Os zumbis estão em alta. De acordo com o ótimo livro Zumbi, o Livro dos Mortos, a presença dos mortos-vivos no mainstream é cíclica; então, aos fãs do gênero, resta aproveitar a boa fase antes que acabe.

Opções não faltam. Na TV, a série The Walking Dead acaba de entrar em hiato na segunda temporada, depois de um sétimo episódio eletrizante. No cinema, a terceira parte de REC está prevista para estrear em março do ano que vem.

Nos quadrinhos, a HQM já colocou em pré-venda o volume 7 do encadernado de Os Mortos-Vivos, título que deu origem ao seriado de TV (foram três encadernados só neste ano); a Gal Editora lançou há pouco tempo a interessante coletânea Zumbis, Mundo dos Mortos; há também o Guia de Sobrevivência a Zumbis, de Max Brooks (Rocco), e a terceira edição de Marvel Terror, atualmente nas bancas, com a publicação da série Marvel Zoombies Return. Isso só para ficar em exemplos recentes.

Na literatura, além do já citado Livro dos Mortos, a melhor obra de referência sobre o assunto que já tive a chance de ler, a Editora Generale lançou Apocalipse Zumbi: Os primeiros anos, uma ficção de autoria do meu colega de redação na revista Mundo dos Super-Heróis, Alexandre Callari.

A história concentra-se num grupo relativamente grande de sobreviventes à praga que praticamente dizimou a vida na Terra, tendo matado alguns imediatamente e transformado outros em predadores selvagens. Os que não caíram vítimas nem de um nem de outro destino, refugiaram-se numa fortaleza chamada Quartel. A chegada de um suspeito novato à comunidade e a missão suicida para resgatar um grupo de batedores vai levantar a fervura de um caldeirão de animosidades alimentadas por quatro anos de confinamento.

Apocalipse Zumbi bebe claramente na fonte de George Romero – aliás, todos os bons produtos culturais sobre o gênero também o fazem. Isso significa dizer que a praga zumbi é apenas um pretexto para explorar as fraquezas humanas: a mesquinhez frente à falta de recursos, o desespero quando todos os pilares da sociedade moderna são extintos, a selvageria que brota da exposição à morte iminente, a intolerância com os diferentes – seja num grupo pequeno como o de Rick Grimes em The Walking Dead seja numa sociedade relativamente organizada como a do Quartel.

Os zumbis de Alexandre Callari, chamados de “contaminados” são aqueles de Dawn of the Dead – não os bichos trôpegos do original de Romero, mas sim os velozes e furiosos do remake de Zack Snyder. O autor também criou uma nova categoria de zumbis, infectados que ainda mantém algum grau de consciência e que podem guardar a “cura” para a praga – algo que deve ser mais explorado nos dois volumes previstos para completar a trilogia de Apocalipse Zumbi.

Ávido consumidor de quadrinhos, ficção científica e outras nerdices, o que Alexandre Callari faz em seu livro é misturar Romero com cultura pop. Basta ver o nome de alguns dos personagens: Conan, Espartano, Zenóbia, Hulk. Seus heróis são estereótipos saídos de livros de aventura: o guerreiro viking, o samurai moderno, o negro forte e religioso, a guerreira implacável, o líder nato. E um improvável herói que surge a partir da metade do livro é um declarado nerd técnico em computação.

O autor tem uma ótima narrativa e, ao intercalar a tensão dentro e fora do Quartel com digressões dos personagens e flashbacks de antes do apocalipse, cria uma trama fluente que prende o leitor até a última página.

Apocalipse Zumbi é um ótimo livro e, até onde sei, o primeiro exemplo de ficção zumbi feita no Brasil. O livro tem 336 páginas, formato 16 x 23 cm e preço de R$ 39,90. Vem acompanhado de um CD com músicas compostas e produzidas por Callari e que servem como trilha para a leitura.

Comentários