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Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

Setor Industrial chega pelo selo Kong Comics

O roteirista Carlos Macedo e o desenhista Luan Zuchi informam que a HQ Bem- Vinda ao Setor Industrial está disponível gratuitamente em kongcomics.com. As cores da capa são de Luciana Lain.

A obra foi financiada através do edital FAC Digital RS, parceria entre o Pró-Cultura RS/FAC (Fundo de Apoio à Cultura) e a Universidade Feevale.

Ambientado em um futuro distópico, o quadrinho conta a história de Daiana, operária de uma fábrica de naves, tentando ajudar Rute, uma jovem que se perdeu enquanto visitava o planeta industrial. As diferenças entre as duas são apenas um dos obstáculos que elas encontrarão pelo caminho.

Os autores participarão de uma live de lançamento no dia 23 de setembro às 20 horas no BlogBuster. O bate papo terá mediação do roteirista de quadrinhos, Fabio Mesmo.

Para ler gratuitamente, clique aqui.

Sobre os autores:

Carlos Macedo é escritor, professor de inglês e tradutor. Formado em Letras, participa do Curso Livre de Formação de Escritores da Metamorfose. Estreou nos quadrinhos em 2019 com o Zine Relacionamento a Distância, em parceria com a Ilustradora Mariana Couto. Teve contos publicados nas coletâneas Pequenas Histórias de Porto Alegre, Halloween (ambas em 2019) e Diálogos (2020).

Luan Zuchi é quadrinista e ilustrador. Formado em Design, publica quadrinhos independentes desde 2013. Em parceria com o roteirista Luciano Ribeiro, publicou Comandante Key (Vol. 1, 2 e 3). Em Esperando o Mundo Mudar, ilustrou o roteiro de Guilherme Smee. Participou da HQ coletiva Lady Horror Show em 2016. Entre 2018 e 2020, atuou como ilustrador no jornal Pioneiro de Caxias do Sul.

“Haole”, HQ arretada e que não faz marola

por Júlio Black

“Haole”, HQ Nacional escrita por Milena Azevedo e desenhada pela dupla Sueli Mendes e Chairim Arrais, está novamente na crista da onda. A revista, com a qual Milena concorreu ao prêmio de melhor roteirista no prêmio HQ Mix em 2017, retorna ao mercado no formato ebook e pode ser encontrada no site da Amazon, e o ah migo leitor e a ah miga leitora podem escolher comprar as cinco edições avulsas ou o pacote em volume único. Para quem não se preocupa com esses encadernados de capa dura envernizadas com 17 quilos e duas mil páginas e curte ler quadrinhos no tablet ou computador, o investimento vale os reais conquistados com o suor da labuta diária.

Milena Azevedo roteiriza essa HQ bacanuda

A história se passa em Natal, capital do Rio Grande do Norte, e tem como protagonista Irene, uma jovem surfista negra que perdeu uma das pernas em uma tragédia e, traumatizada, foge da sua cidade e da família. Sozinha na capital potiguar, Irene ganha o pão graças a pequenos furtos. Porém, ao tentar dar o migué no cliente de um restaurante, ela é pega no flagra pela dona do estabelecimento; ao invés de chamar a polícia, ela prefere dar uma segunda chance à jovem, que passa a trabalhar para a senhorinha.

Apesar de fazer algumas amizades, Irene ainda é retraída, reservada e misteriosa quanto ao seu passado, e é por meio de flashbacks que descobrimos aos poucos o que levou a surfista se fechar para o mundo e as pessoas, a ponto de ter como principal amiga a camaleão fêmea Cristianny.

Um dos baratos da revista são os elementos surreais que surgem quando Irene está pegando onda ou sonhando, com referências literárias e cinematográficas – no caso, o livro “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carroll, e a série “Twin Peaks”, de David Lynch. Misturar a dureza e a tragédia do mundo real com a fantasia e delírios é tarefa difícil, mas Milena, Sueli e Chairim são gurias que dão conta do recado.

