplório, mas eu sou lido pelo povo, saca? Não por esses carinhas metidos a “Radioheads” das HQs.
    Uma pessoa comum que vê o gibi do Blenq reconhece o talento natural dos desenhistas, acha as histórias bacanas, agora os sabe-tudos de plantão colocam mil defeitos, só querem saber do Alan Mula,Stan Lixo, etc…
    Não foco minha HQ no público que já consome quadrinhos, mas na pessoa que não é acostumada, pra quem gibi é uma novidade, é divertido.
    Que nem o Márcio falou, tem que aproveitar que o país melhorou e conquistar o publico “cabaço”.

  169. Marcio Baraldi

    O Tony Fernandes é um dos caras mais escaldados desse mercado.Conhece todas as posicoes desse jogo:roteirista, desenhista, editor, etc.Assim como o Franco, por exemplo, que é a FAVOR das cotas.A queixa do Tony, na minha opiniao, se resolve com mais leis complementares, que ,como ele disse, desonerem um pouco as editoras, sobretudo as pequenas.Assim como as cotas seriam uma grande ajuda para os quadrinhistas ,o governo pode vir com uma ajuda apara as editoras tambem:incentivos fiscais, menos impostos,etc.Eu entendo que a lei so pode ser realmente avaliada com precisao quando ela estiver em vigor e a gente ver o que acontece com o mercado.
    Outra queixa do Tony é que a categoria dos quadrinhistas ainda é muito DESORGANIZADA,DESMOBILIZADA.Isso é mais pura verdade e todos aqui sabem disso.Mas eu acredito que ate nisso esta lei sera benefica pra nos, pois nos OBRIGARA a sermos mais unidos e mobilizados em torno de uma entidade de classe representativa.Hoje temos a ACB e a AQC, sendo a proposta da ACB mais abrangente por ser federal, nao estadual.É o que eu estou dizendo desde meu primeiro post aqui:essa lei é OTIMA pra nos, mas NAO BASTA leis pra resolver nosso problema.Precisamos tambem, e sobretudo, de uma consciencia de classe.Uma ACB forte e atuante que organize a categoria frente ao monte de problemas que naturalmente teremos que enfrentar e superar.

  170. J. Daniel, parece que vc não le o que escreve:
    “Baraldi (…)Por que o restante dos autores nacionais que tentam não dá certo em banca? Por que VOCÊ não dá certo em banca?
    A culpa é do universo que conspira contra você? O seu fracasso é culpa do brasileiro, que é ignorante, do leitor, que não sabe ler? É isso? Ah, dá um tempo! Tenho certeza que o Ziraldo não deve pensar assim.”
    Cara, na boa, vc reclama do Baraldi, mas usa da mesma coisa que vc critica: chamar a gente de incompetente, de não dar certo, qual e’? Eu desenhei o gibi dos Trapalhoes, que era campeao de vendas em banca. Ate’ hoje e’ dificil encontrar em sebo. O problema e’ quem vai em banca mesmo. E’, ao inverso, o problemas das drogas. Todo mundo reclama que droga vicia e mata, os produtores tem sua grande parcela de culpa, mas e os usuarios? Alguem coloca uma arma na cabeca pra eles comprarem droga? Compram por que querem. Assim como os frequentadores de banca, nao comprarm porque nao querem!

  171. Marcio Baraldi

    Pegando gancho no que o Bira falou, eu entendo que pras pessoas (criancas e jovens) voltarem pras bancas é preciso EDUCAR essa nova juventude a GOSTAR DE LER!Hoje em dia a mocada brasileira praticamente nao le mais nada:gibi, livro, etc.É uma geracao AUDIO-VISUAL, que ta acostumada a apenas ASSISTIR e OUVIR, nao LER!Por isso leem e escrevem tao mal.Infelizmente.Isso so se resolvera pra valer com uma educacao publica de ALTO NIVEL e com CAMPANHAS do governo incentivando todos os cidadaos, de todas as faixas etarias, a lerem.Nos governos Collor e FHC a educacao publica foi MUITO sucateada e a gente agora precisa tirar o atraso, correr atras do prejuizo.No Japao todo mundo tem ipad, iphone, banda larga, e mesmo assim MILHOES de pessoas leem gibis e livros la,gracas a OTIMA educacao que todos possuem desde o berco e a cultura de LER que eles possuem.E detalhe, eles leem gibis DELES! Nao de estrangeiros.Ah, que inveja!….

  172. Não é ridicularizando os outros ou falando mal dos quadrinhos estrangeiros que essa discussão vai pra frente.
    Realmente, quem é contra a lei sumiu, talvez por fadiga de discutir dessa forma radical.
    Eu radicalizo apenas numa questão…
    Todos adoram o estado comprando livros, dando dinheiro para o mercado, tirando impostos.
    Mas muitos odeiam o estado falando em cotas, pq aí ele estaria intervindo na economia, como se isso fosse pecado.
    Pois bem, o estado já está intervindo na economia ao dar dinheiro pra produzir, ao tirar impostos, ao comprar livros.
    Ele está intervindo pq é sim função do estado intervir na economia, oras.
    A discussão ao meu ver tem que ser nesse nível, ou tentando achar soluções para pensar nas consequências da lei… Não falando que o Alan Moore é um lixo, ou descreditando um comentarista aqui, como se ele fosse um “olheiro de editoras”. Isso é bobagem.

  173. Espero não estar “pegando no pé” novamente mas vejam a escrita do Léo Santana:

    “Deixem de ter pena das editoras! Nós fomos (ainda estamos sendo) ferrados por elas a gerações. Deixem que fiquem com a dor de cabeça de descobrir como fazer a coisa funcionar.”

    Não dá, não pode ser assim. É até um contra senso ser a favor das cotas e querer que as editoras “se virem” do jeito que der. A lei é direcionada para as editoras. Se as editoras se ferrarem, quem vai sobrar? Fanzines e independentes, e para estes a lei não faz diferença. As editoras são as pedras que sustentam tudo, e eu acredito firmemente que com as tais cotas o que o governo está realmente fazendo é, curto e grosso: TIRANDO O DELE DA RETA! Claro, a lei sendo aprovada, vai ser uma bela propaganda governamental: FIZ MINHA PARTE! Enquanto isso maneiras mais eficazes e CARAS de incentivo não são sequer debatidas, não se fala em baixar tributos, apoio logístico, nada. Galera, fazer uma lei é barato, é cômodo pro ente público. Tem coisas muito mais importantes, porém dispendiosas que o governo poderia/deveria fazer…e não faz, nem dá sinais.

    Não estou vendo nenhuma campanha de valorização do quadrinho nacional nos meios de comunicação, por exemplo. Quem deveria custear essa campanhas, senão o governo?

    Quanto ao problema das tiragens, é uma questão delicada. Me corrijam se estiver errado, mas eu realmente acho que o super herói americano que mais vende no Brasil não deve passar dos 20.000 mensais em média anual, sendo otimista. E isso num mercado catequizado pelo material americano, como diz o Baraldi.

    E alguém acha que a lei vai ter algum impacto nas tiragens? É opinião de alguém que tiragens de 1.000 vão passar pra 15.000 assim, só por conta da obrigatoriedade via cotas?

    Mesma nos EUA, país com mais de 300 milhões de habitantes, quadrinho vende relativamente pouco. 60.000, 70.000 quando muito, a grande maioria dos títulos fica entre 20.000 e 30.000 (sem contar o reboot da DC, recente e atípico e não se sabe se por quanto tempo vai manter as vendas altas).

    Concluindo. Revista em quadrinhos não estava vendendo bem nem nos EUA. O reboot da DC veio justamente pra alavancar essa situação. E nós, com o material produzido aqui? O que faremos pra aumentar as tiragens e principalmente as vendas? Não só creio que as cotas não são a resposta, como também creio que vão trazer dificuldades pras editoras. E aí, é pra deixar mesmo esse problema pra elas resolverem?

  174. Eu percebo muita gente se posicionando a favor de um sistema mais liberal, ou que permita uma maior liberdade para que o editor ou o mercado escolha exatamente aquilo que quiser consumir em termos de história em quadrinhos.

    Tudo isso me parece muito justo, sim. No entanto seria justo se houvessem condições de plena igualdade entre a produção nacional de quadrinhos e a produção estrangeira.

    No entanto, o que vemos é que a produção nacional de quadrinhos é perto de zero, embora um ou outro quadrinhista consiga lançar seu material, comparado com uma produção gigantesca de quadrinho produzido fora do Brasil.

    Se formos analisar então o público consumidor de quadrinhos o quadro é mais alarmante ainda, pois a maioria dos consumidores brasileiros (na maioria crianças e adolescentes) consome muito mais quadrinho produzido fora do Brasil do que quadrinho nacional.

    Essa situação se deve a um estado de completa confusão ao meu ver no que diz respeito ao mercado de quadrinhos nacionais e isso, ao que me parece remonta a algumas décadas atrás, quando ainda havia não somente uma produção mais pungente nos quadrinhos brasileiros como ainda havia um público consumidor para os quadrinhos que eram produzidos em nossas terras.

    Quando comparamos a produção editorial, uma história em quadrinhos é uma coisa relativamente cara e relativamente lenta. Enquanto um revista em padrões tradicionais precisará de um redator, um revisor, um reporter de campo, um editor, um fotógrafo, um ilustrador e um diagramador; para se produzir uma revista de história em quadrinhos podemos acrescentar aí também um roteirista, um desenhista, um arte finalista, um colorista e um letrista. Ou todos esses profissionais podem ser substituido por apenas um artista que irá demorar bem mais para produzir o seu trabalho, o que poderá inviabilizar em termos comerciais um projeto editorial.

    Por conta desse tipo de problema o ganho de um quadrinhista sempre foi baixo se compararmos outros profissionais do mercado editorial, pois o ganho é incompatível com a quantidade e muitas vezes a qualidade de produção necessária ao bom recebimento do material por parte do público consumidor.

    A algumas décadas, somado a essas peculiaridades, o mercado nacional de quadrinhos veio recebendo uma verdadeira paulada na moleira por parte dos seus concorrentes estrangeiros, que começaram a permitir a edição de seu material a um custo abaixo do custo de produção, uma vez que esse mesmo material já teve a sua produção paga pelo lucro das vendas do seu material em seus países de origem.

    Esse detalhe foi fatal para a produção nacional que até hoje nunca conseguiu competir com o material estrangeiro de igual para igual, sendo que hoje a produção de HQ se restringe a poucos artistas que trabalham de maneira bastante autoral, a maioria até mesmo sem se orientar por desenvolver produções destinadas a públicos específicos ou faixas etárias determinadas, que torna a destinação das produções ainda mais restritas a nichos bastante reduzidos.

    Outra característica importante que os quadrinhos tem na cultura popular de um povo diz respeito a identidade visual gráfica de um povo. Os quadrinhos, tiras, charges e cartuns produzidos em seus mais variados estilos, técnicas e linguagens cria uma ligação entre a população que faz com que a mesma se sinta representada pelos desenhos que são feitos, elas se sentem representadas em seu modo de viver, de pensar e de agir. A população se identifica com os conflitos dos personagens, choram, riem, vivem dramas semelhantes e crescem junto dos personagens que ilustram as revistas e jornais.

    Essa empatia entre o tipo de quadrinhos que são produzidos em um país e o seu povo gera uma identidade nacional no campo dos desenhos e faz com que os estilos e traços dos artistas nacionais tenham forte apelo social e econômico para com as pessoas, aumentando a demanda dos mesmos artistas para terem seus trabalhos sendo vinculados em outras mídias como desenho animado, livros, produtos diversos, aumentando o valor agregados dos produtos que se associam ao desenho do artista e gerando riqueza para os artistas que por sua vez terão mais prosperidade aumentando a estrutura de seus estúdios, contratando mais profissionais para aumentar a sua equipe, melhorando a estrutura profissional e gerando mais riqueza ao país, que terá melhores e maiores condições de absorção de mão de obra especializada criada no Brasil e com a nossa identidade cultural. Sem a lei de reserva de mercado, esse tipo de efervecência de mercado fica restrita apenas aos personagens estrangeiros que invadem as TVs, bancas e lojas de brinquedos de todo o país gerando riqueza e emprego apenas artistas e empresas de comunicação de outros países.

