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Papo de Quadrinho — O Grito! Blogs – Quadrinhos

6 motivos para assistir Snowpiercer na Netflix

Produção da TNT, Showpiercer estreou na Netflix no dia 17 de maio.

Em vez do tradicional sistema de maratona, os 10 capítulos estão sendo liberados a conta-gotas, um por semana.

Se você ainda não assistiu, veja seis motivos que o Papo de Quadrinho elencou para começar imediatamente.

1. É baseada numa HQ

Le Transperceneige (Snowpiercer: The Escape) foi publicada pela primeira vez na França em 1982 pela editora Casterman, com roteiro de Jacques Lob e desenhos de Jean-Marc Rochette.

Saíram duas sequências muitos anos depois: The Explorers (1999) e The Crossing (2000), com Benjamin Legrand no lugar de Jacques Lob nos roteiros. O quarto volume, Terminus, saiu em 2015 com novo roteirista, Olivier Bocquet.

Nos Estados Unidos, as HQs começaram a chegar em 2014, pela Titan Comics.

Você pode ler as três primeiras histórias no livrão que a editora Aleph lançou em 2015, com o ótimo nome de O Perfuraneve.

Lá fora, a Titan anunciou uma trilogia prequela e já colocou o primeiro volume à venda. Os demais estão programados para agosto de 2020 e junho de 2021.

2. Faz uma forte crítica social

A turma do fundão é tratada como animais

O pano de fundo da trama é um cataclisma ambiental que congelou a Terra. Os poucos sobreviventes (cerca de 3.000) se abrigaram num trem autossustentável que percorre o planeta todo sem paradas.

O problema é que o trem reproduz a desigualdade que existia anteriormente. Nos vagões próximos à locomotiva ficam os ricos, com direito a luxo, alimentação, educação, cultura e lazer.

Nos vagões do fundo, os pobres e miseráveis vivem aglomerados em condições sub-humanas, expostos à fome, crimes, falta de privacidade e violência policial.

Entre os extremos, os vagões do meio reproduzem as nuances da classe média.

3. Já virou filme

Chris Evans viveu o revolucionário Curtis na adaptação para o cinema

Em 2013, Snowpiercer foi adaptada para o cinema por Bong Joon Ho – ele mesmo, o diretor do premiado Parasita, em seu primeiro filme em língua inglesa.

O filme foi estrelado por Chris Evans (o Capitão América dos filmes da Marvel), Tilda Swinton (também trabalhou pra Marvel no papel do Ancião), John Hurt (de V de Vingança) e Ed Harris (de Westworld).

Por aqui, passou pelos cinemas em 2015 com o nome Expresso do Amanhã, e dá para assistir em Blu-Ray e no Amazon Prime.

4. São histórias diferentes…

O fundista Andre Layton (Daveed Diggs) precisa resolver um assassinato

Snowpiercer conta uma história diferente na HQ, no filme e na série, embora todos sigam o mote principal (a luta de classes) e conservem alguns elementos em comum.

Na HQ, a trama acompanha Proloff, que conseguiu fugir do fundo do trem e alcançou os vagões intermediários. Ele conhece a ativista da terceira classe Adeline e, no percurso para interrogatório, ficamos conhecendo os setores, classes e funcionamento do trem.

Em Expresso do Amanhã, Curtis (Evans) é líder do grupo do fundo que inicia a revolução mais bem-sucedida para tomar o controle do trem. No caminho até a sala de máquinas, ele vai se indignando com os diferentes estilos de vida dos passageiros.

Na série da Netflix, o fio condutor é a investigação de um assassinato na segunda classe. Os administradores do trem convocam o “fundista” Andre Layton (Daveed Diggs, de The Get Down), que era detetive antes do cataclisma, para solucionar o crime. O sistema de castas do trem é apresentado pelos olhos dele durante a investigação.

Então, mesmo que você já tenha lido a HQ e assistido ao filme, a série traz uma abordagem totalmente nova, sem desrespeitar o contexto original e com referências que são bacanas de pegar.

5. … porém interligadas

A HQ, o filme e a série parecem apenas variações sobre o mesmo tema, mas não são.

A Titan Comics publicou este infográfico provando que cada história se passa num tempo diferente e estão relacionadas.

Na cronologia de Snowpiercer, a série da Netflix se passa 7 anos após o cataclisma climático, o filme 15 anos depois e a primeira HQ em algum momento entre eles.