Além de valer o investimento pela obra em si, “Haole” ainda tem o barato de fazer parte do mesmo universo de outra HQ lançada na mesma época, mas os distintos leitores e leitoras terão que adquirir a revista para descobrir qual é. Garanto que foi uma bela surpresa.

PS: Para quem assina o Kindle Unlimited, dá pra ler Haole na faixa.

DC FANDOME REVELA O PROCESSO CRIATIVO DO QUADRINISTA IVAN REIS

DC FanDome é uma mega experiência virtual gratuita para fãs, na qual nenhuma credencial é necessária. Após o sucesso da primeira parte do evento realizada em 22 de agosto, que reuniu 22 milhões de espectadores ao redor do mundo, a Warner Bros. Pictures anuncia para o dia 12 de setembro, no DC Fandome: Explore o Multiverso, a exibição de um conteúdo inédito e especial focado no universo dos quadrinhos, em parceria com o quadrinista brasileiro Ivan Reis

Ivan Reis, um dos artistas favoritos aqui do Papo

No seu estúdio pessoal, em São Bernardo (SP), Ivan revela ao público um pouco da sua técnica de trabalho, do esboço à finalização das peças. No evento, os fãs poderão acompanhar o passo a passo do desenho do Batman, inspirado na nova produção Batman, que será estrelada por Robert Pattinson e dirigida por Matt Reeves, além da divulgação de outros projetos do quadrinista, que inclui o lançamento de colecionáveis e novidades em publicações como a revista do Superman, entre outras.  

“A minha parceria com a DC tem mais de uma década, e estou muito feliz em fazer parte desse momento. O DC FanDome é um evento singular focado nos fãs e de proporção global. Apresentar o meu trabalho para diferentes audiências, com personagens que marcaram gerações é muito gratificante”, diz. 

O resultado com o celebrado artista brasileiro você confere agora em 12 de setembro, sábado, a partir de 14h no DC WatchVerse em DCFandome.com. 

Sobre o artista 

Há mais de 25 anos no mercado de quadrinhos, Ivan iniciou sua carreira nos Estúdios Mauricio de Sousa e já trabalhou em revistas de vários gêneros para diversas editoras, além da Marvel e DC. Na Marvel, desenhou títulos como Vingadores, Homem de Ferro e Hulk; e na DC, desenhou as revistas Superman, Lanterna Verde e Aquaman, além de eventos importantes como Infinite Crisis, Blackest Night, Brightest Day, Multiversity e foi um dos criadores envolvidos na grande reformulação DC Universe Rebirth. Celebrado artista, em 2016 desenhou Batman n°6, sua primeira história solo do Homem-Morcego, a revista mais vendida do mercado americano em setembro daquele ano. Ganhador de vários prêmios em sua carreira, é artista exclusivo da DC há muitos anos e atualmente é o desenhista oficial da Revista Superman, um dos principais títulos da Editora. 

Sobre o DC FanDome: Explore o Multiverso 

Durante este megaevento de 24 horas, os fãs poderão criar e controlar sua própria experiência de visualização de mais de 100 horas de conteúdo sob demanda da televisão, cinema, quadrinhos, jogos e muito mais – todos destacando o trabalho de mais de 500 talentos, artistas e escritores de todo o mundo. Apenas o conteúdo que se quer ver, quando quer ver, onde quer ver (no celular e no desktop). Este evento dá aos fãs a oportunidade de levar seu amor pela DC a outro nível! Os fãs terão acesso a conteúdos exclusivos dos bastidores na TV e no Cinema, uma extensa biblioteca de quadrinhos da DC, bem como fan art, cosplay e muito mais. 

 Confira abaixo um pouco mais do Multiverso: 

1.      WatchVerse: Os painéis incluem a introdução oficial de Batwoman da WBTV, bem como Superman & Lois, Legends of Tomorrow da DC, Stargirl da DC, Black Lightning, versões expandidas de The Flash (TV) e painéis de Titãs que estrearam durante o Hall of Heroes e muito mais. Além disso, fique atento às notícias de última hora ao longo do dia. 

