Em respeito aos leitores do blog, esta resenha não possui spoilers.

Por Társis Salvatore

Antes de falar deste filme, é importante parabenizar a Warner pela coragem de levar um personagem da complexidade do Lanterna Verde para a telona.

Ao contrário de poucos heróis icônicos da DC, familiares ao grande público como Batman e Superman, sempre pareceu para esse editor que fazer um filme com personagens profundos do naipe da Mulher Maravilha ou o Lanterna Verde seria um risco enorme e que exigiria da produção batalhas memoráveis, um grande ator no papel central e, por que não dizer, um pouco de sorte.

Se o leitor não está familiarizado com o Lanterna Verde e sua Tropa vai ter a oportunidade de conhecer um pouco de um dos mais importantes personagens dos quadrinhos que, com esta estreia, tenta transpor seu sucesso em outras mídias (desenhos animados, por exemplo) para o cinema e alcançar seu devido lugar no primeira escalão de grandes super-heróis.

Infelizmente, não foi desta vez que o Lanterna Verde se mostrará ao mundo como o super-herói fantástico que é. Talvez seja um estigma carregado por heróis “verdes” como Hulk e Besouro Verde, mas o fato é que Lanterna Verde é uma produção que amarelou.

Ok, o filme diverte como um todo – sobretudo para os não iniciados – mas fracassa na tentativa de mostrar ao grande público porque o herói tornou-se hoje um dos mais importante e rentáveis da DC (basta ver o enorme sucesso de suas duas últimas sagas, A Noite Mais Densa e O Dia Mais Claro)

Como quase todo filme de super-herói em sua estreia, o Lanterna Verde é um filme morno, que do meio para frente acaba esfriando e não deslancha, graças em grande parte ao roteiro previsível. Seria o medo de não explicar para as novas audiências adequadamente a complexa origem do herói?

A direção de Martin Campbell é insegura, sobretudo na condução dos atores, que parecem presos aos efeitos especiais.

Ryan Reynolds não convence interpretando o destemido Hall Jordan. A própria escolha de Jordan, o primeiro Lanterna da Era de Prata, como protagonista deste do filme acabou por confundir muitos jovens que  sentiram falta de seu substituto nos quadrinhos, o Lanterna Verde negro John Stewart, grande sucesso  no desenho Liga da Justiça e  um dos responsáveis pela popularidade do personagem.

Valeu ao menos a interpretação de Mark Strong para Sinestro, o futuro traidor da Tropa.

Somando um roteiro frágil, um ator sem o carisma necessário e a ausência de batalhas memoráveis, o filme não consegue  demonstrar o que é de fato o universo incrível da Tropa dos Lanternas Verdes.

O vilão Hector Hammond e o etéreo (e relativamente novo) vilão Paralax não empolgam nem assustam realmente.

Os efeitos especiais, ainda que tenham sido usados em demasia, são passáveis. Vale lembrar que os poderes do Lanterna Verde são “mágicos”, portanto parece estranho exigir  “realismo” de seus construtos. O fato é que diante dos inúmeros problemas desta produção, os efeitos especiais parecem um verniz exagerado.

Talvez a maioria destas questões passe batido para o grande público, caso este não tenha contato com as críticas contundentes dos sites norte-americanos.
Já para os fãs e nerds iniciados, a chance de Lanterna Verdade agradar é bem pequena.

Por outro lado, fica a torcida para que o Lanterna Verde se pague e, quem sabe, tenha mais sorte em uma continuação envolvendo Sinestro e uma batalha contra a sua tropa amarela.

Lanterna Verde estreou nos Estados Unidos no dia 17 de junho e por aqui só desembarca  em 19 de agosto.

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