    Eu pessoalmente não vejo, diante desse quadro uma forma que não seja artificial para que a produção de quadrinhos brasileiros (e consequentemente todo o benefício que essa produção resultar) possa ser maior e mais profissionalizada a não ser que haja alguma forma de reserva de mercado, que poderia ser essa como foi aprovada ou mesmo diferente dessa proposta, como, por exemplo, algum tipo de imposto que recaísse sob o material estrangeiro e que esse valor fosse revertido em forma de crédito de incentivo para a produção de quadrinhos no Brasil. Um sistema como esses desde que realizado com transparência poderia servir de incentivo valioso para fazer com que a produção nacional venha a se tornar mais expressiva.

    A proposta aprovada dessa lei também poderá ser boa desde que para o seu cumprimento haja um mecanismo de controle e fiscalização com transparência. Na verdade, me parece que a palavra de ordem é essa: “transparência”. Desde que existam mecanismos aonde o cidadão possa acompanhar, saber o que está sendo realizado e como está sendo realizado, tendo condições de cobrar e denunciar possíveis abusos no sistema, eu não vejo motivos para entender que essa lei seja ruim.

    Ruim é se nada for feito. Se depender de mim eu apoio essa lei e farei tudo o que for preciso para que a lei seja cumprida e se, for necessário alterar algo para que ela possa ser mais eficaz, que seja.

  175. JAL

    Ufa! Saio um pouco pro trabalho e já tem tanta postagem que não dá pra escrever sobre tudo o que está sendo discutido por aqui. Chegamos até ao ponto da educação no país e tal. Muito bem, tem mesmo que analaisar o todo para se entender um ponto em específico como o mercado de HQ. Mas o foco é uma lei que faz o que toda lei tenta fazer, mobilizar os interessados em se discutir e melhorar o setor. E isso, ninguém pode dizer que elea não está fazendo. Criticar as cotas não vai levar ao que interessa, o acordo entre editores e desenhistas e os editores estão com a cabeçla mais aberta que a nossa pelo que vejo. Sacaram que uma lei que pede cota também tem que dar contrapartida. Sabe, quando entramos em uma negociação entre as partes e defendemos nossa parte (evidente) devemos sempre ter a noção de que há perdas nessa negociação. O que muda é que se tiver mais ganhos que perda, já vale à pena. O radicalismo tanto de um lado quanto de outro não leva à ganhos, mas perdas. Isso porque tudo tem que evoluir nesse mundo, até nossa cabeça. Discutir mercado não é ficar de um lado ou de outro. No nosso caso é ficar do lado do leitor. Obejtivo comum entre as partes. Se o mercado cresce será bom pra todos. Ser propositivo é abrir a cabeça para algo que funcione já que o que temos até agora não funcionou como se deve. Acho que alguns não leram o que escrevi pois a lei, como está escrita NÂO FICARÀ MAIS. Haverá novo texto à partir das discussões promovidas pelo relator (ele poderia ficar quietinho no canto dele e deixar passar já que poucos atenderam a esse chamado). A parte digital será incluída, haverá definição de que o editor poderá cumprir os 20% tanto dentro de uma revista mix entre autores brasileiros e estrangeiros quanto na edição de títulos, os 20% que pelo texto atual pede que sejam implementados em 4 anos ampliará essa implementação para mais anos. Depois existe uma lei em vigor ( a de 1960) que foi sancionada e pede 60% de publicação de quadrinhos brasileiros. Ninguém cumpre porque ela não foi regulamentada prevendo punições para quem não cumprir. Se fosse regulamentada ao invés desse substitutivo proposto pelo Vicentinho que baixa para 20%, a discussão seria outra. Nénão? Agora, a lei apenas é um dos fatores nessa luta. Eu, por exemplo, sei que podemos conquistar público justamente nas escolas. Isso em parte está acontecendo com os quadrinhos paradi´daticos que virou um núcleo que está conseguindo pagar melhor a produção dos artistas gráficos. Como isso aconteceu? O governo atual colocou uma obirgatoriedade para se comprar uma cota de quadrinhos para distribuir para as bibliotecas. Então se tem alguém que já está ajudando às editoras e aos desenhistas é justamente o governo. Mostraram por sua ação que quadrinho é importante para estar nas escolas. Agora o governo quer melhorar mais isso e finalmente juntou todas as leis e projetos de leis anteriores nesse atual projeto. Chamou editoras e desenhistas para discutirem. Portanto a bola está conosco e ser propositivo nesse momento não é só ficar de um lado ou de outro, mas trabalhar com a ideia de que a lei vai sair mesmo e o que faremos para nos adaptar e fazer com que haja uma evolução entre as partes. Eu acredito nessa força conjunta nesse momento. Já fui cético quanto a isso quando fundei junto à amigos, a AQC-SP nos anos 80. Estamos falando de nosso futuro que pode ser melhor se quisermos e agirmos.

  176. Respondendo ao Daniel Esteve e para tentar deixar mais clara minha posição: não sou contra o Estado intervir na ECONOMIA.

    Ele deve fazer isso e faz corriqueiramente para igualar a concorrência, movimentar a produção/consumo/emprego, diminuir o efeito de crises.

    Para isso, existem ferramentas: desonerando a produção, comprando produtos ou até onerando a importação. Não sou contra nada disso; enxergo, na verdade, como um dos papéis do governo.

    Sou contra o Estado intervir na atividade da INICIATIVA PRIVADA. Dizer a uma empresa que paga seus muitos impostos o que ela deve e não deve fazer.

    É por isso que defendo incentivos fiscais, programas de compras governamentais, mecenato; é por isso que sou contra um sistema de cotas.

    Abs

  177. JAL

    Sobre a educação, muito se fala e pouco se faz de nossa parte também. Tudo é o governo e a culpa é do governo. Muitos pais adoraram que seus filhos passassem de ano mesmo não tendo condições pois achavam uma vergonha ter um filho repetente. Se encostaram numa ideia errada mas também fazem parte do erro. O dia em que nós resolvermos ser os patrões mesmo aí é que o país muda. Vejam as poucas pessoas que saem às ruas contra a corrupção. Um mal de nossa cultura de poder que vem da época do império. Se todos saíssem mesmo às ruas forçando políticos e poder judiciário a se tocarem, as coisas mudavam. mas o brasileiro gosta de reclamar sentado numa poltrona e coçando a barriga. Tudo é feito por ação e não por palavras. Basta ver a história. Basta ver o que os islãmicos estão fazendo pela democracia em seus países encrustrados há centenas de anos em pensamentos que não evoluiram com o mundo. Falo isso tudo porque sempre vejo muita verborragia mas no fundo quem faz é quem age. São poucos. E geralmente são os mais massacrados por todos porque tomaram para si fazer algo. Juntos somos uma força enorme! Cada um de nós, desenhistas e comunicadores, trabalhamos com jornais, net, agências de publicidade, editoras, TVs e o cacete. Estamos dentro da mídia. Temos poder para passar, cada um em seu trabalho, um pouco de ideia para as crianças de como lutar pela sua cidadania. Poucos sabem, porque a maioria gosta só de crirticar quem faz sucesso, que o próprio Mauricio de sousa ganhou ano passado um prêmio da ONU pelo trabalho que vem desenvolvendo com a Corregedoria Geral da União, um trabalho utilizando seus personagens ensinando cidadania e contra a corrupção nas escolas. Ele ganha algo com isso? Mostrar que está do lado dos seus leitores. Pensando neles. Por isso mantêm leitores nesses 50 anos. E nunca usou qualquer verba vinda de governos para seus projetos. Vejam como somos fáceis em criticar os outros e muito pouco críticos quanto à nós próprios. Sobre a lei dos quadrinhos, façam a leitura contrária. Essa lei diz que os editores devem publicar 80% de material estrangeiro e ainda ganharem subsidios se publicarem míseros 20% de material nacional. Mudem suas cabeças e pensem pra frente. Não sejam prisioneiros de ideias antigas que impedem as coisas evoluirem. Ampliem a visão. Ao mesmo tempo que a ACB está dentro dessa discussão também estamos lutando para que os quadrinhos entrem nas escolas e como matéria nas faculdades de comunicação. Acabamos de conseguir uma lei municipal criando o Museu de Artes Gráficas do Municipio de São Paulo. Luta do Gualberto Costa de 20 anos e que já tem mais de dez mil originais doados por desenhistas brasileiros. Estamos brigando pela lei de direitos autorais para nossa área que ajude a que menos desenhistas em final de vida morram sem poder utilizar do que produziu durante a vida. São muitas lutas e a lei é apenas uma delas. E ainda é muito pouco. Juntamos agora cerca de 7 associações irmãs nacionais para lutar por esses pontos. Mais força conjunta para sermos visíveis. Pensem na lei dos quadrinhos como algo natural e não uma imposição. e que é apenas um dos lados desse complicado mercado dos quadrinhos.

  178. Jota, eu entendo perfeitamente sua colocação e já expressei aqui que não sou o maior defensor da cota em si.
    A cota por ela mesma não leva a lugar algum.
    E por isso a lei é interessante, ela prevê mais coisas. Institucionaliza certos assuntos que podem melhorar o mercado de quadrinhos brasileiro.
    E temos de lembrar… O governo pode cobrar também. Não precisa apenas dar.
    Não tem cota de exibição pra filme nacional nos cinemas??? Esse foi um dos fatores que fez o cinema crescer nos últimos anos no Brasil.
    Mas é isso, sua iniciativa é DOCARALHO, Jota. Abrir um espaço para reflexão, visto que nós artistas e os próprios editores vimos o bonde passar… A lei já vem sendo falada faz um tempo e não discutimos ela antes de virar um fato quase consumado.
    Nos vangloriamos dos grandes eventos do ano aqui no Brasil e de que forma utilizamos eles pra discutir esse assunto???

  179. Marcio Baraldi

    Mandou BEM, JAL!!!Mostra pra todo mundo que essa lei nao e nenhum bicvho-papao de editor, pelo contrario , veio para SOMAR e UNIR todos nesse mercado.E nao para subtrair ou dividir ninguem!
    EM TEMPO: O espaco oficial da ACB ja esta pronto la no site Meu Heroi.Da uma olhada com o Elenildo.Agora a ACB tera um espaco fixo na net para divulgacao das noticias que interessam a categoria e espaco permanente para debates como esse!Esse espaco vai ajudar muito a aproximar e organizar essa categoria.Amem!

  180. Marcio Baraldi

    Flavio Roberto, seja muito bemvindo! Pessoas lucidas e sensatas como vc sao SEMPRE bemvindos.

  181. Valeu, Daniel. O engraçado é que esse post começou como um exercício jornalístico de “ouvir os vários lados da questão” e acabou virando um fórum bacana de debate. Acreditem, não é comum um post do Papo de Quadrinho receber mais de 180 comentários.

    Entendi seu argumento. Quis apenas aproveitá-lo para clarear meu posicionamento.

    Abs

  182. Marcio Baraldi

    U-RUUUUUUU!!!Quando chegarmos no post numero 200, o Jota vai trocar aquele desenho.Vai colocar o cangaceiro socando a cara do Superbosta!!!rararararra….

  183. Eu, que trabalho também com quadrinhos – e com produção de TV – seria um dos possíveis beneficiados pela lei – o contato com editoras existe (assim como com produtoras de TV). Traço esse paralelo entre a lei das cotas dos quadrinhos e a das cotas de produção nacional na TV a cabo porque entendo ambos com os mesmos objetivos – e os mesmos problemas.

    Nosso país carece, de fato, de incentivo para produção – E CONSUMO – cultural. Não adianta garantir a contratação e produção de material nacional se o produto final se torna inacessível ao público. Matéria hoje na Folha de São Paulo falando sobre o mercado musical – e que show nenhum consegue se pagar sem os incentivos fiscais.

    E é neste mercado – acredito que o brasileiro, em geral, esteja de fato lendo mais (ou quero acreditar), mas qual o perfil desse leitor? O que esse leitor quer?

