É impressionante a miríade de opções criativas que a nona arte oferece. De um lado está Marcelo Saravá fazendo tiras sem desenhos; de outro, Gustavo Duarte criando HQs mudas.

Em Birds, o mais recente trabalho de Duarte, não há sequer onomatopeias. Como ele consegue isso? Simples: seu traço seguro é capaz de transmitir tanta expressividade aos personagens que dispensa qualquer outro recurso.

Birds, como o próprio nome diz, apresenta a manhã tumultuada de dois passarinhos às voltas com a Dona Morte. Faz uma brincadeira com aquela história da profecia autorrealizada, ou seja: quando tentamos fugir do destino, acabamos indo de encontro a ele.

Não é só a caracterização dos personagens que Gustavo domina. São também a combinação do claro e escuro, os ângulos inusitados, o timing da narrativa. E os detalhes, ah, os detalhes! Da correntinha de segurança da porta à logomarca no painel do elevador, nada se apresenta à toa.

A grande vantagem das histórias sem diálogos é que elas já nascem universais. Não por acaso, Birds – bem como as HQs anteriores de Gustavo Duarte, e Táxi – já foi lançada em outros países.

O fato de que todas estas produções foram independentes só aumenta seu valor e importância. E ainda permite que cheguem aos leitores a um valor acessível.

Birds tem 40 páginas, capa colorida, miolo preto e branco e preço de R$ 12. Dá para comprar nas principais gibiterias de São Paulo ou direto com o autor pelo e-mail mangabastudios@gmail.com (com despesas de postagem).

Gustavo Duarte é chargista do diário esportivo Lance! Para acompanhar seu trabalho, visite o site pessoal.

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