As adaptações se passam em tempos diferentes e estão relacionadas

6. E tem a Jennifer Connelly

Jennifer Connelly: linda e talentosa como sempre

Para você, veterano, que não acompanhou os últimos trabalhos dela, saiba que Jennifer Connelly continua tão linda e talentosa quanto em Labirinto (1986) e Rocketeer (1991).

Na série da Netflix, ela interpreta Melanie Cavill, administradora do trem.

Papo de Quadrinho viu: Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor Társis Salvatore assistiu ao novo lançamento da Disney/Pixar.

A “Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica”, apresenta os irmãos Ian e Barley Lightfoot que vivem em um pacato subúrbio de uma cidade chamada New Mushroomton. A sociedade evoluiu de uma realidade cujos habitantes são criaturas mágicas: trolls, centauros, sereias, gnomos e.. elfos. Outras criaturas como unicórnios e dragões são animais de estimação, neste mundo mágico que perdeu sua magia ante a tecnologia, séculos atrás.

Mas a vida contemporânea em uma cidade média da era pós-industrial tem desafios considerados pouco atraentes se comparados à aventura épica vivida pelos jogadores de Dungeons and Dragons. Em um mundo mágico sem magia, só resta os problemas mundanos e aparentente intransponíveis para um jovem que completa 16 anos.

É ai que o desafio aparece e os irmãos tem que se unir para viver uma aventura real: realizar uma magia ancestral que vai permitir que eles passem um dia com seu pai falecido. Cada irmão com suas razões, motivações e desafios, precisam trabalhar juntos depois de aceitar o chamado para a aventura.

O novo longa-metragem original da Pixar é dirigido por Dan Scanlon e produzido por Kori Rae – a equipe por trás de “Universidade Monstros”. Scanlon leva o início da trama um pouco mais cadenciado, para explodir em ação no quarto final da história. Não que isso seja um problema. É bacana e importante vermos a vida de Ian ( Tom Holland), sua relação com sua mãe ( Julia Louis-Dreyfus), sua escola e claro, seu irmão Barley (Chris Pratt). Os coadjuvantes são ótimos, como a Manticore e as absolutamente impagáveis fadinhas motoqueiras.

O desfecho é o melhor possível. Infelizmente não é possível explicar mais sem spoilers. Mas é um final sensível, emocionante e bem dirigido. Temos uma animação com aquele padrão de qualidade da Pixar: tecnicamente impecável, o cuidado com os detalhes e referências, sobretudo na história, com os clichês de RGP e demais jogos é hilário. E o final da história, nós arriscamos dizer, em muitos momentos vai mexer mais mais com os sentimentos dos adultos do que das crianças. Uma dica: vimos a versão dublada e está excelente. Não tenha medo de ver essa versão.

“Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica” estreia nos cinemas brasileiros em 5 março. Não perca!

Omelete lança bloco “Carnageek: Caçadores do Bloco Perdido”

Músicas do universo da cultura pop e paródias de marchinhas e sagas-enredo embalam o desfile, que parte do Largo do Arouche, no dia 1º de março, às 13h, para uma maratona de cinco horas de folia

São Paulo, 18 de fevereiro de 2019: Cinema, séries, quadrinhos e… marchinhas! Assim será o carnaval dos fãs de cultura pop que estiverem em São Paulo. O Omelete – maior portal do Brasil especializado na cobertura de entretenimento – vai levar para as ruas do Centro da cidade de São Paulo o “Carnageek: Caçadores do Bloco Perdido”. Com muita música, diversão e representatividade, o desfile acontece no dia 1º de março e vai reunir cosplays, influenciadores, geeks e não-geeks de todas as idades para uma maratona de cinco horas de folia. A concentração será no Largo do Arouche, a partir das 13h. 

Os nerds já estiveram no sambódromo, agora dominarão os blocos!

Para animar o bloco, o Omelete recrutou quem entende do assunto: um exército formado por instrumentistas e puxadores de “sagas-enredo” – paródias marchinhas conhecidas do público.

“Explode Coração”, um dos mais populares sambas da escola carioca Salgueiro, teve seus versos trocados para brincar com a maior saga de todos os tempos, “Star Wars”. A famosa vinheta Globeleza desta vez vai narrar as aventuras dos Vingadores, enquanto a história de Harry Potter será lembrada em uma versão irreverente de “É Hoje”, da agremiação União da Ilha do Governador.