    Quantos brasileiros estão, de fato, produzindo o que o leitor quer? Ou o que o expectador quer assistir?

    Minha maior preocupação com leis de incentivo é que elas caminhem para FORÇAR o público a consumir determinados conteúdos. É o que penso, por exemplo, da lei que restringe a publicidade infantil, o que inviabilizaria produção para crianças que não fosse com financiamento público. Pedagogicamente falando, é o sonho dourado de muita gente. Enquanto público consumidor, só posso chorar. Enquanto profissional na área, só posso falir.

    Que as empresas recebam um carinho dos órgãos públicos para cada vez que resolvem trabalhar com produto nacional, ótimo, concordo, até aplaudo. Mas já tem MUITA coisa de MUITA qualidade que não chega aqui por termos um mercado muito complicado, segmentado e dispendioso. Uma imposição como a que a lei está caminhando para criar pode impedir de mais coisas boas chegarem. E isso não se restringe só aos materiais impressos.

  184. Acho que todos deviam ler o que o JAL escreveu antes de comentarem o assunto… ele explicou muita coisa importante tanto sobre a lei quanto sobre o que está sendo feito. Ler o que ele escreveu vai poupar parte da galera de tecerem comentários equivocados sobre o tema… Acho até que a explicação dele merecia ter um destaque maior no post, pois é repleta de informações que nós desconhecíamos.

  185. Tenho certeza de que falo pelo Jota quando agradeço a todos pelos comentários e opiniões até aqui. Todos nós estamos ganhando com essa discussão.
    Transformar a área de comentários do Papo num fórum bacana de debate é um motivo de orgulho para nós.
    Segue o bonde!

  186. Ô Marcião, vamo organizar uma caravana de quem é a favor da Lei e ir lá no congresso?? Chamar a imprensa e fazer muito barulho??!!!

  187. Eu sou contra. Quem foi no FIQ viu o ponto que o mercado chegou.
    Mais de 100 publicações independentes diferentes num evento só mostra que o mercado NÃO ESTÁ numa má fase.
    Lembro de ter lido alguém dizendo sobre quadrinhos na gaveta e tudo mais, e acho que falta rever os meios. Nenhuma editora vai te encontrar na padaria enquanto você compra algo e perguntar “Ei, você que quer publicar?”.
    Tudo bem que corre-se atrás de milhões de editoras, mas essa não é a solução pra começar.
    A cota, enfatizando o que já dito, não será eterna. Se publica mas um dia acaba, como qualquer editora. Pode ser que ajude numa estréia, mas não pra se manter pro resto da vida, como disse tanto o Baraldi.
    A publicação independente, como disse o Bá, é a escola para o amadurecimento para o autor. As pessoas precisam te conhecer. Pra isso serve os eventos, pra isso serve a internet.

    Baraldi, por favor, só tenta não transformar os comentários em uma festa.
    Sei da tua competência e não tem necessidade desse show que você está dando.

  188. Marcio Baraldi

    U_RUUUU!!!Quanto vale o show, Lombardi?!?

  189. Nunes, mercado de publicações é uma coisa e mercado de trabalho é outra, conforme disse em meu depoimento aqui (na parte dos “contra as cotas”). Os independentes estão ganhando seu dinheirinho pra se sustentar, ou é tudo pela arte, sem fins lucrativos?

    Dizer que um mercado está bom, mas que não se ganha dinheiro me soa contraditório, sem noção de realidade.

    Artista também tem que pagar conta. Cotas não vão resolver, mas projetos culturais e, principalmente, políticas tributárias favoráveis, podem começar a operar melhoras consistentes.

  190. Só complementando meu depoimento, gostaria de salientar algo importantíssimo e que os caros amigos esqueceram de citar, se aprovada a lei de cotas devemos ser fiscais das editoras e pedir que se respeite as leis.
    Não descarto a hipótese de se aprovada a lei os editores publicarem mas só gente da curriola deles entende? Tipo só publicar autores que já desenham pro mercado americano, gente que publica tiras nos grandes jornais, aí não adinataria nada a nova lei na questão de se abrirem mais espaços novos para novos talentos! VAMOS VIGIAR!!!

  191. Marcio Baraldi

    Bemvindos Nagadao,Manzano ,mestrao Moacir e demais broders!!!Ta cada vez melhor isso daqui!!!To muito orgulhoso dessa galerinha que ta comecando a se UNIR!2012 promete…Tomara!…

  192. Peraí, Edu. Além de controlar a cota vc sugere controlar também quais autores as editoras vão publicar? Aí é muito controle sobre a livre iniciativa, não é, não? Abraço

  193. JAL

    Ainda existe uma visão distorcida do que é uma lei e do que é uma regulamentação. Na lei dá pra colocar muita coisa mas não dá pra regulamentar outras pois depende do executivo. O Executivo é quem vai dizer o que vai dar em troca da obrigatoriedade em termos de financiamento ou incentivos ou até o vale-cultura que vai sair em 2012 para toda a área cultural. A lei aprovada é uma parte da versão e aí é que as partes interessadas devem caminhar juntas para conseguir algo que seja bom para os dois lados. Portanto a discussão da obrigatoriedade dos 20% nesse momento é menor do que vem depois. Por conta da discussão desse projeto de lei já levou a unir alguns pontos das partes e caminha para um final feliz. O desenhista tá mais preocupado com as editoras do que consigo próprio quando está provado que a alternativa tem sido as publicações independentes justamente porque as editoras não tem pensado nos autores nacionais. Se pensassem teríamos mais Ziraldos e Mauricios de Sousa. Nos EUA vários autores conseguem fazer sucesso e convivem bem. Na Europa, no Japão. Porque aqui não? Se uma lei dessas deu certo na Coréia porque aqui não? Porque nós nos maltratamos e temos uma espécie de síndrome dos derrotados. O melhor da lei são os incentivos e a obrigatoriedade mínima é um ponto que obriga a ter contrapartida. Os políticos não vão lutar apenas por uma lei que dá subsídios para quadrinhos sem uma contrapartida. Esse é o jogo político. Até os editores já entenderam isso. Já foi aceito que os 20% podem ter uma implementação paulatina maior que o texto diz. Já houve esse recuo e que foi bem visto pelos editores. Foi amainado a forma de cumprir esses 20% onde o editor pode cumprir com títulos ou percentagem em revistas mix. Portanto caminha para um final feliz. Nada como o diálogo.

  194. Marcio

    AEEEEEEEEEE,Valeu, JAL!!!!Nosso Natal vai ser mais feliz com essas noticias e perspectivas!!!U-RUUUUUUUUUUUU!!!…

  195. Marcio

    Bemvindo, Vicola!Enxergou nosso lado e mandou bem!

  196. J Daniel

    “… as editoras não tem pensado nos autores nacionais. Se pensassem teríamos mais Ziraldos e Mauricios de Sousa.”

    Jal, discordo totalmente desta afirmação.
    Tirando a Luluzinha Teen, que é feita por uma agência de publicidade, o único autor que apareceu na última década com um perfil empresarial próximo do Ziraldo e do Mauricio de Sousa foi o Fábio Yabu.
    Ele publicou quadrinhos em bancas pela JBC e pela Panini, mas não deu certo em ambas. Não deu liga.
    Hoje ele publica livros com outros personagens e tem até um desenho animado passando pela Discovery Kids, produzido na Austrália. Se deu bem fora dos quadrinhos.
    O não surgimento de novos Mauricios e Ziraldos não pode ser colocados apenas na conta das editoras. Elas devem receber por ano milhares de autores deslumbrando ser um novo Mauricio ou um novo Ziraldo ou até mesmo um novo Fábio Yabu. Elas só não publicam em banca porque elas entendem que não vão ter lucro com aquilo, não porque desdenham o autor nacional por definição. Se aparecesse um novo Mauricio na frente de um editor, ele já teria publicado com um esquema de marketing fodido por trás. Que editora não quer vender como a Panini vende com o Mauricio ou como a Pixel vende com a Luluzinha? Falei aqui da mentalidade empresarial e da importância da capacitação do autor nacional na formatação de seu produto, de seu plano de negócio, com seus personagens e obras focados num público-alvo, com a preocupação de agradar e divertir o seu leitor, porque também a coisa não é só marketing pesado. O produto tem que ser bom e interessante para o leitor. No caso do empresário Maurício, ele sabe muito bem a linguagem das crianças e dos adolescentes e sabe se comunicar com eles. O produto sempre é bem formatado.
    Sendo assim, a coisa também não é só exigir cota, não é só obrigar as editoras a sairem publicando, não é nada disso…
    Vejo muitos quadrinhos autorais nas livrarias. Bem ou mal, as editoras publicam quadrinhos autorais. Há muitos títulos sendo publicados. Hoje em dia não existe essa coisa de “falta de oportunidade e espaço”, não.
    Já quadrinhos comerciais de massa, como os do Mauricio, não é para qualquer um. Para uma editora investir pesado nesse tipo de produto não é simples, não. E não é essa lei que vocês defendem que vai mudar isso, mesmo se ela for aprovada.

  197. Sou quadrinista iniciante, tenho uma série chamada Anemo que está pra ser publicada e acho que todo e qualquer incentivo é algo bom para qualquer coisa. Tomemos como exemplo o cinema, que quando ainda pesava pro lado do Cinema Novo, vieram os incentivos e diversas histórias (que apesar de não serem geniais, algumas são divertidas). Imagine esse tipo de “boom” no cenário dos quadrinhos, onde há ideias geniais como Bando de Dois e as HQs do Moon e do Bá. Se não tiver nenhum tipo de censura, eu apoio descaradamente.

  198. Só completando o que eu havia dito, ante de considerar “vai ter muita publicação ruim só pra cumprir cota”, deve se considerar que a lei ajudará a criação do mercado de quadrinhos nacionais, que não existe, já que só temos republicação do que sai em outros países, Maurício de Sousa e os encadernados nacionais, que são fodas, mas ainda assim não representam um mercado, e sim uma pequena produção. Não existe gente sendo paga pra desenhar, pra escrever etc, existe o cara que se mata pra fazer lá sua HQ de 100 páginas e lança como encadernado.
    Não existe mercado porque não existem condições de trabalhar com quadrinhos no Brasil. Não existe vaga pro desenhista se candidatar, não existe editora que diga “olha só, estamos contratando desenhistas”, o que existe é editora acomodada, como alguns que deram suas opiniões no post falaram. Por que usei o mercado nacional de cinema como exemplo? Porque antes de ter alguma lei de incentivo pro cinema nacional, só se tinha filme cabeça, um ou outro que falava sobre a criminalidade nas favelas e todos feitos por uma panelinha pra essa panelinha. Hoje o cinema nacional ainda não deu um grande salto, mas temos essas produções que vez ou outra saem e que representam um mercado que está se estendendo à massa. Bem ou mal, você não tem mais filmes que só retratam a criminalidade, que são uma graaande e genial denúncia social (que não muda nada, todos sabemos disso) e acaba tendo alguma produção voltada para o entretenimento e que acaba gerando retorno e levando gente de todas as idades ao cinema. É o mercado ideal sonhado pelos cineastas? Aposto que não, mas está começando a caminhar e isso não teria acontecido em nossa época sem algum tipo de incentivo. É por isso que apoio essa lei de incentivo às HQs, como autor e como leitor. O incentivo vai ajudar a criar um mercado de verdade. E a preocupação em ter material de baixa qualidade deveria ser uma das menores. É só ver o que sai nos encadernados e nas tiras digitais. Os nossos quadrinistas estão entre os melhores do mundo. Alguém pode até argumentar que se só vê quadrinho nacional do “super saci”, “curupiraman” ou de cangaceiro (não que haja problema em cangaceiros, vide “Bando de Dois”, o problema é como era abordado o tema até então), mas isso é falta de visão das editoras.Quem publica esse tipo de coisa, geralmente está alheio a temas de aventura, ficção científica etc.
    A única coisa que acho que deveria ser reavaliada é a relação das editoras com a internet, que é o que tem impulsionado e trazido à tona nessa década, pelo menos, as HQs nacionais.

