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Papo de Quadrinho escolhe as 10 melhores HQs de 2010

Toda lista que se preza é subjetiva e sujeita a críticas. Esta não pode nem quer ser diferente.

O ano que se encerra chama atenção pela quantidade e alto nível dos títulos produzidos por roteiristas e artistas brasileiros em diversos gêneros. Na nossa lista dos melhores, seis são nacionais e muitas outras só não entraram pelo limite autoimposto de elencar apenas 10 HQs.

Obviamente, a crescente melhora da produção nacional chama a atenção das grandes editoras e, neste quesito, vale destacar a aposta da Devir – que na nossa lista, publicou quatro das seis melhores HQs brasileiras.

Esta mesma relação foi enviada, a pedido, aos sites O Grito, de Paulo Floro, e Gibizada, de Télio Navega, que ouviram vários profissionais dos quadrinhos para formar uma visão mais abrangente do que de melhor se produziu em 2010.

Na ocasião, não tivemos oportunidade de justificar as escolhas. Vamos a elas:

1) Cicatrizes, de David Small (Leya Brasil/Barba Negra)
A trama comovente poderia cair no lugar comum: garoto com pais negligentes é acometido de um câncer na garganta, perde a voz e ganha uma horrível cicatriz. Nesta HQ autobiográfica, porém, David Small, constrói uma pequena obra-prima. Em clima de filme mudo – uma metáfora ao silêncio reinante no lar em que foi criado e à sua situação pós-cirurgia – o autor demonstra um perfeito domínio da narrativa gráfica.

2) As Incríveis Aventuras do Escapista, Michael Chabon e vários autores (Devir)
Não é fácil construir um mito. Chabon fez isso ao escrever seu best-seller As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, em que dois primos se destacam na Era de Ouro dos Quadrinhos com a criação do herói Escapista. O livro é uma espécie de Homens do Amanhã romanceado e retrata todo o ambiente social da América no período em que os quadrinhos de super-heróis viraram um fenômeno. A HQ apresenta histórias criadas por diversos autores como se o Escapista tivesse realmente existido e sido publicado nas diferentes Eras dos Quadrinhos. Imperdível!

3) MSP +50, vários autores (Panini)
O primeiro volume, lançado em 2009, foi uma homenagem aos 50 anos do estúdio de Maurício de Sousa. Diversos autores foram convidados a apresentar sua visão pessoal da Turma da Mônica e muitas histórias não conseguiram escapar do clima de comemoração. Livre desta “obrigação”, esta sequência renova a experiência de mostrar como os profissionais de hoje enxergam os personagens que povoaram sua infância. E ainda tem o mérito de misturar nomes consagrados com jovens talentos. Para 2011, já está programado um terceiro volume, MSP Novos 50.

4) Pequenos Heróis, de Estevão Ribeiro e vários artistas (Devir)
Com a colaboração de vários colegas, Estevão Ribeiro (Os Passarinhos) criou uma série de pequenas histórias que provam que o heroísmo está muito além dos super-poderes. Cada uma delas é estrelada por crianças inspiradas nos super-heróis da DC Comics que precisam dar o melhor de si quando confrontadas com situações adversas. A ausência de texto e a arte caprichada reforçam o caráter lúdico da obra e provam que a linguagem dos quadrinhos é universal.

5) O que Aconteceu ao Homem Mais Rápido do Mundo?, de Dave West e Marleen Lowe (Gal Editora)
Uma nova e perturbadora abordagem da frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Bobby Doyle tem a capacidade secreta de parar o tempo e precisa fazer uso dela quando um terrorista ameaça destruir o centro de Londres. Bobby não entende de desarmar bombas, então o que fazer para salvar as milhares de pessoas? Quanto tempo levará? E o que acontece quando, ao contrário das pessoas “congeladas”, o tempo para Bobby continua fluindo inexoravelmente? Uma HQ de super-heróis como nunca se viu antes. Excelente!