Como muito ritmo e samba no pé, a bateria também promete animar os foliões com versões carnavalescas de músicas conhecidas no universo da cultura pop. Todas as “sagas-enredo” serão disponibilizadas no spotify em breve, mas você já pode conferir aqui

“O carnaval é mais uma oportunidade de colocarmos nossos costumes na rua, de viver um mundo de fantasia e deixar a alegria tomar conta. Se o carnaval faz isso por todas as pessoas, por que não fazer isso pelos fãs de cultura pop, que já curtem isso o ano inteiro, também? A gente quer dar ao geek mais uma opção para se divertir durante a festa e levar nosso olhar para quem ainda não se considera geek. Se você tem uma série, um filme ou um livro preferido, nosso CarnaGeek também é para você”, convida Marcelo Forlani, co-fundador do Omelete.

Serviço 

Caçadores do Bloco Perdido 

Dia: 1º de março 

Horário: a partir das 13h 

Local: concentração no Largo do Arouche em São Paulo 

(do release)

Papo de Quadrinho jogou muito e viu: Sonic – O Filme

A convite da produtora Espaço Z, nosso editor Társis Salvatore assistiu ao filme baseado em um dos jogos mais icônicos de todos os tempos

SONIC – O Filme é uma aventura live-action baseada na franquia mundial da Sega que divertiu e diverte até hoje toda uma geração de gamers. Para quem não lembra, o jogo apresenta um ouriço azul (ou porco espinho para alguns) super veloz que precisa libertar as criaturas do seu mundo transformadas em monstros mecânicos pelo terrível Doutor Robotnik.

Filhote de Cruz-Credo

Quando surgiu a primeira imagem do Sonic “ao vivo” no início de 2019, houve um furor na internet. O visual apresentado tinha estilo mais “humanizado”, com proporções um tanto estranhas e uma feiura considerável. Esse visual do Sonic foi rechaçado pelos fãs e causou uma série de debates. A reação negativa foi tanta que a Paramount e a Sega decidiram ouvir os fãs, investiram mais alguns milhares de dólares e redesenharam o personagem. Um acerto para o filme, mas que também causou novos debates sobre qual o limite aceitável de pressão dos fãs sobre uma adaptação ou produto pop.

Antes e depois: Sonic na versão mais humana e na versão do filme, próxima do game.

Sessão da Tarde

Refeito o personagem e o susto dos fãs, chegamos mais animados para conferir como foi adaptar para a telona o simpático Sonic. O filme foi escrito por Pat Casey e Josh Miller. O quase desconhecido diretor Jeff Fowler faz um trabalho competente e apresenta as aventuras de um ouriço azul com poderes especiais chamado que tenta se adaptar à nova vida na Terra.

Na trama, Sonic tem uma admiração velada pelo policial Tom Wachowski (vivido pelo ator James Marsden) e sua família, que vivem em uma pequena cidade no interior. 

Com um roteiro redondo, o trabalho de Fowler foi divertir e fazer do Sonic um personagem com alma. O ouriço funciona como protagonista e destila numerosas citações e brincadeiras. Referências à cultura pop estão por todo lado. O ator Ben Schwartz faz a voz do Sonic, e, no Brasil, a dublagem ficou a cargo do experiente Manolo Rey, que tem uma das vozes mais conhecidas do país. A interação com os atores humanos James Marsden (o Ciclope da primeira franquia dos X-Men no cinema) e Tika Sumpter convence, lembrando que Marsden já fez outros trabalhos voltados ao público infantil.

O adorado ator Jim Carrey interpreta o big boss do filme, o Doutor Robotnik, um agente especial do governo que usa sua tecnologia para descobrir quem (ou o que) é o Sonic.

“Quando eu recebi o telefonema para fazer SONIC fiquei muito empolgado”, garantiu Jim Carrey. E de tão empolgado, não economizou caras, bocas e afetação. Que Carrey é um ator talentoso não há dúvida, mas deve ser divertido (além de lucrativo) ser convidado para papéis exagerados e espalhafatosos. É contra este vilão, uma mistura de geek, hipster e filho único, que Sonic e Tom unem forças para tentar impedir sua captura pelo governo norte-americano.

‘SONIC – O Filme’ tem tudo para agradar as crianças e, se bobear, alguns adultos. A interação com os atores humanos ficou convincente e os efeitos especiais realmente são bem feitos. O saldo é positivo.