  199. Marcio Baraldi

    Mandou bem, Renan.Bemvindo!Os quadrinhistas brasileiros nao querem apenas publicar para mostrar o livro pra familia. Querem emprego e salario para SUSTENTAR essa familia, isso sim! Como em qualquer profissao que se preza!

  200. Caramba, ja’ são mais de 200 comentarios sobre a Lei, Mercado, Cotas e Obrigacoes. Isso e’ um Marco, sem duvida. Parabens Jota! Tem bastante gente vendo e revendo conceitos. Valeu Jal pelas explanacoes. Valeu a todos que cutucaram e contribuiram para o debate. Valeu, Baraldi, pela animacão de sempre!

    Feliz Natal a todos

  201. Obrigado, Bira. Obrigado a todos pela contribuição. Obrigado por darem a mim e ao meu parceiro Társis a honra de mediar este debate.

    Qualquer que seja o desfecho desta lei, queremos, sinceramente, que seja o melhor para o quadrinho brasileiro.

    Feliz Nata, pessoal.

  202. JAL

    Olá J.Daniel. O que venho colocando por aqui não é apenas minha opinião. É resultado de fatos. Sabe porque acho que as editoras não fazem por achar novos Mauricios e Ziraldos? simplismente porque um dia algum editor acreditou neles e deram certo. Será que são os únicos num país com tantos bons desenhistas? Veja bem: ovamos colocar aqui o que é a responsabilidade de cada um: Editores e desenhistas.
    O Desenhista tem compromisso com um trabalho que tenha bons desenhos e textos que agradem ao público leitor. O editor tem que fazer desse material um sucesso com algum investimento e sua visão de mercado. Ser editor não é só ficar sentado atrás de uma mesa editando coisas onde a rersponsabilidade é só de quem produz. Portanto é uma junção de coisas. O editor, por exemplo, tem que ter estudos de público leitor, de marketing, de economia e engenharia de distribuição. Se não tiver isso não é editor, concorda?
    Para exemplifica e demonstrar que muita gente não analisa mercado vamos ao exemplo Mauricio de Sousa. Ele esteve 18 anos na editora Abril. Vendia bem e sustentou seu público tão bem, que quando se mudou para a editora Globo começou a vender o dobro do que vendia na Editora Abril. Saiu da Abril e hoje você vê no que ficou o departamento de quadrinhos da editora. Na Globo o Mauricio ficou 20 anos. Saiu de lá e um ano depois de sua saída a Globo saiu de banca fechando as revistas do Ziraldo, do Sitio do Pica-pau-amarelo e do Cocoricó. Enquanto isso Mauricio, na editora Panini, está vendendo muito mais do que vendia na editora Globo. Descupe, mas aí está escarrado na nossa frente diante de duas grandes editoras ( não podemos negar a força das duas) que tem capacidade de investimento de que não souberam ao menos aprender a como vender quadrinhos aproveitando tantos anos com alguém que está dando certo. Perdão amigo, mas não é só o Mauricio de Sousa que sabe vender gibi. Nénão? Se a Abril investiu na revista Veja vários anos com o borderô no vermelho para transformá-la na maior revista do país, porque não poderia investir um pouco que seja nos quadrinhos para criar novos autores? A concorrência só ajuda nisso. Veja só a turma da Môniuca Jovem possibilitou a produção da Luluzinha Jovem. O mercado é assim. E a editora Globo então! Vendia muito bem nos quadrinhos quando investia. Portanto creio que não estamos no território do achismo quando afirmamos que é preciso um beliscão para mexer nesse mercado. A lei é um beliscão.

  203. Marcio Baraldi

    Querido Papai Noel,neste Natal eu quero ganhar uma Lei que gere emprego e renda para todos os quadrinhistas do Brasil.Tambem queria uma ACB forte que mobilizasse e unificasse a categoria permanentemente.De quebra, eu queria que a categoria fosse mais unida e menos individualista.Será que é pedir muito, Papai Noel?…

  204. J Daniel

    “Se a Abril investiu na revista Veja vários anos com o borderô no vermelho para transformá-la na maior revista do país, porque não poderia investir um pouco que seja nos quadrinhos para criar novos autores? ”

    Simples a resposta, JAL. Porque o Victor Civita MORREU.
    Depois que o velho Civita morreu, em 90, a Abril foi desmantelando os seus títulos e só publica Disney até hoje em memória ao velho.
    Historicamente Victor Civita e Roberto Marinho foram grandes entusiastas de publicações de histórias em quadrinhos no Brasil.
    Ao contrário deles, os herdeiros não são muito chegados na nona arte. Vieram as crise econômica e eles não pensaram duas vezes em cortarem os quadrinhos sem dó.
    Marinho morreu em 2003, veio o processo de desmantelamento dos títulos em quadrinhos da Editora Globo, até que o Maurício viu que a coisa estava feia e pulou fora em 2006.
    Entretanto, no caso da Abril, esse ano teve aquele Prêmio Abril de Novos Personagens. O vencedor vai lançar seu gibi agora em dezembro: http://www.lucaslima.com
    Já é esse “pouco que seja” que você fala, JAL, apesar dos pesares, considerando quem está lá no comando hoje.

  205. J Daniel

    corrigindo lá em cima:

    criseS econômicaS

  206. Tá, mas porque ninguém se interessou na minha idéia de fazer uma caravana, chamar a imprensa e ir fazer barulho lá em Brasília na porta do congresso?
    Ficar debatendo em blogue não adianta nada, só quem é do meio lê isso.
    Agora se juntar uma galera e ir lá em Brasília vai chamar atenção de muita gente, e nessas, podemos se dar bem e arrumar editora, se pá sem nem precisar de lei nenhuma.
    Eu tô dentro, mas sozinho não vira. Quem aí tem disposição???

  207. Fora que ia ser uma ótima oportunidade do pessoal de diferentes regiões do Brasil se conhecer e fortalecer amizades. VAMO AÍ!!!

  208. Marcio Baraldi

    Contando os 85 posts la no Blog do Paulo Ramos, essa discussao ja chegou nos 300 posts!E se Deus quiser ,ainda é só o começo.Quanto mais nós, os profissionais do mercado da HQ brasileira, discutirmos nossos problemas, melhor!Jota, pode botar o cangaceiro fazendo um churrasquinho do Super-mala com esse espeto !

  209. JAL

    Pois é J.Daniel, você chegou num dos pontos do gargalo de mercado que temos. O Roberto Marinho, o Civita e também o Aizen (Ebal) sabiam vender quadrinhos. Já que os “novos” editores desaprenderam, é preciso dar os tais beliscões para que pensem um pouco no que estão perdendo. A lei é apenas um dos beliscões. Mas depende muito de nós para que funcione. A culpa não é só deles mas de uma classe de desenhistas que é uma das mais difíceis de se unir. Tanto que acho a ideia do Rod de convocar desenhistas para irem em Brasília sem chance de acontecer. Seriam uns gatos pingados que só mostraria nossa fragilidade. Funcionaria ao contrário do desejado. Depois, ir em Brasília para chamar a atenção nem seria necessário já que existem outras formas de mobilizar. Pela net, por exemplo. Na hora certa precisaremode de alguma mobilização. E aí vamos chamar os interessados com alguma ideia que dá certo. Uma exposição de quadrinhos temática sobre isso ou enviarem e-mail para parlementares, etc. Mas quando for necessário mesmo.

  210. Marcio Baraldi

    Este vai ser um Natal especialmente feliz para todos pois trouxe alguma esperanca concreta para a melhora de nosso mercado e de nossa profissao.Esta sendo um prazer encontrar e conversar com tantos colegas e amigos aqui sobre um assunto que é fundamental para todos nós.Que isso seja um ponto de partida para uma nova fase em nossa categoria, onde o debate , a mobilizacao e a consciencia de classe sejam permanentes. Temos tanta criatividade, tanto talento, tanta vontade, só nos falta UNIAO para a construcao de um mercado SÓLIDO!Quero acreditar que ele já está a caminho!Obrigado a todos pela participação , pelo interesse no coletivo, e sobretudo, obrigado ao Paulo Ramos e a dupla Jota/Tarsis pelo espaço. Feliz Natal a todos aqui e suas familias .E um 2012 bem melhor pra todos nós, quadrinhistas do Brasil!

  211. Rod

    Jal, concordo que se pouca gente fosse não daria em nada, mas não acho que a net sirva pra grande coisa, além de nos mobilizar. As pessoas só acessam na net o que lhes interessa, e só quem tá vendo essa discussão é a gente mesmo. Se aparecesse na televisão, aí sim daria uma repercussão legal, chamado atenção de empresários que de fato poderiam se interessar em investir em quadrinhos. E fazer barulho no congresso com cobertura da imprensa serve justamente pra isso. Além disso, os que forem até Brasília vão mostrar disposição, o que agrada muito os brasileiros em geral, que gostam de ver e se identificar com aqueles guerreiros que “não desistem nunca”. Aqui no Brasil muita gente já conseguiu se destacar com esse tipo de atitude, principalmente na música. Até banda emo já foi em Brasília e apareceu na TV. Não acho que um protesto em Brasília vai resolver tudo, mas vai dar destaque para quem for e aparecer na televisão, tornando os artistas em questão mais famosos e abrindo portas. Não adianta o desenhista focar só no seu trabalho, cada artista tem uma personalidade que deve ser destacada na hora de conquistar o público.

  212. Olá!

    Muito boa a discussão (pena que cheguei um pouco atrasado), mas não custa nada deixar aqui a minha modesta opinião.

    Eu não vi ninguém falando que para haver um mercado de fato é necessário que haja quantidade. Sim, apenas quantidade. Pois é com quantidade de publicações que surgem os novos talentos, se renova as publicações e surge a tão almejada qualidade! Vide os grandes mercados de HQs (EUA, Japão e Europa). Ou vocês acham que lá só se produz material bom, de qualidade? Não, é produzido muita coisa medíocre e até mesmo ruim (Rob Liefeld não me deixa mentir…).
    A produção nacional precisa crescer rápido e isso só será possível com cotas (veja o caso de estudantes negros em faculdades, eram pouquíssimos até a criação de cotas). Isso não significa que eu concorde que as cotas devam ser mantidas ad infinitum, mas que são necessárias para se iniciar e manter uma produção em grande escala, são!, quer queiramos ou não.

    Outro ponto não debatido é o espaço para novos quadrinhistas (roteiristas, desenhistas, arte-finalistas etc.). Acho que as cotas abrirão mercado para gente nova e não apenas para os que já têm algum nome. Como se formar um mercado sem que haja espaço para gente nova?

    Falaram aqui que o público está fugindo das bancas, mas onde é que eles encontram suas Marvels e DCs, e seus mangás? É nas bancas! E sim, nós podemos concorrer com eles nas bancas, desde que haja uma reserva de mercado. Além do mais, não acho que os 20% sejam uma obrigação como se diz por aqui, mas sim um incentivo para que haja espaço para a produção nacional e esse incentivo vem acompanhado de fundos, de investimentos! Como pode ser uma obrigação se o dinheiro para editoras estará disponível?

    Creio que este seja o motivo por trás dessa lei. Mas não acho que ela esteja acabada, é necessário mais discussão sobre o tema. E a melhor parte dela, é sem dúvida, os incentivos fiscais.

  213. Marcio Baraldi

    Bemvindo, Anderson.Mandou bem! Bom-senso e lucidez sao sempre bemvindos aqui.

  214. Então, deixem-me ir mais além…

    Na FIQ desse ano foram expostos 100 títulos nacionais? Ótimo! Mas quantos desses foram produzidos e promovidos (contratando autores, marketing etc.) pelas editoras? Quantos desses títulos não partiram pura e simplesmente dos autores, que além de criar toda a história e desenhar (com ou sem um parceiro no lápis) tiveram que, praticamente, bancar toda a produção, promoção (boca-a-boca virtual) e só então buscar uma editora que se prontificou em imprimir e tirar seus 10%?
    Isso né mercado, pô!!! Mercado é o que há nos EUA, onde são produzidas toneladas de material de tudo quanto é qualidade (do duvidoso ao excepcional) e é aqui, e só aqui, que entra o leitor (separando o joio do trigo, e as editoras que investirem errado, paciência…).

