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Restart da DC: Superman 1 tem mais acertos que erros

Como disse antes, posso não concordar com os caminhos que Grant Morrison vem dando ao jovem Superman em Action Comics, mas pelo menos ele imprimiu alguma inovação ao Restart da DC.

O mesmo se pode dizer de Geroge Pérez na revista Superman 1, lançada esta semana nos Estados Unidos, e por isso merece elogios.

Altos níveis de spoilers a seguir; se você pretende aguardar um ano para saber o que acontece nesta HQ, melhor afastar-se deste texto agora…

Para deixar claro que se trata de uma nova era, Pérez começa sua história pondo abaixo um ícone do “antigo” universo DC: o Planeta Diário.

Se um dos objetivos do Restart da DC é tornar suas tramas mais condizentes com os tempos atuais, o roteiro acerta ao mostrar como os tradicionais jornais impressos vêm sendo incorporados a grandes empresas de comunicação multimídia – nesse caso, a Galaxy Communications, de Morgan Edge.

A venda do Planeta Diário desencadeia outros pontos importantes: a resistência de Clark Kent em aceitá-la denuncia um certo conservadorismo de Clark Kent/Superman; a ambiciosa Lois Lane, por outro lado, abraça a mudança e é promovida na nova estrutura do jornal – o que, de cara, provoca a primeira desavença entre o casal, que, como foi amplamente divulgado, não é casado no “novo” universo DC.

Ao mesmo tempo, Pérez explora um dos poucos vilões que Superman não consegue deter: o mundo das corporações, das finanças, dos acordos espúrios. A cena de Superman assistindo aos escombros do antigo prédio do Planeta Diário é bastante emblemática.

A partir daí, a história ganha ação, com Superman enfrentando um monstro de fogo de origem aparentemente kryptoniana. Como visto na primeira edição de Justice League, neste novo universo os heróis são tratados com desconfiança; mesmo Superman, mais aceito que os demais, é visto com ressalvas.

Não é apenas o super-herói que vence a ameaça; Clark Kent também sai vitorioso em seu próprio terreno ao redigir uma elogiada matéria, impressa, sobre a batalha.

A sequência final é arrebatadora: Clark procura Lois para fazer as pazes e dá de cara com o namorado dela dentro do apartamento. Assistir ao alterego do maior herói do mundo arrastar-se com ombros caídos em direção ao elevador diz muita coisa. Pérez é gênio.

Mas… como nem tudo são flores no Restart da DC, ficam algumas dúvidas:

– Por que mudar a etnia de Morgan Edge para afrodescendente? Alguma relação com a escolha do ator negro Lawrence Fishburne para viver o editor Perry White no cinema?

– Falando em Perry White, por que transformá-lo num galã? O veterano editor do Planeta Diário sempre foi conhecido por seu caráter firme e não por seus dotes físicos…

– Por que transformar Jimmy Olsen num clone de Justin Bieber? Para atrair os leiores jovens?

E, agora, algo bem interessante. O site Bleeding Cool comparou o preview de Superman 1 distribuído meses atrás pela DC com a edição que chegou às bancas. Em algum momento entre um ponto e outro, algum gênio decidiu que Clark Kent deveria parecer mais jovem. Bem mais jovem…

Em tempo: continuo achando totalmente desnecessária a mudança no uniforme. A sunga por cima das calças em nada compromete a imagem do maior super-herói de todos os tempos.

Comentários

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5 Comments

  1. Jota, como sempre, uma visão ponderada de tudo. Gostei da matéria.

    abraços!

  2. Ouvi dizer que o prédio em formato de X foi em homenagem a um certo blog brasileiro, é verdade?? Hahahaha… sorry, não podia perder a piada.
    Ainda não li essa edição, as está na minha listinha.
    Já li Supergirl (história que não engata) e Novos Titãs tb (bacaninha).

  3. BaHalus

    Interessante, li só agora de ler a edição da Panini. Curioso esse rejuvenescimento do Clark. Mesmo sendo 5 anos depois de Action Comics (é isso mesmo?), faz sentido ele não envelhecer muito (Já que, em geral, se assume que ele envelheça mais lentamente mesmo). Em algum local é dita a idade dele em Action Comics e em Superman?

    Eu gostei de ambas as histórias, gostei da reformulação, Gostei também das histórias publicadas em Liga da Justiça. Interessante esse lá e cá que está sendo feito com histórias se passando em momentos diferentes da nova cronologia. Em Superman, com Action Comics mostrando o início da carreira do herói e Superman mostrando a atualidade, enquanto na Liga da Justiça mostra o início da equipe e LJI mostrando anos depois uma nova equipe ocupando o prédio da antiga. Gostei disso e, como aqui no Brasil estão sendo publicados os dois momentos juntos, esse lá e cá acaba sendo reforçado. Gostei.

    Apesar disso, a cena final de Flashpoint me deixou confuso: Flash e Batman, no final da história, já estavam nesse novo Universo DC? Ou os dois Universos coexistem? Aquela pessoa misteriosa fala de três linhas temporais que precisariam convergir. Quais seria essas três linhas?? Elas convergiram no final de Flashpoint ou isso ocorrerá em um evento futuro? Isso ficou confuso pra mim.

    Uma falha da Panini foi não colocar a capa se Superman 1 nas capas mostradas no interior da revista, mas colocar todas as capas de Action Comics, inclusive a que já estava na capa da revista.

  4. Gustavo Gonçalves

    Sou novo aqui mas vou comentar que esses novos 52, só trouxeram coisas ruins. A derrubada do conceito de Planeta diário, um icone no super-homem. A Lois separada do Clark e a mudança de uniforme só foi pra pior. Por que mexer em um personagem tão bacana? Pra mim a sua resenha e critica foram perfeitas e eu particularmente detesto esse novo universo DC, principalmente no super-homem.

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