2.      InsiderVerse: No InsiderVerse, os fãs podem ir aos bastidores com os mestres artesãos que dão vida à DC em todas as suas formas, de histórias em quadrinhos a jogos, TV, filmes, parques temáticos, produtos de consumo e muito mais. 

3.      Blerd & Boujee: A programação de Blerd & Boujee celebra a cultura Blerd (também conhecida como “Black nerd”) e seu impacto em todo o mundo, apresentando diversos artistas, vozes, músicos e conteúdo. 

4.      FunVerse: Diversão é o nome do jogo no FunVerse e um lugar perfeito para compartilhar seu DC Fandom. Leia centenas de quadrinhos digitais gratuitos, faça uma pose na estação de selfies, explore o Escape Room do Coringa e muito mais. 

5.      YouVerse: Onde os FÃS são as estrelas. Confira mais de 17.000 fan art, cosplay e envios de conteúdos gerados por usuários de todo o mundo e não se esqueça de votar em seus favoritos. 

5 motivos para assistir a Lovecraft Country na HBO

Disponível para assinantes desde 16 de agosto, a série começa com o retorno de Atticus Freeman, veterano da guerra da Coreia, à sua cidade natal para atender um chamado do pai, com que mantém uma relação conturbada.

O misterioso legado do jovem negro é o estopim para a revelação de seitas ocultas, criaturas monstruosas, poderes sobrenaturais, documentos secretos e outras dimensões.

Até a publicação desta postagem, haviam sido exibidos 3 dos 10 episódios da primeira temporada.

Veja por que você não pode deixar de assistir:

1. É adaptado de um livro

Lançado no Brasil pela Intrínseca, primeiro capítulo pode ser baixado de graça no site da editora

Território Lovecraft, de Matt Ruff (Intrínseca, 352 páginas, R$ 50,90 na Amazon), entra fácil naquelas listas de livros para ler antes de morrer.

Com narrativa empolgante e estilo elegante, Ruff criou uma história que mistura elementos sobrenaturais da bibliografia de H.P. Lovecraft com as ameaças bastante reais do racismo dos Estados Unidos na década de 50.

Como toda boa adaptação, a série toma liberdades que em alguns momentos deixam a trama ainda melhor que o livro (em outros, não)

Também é mais explícita nas cenas de terror.

Se ficou interessado, a Intrínseca disponibilizou o primeiro capítulo de graça em PDF.

2. Muito oportuno

Nos anos 50, o racismo era legalizado em boa parte dos Estados Unidos

O livro de Matt Ruff é fevereiro de 2016 e a HBO deu sinal verde para a produção da série no ano seguinte. A exibição nos dias de hoje é mais do que oportuna, considerando os recentes episódios de violência contra negros nos Estados Unidos e a explosão do movimento Black Lives Matter.

A série e o livro são ambientados numa época em que o racismo era legalizado em boa parte dos Estados Unidos. Xerifes e vizinhos brancos conseguem ser mais assustadores que os monstros.

Se nunca ouvir falar sobre as leis Jim Crow, leia AQUI para entender o contexto.

3. Trilha sonora absurda

Poema musicado Withey on the moon dá título ao segundo episódio

A seleção das músicas é um dos pontos altos de Lovecraft Country, cuidadosamente encaixadas para reforçar a narrativa.

Tem interpretações de Etta James, B.B. King, Nina Simone, Sarah Vaughan

Vai de clássicos como Whole Lolla Shakin’ Goin’ On ao poema musicado Whitey on the Moon, de Gil Scott-Heron, que dá nome ao segundo episódio.

Já tem playlist oficial no Spotify pra quem quiser conferir.

4. Criadores craques na temática

Jordan Peele, de Corra!, é um dos criadores e produtores da série

Da extensa lista de produtores encabeçada por J.J. Abrams, dois recebem o título de “criadores” de Lovecraft Country: Misha Green e Jordan Peele.

Ambos têm no currículo trabalhos elogiados e premiados que tratam da questão do racismo.

A série Underground: Uma história de resistência (2016, disponível para assinantes do GloboPlay), de Green, se passa na época da guerra civil americana e acompanha a luta pelo fim da escravidão.