    Com essa lei as editoras terão o incentivo ($$$) para contratar quadrinhistas novos e produzir e lançar material novo, em contrapartida, 20% desse material terá que ser nacional (os outros 80% serão da nacionalidade que se quiser, 80%!!!). Que pecado há em 20%?

    A qualidade vai cair? Só se as editoras não fizerem seu trabalho direito. Cabe as editoras selecionar o melhor material que elas puderem cavar por esse Brasilzão e publicá-los, se quiserem lucrar e sobreviver no ramo.

    Eu até entendo, uma lei de cotas não é a melhor lei do mundo, mas é a que funciona mais rápido quando queremos diminuir desigualdades, e não há nada mais desigual do que o mercado de quadrinhos no Brasil.

    Quantos autores vivem exclusivamente do que produzem em quadrinhos nesse mercado “de 100 títulos expostos na FIQ”? Pô, 100 títulos é o que a Marvel e DC publicam em um mês!
    Precisamos de quantidade! Só extraíremos qualidade se produzirmos massiçamente e só produziremos massiçamente se houver investimento na produção local.
    E, cá pra nós, 20% de um mercado pequeno como o nosso ainda é pouco!

    P.S.: Obrigado pela acolhida, Jota e Baraldi.

  215. Aproveitando a onda de apresentações: Daniel Araujo, ilustrador, sócio do estúdio de computação gráfica Mr,Pixel, co-autor do projeto de graphic novel 2112, leitor voraz de HQ desde 1981.

    Caro J.Daniel, alguns comentários seus são de uma ingenuidade tocante. Aquele dizendo que a lei de cotas é adequada ao mercado da TV paga porque os canais têm grandes corporações por trás chega a ser enternecedor. Você não tem idéia da guerra que essas grandes corporações estão travando com o governo pra tentar derrubar a lei. E não é porque elas acreditam que estarão sendo obrigadas a assumir material nacional de baixa qualidade. É porque elas querem continuar exibindo material estrangeiro que sai de graça para elas. A sua crença em que as editoras e canais estão preocupados exclusivamente com a qualidade também é tocante. Se assim fosse, teríamos muito mais HQ argentina nas bancas e livrarias. Mas temos lixos inomináveis, porque esses lixos saem de graça para a editora.

    Olha o DAYTRIPPER, por exemplo. Dois talentosissimos artistas brasileiros só tiveram oportunidade de desenvolver sua obra mais bem acabada através de uma editora americana. Tivemos que esperar a Panini lançar aqui uma obra feita por 2 brasileiros que se passam em São Paulo, Bahia e litoral de SP, e onde o protagonista se chama Brás. Quanto a DAYTRIPPER custou para a Vertigo? E quanto custou para a PANINI Brasil? A PANINI, ou qualquer outra editora nacional, pagaria para os gêmeos os três anos de produção do gibi? Sei lá, para estas é mais cômodo e barato receber o material já pronto, editado e acabado.

    Alguém falou da GAL, que lança 4 gibis por ano. Grande consternação – como fará para cumprir a cota? Ora, lançando um quinto gibi por ano. Cumprimento automático dos 20%. E tanto melhor se este gibi já vier pronto, produzido com incentivo do governo, e se a editora tiver incentivos do mesmo governo por estar publicando material nacional.Aos artistas preocupados com a qualidade deste quinto gibi, lembramos que são eles mesmos os responsáveis por essa qualidade.

    A cota talvez não seja a coisa mais sensacional do mundo, mas é necessária para dar vazão à produção que virá com os incentivos governamentais (volto à pergunta – todos os contemplados no ProAC foram também contemplados com editoras?). Sem as cotas, as editoras preferirão continuar adquirindo os DAYTRIPPERS com produção e divulgação financiados pelos gringos.

    • Olá, Daniel. Fui eu que citei a Gal Editora. Para ser mais exato, em 2011 eles publicaram 3 livros. Quanto é 20% de 3 livros? Considerando o aspecto progressivo da cota, quanto é 5% de 3 livros? Imagino que esse tipo de incongruência será tratado na regulamentação da lei, caso aprovada.

      Mas, ainda que a conta fechasse, o que me incomoda e a tecla que continuo a bater é essa: então, para publicar 4 livros que quer, a Gal Editora (ou qquer outra) terá que publicar 1 livro que NÃO QUER? É isso que me incomoda nessa lei.

      Abraço

  216. JAL

    Oi Jota, sobre as cotas de 20% haverá a maleabilidade na forma de publicação. Pode ser por título publicado ou por páginas em um livro mix. Se uma editora publica 3 livros por ano terá que publicar um quarto, com incentivos e financiamento especiais, para cumprir a cota. A editora publicará o que quiser dentre autores nacionais e internacionais. O máximo que terá que estudar é o material nacional também ao invés de só ver material internacional. Da forma que está, nós, artistas brasileiros, não podemos competir nem de igual para igual com material que vem de fora já pago e a preços que nunca poderemos chegar. Isso é dumping ao contrário. Que tal se ao invés de investirmos para encontrar petróleo em nossa terra apenas acharmos que é mais fácil comprar petróleo de fora do país? Onde está nossa automonia? Vamos só consumir cultura de fora? Vamos jogar no lixo as nossas próprias possibilidades? Por uma acomodação histórica? As cotas não são a melhor solução, como todos estamos cansados de saber. Mas criam obrigações do lado dos editores, desenhistas e do governo também. Cada um vai dar um pouco de força para que funcione. Não está só nas costas dos editores como vem sendo aqui colocado. Essa discussão só nos mostra o quanto somos submissos ao mercado enquanto que temos responsabilidades em nosso país para que melhoremos a educação que é totalmente atrelada à cultura. Somos produtores culturais com o mercado não funcionando a nosso favor há décadas. Uma lei pode ajudar a ter finalmente um acordo de mercado entre as partes. Basta darmos chance a que isso aconteça.

    • Então, JAL. Como vc diz, a editora de três títulos TERÁ que publicar um quarto. E se ela não quiser, mesmo que seja com os tais incentivos? E se ela não tiver estrutura para isso? É essa ingerência do Estado no negócio de uma empresa que me incomoda. Melhor que fosse facultativo. O Governo poderia dizer: olha, publique o que vc quiser, mas se for nacional, dou um incentivo financeiro para a publicação.

      E não concordo que estamos só consumindo cultura de fora. Já foi dito aqui: há muito autor nacional publicando de forma independente ou por alguma editora. É pouco? Claro que sim, mas o que se vê é uma tendência ESPONTÂNEA de crescimento.

      Eu preferia ver o Governo subsidiar cursos de quadrinhos para jovens. Isso sim, ao meu ver, fomentaria o mercado.

      Abraço

  217. Jota,

    Não acho que será obrigatório que uma editora como a Gal publique uma 4ª ou 5ª revista para cumprir a lei, talvez ela tenha que ceder 20% (ou outra porcentagem qualquer até se atingir os 20%) para autores nacionais nas 3 ou 4 revistas que já publica (ainda mais se forem mix).

    • Vixi, Anderson. Aí complicou. Como é que vc vai pegar um livro fechado como Mundo Fantasma (Ghost World) e meter 20 páginas produzidas no Brasil? Nem brinca, cara!

  218. Não sei como isso vai funcionar, Jota. Talvez a lei tenha que ser melhor detalhada (mas isso só complicaria ainda mais).

    Mas seria bom ver uma Panini, com toda a sua estrutura, tendo que contratar, produzir e publicar autores nacionais. Hehehe…

    • A Panini é a menos afetada, Anderson. Os títulos do Mauricio de Sousa dão e sobram para a cota. Percebe? Quem vai ter que se virar são as pequenas, tipo a Gal, Zarabatana, HQManicas, 8Inverso e por aí vai.

  219. Marcio Baraldi

    Dá gosto ter gente como o Anderson e o Araujo aqui no debate.Só trouxeram coisa boa, só acrescentaram.Parabens!E o JAL é fundamental aqui, pois é o cara que conhece essa lei melhor que todos aqui.

  220. Apresentações…
    Eu sou o ilustre desconhecido Anderson, sou baiano e tenho 37 anos. Leitor desde os 8 ou 9 anos. Sou apenas um entusiasta, criador de personagens e roteirista iniciante.

    Gostaria de ter a chance de entrar no mercado, desde que esse mercado exista de fato (já que não são 100 títulos expostos na FIQ que fazem um mercado).

  221. Caro Jota,

    Pois é, a editora vai ter que publicar um quinto gibi que nao quer. Mas nao quer por quê? E vai continuar nao querendo quando a lei em discussão já estiver valendo e o mercado estiver sob uma dinâmica diferente da atual?

    • Fala, Daniel. Não sei por que a editora não quer publicar um quinto título. Falta de capital? Escolha editorial? Aí é que está: não é da minha conta nem do Estado. Editora não presta serviço à população, não é concessão pública. É um investimento privado e não deveria, no meu entender, sofrer esse tipo de intervenção no seu negócio. Abraço!

  222. J Daniel

    Ô xará Araújo. Presta atenção direito no que eu escrevi, rapá. Me dá até tristeza ter que repetir de novo a mesma coisa.
    O que eu escrevi foi que a tv paga consegue se adaptar melhor a essas leis de cotas (que sou contra, portanto não acho adequada porra nenhuma, entendeu?) porque são grandes corporações e que o audiovisual já tem outras leis de incentivo por trás para complementar, o que facilita a situação neste caso.
    E que, ao contrário, no mercado editorial, existem muitas editoras de pequeno e médio porte que já possuem sua linha editorial e que podem ter dificuldades de cumprir essa cota autoritária. Em suma, a chance de haver o efeito contrário é grande: elas se desinteressarem de publicar quadrinhos para publicarem só livros. E, pior, o projeto de lei é muito mal feito, vem sem outros projetos complementares para dar mais consistência. Na minha opinião isso nem vai ser aprovado. Vai para o limbo igual o outro projeto do Vicentinho de cota de 20% de animação nacional na tv aberta.

  223. Saudações, senhores. Sou leitor fã de HQs e estive na função de editor do Farrazine desde sua criação (há 4 anos), deixando o posto neste final de ano.

    Honestamente, considero não ter know-how suficiente para optar entre o “a favor” ou “contra”, ainda mais considerando que cada editora/autor/desenhista/etc tem seu “rebolado” para se manter atuando no mercado.
    É possível percentualizar os beneficiados em detrimento dos prejudicados? Alguém será prejudicado com isso? São questões que devem ser levadas em consideração.
    Aliás, quando se fala “Mercado de HQs nacional”, não consigo ver um cenário muito definido, mas um grupo de abnegados que batalha o dia a dia e consegue se manter… ganhando bem com isso ou não, não sei dizer.
    Ainda assim, chama mais minha atenção do que o gringo, tão maltratado nas mãos de grandes editoras (salvo algumas exceções).
    Enfim, como disse, pouco sei sobre o assunto, o que tenho de sobra é uma torcida tremenda para que haja um crescimento (e debates assim são mais que necessários) e enriquecimento dos profissionais envolvidos com esse nicho.
    Tive o privilégio de estar em contato com vários desses profissionais – através do zine – e, sobretudo, notei um engajamento e profissionalismo dignos de serem recompensados.
    Entendo a reação ao termo “cotas” que, de imediato, se transforma em imposição e isso gera respostas acaloradas. Notem que preferi não ser a favor ou contra, justamente por não conseguir quantificar o impacto que a lei terá, mas foi preciso parar e pensar, porque a primeira reação é dizer não a uma imposição do governo.
    Que a iniciativa deste post (parabéns, Jota) renda frutos e, sobretudo, a união dos profissionais do ramo para que, num futuro próximo, todos dancem uma mesma música, sem que cada um precise abusar do “rebolado” para se manter.
    Abração.