Foi um modo honesto de reapresentar o carismático Sonic para toda uma geração principalmente as criançasque não passou horas alegres coletando anéis e correndo para derrotar um amaldiçoado vilão.Quem sabe, agora, eles podem descobrir ou redescobrir um dos mais importantes ícones dos games. 

Atenção: não saia da sala ao primeiro subir dos créditos! Tem uma cena pós que vale a pena conferir. 

Papo de Quadrinho viu: O Preço da Verdade (Dark Waters)

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral conferiu o filme O Preço da Verdade.

O Preço da Verdade é o mais novo longa do diretor californiano Todd Haynes. Diretor de obras como Carol (2015), Não estou lá (2007), Longe do Paraíso (2002) e Velvet Goldmine (1998) .

Reconhecido por trabalhar com histórias baseadas em fatos reais, Haynes se arrisca no gênero “drama de tribunal” trazendo um tom político ainda mais intenso do que em seus trabalhos anteriores.

O roteiro escrito por Mario Corre, Nathaniel Rich e Matthew Michael Carnahan foi desenvolvido a partir de uma matéria da revista do New York Times intitulada “The Lawyer Who Became DuPont’s Worst Nightmare” mostrando o escândalo da empresa DuPont que durante décadas usou o ácido C8 em seus utensílios de cozinha antiaderentes, uma substância que produziu envenenamento e doenças em seus consumidores, inclusive envenenando a água utilizada para cozinhar.

O protagonista é um advogado corporativo de causas ambientais interpretado por Mark Ruffalo (mais conhecido como Dr. Dave Banner, o Incrível Hulk da Marvel). Totalmente diferente do que vemos no universo Marvel, Ruffalo dá vida a um personagem com tom, sotaque e trejeitos do advogado interiorano Rob Bilott.

Sisudo e obsessivo, Bilott vai enfrentar de forma solitária a gigante da indústria química DuPont. Somos arrastados ao centro processo de mais de 15 anos levantando provas por conta do envenenamento de uma comunidade inteira da Virgínia Ocidental. Essa atuação é certamente material de indicação ao Oscar. Curiosidade: Ruffalo que também é conhecido por seu ativismo pela causa ambiental é um dos produtores do filme. Vemos aqui uma trajetória menos heróica que a do Hulk mas igualmente combativa.

Justiça tardia

O drama se intensifica nas contradições e tensões que o protagonista enfrenta em sua batalha contra a DuPont, empresa que popularizou o Teflon – esse mesmo das panelas na qual uma boa parcela da população global cozinha.

Uma cidade inteira descobre que está adoecendo de câncer e outras doenças desenvolvidas por conta do lixo tóxico que contaminou a água da região na produção deste produto. Nesse embate podemos ver a relação do protagonista Rob Bilott com o chefe do prestigioso escritório de advocacia, Tom Terp (interpretado por Tim Robbins) e sua esposa e também advogada Sarah (Anne Hathway) que se destacam no entorno da figura de Rob e sua incansável luta por justiça.

É um filme incômodo, um convite à reflexão, pois traz à tona as falhas e brechas de um sistema jurídico que acaba não protegendo as comunidades em favor das grandes empresas.

Apesar de um roteiro linear e por vezes até cansativo e pesado, O Preço da Verdade alerta a audiência com dados apavorantes e pesquisas conclusivas que o componente químico C8 está presente em uma grande porcentagem da humanidade e da natureza atuais, sendo um agente causador de múltiplos tipos de câncer e outras doenças terríveis.  

Esse é filme imersivo e tenso, com uma narrativa dramática que vai num crescente. Nos deixa com um incômodo e uma raiva quando pensamos nas responsabilidades da indústria química e na forma como essa e outras empresas banalizam a vida humana em prol de seus lucros.

Um excelente filme ficcional sobre não-ficção. Recomendamos.

Papo de Quadrinho viu: Arlequina com as Aves de Rapina

A convite da produtora Espaço Z, nossa colaboradora Adri Amaral e nosso editor Társis Salvatore conferiram o filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (que sejamos justos – na prática – é um filme da Arlequina com as Aves de Rapina)

Nos últimos meses temos ouvido na mídia especializada sobre um suposto esgotamento dos filmes de super-heróis enquanto “gênero cinematográfico”. Se por um lado, compreendemos que o esgotamento se dá por uma série de questões e decisões mercadológicas (e estéticas), por outro há um certo ranço e injustiça quando começam a sair os filmes das super-heroínas, permitindo (finalmente!) que mulheres estejam à frente de filmes de grandes estúdios.