Peele é o cara por trás do filme Corra! (2017, para alugar em plataformas digitais), thriller em que um relacionamento inter-racial esconde planos sinistros. O filme levou o Oscar de melhor roteiro original em 2018.

5. Elenco primoroso

Jonathan Majors e Jurnee Smollett ganharam destaque em meio ao um talentoso elenco

O livro troca de protagonistas a cada conto/capítulo, mas a série preferiu focar em dois: Atticus (Jonathan Majors) e Letitia (Jurnee Smollett).

Majors ganhou dois prêmios de coadjuvante por The Last Black Man in San Francisco (2019).

Jurnee é mais conhecida do público nerd por conta do papel da super-heroína Canário Negro no filme da Arlequina: Aves de Rapina (2020) e pela série True Blood (2013). Ela trabalhou também em Underground: Uma história de resistência.

Mas justiça seja feita: todo o elenco dá um show!

“O matrimônio de Céu & Inferno” tá com o diabo no corpo

Um clássico de William Blake adaptado aos quadrinhos pela editora AVEC

por Julio Black

Adaptar clássicos da literatura tem sido um filão muito bem explorado pelos quadrinhos nacionais.

Quer dois exemplos? “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, ganhou vida nas HQs pelas mãos dos irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, e alguns dos contos de “Ânsia eterna”, de Júlia Lopes de Almeida, ganharam cor e movimento graças à artista Verônica Berta.

E é o caso da graphic novel “O matrimônio de Céu & Inferno”, livremente inspirada na obra homônima do escritor, poeta, pintor, tipógrafo e gravurista inglês William Blake.

A obra foi lançada em 2019 pela AVEC Editora com roteiro de Enéias Tavares, autor de “Brasiliana Steampunk” e “Guanabara Real”, e arte de Fred Rubim, de “A canção do Cão Negro” e “Le Chevalier nas Montanhas da Loucura”.

Tá lá na quarta capa da graphic novel: William Blake cruzou os caminhos do coisa ruim em 1792, que aproveitou para revelar ao inglês a sabedoria do inferno e também como ela poderia ser passada de geração para geração.

Tendo como base esse encontro peculiar, Enéias Tavares constrói a história dos quatro protagonistas de “O matrimônio de Céu & Inferno”: a prostituta argentina Verônica; a pintora – e traficante por necessidade – Dani; o repugnante pastor neopentecostal Santos, líder e “maestro” da denominação Orquestra Divina; e o assassino profissional Amarante, que está na folha de pagamentos do religioso do pau oco e tem uma crise de consciência após o mais recente “serviço”.

Quatro personagens que nos contam a história de Blake

Apesar de “profissões” tão diferentes, Verônica, Santos e Amarante estão próximos desde o início, mesmo que a prostituta e o matador não estejam muito satisfeitos com isso – principalmente a prostituta, que tem uma de suas colegas morta pelas mãos de um dos pastores da seita que só é religiosa no nome. Dani, a princípio, é uma personagem relativamente marginal na história, mas fundamental para o momento em que baixa o Tarantino na dupla de criadores, bem no clímax da graphic novel.

O grande mérito de “O matrimônio de Céu & Inferno” é ter como inspiração a obra de William Blake para contar as histórias de personagens que têm suas culpas para confessar e pecados para espiar, ou que estão nem aí para essa história de “Deus castiga”. Enquanto alguns buscam redenção, outros desejam mais e mais poder e grana, não importando o preço a pagar ou os fiéis que vão ser ludibriados, numa trama marcada por violência, crime, morte, sangue aos baldes, culpa, (muitos) pecados, dramas e traumas pessoais.

Além do ótimo roteiro de Enéias Tavares que recria e transfora a temática original oferecida por Blake é preciso destacar a excelente arte de Fred Rubim, com um padrão claro, por vezes geométrico, e que sabe usar muito bem detalhes das cenas, com um poder de narrativa que trata as ações e as cores para destacar o plot de cada protagonista.

Ménage, a HQ que vai trazer prazer pelo Catarse

Ménage é a nova HQ que chega em dezembro, produzida com uma mistura luxuriante de três artistas com estilos distintos: Germana Viana, Laudo Ferreira e Marcatti.

