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Papo de Quadrinho viu: Planeta dos Macacos – A Origem

Por Eduardo Marchiori

A convite da Fox, o Papo de Quadrinho assistiu ao filme numa sessão  exclusiva para profissionais de imprensa e traz as impressões sobre a produção, que resgata uma famosa franquia de cinema e TV. Sem spoilers, como manda a política do blog.

Se o leitor tem mais de 40, certamente vai se lembrar da emblemática cena de Charlton Heston cavalgando numa praia com metade da Estátua da Liberdade enterrada na areia.

Em 1968, o longa-metragem O Planeta dos Macacos mostrava um futuro apocalíptico da Terra, onde restaram poucos seres humanos e o planeta é dominado por uma raça de símios falantes. O filme gerou mais quatro continuações: De Volta ao Planeta dos Macacos (1970), A Fuga do Planeta dos Macacos (1971), A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) e A Batalha do Planeta dos Macacos (1973).

A temática continuou despertando o interesse do público e, em 1974, a franquia ainda rendeu uma série de TV com 14 episódios e uma série animada com mais 13 episódios no ano seguinte. Vinte e seis anos depois, em 2001, o diretor Tim Burton ressuscitou a franquia e deu sua visão sombria sobre o primeiro longa-metragem, com Mark Wahlberg no papel principal. Apesar dessa longa trajetória, nenhum desses filmes contou o que aconteceu para que o futuro dominado pelos macacos acontecesse.

Planeta dos Macacos – A Origem, que estreia no Brasil dia 26 de agosto, vem para responder essas perguntas, e volta ao “passado” para revelar como tudo começou. James Franco interpreta o Dr. Will Rodman, um renomado cientista da empresa de engenharia genética Gen-Sys. Rodman está empenhado em descobrir a cura para o Mal de Alzheimer, doença que acometeu seu próprio pai, Charles (John Lithgow). Para isso, desenvolve um vírus benigno que regenera o tecido cerebral humano danificado e usa chimpanzés como cobaias.

Um dos experimentos foge do controle e, para evitar mais complicações, os cientistas são obrigados a sacrificar todas as cobaias. Uma delas, porém, estava grávida e deu à luz um pequeno chimpanzé que Rodman fica com pena de sacrificar e passa a criá-loem casa. Batizado como César, o pequeno macaco herdou o vírus de sua mãe e apresenta inteligência acima da média.

Um acidente leva César para longe da paz do seu lar e o coloca em cativeiro onde um cruel tratador (interpretado por Tom Felton, o Draco Malfoy, de Harry Potter) e outros macacos selvagens vão despertar nele um sentimento de revolta.

A homenagem dos roteiristas à antiga série fica por conta da rápida aparição de uma cobaia chamada Cornélia. Além disso, algumas brincadeiras são mostradas, como César imitando a clássica pose do Pensador de Rodin ou o anúncio do filme Fuga de Alcatraz durante a rebelião dos símios na ponte Golden Gate. Até mesmo King Kong é lembrado.

O filme usa a mesma tecnologia de Avatar para dar realismo às cenas com os macacos e ao ambiente em que eles aparecem. Diferentemente das produções anteriores, nas quais os atores usavam máscaras, esta versão utilizou a tecnologia de captura de movimentos e deu muito mais realismo às expressões de César, que transmite alma e sentimento apenas com o olhar. Com isso, o espectador é levado a se envolver com as situações injustas as quais o símio é submetido, criando um clima de tensão que vai do começo ao fim do filme.

É um ingresso num mundo selvagem onde impera a lei do mais forte, que nos leva a questionar se o mundo dos homens é tão diferente daquele dos primatas. Valores éticos são colocados em xeque nesta produção, que mostra o que acontece quando o homem brinca de ser Deus sem impor limites aos seus atos. Se Charles Darwin vivesse hoje, sua teoria da evolução seria invertida.

Eduardo Marchiori é jornalista, editor do blog “O X da Questão” e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis e do site Meu Herói.

Comentários

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3 Comments

  1. Roberto Miranda

    Caro Eduardo, você está errado quando diz que em nenhum dos filmes da série Planeta do Macacos está explicada a origem da dominação dos macacos sobre os humanos. Reveja, se não me engano, o filme A Conquista do Planeta dos Macacos, onde Cezar e Cornélia são transportados para o passado, e se rebelam, dando início a organização dos macacos e sua dominação sobre a terra.

    O que temos agora é uma releitura com adaptações por conta do diretor.

    Estou ansioso para assistir.

    Abraços.

  2. Em Buenos Aires esperamos a premiere de este filme. Acredito que deve ser grande, graças ao artigo

  3. Tem razão, Roberto. Comi bola nesse fato. No entanto, como o próprio diretor afirmou, ele preferiu dar sua própria visão da história, o que a torna uma versão inédita. Obrigado pela correção e espero que tenha gostado do filme. Dificilmente as releituras conseguem agradar os fãs mais antigos, mas essa tem tudo para ser uma exceção.

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