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“Black Kiss”, uma decepção

Eu fui um dos (muitos, acredito) que comemorou quando a Devir anunciou o relançamento desta HQ no início do ano. Não tive acesso ao material quando da primeira publicação seriada, pela Toviassu, em 1991.

Não sou um leitor desavisado. Sabia que a Black Kiss tratava de submundo, drogas e sexo.

Mesmo assim, terminei a leitura decepcionado.

Pareceu, para mim, a história escrita por uma criança que acabou de aprender meia dúzia de palavrões e folheou revistas de sacanagem demais.

Há sexo nas situações mais inusitadas: o protagonista, um ex-músico drogado chamado Cass Pollack, consegue transar com duas loiras mesmo sabendo que é perseguido pela polícia e pelo crime organizado. Só para descobrir em seguida que, oh!, uma delas é transexual.

Logo depois, transa com a própria sobrinha antes de pedir ajuda para desvendar a trama em que foi enredado. E o final ainda apela para uma coisa meio mística que em nada combina com todo o resto.

A quantidade de termos chulos, sexo e sadomasoquismo beira a vulgaridade numa obra que não se pretende pornográfica.

Para muitos leitores e críticos, Black Kiss é a obra mais icônica de Howard Chaykin. Discordo. Se ele queria fazer uma crítica à sociedade, deveria ter permanecido em American Flagg, essa sim uma obra-prima.

Sempre fui fã do estilo de Chaykin, que, admito, fica ainda mais elegante no preto e branco de Black Kiss. A Devir também merece elogios pela edição caprichada e em edição única.

Se você chegou até aqui, pode me chamar de careta. Não terá sido o primeiro.

Black Kiss tem 152 páginas e preço de R$ 36,00 (brochura) e R$ 39,00 (capa dura).

Comentários

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6 Comments

  1. Jota, deixa de ser coroínha! A história é legal exatamente por causa da sacanagem, envolvente por causa do mistério e do final inesperado. Além disso, essa edição está lindona.
    Vá ler a Lulusinha Jovem! heheheh
    Vlw!

    • Putz, DJ, acho que tô ficando velho, mesmo. Esse tipo de sacanagem não me surpreende mais. Mistério, não vi. E o final inesperado achei que distoa do restante.

      E a edição lindona foi justamente o que elogiei. Além, claro, do estilo charmoso do Chaykin, de quem continuo fã.

      Abs

  2. Dj, tu tens razão. Acho que o Jota não entendeu a história. Inclusive na descrição do texto está errado, pois a protagonista não é uma transexual, mas uma vampira. (pelamordedeus não é spoiler essa revista é da décade 1980, ok?)

    Acontece é que a violência e a sexualidade foi exagerada pelo Chaykin, mais ou menos como Tarantino faz (com sucesso) no cinema. Enfim, o Jota está tão velho que no tempo dele o Cebolinha e a Mônica nem namoravam! ahahaha

    Abs! ;)

  3. Edição encadernada de Black Kiss: R$ 36,00

    Anuidade do domínio do blog: R$ 29,00

    Descobrir que é um tapado por meio do seu parceiro: não tem preço.

  4. Ahahah..
    Poxa, aqui não tem botão “curtir” pra eu clicar…
    Calma, tapado, tb não.. velho, vai. ;)

    abs!

  5. Pronto, post corrigido.

    Mas não muda em nada minha opinião sobre a HQ.

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