E como juntar um anarquista escatológico, uma feminista libertina e um monge libidinoso e transformá-los com seus estilos únicos na essência de uma revista adulta mensal gostosa?

A resposta é um delicioso desafio: a cada número, cada artista desenvolverá uma pequena HQ – à sua maneira – a partir de um tema comum. Na edição de estreia, esse tema será: ARMÁRIO.

Germana Viana, Laudo Ferreira e Marcatti produzem a revista adulta Ménage

A campanha de financiamento coletivo está a pleno vapor no principal site de financiamento de quadrinhos nacional, o Catarse: https://www.catarse.me/menage

As recompensas para quem apoiar desde já o projeto vão desde a versão impressa da revista até um pacotão com quadrinhos dos três autores. 

A proposta de Ménage é oferecer uma revista periódica por um preço acessível, começando pelo lançamento de dezembro de Ménage 01 – Armário. Confira, e se você tiver mais de 18 anos, apoie!

SERVIÇO

Ménage 01 – Armário
Formato: 15,5 x 23 cm
24 páginas em P&B
Capa colorida
Preço: flexível, com diferentes modalidades por financiamento coletivo
Lançamento: Dezembro de 2020

OS AUTORES

GERMANA VIANA
Gibi de Menininha, Patrícia, Só Mais Uma História de uma Banda 
https://www.instagram.com/germana_fazgibi/
http://germana.iluria.com/ 

LAUDO FERREIRA 
Yeshuah, Cadernos de Viagem, Zé do Caixão 
https://www.instagram.com/laudoferreira/ 
https://laudoferreira.com/loja/ 

MARCATTI
Frauzio, R.D.P., A Relíquia
https://www.instagram.com/marcatti_hq/ 
http://www.marcatti.com.br/loja/index.asp        

Undiscovered Country: um país incógnito

Por Júlio Black

Uma das coisas que mais gosto na dobradinha ficção-científica+distopias é que elas aceitam (quase) tudo. Se você souber contar uma boa história, ter começo e meio e fim, bons personagens, roteiro amarradinho, premissa interessante, não ofender a inteligência do público, dá para colocar comida feita a partir de petróleo, viajar mais rápido que a luz, ter macacos falantes ou entrar numa cabine telefônica e ir parar no futuro distante.

Pois foi com esses paranauês na cachola que resolvi embarcar na leitura de “Undiscovered Country”, uma das novas séries mensais da Image Comics que fechou seu primeiro arco neste distópico 2020.

O projeto saiu das cabeças alucinadas de Scott Snyder (“Batman”, “Vampiro Americano”) e Charles Soule (“Demolidor”, “Darth Vader”), que chamaram para a empreitada o desenhista Giuseppe Camuncoli (“Darth Vader”), Daniele Orlandini para a arte-final e Matt Wilson para cuidar das cores. A série teve a primeira edição publicada pela Image em novembro de 2019, e o primeiro arco (seis edições) chegou ao fim em julho.

A história se passa em um futuro não tão distante, onde o mundo tem encarado algumas tretas de responsa, e um dos principais pagadores do pato são os Estados Unidos da América.

Depois de uma série de eventos que já antecipavam que tinha caroço naquela polenta (tipo construir uma gigantesca muralha com armamento pesado em volta de sua costa e das fronteiras terrestres), a Os EUA decide fechar as fronteiras para o mundo em 2029. É um esquema quem tá fora não entra, quem tá dentro não sai: todo o comércio e comunicações são suspensos, tratados são cancelados, isolamento oficial e adeus mundo.

Eles são melhores com muros do que com pontes

E assim passam-se três décadas, em que ninguém tem a menor ideia do que acontece no interior das fronteiras norte-americanas. Como resultado, o resto do mundo seguiu em frente e hoje está dividido em dois blocos políticos e econômicos antagônicos; para piorar, a humanidade corre o risco de ser varrida do mapa em poucos meses por causa de um novo vírus, Covid-20 o Céu, que mata rápido e não tem cura.