  224. Caramba, são muitas ideias rolando aqui… Rod, a sua ideia da caravana e’ boa, mas iria demandar muita organizacao e grana, alem da ardua tarefa de conseguir juntar o maior numero de pessoas (na melhor data) para ir ate’ Brasilia. E talvez 20 ou 30 cartunistas (acho um numero superestimado) ainda seria muito pouco pra fazer o barulho necessario. Tenho uma proposta mais simples: continuar esse debate na dia da premiacao Angelo Agostini no Instituto Cervantes, em Sao Paulo. Ja’ conversei com o Worney e ele topou! O Jota Silvestre apresntaria um resumo dos topicos principais aqui levantados (em forma de diagrama, ou algo assim, que desse pra gente vizualizar graficamente) e seria o mediador de um debate entre 2 a favor e 2 contra. Isso talvez criasse interesse da Midia (ano passado so’ o JT (SP) e o Correio Popular (Campinas) noticiou – gracas a jornalista Cida Candido- a Premiacao). Esse debate poderia continuar a rolar atraves dos sindicatos dos jornalistas no Brasil inteiro, que poderiam virar centros de debate, com exposicoes de Cartuns, Charges e Quadrinhos sobre o tema. E quem sabe ampliar esse debate e sair do forum restrito da categoria. Alias, queria lembrar a turma da votacao que -ja’ comecou- do Trofeu Angelo Agostini.
    CÉDULA 28º PRÊMIO ANGELO AGOSTINI 2011 AQC-ESP
    http://aqcsp.blogspot.com
    Preencha a cédula e envie para nosso endereço: AQC-ESP/ Worney Almeida de Souza Caixa Postal 675 SP (SP) cep 01031-970 ou para o endereço eletrônico: aqc.waz@gmail.com O prazo é até 06 de janeiro de 2012. Vote na categoria de Mestres do Quadrinho Nacional em TRÊS nomes e nas outras categorias vote em DOIS nomes, indicando 1 e 2 lugares.
    Participe e prestigie o quadrinho nacional e seus artistas!
    MELHOR DESENHISTA DE 2011:
    1º…………………………………..
    2º…………………………………..

    MELHOR ROTEIRISTA DE 2011:
    1º…………………………………..
    2º…………………………………..

    MELHOR CARTUNISTA DE 2011:
    1º…………………………………..
    2º…………………………………..

    MELHOR LANÇAMENTO DE 2011:
    1º…………………………………..
    2º…………………………………..

    MELHOR LANÇAMENTO INDEPENDENTE DE 2011:
    1º…………………………………..
    2º…………………………………..

    MELHOR FANZINE DE 2011:
    1º.
    2º.

    PRÊMIO JAYME CORTEZ :
    1º.
    2º.

    MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL:
    1º………………………………………………………..
    2º………………………………………………………..
    3º………………………………………………………….
    4º …………………………………………………………

    • A ideia do debate está caminhando, Bira. Estamos na fase de convidar os participantes pró e contra a lei. Assim que tudo estiver acertado, vamos avisar.

  225. JAL

    Vamos aproveitar para aprofundar essa discussão sobre mercado? Afinal para se analisar uma lei é preciso entender como ela se encaixa no mercado atual.
    Temos o mercado de banca de jornal, o mercado de livrarias e o mercado de tiras de jornal. O primeiro é o que mais dá problema com imposição de cotas pois o investimento é maior do que publicar mil exemplares de um livro ou tiras em um jornal. Portanto é aí que se concentra o problema das cotas. Muito bem, quantas editoras temos nesse mercado de quadrinhos em banca? JBC, Panini, Abril, Ediouro e Escala? Acho que nem a Escala está mais publicando quadrinhos em banca. A Editora Globo saiu faz dois anos de banca. A Ediouro publica a Luluzinha que não seria considerada nacional pois os royalites vão para o exterior.
    Portanto a Panini já cumpre muito mais que 20% da cota pois o Mauricio tem 80% do mercado de quadrinhos infanto-juvenis no país. A Abril publica Disney, que vende muito pouco e com uns 3 ou 4 títulos mensais. Para cumprir os 20% teria que lançar algum autor nacional e, mesmo tendo feito um concurso meia boca, parece querer voltar a publicar nacional mesmo sem a lei. A JBC terá mais problemas pois publica alguns títulos de mangá ( não sei quantos) e teria que se adaptar. A Escala é inconstante nas publicações mas já lançou vários nacionais em outros tempos. Portanto o problema com as editoras não é tão complicado assim. As editoras de livro podem publicar 20% de títulos como livros de bolso. O investimento é menor ainda. E vejam como a L&PM vem cada vez mais publicando quadrinhos brasileiros nesse formato com Angeli, Laerte, Glauco e até Mauricio! A Devir já cumpre a cota com louvor e aí tem o que falo sempre sobre o investimento das editoras em autores nacionais- a Devir investiu no Mutarelli por anos, sem retorno financeiro e construiu a carreira desse autor que já migrou para teatro e cinema. A cia das Letras acaba de entrar e está pagando razoavelmente autores como o Spacca q

  226. JAL

    …continuando: autores como spacca que consegue produzir um livro importante por ano, por exemplo. A Gal quer publicar só 3 títulos por ano? Um deles pode ser um nacional de bolso, por exemplo. Não vai acabar por isso. Terá incentivo.
    Assim acho que antes de massacrarem uma lei que tem mais pontos positivos do que negativos e que está sendo reescrita com os pedidos das partes, só trará ganhos para o mercado. Deixar como está, os editores vão para o lado de menor investimento que é o quadrinho estrangeiro que não nos dá chance de autores brasileiros poderem entrar no próprio mercado a não ser de forma independente. Quem concorda com isso não pensa em nossos autores e sim num mercado com vicios que temos até hoje e que dificulta sim a entrada de novos valores. MAS O MAIS IMPORTANTE É QUE SE A LEI TEM DE QUATRO A SEIS ANOS PARA SER IMPLANTADA, nesse próximo futuro o mercado já estará com os quadrinhos invadindo de vez o iPad e então todo o investimento em impressão, papel e distribuição cai por terra. Aí é uma vergonha dizer que não quer publicar quadrinho brasileiro.
    Pensaram nisso? Se não pensaram é porque estão realmente analisando o passado e não vendo o mercado evoluindo. Aliás, as editoras podem publicar quadrinhos impressos para os estrangeiros e virtuais para os brasileiros e estarão cumprindo a lei de 20% de seus títulos para o nacional. Querem ainda discutir cotas ou não cota ou querem passar para ap´roxima página?

    • Não sei, não, Jal. Isso que vc falou me soa meio estranho. Será que em alguns anos os quadrinhos digitais estarão tão difundidos assim? Digamos que não, e uma editora publica autor brasileiro em formato digital só para atender a cota. Será que isso é benéfico pros artistas brasileiros? Publicar só por publicar, para quase ninguém ler? Não tem jeito, o que estraga esse projeto é a imposição das cotas. Se ficasse só no incentivo para quem publica HQ nacional estaria de bom tamanho. Abs!

  227. Marcio Baraldi

    JAL e amigos,será que em seis anos TODO mundo terá Ipad e lerá quadrinhos neles?Duvido.O Brasil ainda é um país muuuuito carente de tudo.Estamos ainda muuuuito longe de ser um pais classe-media, com padrao de primeiro mundo.Na minha opinião temos que pensar sobretudo nos milhares de criancas que entram nas escolas todos os anos e que deveriam ter gibis nas salas de aula como instrumento paradidatico e tambem nas bancas como diversao e lazer BARATO!Essa é minha idéia de mercado!Também penso que os jornais deveriam ter espaço fixo para tiras nacionais, chargistas e ilustradores, coisa que se vê cada vez menos por ai, inclusive em GRANDES jornais, que têm grana para investir nisso.As livrarias tudo bem, já estão com bastante livros nacionais e quanto mais crescer esse segmento, melhor.Seria otimo se tivessemos um “Asterix” ou “Timtim” brasileiro que vendesse realmente milhares de exemplares nas livrarias!Entao, eu entendo que o desafio maior é conseguir tornar o quadrinho um lazer BARATO e de MASSAS novamente, nas bancas e escolas.A molecada que estuda em escola publica hoje mal sabe ler e nao tem grana para Ipad tambem.Entendo que a gente precisava trabalhar essa lei junto a um projeto de MELHORA do ensino brasileiro.A lei criará PRODUTOS e um ensino decente criaria PUBLICO para esses produtos!Não é uma situação muito facil a nossa , não.Estamos num pais SUCATEADO em termos de educação e cultura.Ainda temos que construir uma base sólida (leitores) pra erguer o prédio(industria de Quadrinhos) encima.E lógico que a maioria dos editores não querem comprar essa briga,dá muito trabalho, mas seria a unica solução REAL! Eles preferem ficar como está, com a torneira do PROAC sempre aberta e pingando o suficiente pra eles se manterem.E o mercado continuar nessa ILUSÃO de que estamos indo muito bem e bla, bla, bla.Esse é um projeto que vai demandar muita coragem e uniao de todos em torno de algo que seria muito benéfico para a Cultura e Educação brasileira.

  228. J Daniel

    Que coincidência, Baraldi.
    Ontem mesmo saiu uma matéria no Valor Econômica dizendo que o Ministério da Educação vai comprar 300 mil tablets para distribuir na rede pública:

    https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/12/26/escola-publica-do-pais-entra-na-onda-dos-tablets

  229. Marcio Baraldi

    Fico Feliz com a noticia, Daniel.Mas vamos combinar que só tablet não adianta,né?Se a molecada nao aprender a ler e escrever de verdade o tablet só vai servir pra assistir filminho.Como tantos por aí, alias.

  230. Marcio Baraldi

    E jogar video-game tambem, claro.

  231. J Daniel

    Alguém tem os dados de quantos títulos nacionais e quantos títulos estrangeiros foram publicados nos últimos anos no Brasil?
    A lista das editoras que publicam material estrangeiro?
    E destas editoras que publicam material estrangeiro, quantos títulos nacionais foram publicados por elas?
    Gostaria de tomar conhecimento desses dados para ter uma dimensão real da situação do quadrinho nacional, pois até agora, se não tiver engano, ninguém colocou esses números no debate para embasar opiniões.
    Quem tiver esses dados ou um link que os traga, por favor, poderia colocar aqui?

    • Boa pergunta, Daniel. Acho que ninguém tem esse levantamento. Não sei nem se todos livros em HQ publicados tem ficha catalográfica na CBL. Sem falar nos independentes. Seria fantástico ter esses dados. Abs!

  232. J Daniel

    Pois é, Jota.
    Se ninguém tem esses números, como você disse, como é que se formula um projeto de lei que trata da hegemonia do quadrinho estrangeiro, sendo que não se sabe ao certo o tamanho real dessa hegemonia perante o quadrinho nacional?
    Em quanto o quadrinho nacional está atrás do estrangeiro em publicações? Será que a diferença é muito grande mesmo? Será que a diferença é muito pequena?
    Inclusive, se basearam em que para determinar a cota e botar no projeto?
    É complicado isso…
    Seria importante que esses dados fossem levantados e ficassem disponíveis para uma melhor análise e assim indicar realmente o que é necessário para melhorar o mercado.

