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Resenha: Não é uma HQ qualquer

 O Brasil tem uma longa tradição de as tiras humorísticas. As primeiras delas produzidas no Brasil por Angelo Agostini, Nhô Quim e Zé Caipora, já carregavam elementos cômicos como ferramenta de crítica social.

A década de 1980 foi particularmente fértil para o gênero por conta da geração Glauco, Angeli, Laerte, Fernando Gonsales.

Nos tempos atuais, com o aumento da concorrência de forma inversamente proporcional ao espaço dedicado pelos jornais diários aos quadrinhos, novos talentos encontraram na Internet o meio para exercitar sua criatividade.

Entre muitos nomes, Carlos Ruas destacou-se com seu blog Um Sábado Qualquer, que acaba de virar livro pela Devir.

Tendo Deus – sim, Ele mesmo! – como protagonistas, as tiras de Ruas brincam, de forma bastante lúdica e inteligente, com passagens da Bíblia, grandes pensadores, fé, a estupidez humana, relações amorosas. Ou seja, todo tipo de assunto, já que Deus é onipresente, certo?

O Deus de Um Sábado Qualquer é o deus cristão, mas ele não está sozinho. Responde a uma “autoridade” maior e interage em grau de igualdade com o panteão de outras religiões ditas pagãs.

O elenco de apoio é hilário: Adão e Eva, caracterizados de forma divertida como bonecos de “pauzinhos”; Lúcifer, ironicamente o mais sensato de todos; e Caim, o pequeno psicopata representado por um carrinho de bebê. Einstein, Galileu, Nietzsche, Freud e até o arquiteto Oscar Niemeyer têm seus momentos de colóquio com o Todo-Poderoso – ora para questionar sua obra ora para questionar sua própria existência.

O melhor de Um Sábado Qualquer é a humanidade de Deus. Sem ser desrespeitoso, Rua nos apresenta um Criador divertido, inseguro, falível, imaturo até. Pois, se como diz a Bíblia, Ele nos criou á sua imagem e semelhança, não poderia ser diferente.

Um Sábado Qualquer reúne cerca de 300 tiras publicadas no blog de Ruas e mais uma HQ sobre a Arca de Noé. É apenas uma parte de sua produção, que já superou 740 tiras. Vale a pena acompanhar a atualização diária do blog.

O livro tem 128 páginas, capa e miolo coloridos, formato 20,5 x 20,5 cm e preço de R$ 35,00.

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1 Comment

  1. Mexer com algo tão sério sem cair no ofensivo é uma linha muito tênue e as tiras de Um Sábado Qualquer conseguem esse mérito. Sou fã!

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