É nesse contexto de “o bicho tá pegando” que os Estados Unidos entram em contato com o resto do planeta pela primeira vez em décadas, oferecendo uma cura para o vírus Céu. Para isso, eles permitem que um grupo heterogêneo de pessoas escolhidas por eles (dois diplomatas, um pesquisador nerd que conhece tudo dos EUA, um militar, uma jornalista e um casal de irmãos – ele mercenário, ela epidemiologista) adentre o território norte-americano pela primeira vez desde 2029.

“Undiscoverd Country” não perde tempo e mostra no ato da matrícula o que aconteceu com os Estados Unidos nesses 30 anos. O helicóptero que transportava o grupo é derrubado logo nas primeiras páginas e nossos aventureiros ficam perdidos no meio de um deserto. Assim, eles descobrem que os Estados Unidos, na verdade, não existem mais. O que há pode ser definido como uma terra de ninguém dividida em facções e habitadas por criaturas mutantes (peixes e tubarões gigantes que andam na terra!) e veículos no estilo o-mundo-acabou-e-juntamos-essas-peças-pra-ver-no-que-dava com referências óbvias de “Mad Max” e “Máquinas Mortais”.

Não vamos entregar mais do que já foi entregue, mas podemos adiantar ainda que os sete “visitantes” são considerados a chave que dará o poder para um grupo ou, na visão da outra facção, fará com que a América do Norte volte a se unir e recuperar sua glória. Caberá a eles decidir se devem – ou não – se aliar a algum dos lados numa boa história que mistura aventura, suspense, violência, teoria da relatividade, drama, segredos, traições, reviravoltas, ação e (porque será?) um cadinho de pessimismo em relação ao nosso futuro não tão distante.

Ah, como no mundo real as barreiras vão sendo ceifadas pela tecnologia, o primeiro arco de “Undiscovered Country” já pode ser adquirido – em inglês – no seu site de compras on-line favorito, como Kindle Unlimited e comiXology.

Tradutores de quadrinhos lançam podcast semanal Notas dos Tradutores

Do press-release

Um podcast sobre tradução, tradutores e traduzir – ou inventar com o trabalho dos outros. Essa é a descrição do Notas dos Tradutores, podcast que lançou seu primeiro episódio nesta semana.

A produção é de três profissionais da área que trabalham sobretudo com quadrinhos:

Mario Luiz C. Barroso, com mais de trinta anos de carreira nas HQs, tem mais de dez mil créditos no GuiaDosQuadrinhos.com. Foi editor da Abril Jovem durante uma década e é o tradutor atual de Homem-Aranha, Deadpool, Mulher-Maravilha, Batman e outros personagens na Panini.

Carlos Henrique Rutz capitaneia a tradução de Príncipe Valente na Planeta DeAgostini e dos títulos Eaglemoss DC. Traduz há dez anos, é professor de inglês e coautor de livros didáticos.

Érico Assis, jornalista da área de HQ que traduz quadrinhos como Bone, Moonshadow, linha Vertigo/Black Label e outras publicações para as principais editoras do país. Também é doutor em tradução e professor.

O Notas dos Tradutores terá episódios semanalmente às segundas-feiras, de aproximadamente trinta minutos. Para ouvir, procure “Notas dos Tradutores” no seu agregador de podcasts preferido ou acesse https://anchor.fm/notasdostradutores.

Você também pode ouvir aqui o primeiro episódio, “N. do T.”, que trata justamente da nota do tradutor, o recurso que alguns tradutores – e leitores – adoram e outros odeiam.

Nos próximos episódios, o podcast vai trazer discussões sobre vários temas ligados à tradução, entrevistas com profissionais da área e muitos detalhes sobre o processo editorial de quadrinhos.

Você pode acompanhar o Notas dos Tradutores no Twitter, Facebook e Instagram.

Ou entrar em contato para dúvidas e sugestões em notasdostradutores@gmail.com

Teocrasília: um Brasil tomado pela religião

O lançamento da editora Guará para o mês de julho propõe um mergulho em um futuro distópico, não muito distante.