    • Concordo totalmente com vc. Onde aparentemente poderia haver uma hegemonia gringa é nas bancas, via HQs de super-heróis. Mas aí temos a própria Panini publicando Mauricio de Sousa, que dá conta com sobra dos 20%. A Devir lançou um grande número de HQs brasileiras sem apoio do ProAC neste ano. A Nemo criou um selo só com adaptação de Shakespeare – feitas por brasileiros. A Balão Editorial só tem HQ nacional. Recebi a prévia de 2012 da Cia. das Letras: mais HQs brasileiras que gringas. Cara, queria muito que alguém fizesse um levantamento de mercado sob esta ótica! Abs

  233. JAL

    Pois é! O futuro, bem próximo, é todas crianças levarem seu tablet para escola ao invés de 10 kilos de livros nas costas. O governo vai economizar comprando conteúdo ao invés de livros impressos e as editoras terão que se adaptar. Vai se gastar muito menos papel. O futuro caminha pra isso. eu nunca imaginei que me sentiria um dinossauro ao ver uma máquina de escrever que tanto usei até pouco tempo. Pensar mercado é se preparar justamente para as mudanças. Para os incrédulos basta ver crianças de dois anos de idade já sabendo mexer nos celulares “toch”. Para eles será normal ter um tablet. Claro que haverá um mercado de tablet assim como se conseguiu um mercado de compras de joguinhos pela NET, evitando a pirataria. As editoras poderão testar público através da HQ na net sem muito investimento e depois talvez publicar em revistas ou livros se achar mais negócio. Em 20 anos a realidade será outra. O país já terá condições de se equiparar à renda de países do primeiro mundo, por exemplo. Falta sabermos controlar a alta corrupção que vem desde o tempo do império.
    Sobre o quadro de editoras de HQ, sem pesquisar, já dei um parâmetro por cima. Basta pesquisar nos sites de cada uma e anotar. Será mais ou menos o que disse em postagem anterior. Praticamente todas estão cumprindo já os 20% ou bem próximas à isso.
    Deixei para dar essas explicações sobre mercado só agora pra ver se alguém estaria analisando isso. Mas só agora estão vendo que há um mercado na net, por exemplo. Prova que bater sempre na mesma tecla dos 20% sem pensar nas soluções alternativas faz com que fiquemos dando voltas, sem evoluir. Olha só, busquei agora mesmo o site da Editora Abril: publica quatro revistas mensais e uma bimestral da Disney-(o que passei em postagem anterior) e tem a revista Recrieo onde publica algumas páginas de HQ nacional. Bastaria ampliar esse número de páginas publicadas na Recreio e publicar um revista nacional para cumprir a cota.
    A editora Escala tem uma única revista de quadrinhos que é Didi e Lili (Renato Aragão) nacional. Outras publicações são da Neo Tokio, Especial Princesas e Anime Do que publicam matérias de personagens em geral mas podem começar a publicar também páginas de hq nacional.
    A ediora Globo não tem mais revistas de hq em banca mas publica livros de quadrinhos do Ziraldo, Cocoricó e Sítio do Pica-pau-amarelo. Aliás, acaba de lançar o conteúdo digital do Sítio-do-Pica-pau-Amarelo para entrar no tablet escolar.
    A Panini tem só de Mauricio de Sousa cerca de 18 títulos mensais ou bimestrais além dos especiais. De estrangeiro tem 17 títulos de heróis Marvel/DC e dois de mangá. O MAD já cumpre os 20% dentro da própria revista. enbora tenha cartuns misturados com hq.
    A JBC é meio confusa na venda pois vende encalhe de edições já publicadas. Creio que tem ao menos lançamentos de uns 10 títulos por mês. Mas essa é preciso pesquisar em banca por sua irregularidade. Essa terá que se adaptar mesmo. Por cima teria que ter ao menos três revistas nacionais lançadas para cumprir cota.
    A Ediouro tem o Luluzinha e Luluzinha Teen e basta lançar um título para cunmprir a cota.
    Bem, bastou um click para ter esse levantamento. Espero que todos que estão participando desse debate com a ajuda do J.silvestre, façam também seus levantamentos.

  234. Um bom levantamento – apenas a primeira parte – da vasta produção nacional em 2011 feito pelo jornalista Paulo Ramos.

    Vale a leitura; http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

  235. J Daniel

    JAL, eu também tive a mesma percepção que a sua só de acompanhar ao longo do ano canais de informação como o do blog do Paulo Ramos e do Universo HQ. Aliás, ótimo levantamento feito pelo Paulo, Jota.
    Mas o ideal seria que os números reais fossem levantados todos os anos para termos maior precisão.
    Justamente a parte da cota de 20% e a ingerência do Estado em empresas privadas que sou contra nesse projeto de lei.
    Não que eu morra de amores pelas editoras, é que eu acho que o texto do projeto está mal feito, principalmente na parte que se refere a justificação do projeto em si, e que ele pode mais prejudicar do que ajudar os quadrinhistas. Creio que o risco das editoras se desinteressarem dos quadrinhos e partirem para outras publicações será grande.
    Vejo que a preocupação maior está mesmo nos quadrinhos de banca.
    Sou a favor de outros tipos de incentivos que o governo pode dar, como isenções fiscais e abertura especial de linha de crédito, baratear os custos de produção e isso ser repassado ao consumidor final (o leitor), ou seja, o governo ser o indutor do processo do negócio quadrinhos, como ele faz em outras áreas muito bem, e não o ingerenciamento.
    Em suma, eu assino embaixo o que o Eduardo Nasi colocou aqui:
    http://universohq.blogspot.com/2011/11/para-debater-reserva-de-mercado.html
    Um outro ponto.
    O mercado editorial não pode ser equiparado ao mercado das tv pagas, como já foi colocado aqui. Há nuances, peculiaridades, diferenças, são outros modelos de negócio, outros interesses por trás, como da intenção do governo de abrir o mercado para as teles para quebrar tradicionais monopólios. E tudo isso tem influência nas decisões que são tomadas pelo governo, tanto que a Globo quer empacar a nova lei da tv paga. É uma quebra de braço estratégica dentro do mercado de tv com a ANCINE jogada no meio.

  236. J Daniel

    oops… corrigindo:
    QUEDA de braço.

  237. J Daniel

    Sobre quadrinhos digitais e tablets.
    Especialistas falam em 10, 15, 20 anos para o fim do papel.
    Por enquanto, vejo o digital como uma outra mídia, uma alternativa, e não uma mídia substitutiva.
    Para quadrinhos digitais há dois pontos para análise: o modelo de negócio e o formato.
    Não existe ainda um modelo de negócio para quadrinhos digitais que vire uma grande tendência.
    O formato ideal também não foi encontrado.
    A Marvel e a DC vendem seus quadrinhos digitais, mas são os mesmos quadrinhos que ela vende no formato impresso (verticalizados). Então, quando você vai ler no smartphone ou no tablet, tem que dar vários cliques, zoom, ver quadrinho a quadrinho e não é aquele mesmo ritmo que você tem quando lê uma HQ impressa. Nela, a ação é uma só: a de virar a página. No digital são várias ações (cliques), o que incomoda o leitor tradicional pela complexidade e ritmo diferente.
    Os japoneses ainda não entraram com tudo no digital. As grandes editoras ainda vendem milhões de mangás impressos e nos sites delas você encontra apenas alguns previews. Existe o projeto J-comi ( http://www.j-comi.jp ) que coloca de graça mangás antigos completos para ler. Há publicidade embutida para se obter lucro. Mas são obras que já se pagaram no formato impresso. Então, vejo esse projeto japonês como um teste. O sistema de leitura é mais simplificado, só que inferior aos da Marvel e da DC.
    Algumas editoras menores japonesas trabalham com vendas de quadrinhos digitais para celulares no Japão, mas nada que vire uma tendência mundial.
    O Maurício de Sousa já disse estar atento à tecnologia mas ainda não quer entrar com tudo no negócio pelo mesmo motivo: qual o modelo de negócio e formato são ideais? Ele deve ter algum projeto em estudo (o JAL é que pode nos dizer), mas aguardando o negócio e a tecnologia pegar.
    Quanto ao formato:
    Os quadrinhos impressos são verticalizados (maior altura e menor largura). Os monitores de computador/notebook/tv pendem para a horizontal. Os tablets e o smartphones podem ser colocados na vertical para ler página por página, mas páginas duplas perdem o impacto que tem no impresso. Para ver legal uma página dupla é preciso dar zoom.
    Há quem defende que os quadrinhos digitais tem que ser lidos e vistos tela por tela no formato horizontal adaptados aos monitores (maior largura e menor altura). Neste caso, haveria uma mudança significativa na narrativa, comparado ao impresso. Teriam que ser inventadas novas formas de narrativa e elas teriam que ser agradáveis ao leitor.
    Portanto, o leitor tradicional de quadrinhos teria que acostumar e aprovar esse tipo de formato, o que não é nada simples.
    Há quem defende ainda a opção de colocar animações, sons, músicas e algum tipo de ferramenta interativa. Mas aí creio que deixaria de ser uma HQ para virar uma outra coisa.
    Na divulgação do filme Tron foi experimentado uma webcomic com animação e narrativa diferente, usando a tecnologia de programação em html5. Ficou assim:
    http://disneydigitalbooks.go.com/tron
    Há ainda a questão da pirataria.
    Baixar e ler scan é como ouvir uma música em 96kbps de qualidade. É a voracidade, mais pela quantidade do que pela qualidade. Quem ama música ainda compra cd/dvd, o mesmo se pode dizer do amante de quadrinhos. Mas, quando se trata de comércio de quadrinhos digitais, até que ponto a pirataria do mesmo poderia atrapalhar o negócio?
    Enfim… ninguém ainda conseguiu o formato ideal e o modelo de negócio para iniciar um boom a ponto de ameaçar o impresso.
    Eu sei que o Emílio Baraçal do Zap!HQ está desenvolvendo um projeto de quadrinhos digitais. Eu também tenho um projeto em fase inicial para formato e modelo de negócio. Mas é um projeto a médio/longo prazo, que demandará ainda muito estudo e testes.
    Portanto, acredito que o formato impresso tem muito o que render por vários anos.
    Quadrinhos na versão digital é ainda um grande desafio.

  238. Marcio Baraldi

    Quadrinho na net é inevitavel.Assim como musica, filmes, etc. O grande problema ate agora é COMO ganhar dinheiro com essas coisas na net?!?Ninguem ate agora conseguiu.Caiu na net já era, vira de graça pra todo mundo.Net por enquanto é só VITRINE pros artistas!E outra: vcs falam do Ipad, mas isso ainda é uma realidade distante desses milhoes de criancas pobres e carentes que nao tem grana nem pra se vestir direito.Será que o governo vai dar um Ipad pra CADA aluno desse pais?!?E será que daqui ha 20 anos o Brasil vai estar no primeiro mundo já?!?Gostaria de ser otimista assim.Acho que isso ta mais pra discurso do Mantega que pra realidade.O Brasil ta indo bem,tá uma euforia consumista, mas nossa pobreza ainda é MUITO grande e nossa educação publica tá um LIXO total.20 anos pra consertar isso ainda é pouco!Isso se o PT nao sair do governo nesses 20 anos e nao voltar a merda do PSDB, ne?!? Ai vai ser Aprovacao Automatica no Brasil INTEIRO!!!E privatizacao de TUDO!!!

  239. Marcio Baraldi

    Feliz Ano Novo pra todos os quadrinhistas do Brasil!Com muita saude, trabalho e um mercado melhor pra todos!Abracos.

  240. Marcio Baraldi

    Bem vindo, Marreiro!Quem conhece esse mercado pra valer e trabalha duro nele a vida inteiro é a FAVOR das cotas!O que eu quero ver a partir de 2012 é o quadrinho nacional deslanchar,reconquistar publico nos jornais, bancas e escolas.Dar alegria para seus leitores e dinheiro pros seus autores!Quero ver a HQ nacional SAIR desse gueto ridiculo e espremido,onde tem pouco dinheiro e muito EGO! Eu quero é botaaaaaaarrrrr, meu Quadrinho na ruaaaaaaaaaaaaa…..U-RUUUUUUUUU!!!Feliz 2012 pra nois,galera!
    PS:Em 2012 quero ver esse cangaceiro fazer um churrasco do Superbaitola!!!rarararar……

  241. O Brasil é muito grande e a tendência é o sujeito conhecer somente o que circula nos grandes centros. trabalho com quadrinhos aqui em Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul. Publico em dois jornais em Bento ( com pseudônimos diferentes),mais um jornal na cidade de Farroupilha e uma revista em Porto Alegre. Não consegui chegar as editoras e nem aos livros, mas de qualquer forma, VIVO de desenhar Quadrinhos.
    A discussão pode nos levar a avanços no setor.

