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Crítica: Conan, o Bárbaro é um filme descartável.

Muita coisa já se falou da primeira versão para o cinema do famoso bárbaro da Ciméria – aquela que lançou Arnold Schwarzenegger ao estrelato. A falta de fidelidade aos contos originais de Robert E. Howard e a preferência por um brutamontes monossilábico no lugar do guerreiro articulado são algumas das críticas mais comuns.

Visto hoje, o filme de 1982 soa datado, com sua narração em off, efeitos especiais mecânicos, mulheres com seios de fora e guerreiros vestidos iguais a metaleiros.

Apesar disso, ele tem uma grandiosidade e uma mística que a nova versão, lançada no último dia 16 no Brasil, infelizmente, não tem.

Conan, o Bárbaro não é um filme ruim; é, simplesmente, descartável. Certamente, não será lembrado daqui a 30 anos como seu antecessor.

E não adianta responsabilizar Jason Momoa por isso. O ator havaiano preparou-se bem para o papel e dá conta do recado, representando um Conan até mais fiel ao concebido por Howard.

A culpa é mesmo do roteiro previsível e nada empolgante. Vamos a ele…

Numa pequena vila da Ciméria, em plena Era Hiboriana, o jovem Conan destaca-se pela sua força e coragem. Até que Khalar Zym (Stephen Lang), uma espécie de cangaceiro pré-medieval, invade a vila com seu bando para recuperar o último pedaço de uma máscara ancestral que lhe dará poderes divinos – e, de quebra, trará sua esposa bruxa da morte.

Para salvar Conan, seu pai sacrifica-se e o menino passa a vagar pelo mundo e se transforma num mercenário arruaceiro, porém defensor de causas nobres como a libertação de escravos. Numa dessas aventuras, depara-se com um antigo invasor de sua vila e fica tomado pela sede de vingança. Nessa jornada, ainda vai salvar Tamara (Rachel Nichols), a última descendente pura da dinastia de Alcheron, de Khalar Zym.

Enfim, previsível e esquecível.

Os efeitos especiais são simples e competentes; as cenas de luta são bem coreografadas e para quem gosta de sangue o filme oferece um banquete. Momoa esforça-se, mas não tem carisma e falta química na relação com Tamara.

Uma pena. Seria uma ótima oportunidade para apresentar Conan a uma nova geração e, quem sabe, reviver seus bons tempos nos quadrinhos.

Por falar em quadrinhos, há fãs que arriscam uma comparação: Schwarzenegger estaria para o Conan desenhado por John Buscema; Momoa, para o de Barry Windsor-Smith. Até onde sei, a grande maioria prefere o primeiro. O cinema parece seguir o mesmo caminho.

Por falar em Conan, fica a dica do ótimo livro lançado pela editora Évora para quem nunca teve contato com os textos originais de Robert E. Howard. É aquele tipo de livro que você começa a ler no metrô e pragueja quando chega à sua estação.

Comentários

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6 Comments

  1. Lumpa lumpah

    Mas Jota, com raras exceções, os roteiros do Conan nos gibis são sempre a mesma coisa. E tava na cara que no cinema não ia ser diferente, né?

  2. Nossa, você conseguiu encontrar um roteiro bem longo no filme. Eu não consegui tanto. rsrsrsrs… Concordo com cada palavra. E acrescento também a HQ lançada pela Mythos. Para quem não viu o filme ainda, ler a HQ é uma boa economia de grana. Abraço, Jota.

  3. Então, Lumpa, quando vc tem um argumento (a história) simples, precisa caprichar na narrativa (a forma de contá-la). E este filme do Conan não tem um nem outro.

    Abs

  4. Fala, Edu! Cara, eu normalmente torço o nariz para quadrinizações de filmes. Os roteiristas tendem a “copiar” a linguagem de cinema em vez de adaptá-la para os quadrinhos. Nesse caso do Conan, se o filme é fraco, fico imaginando como seria a HQ. Vou poupar meu dindin.

    Abs

  5. Ótima análise meu amigo Jota!
    Apesar de ainda não ter assistido, por tudo que vi acredito que irei concordar com essa crítica.
    E… amigo Lumpa, os roteiros de Conan nos gibis, quando não adaptados dos escritos de Howard, realmente são basicamente a mesma coisa, porém os que adaptam a obra original, fogem desta regra e são muito criativos e bem engendrados como rramente visto nos quadrinhos em geral.

  6. Ótima análise meu amigo Jota!
    Apesar de ainda não ter assistido, por tudo que vi acredito que irei concordar com essa crítica após assistir.
    E… amigo Lumpa, os roteiros de Conan nos gibis, quando não adaptados dos escritos de Howard, realmente são basicamente a mesma coisa, porém os que adaptam a obra original, fogem desta regra e são muito criativos e bem engendrados como rramente visto nos quadrinhos em geral.

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