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Restart da DC: Papo de Quadrinho viu Action Comics e Detective Comics

O texto abaixo contém doses radioativas de spoilers. Continue a ler se quiser…

Action Comics e Detective Comics são as pedras fundamentais da DC Comics. A primeira, lançada junho de 1938, fez nascer o gênero de super-heróis quando estampou o Superman na capa da primeira edição. A segunda não só trouxe Batman ao mundo na edição 27 (maio de 1939), como também emprestou suas iniciais ao nome da própria editora.

Por sua importância, ambos os títulos sobrevieram aos numerosos solavancos criativos e financeiros por que a DC passou em mais de 75 anos de existência e se mantiveram firmes, contínuos, tornando-se os mais longevos dos quadrinhos.

Mas nada disso segurou a sanha editorial dos senhores Grant Morrison, Jim Lee, Geoff Johns e Dan Didio, artífices do Restart da DC que, aos poucos, vai mostrando sua cara.

Uma semana depois do lançamento da nova revista Justice League, nesta quarta-feira (7) começou a chegar às lojas especializadas a primeira leva de revistas do “novo” Universo DC.

Action Comics e Detective Comics, ambas com numeração zerada pela primeira vez na história, estão entre elas.

Action Comics é pilotada por Grant Morrison (roteiro) e Rags Morales (arte). Assm como em Justice League, a trama se passa num mundo que mal está se acostumando aos super-humanos – cuja extravagante presença provoca medo na população e desconfiança nas autoridades.

Superman, o astro deste título, parece não se esforçar para desfazer a má impressão. Ao mesmo tempo em que protege desabrigados e mulheres vítimas da violência doméstica, enfrenta a polícia com um sorriso no rosto e tortura um empresário corrupto e inescrupuloso – ou simular que vai jogar um cara da cobertura de um prédio não é tortura?

Há quem diga que é uma volta às origens. De fato, o Superman de Siegel e Shuster não hesitava em saltar com um culpado sobre os ombros para forçá-lo a confessar seus crimes e teria carregado Hitler e Stalin pelo colarinho para acabar com a 2ª Guerra Mundial.

Porém, mais de 70 anos de histórias acabaram por sedimentar a imagem de um herói respeitoso da moral e das leis – o que muitas vezes rendeu problemas e piadas ao personagem.

Neste sentido, vem bem a calhar a mais recente edição da revista DC + Aventura, da Panini, em que a história escrita por Joe Casey em 2003 prova que o senso de justiça do Superman original não tem mais lugar nos dias de hoje.

Goste este editor ou não, o Superman do Restart da DC pelo menos mostra alguma inovação – ou revisão. Não é o caso do Batman visto em Detective Comics 1.

Tony Salvador Daniel, responsável pelo roteiro e arte do título, bebe descaradamente da fonte de O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller.

Estão lá os mesmos recordatórios a serviço das digressões dos personagens; está lá o mesmo Batman amargurado e um passo à frente de todos; está lá o mesmo apoio do comissário Gordon ao vigilante de Gotham, a despeito das ordens do prefeito; está lá o mesmo Coringa insano, rindo da incapacidade do Batman em matá-lo. Há até uma boneca que explode. Parece familiar?

Como não consegue ser original, Salvador decide pesar a mão numa história em que arrancar a pele do rosto dos bandidos parece fazer algum sentido. A seu favor, conta somente a arte (finalizada por Ryan Winn) caprichada e vigorosa, e que apresenta boas soluções narrativas em pelo menos duas cenas de diálogos – mas mesmo elas lembram a diagramação de Miller, inovadora nos anos 1980.

Em poucas palavras: é o mesmo Batman dos últimos 25 anos. Cadê a novidade?

Os outros títulos que chegaram às bancas neste dia 7 foram: Justice League International, Green Arrow, Batwing, Batgirl. Stormwatch, Swamp Thing, Animal Man, OMAC, Men of War, Static Schock e Hawk and Dove.

Comentários

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1 Comment

  1. ronaldo

    a personalidade do batman é otima não tem o que mudar agora herois como o superman todo certinho esta por fora se ele não fosse um robo escoteiro ele seria melhor.

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