Ditadura No Ar é o novo projeto de Raphael Fernandes, também redator freelancer e analista de mídias sociais, junto com o artista Abel (Almanaque Gótico).

As tiras serão publicadas no blog Contraversão no mesmo estilo dos tabloides dos anos 1930. Ou seja, não serão histórias curtas e fechadas, mas sim capítulos em que a continuação fica para a semana seguinte.

A história, de temática noir, é ambientada no período da ditadura militar no Brasil e terá como protagonista o fotógrafo e descendente de italianos Félix Panta, que terá que usar toda sua malícia para salvar a namorada comunista Nina das mãos do regime.

Papo de Quadrinho conversou com Raphael Fernandes para entender sua motivação e o futuro de Ditadura No Ar:

 De onde partiu a ideia de escrever e publicar tiras na internet?

Faz tempo que estou tentando publicar alguma história em quadrinhos que não seja de humor. Tentei emplacar um projeto de uma história de terror psicológico no PROAC, com desenhos do Octávio Cariello, mas parece que a comissão não achou interessante. Cansado de depender de editoras, desenhistas ocupadíssimos e minha própria disposição de tempo, estava resolvido a publicar algo no meu blog (o Contraversão).

Sou apaixonado pela MAD, mas nunca me considerei um humorista. Meus interesses literários sempre foram mais voltados para as histórias de terror, fantasia, ficção científica e policial, além de literatura beatnik e autoral. Praticamente sou o Junior que quer se afastar da imagem da Sandy, mas sem deixar de receber os royalties por ter composto “O Imortal” com ela.

Por que você optou em ambientar uma história policial na época da ditadura militar?

Em uma conversa de madrugada com o Abel, fiquei sabendo que ele estava com vontade de lançar alguma história com uma pegada noir. Falei que a gente podia fazer uma tirinha contínua como as antigas séries de aventura que eram publicadas em jornais. Eu tinha acabado de ler “Agente Secreto X-9”, do Alex Raymond e Dashiell Hammet, lançado pela Devir, e fiquei muito empolgado.

Pensei em trazer o tema para o Brasil, mas o único período que permite esse clima dark que me veio à cabeça foi a ditadura. Aí, tive a ideia toda a partir disso e o Abel achou sensacional. Mas ele estava bêbado, então essa tira é o fruto de uma bebedeira na hora errada. Sem falar que é um período em que fazer qualquer coisa fora da linha era muito mais perigoso. Não dava pra confiar em ninguém!

Quantos capítulos esta primeira série terá? Qual a previsão de término?

Não faço a menor ideia! O objetivo é produzir como uma tira de aventura para jornal que continua acompanhando os leitores por muito tempo. Temos toneladas de ideias para tramas, mas é claro que já pensei em um final para tudo isso. Porém, estamos discutindo a possibilidade de desenvolver uma segunda fase com personagens diferentes ou mesmo com os coadjuvantes que surgirem.

Você tem planos de publicar a série de forma impressa?

Estamos trabalhando na série como se faziam as tiras antigas. Temos um plano geral de onde queremos chegar, mas tudo vai mudando conforme desenvolvemos a trama. Os personagens têm muita vida e passamos boa parte do tempo pensando em detalhes de suas vidas. A gente toparia na boa publicar a HQ de forma impressa, porém, não temos interesse de ver isso impresso antes de publicar o final no Contraversão. Só se for uma proposta realmente irrecusável. No entanto, um grupo entrou em contato para a gente oferecer as tiras para iPhone, mas ainda não tem nada acertado.

Há outros projetos de tiras online em andamento?

Fiz roteiros para mais duas séries de tirinhas para o Contraversão, mas essas serão HQs de humor. Uma delas se chama “Zumbis em Série”, que será uma HQ de humor misturando séries de TV com zumbis (e o pessoal que virou morto-vivo de tanto ver série). A outra se chama “I don’t wanna grow up” e mostrará o dia a dia de um figuraça que tem trinta anos e ainda mora com os pais. Estou pensando em uma graphic novel dividida em capítulos, mas só se todas essas derem certo.

Para ler a primeira parte de Ditadura No Ar, clique aqui.

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