6) Yeshuah 2 – O círculo interno, o círculo externo, de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole (Devir)
Segundo volume da trilogia que apresenta a visão personalíssima do autor sobre o Novo Testamento, fruto de quase uma década de pesquisa. Enquanto a primeira parte preparou o terreno para a chegada de Jesus, esta sequência é centrada em seus anos de peregrinação e convencimento, para uma população carente e ignorante, de que o amor supera a guerra. De forma sensível, Laudo nos faz lembrar de ensinamentos que teimamos em ignorar nos tempos atuais.

7) Mondo Urbano, de Mateus Santolouco, Eduardo Medeiros e Rafael Albuquerque (Devir)
Música e quadrinhos sempre geram uma combinação interessante. Tendo como fio condutor a morte do astro Van Hudson – e uma suposta negociação com o Diabo em troca da fama – os autores constroem um rico painel da contracultura utilizando a técnica de narrar o mesmo fato sob o ponto de vista de diversos personagens. Como numa banda de rock, os artistas vão se intercalando, ora com longos solos ora com a mixagem de seus instrumentos, a arte. Rafael Albuquerque foi premiado recentemente pelo site IGN por seu trabalho em American Vampire e Eduardo Medeiros tem participação garantida em Strange Tales 3, a visão indie dos heróis Marvel. Junto com Santolouco, são as grandes apostas do quadrinho brasileiro no exterior.

8) Bando de Dois, de Danilo Beyruth (Zarabatana Books)
Depois do ótimo Necronauta, Danilo brinda os leitores com mais uma obra-prima. Sem abandonar completamente o clima sobrenatural, esta HQ narra a aventura de dois cangaceiros para recuperar as cabeças de seu bando, dizimado pelas forças oficiais. Danilo tem um domínio narrativo excepcional e consegue transmitir, com sua arte, o clima árido do agreste nordestino e da alma dos protagonistas.

9) RED – Aposentados e Perigosos, de Warren Ellis e Cully Hamner (Panini)
Talvez o maior mérito desta HQ tenha sido inspirar o excelente longa-metragem estrelado por Bruce Willis. Mas o original em si tem qualidades. Muitas. Paul Moses é um agente do FBI aposentado e tudo que ele quer é ficar sozinho para exorcizar seus fantasmas. Por puro capricho, um novo diretor da agência decide que ele deve morrer e Frank se vê obrigado a fazer o que mais sabe: matar. A história, apesar de curta, tem boas surpresas e um clima de suspense que prende do início ao fim. O filme é muito superior, muito mais bem desenvolvido, mas nem assim RED, o quadrinho, deixa de ser uma leitura divertida.

10) Zeladores, de Anderson Almeida (Mr. Guache) e Nathan Cornes (Devir)
Os autores que insistem que quadrinhos brasileiros devem obrigatoriamente conter elementos da nossa cultura deveriam se basear nesta HQ. Numa trama sobrenatural e aventureira, Anderson e Nathan dão uma divertida visão de entidades da umbanda, do folclore e dos contos infantis. Tudo começa quando Zé Pilintra é atacado por um bando de Ramalho, um antigo inimigo que deseja roubar a bengala que vai liberar um grande mal. Antes, porém, Pilintra é atraído por um ebó e envolve-se com uma bruxa wicca, seu irmão lobisomen e por aí vai. Há até um confronto com a Cuca, para se ter uma ideia. A arte cartunesca, muito bem acabada e colorizada, é mais um elemento que enriquece esta obra.

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3 Comments

  1. Anonymous

    Seria o advento da tecnologia, inserida no nosso dia-a-dia, ou as editoras e quadrinistas estão conseguindo mudar a face do mercado nacional de quadrinhos?
    Para aos editores em investirem nesse nicho de mercado. E viva aos quadrinistas, que estão conseguindo superar essa imagem negativa que tínhamos sobre quadrinho nacional.

  2. Minutos antes de ver esta postagem finalizei a compra de CICATRIZES, muito bom saber que comprei a melhor do ano haha! Grande abraço pessoas que fazem a PAPO grande trabalho!

  3. Legal, Alex. Depois comente aqui se vc concorda com a gente que esta é a melhor HQ de 2010.

    Abs

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