Revista O Grito!

Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Alguém duvida do bom momento do quadrinho brasileiro?

A organização da Rio Comicon divulgou no início deste mês a relação das HQs mais vendidas nos quatro dias do evento (20 a 23 de outubro):

1. Daytripper (Panini), de Fábio Moon e Gabriel Bá

2. Necronauta – O almanaque dos mortos (Zarabatana Books), de Danilo Beyruth

3. Kardec (Barba Negra/LeYa), de Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa

4. Asterios Polyp (Quadrinhos na Cia.), de David Mazzucchelli

5. Eu, Wolverine (Panini), de Chris Claremont e Frank Miller

6. Luluzinha (Pixel)

7. Macanudo 1 (Zarabatana Books), de Liniers

8. Noturno (Zarabatana Books), de Salvador Sanz

9. Bando de dois (Zarabatana Books), de Danilo Beyruth

10. Macanudo Agenda 2012 (Eku), de Liniers

Dos 10 títulos mais vendidos, 5 são brasileiros, 3 argentinos e 2 norte-americanos, sendo apenas um do gênero de super-heróis.

Soma-se a isto a excelente análise feita pelo jornalista Paulo Ramos ao final do Festival Internacional de Quadrinhos sobre os quadrinhos independente (leia a íntegra aqui), da qual destaco alguns pontos:

– Entre 40 e 50 lançamentos independentes e nacionais

– Maior número de estandes destes títulos

– Produções graficamente bem editadas e com conteúdo à altura

Entre os lançamentos do FIQ divulgados aqui no Papo de Quadrinho, nota-se também a importância que editoras estabelecidas dedicaram ao quadrinho nacional (caso da Nemo e da Barba Negra, por exemplo), sem falar do anúncio do selo Graphic MSP, a ser lançado em 2012 com produções de artistas de fora dos Estúdios Mauricio de Sousa.

Dito isto, a quem interessa uma lei que imponha cotas de produção nacional às editoras que publicam quadrinhos?

Incentivos fiscais, obviamente, são bem-vindos. Alguns dos bons quadrinhos brasileiros que li ultimamente foram projetos aprovados pelo ProAC, do governo paulista.

Agora: não confundir “bem-vindos” com “essenciais”. Tem muita gente boa, fazendo quadrinho de qualidade e, melhor ainda, vendendo suas revistas sem a benção do Estado.

O quadrinho brasileiro vive um bom momento. A hora é de avançar nesta questão, resolvendo o calcanhar de Aquiles que é a distribuição para fazer com que toda esta produção chegue a um número maior de leitores.

A imposição de cotas em nada ajuda este processo.

Comentários

Previous

Aniversário do Papo de Quadrinho e as HQs que você deve ler antes de morrer

Next

Vale o investimento: Asterios Polyp, de David Mazzucchelli

4 Comments

  1. alexandre

    Jota, por favor, me diga:

    Quantos lançamentos de super-heróis tiveram no evento? Quantos artistas e roteiristas americanos de super-heróis foram convidados para o evento para autografarem seus lançamentos?

  2. Oi, Alexandre. Lançamentos de super-heróis tem todo mês, seja revistas de série, TPBs ou encadernados de luxo.

    A Livraria da Travessa tem um grande acervo de quadrinhos de super-heróis publicados pela Panini. Não sei dizer quantos ou quais levaram para vender no evento.

    Convidados internacionais ligados a quadrinhos: Bob Schreck e Chris Claremont – este último certamente explica a presença de Eu, Wolverine na lista dos mais vendidos.

    Abs

  3. alexandre

    Isso prova que a Panini é relaxada com seu trabalho no Brasil. Atua meramente como distribuidora das marcas Marvel e DC, e nem edita suas revistas, o trabalho é terceirizado. Tem um monte de evento e nada de trazer autores de fora pra cá. O único que veio, ligado a Marvel, é o Claremont, que acho que nem foi convidado pela Panini. Vendeu bastante o encadernado de uma história antiga. Se a Panini fosse séria, investiria nessas convenções Fiq, Rio Comicon e até no Fest Comix, e agendaria lançamentos especiais só para essas ocasiões, trazendo autores dos títulos atuais. Bom que por outro lado se abre esse espaço pro quadrinho brasileiro, embora eu ache alguns com preços muito salgados. Mas já é um começo.
    Valeu!

  4. Concordo totalmente. Considerando seu “monopólio”, a Panini faz um péssimo trabalho de marketing. Parece aquela coisa de “as revistas se divulgam sozinhas”. Pfff…

    Quanto aos preços, depende. Duas das HQs brasileiras que mais vi receberem elogios foram as do Vitor Cafaggi, VALENTE E DUOTONE. O preço de cada era coisa de R$ 10. Bom, não?

    Abs

Deixe uma resposta

Papo de Quadrinho é um blog da Revista O Grito!. Todos os direitos reservados. © 2013–2018