Teocrasília, de Denis Mello, apresenta uma realidade obscurecida por uma bancada religiosa chamada “Divino Altar”, que domina o país e institui um regime teocrático, inquisidor e assustadoramente autoritário. 

Porém, quando a resignação e o dogma se tornam o espírito de um novo tempo, tudo o que resta aos descontentes é um outro tipo derivada de fé. É com essa fé que Vicky, Yuri e Gambino são uma frente opositora às autoridades e estão presos em uma trama cheia de reviravoltas e suspense.

Embora Teocrasília alerte sobre os malefícios causados à sociedade quando se abandona a democracia e o Estado laico, o quadrinho não se trata de uma crítica à religião, mas, sim, à prática comum de envolver líderes e membros de comunidades religiosas na política, o que por vezes resulta na imposição de dogmas e coloca em risco o país.

Durante o culto: Teocrasília expõe a mistura entre religião e política

A primeira edição de Teocrasília será lançada em versão digital e pode ser adquirida a partir de 24 de julho no site da Guará, no Kindle e também na plataforma Super Comics. A série será mensal com preço de capa convidativo: R$6,00 cada edição.

O autor
Vencedor de prêmios HQMix, com a obra Beladona, Denis Mello é especializado em HQs na Escola Europeia Superior de Artes Visuais (EESI) em Angoulême, na França. Teocrasília foi indicada ao HQMix 2019 de Web Quadrinho.

CCXP anuncia evento virtual em 2020

Intitulado “CCXP Worlds: A Journey of Hope” o evento traz uma mensagem positiva, extrapola os limites da cidade de São Paulo e leva aos fãs do mundo inteiro a experiência da nossa Comic Con Experience

Foto: Mangabeira/ I Hate Flash

Se em 2019 a CCXP se consolidou como o maior festival de cultura pop do planeta, a realidade diante da pandemia de Covid-19 criou um desafio inusitado para a organização da CCXP20.

A organização do evento já previa uma edição com inúmeras novidades e recordes, mas ao longo destes quatro meses de isolamento em que o mundo parou e grandes eventos mundiais foram adiados ou cancelados, a CCXP vem discutindo seu formato para este ano, além de acompanhar de perto os pedidos do público nas redes sociais.

Por entender que um evento deste porte traz visitantes de todo o Brasil, e que seria imprudente reunir um número tão grande de pessoas diante da situação atual, foi anunciado para o começo de dezembro de 2020 sua primeira edição 100% virtual. A decisão está calcada no bem-estar de todos os envolvidos na engenharia de fazer este megaevento acontecer – fãs, equipe, artistas convidados e todos que dão vida à CCXP.

Como vai ser?

Segundo o CEO da CCXP, Pierre Mantovani uma coisa é certa: “Não será uma simples live. Direcionamos todos os esforços para que cada parte da CCXP esteja presente na casa de milhares de pessoas, como um pedacinho da experiência, só que digital. E justamente por ser digital, pela primeira vez na história, teremos um evento de escala global para a indústria do entretenimento”.

Essa edição especial terá um nome especial para a ocasião: “CCXP Worlds: A Journey of Hope“, que traz uma mensagem positiva após um período difícil para o mundo inteiro: “Vamos investir toda a nossa capacidade criativa e o alcance da nossa comunicação para trazer uma pauta positiva e construir um lugar para nos encontrarmos e para compartilhar o que cada um tem de melhor. Essa jornada de esperança busca um mundo mais justo, com oportunidades igualitárias e mais sustentável”, diz Marcelo Forlani, head de cultura, diversidade e pertencimento da Omelete Company.

Mas… e o Artists’ Alley? E os encontros com celebridades? E os estúdios? E as fotos com os cosplayers? A experiência será gratuita? Todos estes detalhes serão detalhados e compartilhados para o público a partir do dia 25 de agosto – salve essa data.

A CCXP realizará uma coletiva virtual para a imprensa e, em seguida, também começará a detalhar o evento em seus canais proprietários.

Outras informações serão divulgadas em breve no site http://www.ccxp.com.br .

Link para o Instagram.

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