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é uma boa comédia de ação dentro dos filmes de super-heróis, cujo tom lembra muito mais uma animação – origem da própria Arlequina – do que os quadrinhos. Como comentamos acima, o protagonismo do filme foca mais no desenvolvimento da personagem Harlen Queenzel / Arlequina. Isso é possível graças ao talento e carisma de Margot Robbie que incorporou a personagem e trouxe a espevitação característica da Arlequina dando um tom humorístico e ao mesmo tempo complexo à mesma. A atriz também é co-produtora do filme juntamente com a roteirista Christina Rodson (que também fez Bumblebee da franquia Transformers) e a diretora Cathy Yan (diretora de Dead Pig).

Arlequina, rainha da p*rra toda

Para o chororô de alguns nerdys o roteiro optou por passar longe das Aves de Rapina dos quadrinhos da DC – principalmente porque a Arlequina nunca fez parte do grupo criado em 1995. Restaram das HQs algumas citações e o tom de caça aos bandidos e violência urbana que marcam o filme. Nesse sentido foi uma boa sacada o uso da personagem como a narradora não-confiável da trama. Assistimos assim o transcorrer da narrativa e a construção de Gotham através dos olhos da doutora e anti-heroína Arlequina que começa a história tentando encontrar sua própria identidade após o término do (conturbado e abusivo) relacionamento com o Coringa.

Aqui temos o mais um acerto do filme: se desvencilhar de Esquadrão Suicida do diretor David Ayer. Foi uma ótima tática para que a audiência voltasse sua atenção para o que interessa: a emancipação da Arlequina, provavelmente a única personagem que passou batida pelas duras (e justas) críticas ao filme. Esse descolamento também permitiu explorar a personagem fora do casal disfuncional e para tanto tecer de forma sutil críticas à condição de relacionamentos que tendem a apagar identidades, sobretudo das mulheres.

Esqueça o visual sombrio

A Diretora Cathy Yan coloca cores do filme fugindo da traumática paleta de cores “sombria” de diversos filmes anteriores da Warner/DC. Já no roteiro, vemos influências de filmes importantes como Pulp Fiction e O Profissional. Outro destaque fica por conta da mudança do visual da Arlequina num tom colorido, por vezes carnavalesco e menos sexualizado, remetendo à estética clubber e streetwear que com certeza vai agradar as cosplayers.

O figurino das outras personagens também ficou bacana, sobretudo A Caçadora /Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), a policial latina Renée Montoya (Rosie Perez), a órfã/ladra Cassandra Cain (Ella Jay Basco). A cantora Canário Negro/Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell) ainda está descobrindo seus poderes – dai o porquê tem um figurino não tão espetaculoso quanto o das outras heroínas.

Formando uma girl band

Com a Arlequina narrando a história do modo que lhe desse na telha, somos apresentados às outras personagens de forma sintética e aos poucos acompanhamos suas trajetórias para o funcionamento história.

O vilão afetado Máscara-Negra/Roman Sionis (Ewan McGregor) é mostrado como um narcisista e misógino, extremamente dependente do assassino em série Victor Zsaz (Chris Messina). O filme sugere uma relação entre ambos e em alguns momentos dá a entender que Sionis é gay, mas ainda não foi dessa vez que tivemos um vilão assumido neste gênero. De qualquer forma, nas entrelinhas e em alguns simbolismos a sugestão aparece. Ewan McGregor faz um vilão menos atormentando e mais mimado em contraponto ao psicopata e assassino Zsasz.

Aqui os homens são claramente mesquinhos e maus enquanto as mulheres se destacam por superarem os problemas através da perspicácia e da união. Obviamente os clichês de formação de equipes estão todos lá com as eventuais resmunguices e brigas entre elas, até acertarem no tom da colaboração. Embora seja um filme por vezes violento, sem pretensões a grandes discussões e debates, a mensagem é clara e direta. O poder das heroinas reside na união coletiva entre as garotas – mesmo que de forma temporária – com a garantia de suas individualidades, uma vez que cada personagem tem uma trajetória de vida e diferenças que não podem ser apagadas.

As cenas de luta são bem coreografadas e funcionam bem para empolgar com diferentes momentos de ação, sobretudo a luta no Depto de Polícia e na Casa de Horrores do Parque de diversões abandonado. É um prazer ver uma luta de rua em oposição às lutas de CGI que emulam videogames em outros filmes Warner/DC.

