Por Eduardo Marchiori

A convite da Paramount Pictures, Papo de Quadrinho assistiu ao filme numa exibição exclusiva para jornalistas. Super 8 estreia em circuito nacional na próxima sexta-feira (12) e o blog traz as primeiras impressões aos leitores. Sem spoilers, como é sua política.

Quando começou a ser divulgado, Super 8 chamou atenção por tratar de um tema que já vem se tornando comum em Hollywood: uma criatura misteriosa é capturada pelas lentes de uma filmadora. Seria um fantasma como em Atividade Paranormal, um monstro como em Cloverfield ou algo sobrenatural como em [*REC]? Mais um filme narrado em primeira pessoa (aquele que é filmado com a câmera no mesmo ponto de vista dos espectadores)?

Nada disso: o primeiro trailer mostrava que a trama se passa no final da década de 1970 e teria relação com a misteriosa Área 51 dos Estados Unidos, área militar que, supostamente, foi usada para ocultar experiências com alienígenas. Houve até quem achasse pistas ocultas nos frames do trailer, no melhor estilo “teoria da conspiração”.

O mistério valeu e conseguiu o marketing necessário para o filme, despertando o interesse do público em descobrir como seria a criatura, mistério esse que é mantido até quase o final do filme, numa excelente estratégia do diretor J.J. Abrams (Lost, Missão: Impossível 3, Star Trek) para prender a atenção da plateia.

A trama conta a história de um grupo de garotos que estão fazendo um filme caseiro sobre zumbis. Durante uma filmagem numa estação, eles testemunham um acidente de um trem de carga da Força Aérea – um tanto exagerado, diga-se de passagem. Não é preciso ser nenhum doutor em física para saber que um carro atravessado nos trilhos não provoca um choque com inércia suficiente para fazer todos os vagões voarem e explodirem. Mas tudo bem, estamos no cinema e a pirotecnia faz parte do show. Pulemos essa parte…

O acidente atrai vários oficiais das forças armadas, que começam a circular pela região buscando algo que não informam o que é, enquanto que sucessivos apagões acontecem na cidade, os cachorros fogem e pessoas desaparecem misteriosamente. Obviamente, o mistério em torno da situação provoca pânico na população, que cogita até mesmo o envolvimento dos russos – na ocasião, os Estados Unidos ainda viviam a Guerra Fria. Só quando a filmagem é revelada, os garotos descobrem do que se trata.

Super 8 traz inúmeras referências oitentistas, especialmente de grandes clássicos de Steven Spielberg (que também é produtor do filme). Impossível não lembrar de Os Goonies vendo o grupo estereotipado de protagonistas: há o adolescente com problemas familiares, o gordinho impopular, o medroso, o bobalhão, o maníaco por explosões e a menina do grupo, que disputa as atenções dos outros.

Também há referências a E.T. e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, com a diferença de que o alienígena não é tão amigável e provoca um belo estrago por onde passa. O diretor acerta a mão ao manter a curiosidade da plateia o tempo todo, mostrando o alien em takes rápidos ou apenas por partes, garantindo alguns sustos. O roteiro é muito bem amarrado e mescla perfeitamente o suspense de saber como é o monstro, o drama do garoto que perdeu a mãe, a ação nas perseguições e alguns toques de humor.

O filme é cheio de clichês, mas isso não é um ponto negativo: todos eles estão ali de propósito, fazem parte do espetáculo. Só o final é que pode decepcionar, mas sem comprometer o filme como um todo. Quando os créditos começarem a subir, espere um pouco para sair da sala: uma divertida surpresa ficou reservada para o pós-filme.

Eduardo Marchiori é jornalista, editor do blog “O X da Questão” e colaborador da revista Mundo dos Super-Heróis e do site Meu Herói.

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