    O debate é fundamental, Noto que quem se posiciona contra a iniciativa, gostaria que o debate nem acontecesse. Leiam o comentário do Gonçalo Junior, o cara não é só contra a lei , mas contra o autor brasileiro rsrsrsrsrsr, olhem os argumentos cheios de raiva do cara, a intenção é humilhar o quadrinista rsrsrsrsrsrs. não dá para entender. Cruz credo, sai pra lá coisa ruim…

  242. Marcio Baraldi

    Bem vindo, Ernani,grande profissional talentoso!Bem vindo, Gonçalo,grande escritor talentoso,e que anda numa fase super amargurada, mas que eu compreendo.Não é culpa sua,muita gente está infeliz com o mercado da HQ atual.E com razao!Mais um motivo pra gente se unir e tentar mudar essa situação.Talento e competência profissional nós temos de sobra.Falta uniao, politização,auto-respeito,e claro, um mercado que nos pague dignamente.Abraços.

  243. Marcio, quem cursa cinco anos de faculdade de Direito aprende o mesmo que quem joga xadrez- coloque-se no lugar do oponente, o que vc faria? Qual sua estratégia?

    Assim sendo, esta lei autoritária , vaga e equivocada pode ter sido proposta para dar visibilidade a um político, pura propaganda eleitoral,

    pense como autor de quadrinhos e vai achar lindo,

    por outro lado, já se pensar como advogando para um editor, meu cliente vai ter que se defender e derrubar esta lei com provas, demonstrando que não há numero suficiente de artistas, fazendo-os não cumprir o prazo entupindo-os de encomendas, ou publicando uma seleção do PIOR que chegar na editora e assim fazer os leitores se revoltarem e escreverem cartas, abrindo uma mobilização numérica muito,mas muito maior,

    enfim, o tema abrange questões complexas de mercado, de indústria gráfica, de distribuição, e de CULTURA, cria-se um hábito criando um público consumidor, educando-o a gostar e a saber selecionar, e isto leva tempo e NÃO se consegue a força com cotas obrigatórias no país que tem a maior carga tributária do mundo e uma burocracia digna do politiburgo,

    voltando ao o quadrinho, igualzinho o cinema o quadrinho nacional segue ciclos de mercado que são quinquênios da Economia Internacional e resvalam ou respingam aqui, como exemplo da difiiculdade em legislar sobre cultura,

    eu faz tempo cheguei a rascunhar um modelo de exportação de quadrinho autoral, bem superficial mas serve de exemplo, o artigo foi publicado numa revista científica da UNITAU – http://site.unitau.br//scripts/prppg/humanas/download/omarketing-N2-2002.pdf

  244. Fica a impressão que todo quadrinho estrangeiro que é publicado no Brasil, tem qualidade. Fica a impressão que todo quadrinho brasileiro que “ainda será publicado”, não terá qualidade. Alguns julgam que o seu quadrinho tem qualidade e o dos outros, não. Alguns desconhecem que muitos produtos culturais (principalmente super-heróis americanos) entraram no Brasil através de acordos propagandistas.
    A discussão da lei pode nos levar a avanços. Errado é não querer discutir. O Brasil é continental e com realidades diferentes. Além dessa lei, outras discussões devem entrar na pauta, mas é claro, não pode ficar concentrado somente na realidade Rio-São Paulo. Vocês desconhecem que aqui no interior do Rio Grande do Sul, existem, pelo menos, um quadrinista em cada cidade trabalhando. Uma realidade que prejudica o nosso mercado (aqui no Sul) é que muitos jornais, ao invés de contratar um desenhista,”chupa’ (pirateia) imagens da internet e publica quadrinhos, charges e cartuns, derrubando qualquer tentativa de mercado.
    Outra coisa que me incomoda, é que alguns autores (que estão bem colocados) já estão falando em nome das editoras, afirmando que elas irão contratar autores ruins. Ora, esse processo pode fazer justamente o contrário. Editoras que publicam coisa ruins já existem, seja de quadrinhos ou não. Quem sabe vocês não se surpreendam em ver que existem muitos autores bons. Muitas vezes, qualidade é só uma questão de oportunidade. Sei que um fator fundamental para se alcançar a qualidade é publicar.

  245. Marcio Baraldi

    Parabens pela inteligencia e lucidez do gaucho Ernani.Uma lei bem redigida e bem aplicada pode finalmente acabar com o famoso “longe demais das capitais”!Quanto aos criticos frustrados que abominam o quadrinho nacional e nasceram para lamber as botas do Alan Moore, é melhor deixar pra lá, Ernani.Esses nao tem jeito.Eles nao precisam de nós e nós nao precisamos deles.Quando um desses mediocres mudam de area e param de escrever sobre HQ ninguem nem percebe.Graças a Deus!

  246. Creio que somos responsáveis pela falta de um mercado forte e concreto,pois temos o costume de privilegiar o mercado americano e até europeu como se não tivéssemos tamanho poderio criativo e qualidade até superior aos deles, o que nos falta é parar de falar e começar a trabalhar para juntar um grupo grande o bastante para divulgação do universo brasileiros de hqs e sensurar os estrangeiros para que possamos assim provocar alguma reaçõ nacional com essa ação radical. Caso tenham algo em mente sobre isso contem comigo.

    • Olá, Glaydson.

      A censura ao material estrangeiro não me parece o melhor caminho. Tem muita coisa boa sendo publicada aqui e lá fora. Não dá para obrigar o leitor a ter acesso a apenas um tipo de quadrinho. Abs!

  247. AINDA A LEI DO QUADRINHO NACIONAL
    Acho que o ponto principal nessa discussão (que ainda nõ foi abordado) e’: se eu faço uma HQ eu devo receber por ela. “X” por pagina.
    Remuneração, grana, bufunfa! Essa proposta de pagar o nosso trabalho com “royalties” so’ vale pra grandes nomes, que numa semana vendem 500 mil exemplares.
    Estranho que esse ponto “remuneração” nunca entre nos debates, nem nos posicionamentos.
    Se a gente tem que entender “o lado” do editor e saber que o mercado e’ voluvel, a edição da HQ pode ser um tiro n’agua. Mas tem o NOSSO lado. A gente tem que viver e pagar contas… Assim como o editor tem que pagar tradutores, copy-desks, diagramador, secretaria, equipe, grafica, etc…
    Alguns quadrinhistas (não estou citando ninguem) podem se dar ao luxo de fazer um album maravilhoso e receber os 10% de Royalties 6 meses depois. Isso envolve meses de dedicação quase exclusiva. Muita gente não pode. Eu não posso.
    Eu não posso parar de fazer charges que pagam mensalmente, pra fazer uma HQ de 80 paginas (em dois meses) e receber 6 meses depois.
    Por isso, encaixo as HQs da Escala (que das editoras, e’ a que oferece a MELHOR proposta de trabalho, paga R$ 120,00 por pagina, ALEM dos 10%) entre os meus projetos e trabalhos semanais. Acabo sendo lento demais (a Escala paga pela produção quando entrego o livro. Mas eles pagam TUDO. E depois ainda pagam os 10%. E olha, que meu Dom Quixote vendeu 70 mil exemplares na primeira impressão, ja’ teve a segunda impressão e estão a preparar a segunda edição. Se uma editora media não pode pagar o que a Escala paga, devia ao menos fazer uma proposta honrosa, ao contrario de oferecer pagar os 10% de uma tiragem de 3 mil, 5 mil exemplares…
    Por isso, o melhor momento do Debate no Angelo Agostini foi quando o Jal disse que o mais importante era discutir Mercado de Quadrinhos no Brasil.
    Pra mim, discutir Mercado começa por discutir remuneração. Depois vem TODO o resto.

  248. O negócio é simples: Façam algo que preste e o público compra. Pois não há cota NO MUNDO que faça o leitor comprar o que não presta, ou seja, projeto de lei inócua e hipócrita.

    O mercado não aceita imposições, aceita qualidade.
    lei de incentivo tudo bem, de cotas beira o ridículo.

  249. Isso me lembrou da discussão que tive aqui o J Daniel que se ufanava do brasileiro como “leitor”…

    http://cbn.globoradio.globo.com/programas/fato-em-foco/2012/03/31/BRASILEIRO-LE-EM-MEDIA-QUATRO-LIVROS-EM-PARTES-POR-ANO-DIZ-ESTUDO.htm

    Vale uma discussão a parte. Obviamente, o tema afeta os quadrinhos.

  250. Olá, parabéns pelo debate! Só estou estranhando que o início seja atribuído ao Rafael Grampá (profissional de excelente qualidade), quando que na verdade ouve uma divulgação anterior da AQCSP em Julho de 2011, a pedido da Secretária Parlamentar Patricia Rubin, em nome do Deputado Federal Rui Costa (PT/BA), relator do Projeto de Lei 6060/2009, para que as opiniões fossem remetidas para alimentar uma Audiência Pública.

    vejam: http://aqcsp.blogspot.com.br/2011/07/vamos-discutir-lei-dos-20-de-quadrinho.html

    Cheguei a enviar uma opinião minha para a Patricia Rubin em outubro de 2011: http://lagartonegroblog.blogspot.com.br/search/label/Lei%20dos%20Quadrinhos%20Nacionais

    Alguém mais fez isso? Ainda que seja bacana o democrático debate, acredito que possa ser infrutífero se desperdiçada a oportunidade de levar-se a mesma opinião para os canais adequados. Que excelente oportunidade para sermos ouvidos! Contra ou favoravelmente, façam valer a oportunidade de serem oficialmente ouvidos.

    Um abraço,

    • Fala, Gabriel. Tudo bem? De fato, o debate é bem mais antigo. A rigor, começou – ou deveria ter começado – em 2009, quando o projeto foi apresentado pela primeira vez. Mas foi o post do Grampá e as matérias no Universo HQ e Blog dos Quadrinhos que incendiaram a comunidade quadrinhística e chamaram a atenção para a nova lei.

      De todo modo, o debate está posto e cabe a cada um se informar, discutir e concluir sobre o que é melhor para o mercado brasileiro de quadrinhos.

      Abs

  251. Gold

    Nada a ver essa ideia aí.
    Querendo defender o editor sendo q o editor é o vilão, é ele q lucra nisso tudo…

    Sou a favor, díficil competir com algo japonês por exemplo q já chega com seu mercado “pronto”… Se quer ver como é a visão do editor, veja na visão de um roteirista/desenhista ou mangaká( se quer termo japonês), eu mesmo cursando faculdade me dedico muito também a criação de roteiros e falta muito incentivo mesmo… Muita oportunidade.

    Precisamos sim fazer o quadrinhos nacionais crescer e olha q achei 20% pouco , 1/5, deveria 1 em cada 3 obras… Ou seja 30% (arredondando de 33)

    Cara neo liberal dizendo q n sabe oq é a palavra, q ai n sou neoliberal não.
    Todos países costumar usam um pouco de protecionismo, porque não podemos?? Não adianta querer liberar tudo como o tiozinho quer.

    Assim como ai pq quer ser roteirista, tbm refaço a pergunta, então pq escolheu ser editor??????

    Enfim estou a favor.

  252. Gold

    Esses que são contra parecem mais daqueles q : Cheguei até aq com próprias pernas pq n podem chegar tb??
    Coisa individualista de se pensar.
    O caminho é díficil e com essa paulada de obra estrangeira tá cada vez mais díficil.

    Parece q n entendem q vem uma camalhada de obra estrangeira com mídia já pronta sim, com “Animação” pronta aí, bem eu estou na área de mangá querendo ou não com a vivencia aprendi muito sobre isso também e tá díficil competir mesmo.

    Desde q virei roteirista n vi porta alguma se abrindo , normalmente é umas “editoras” independentes q normalmente não dão certo e q n tem experiencia pra entrar no mercado, q já anda devagar.

    Na escola escrevendo “minhas ferias” nunca ajudou em nada como roteirista adorava gibi, mas falta mais coisa além disso… Faltou incentivo de já lá naquela epoca escrever coisas diferentes(a internet n era tão difundida assim tb), ou seja poderia ser muito melhor.

    Precisa sim com todas as palavras mais incentivo aos quadrinhos nacionais em TODAS as escolas, assim podemos parar de escrever minhas ferias e escrever coisas mais interessantes como um todo.

    Deixo aqui minha opinião, pra ver se o pessoal se liga um pouco.

Comments are closed.

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2018