Por fim dá para destacar a trilha sonora trazendo um time de vozes femininas desde o single Diamond de Megan Thee Stallion & Normani, a cantora pop teen Halsey (Experiment on me) e uma canção cantada pela própria Canário Negro em uma bela cena na boate do vilão Simons, “It’s A Man’s Man’s Man’s World”, além da versão de “Hit me with your best shot” , sucesso nos anos 1980 da cantora Pat Benatar – que já constava em filmes como o musical Rock of Ages e a série Glee).

Aves de Rapina: Arlequina e a sua emancipação fantabulosa é um filme despretensioso e divertido. Funciona como uma comédia de ação e apresenta uma livre adaptação das HQs. Acerta o tom de comédia com ação e bastante pancadaria e deve agradar principalmente as audiências mais jovens por conta dessa mistura de irreverência com girl power.

Ao final temos engatilhado a possibilidade de um filme da equipe em si e quem sabe isso pode abrir as portas para um filme da maravilhosa galeria das vilãs da DC que nem sempre são bem utilizadas. Ficamos na torcida pelo sucesso do filme e imaginando com curiosidade o quanto a bilheteria pode influenciar nas futuras escolhas da DC Comics no cinema. Por hora, compre sua pipoca e divirta-se.

PerifaCon abre inscrições para sua 2ª edição

  Em 2020 acontece a 2ª edição da comic con das favelas, que abre inscrições para artistas, voluntários, expositores e visitantes

SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2020 – Nos dias 11 e 12 de abril, o Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, será palco da 2ª edição do PerifaCon que é a primeira comic con das favelas que tem o objetivo de democratizar o acesso das periferias à cultura pop, nerd e geek.

O PerifaCon é um evento direcionado para todas as idades, gostos e públicos. As inscrições estão abertas para visitantes, expositores (inscrições encerradas), voluntários, imprensa & influenciadores, cosplayers, vendedores de comida e bebida, lojas de temática geek e editoras (inscrições encerradas). Para participar basta se inscrever nos formulários acima.

Para maior comodidade dos visitantes, após efetuar o cadastro na plataforma da Eventbrite, pode-se retirar os ingressos antecipadamente, assim, evitando filas no dia do evento e tendo maior aproveitamento nas atividades proporcionadas pela PerifaCon. As inscrições para visitantes também poderão ser feitas no dia do evento.

Vale recordar que em sua primeira edição (2019), o PerifaCon contou com mais de 7 mil visitantes na Fábrica de Cultura do Capão Redondo situado na Zona Sul da cidade, sendo que o estimado eram apenas 2 mil pessoas. Foram mais de 42 atrações para crianças, jovens e adultos acontecendo simultaneamente durante 7 horas de programação.

Serviço
PERIFACON – A SEGUNDA EDIÇÃO DA COMIC CON DAS FAVELAS

Data: 11 e 12 de abril de 2020
Local: Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes — Rua Inácio Monteiro, 6900 — Conjunto Habitacional Sitio Conceição, SP, 08490-000

Contato para a imprensa
Luíze Tavares – RP, Criadora & Produtora da PerifaCon
(11) 96220-6107 | E-mail: luize@perifacon.com.br

Sobre a PerifaCon
A PerifaCon é uma iniciativa de amantes de quadrinhos, livros, desenhos e cultura pop em geral, que cresceram nas periferias de São Paulo. O evento tem como objetivo levar para a periferia esse universo que historicamente é negligenciado nessa temática além de fomentar o consumo da cultura pop, nerd & geek contribuindo para a quebra de barreiras culturais promovendo o acesso de marcas e produtores à periferia e vice-versa.

Sobre o Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (CFCCT)
O Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes é o maior equipamento cultural da Prefeitura de São Paulo na Zona Leste da cidade. Gerenciado pela Fundação Paulistana de Educação, Tecnologia e Cultura, o CFCCT tem sua programação integrada às atividades desenvolvidas em outros equipamentos da Secretaria (teatros, centros culturais, galerias, museus, pontos de cultura e de leitura). Com 30 mil metros quadrados, o local oferece à população atividades artística e esportivas; e de formação profissional, lazer e meio ambiente.

Papo de Quadrinho viu: Star Wars – A Ascensão Skywalker

A convite da assessoria de imprensa da Disney, Papo de Quadrinho assistiu a Star Wars – A Ascensão Skywalker numa sessão exclusiva para jornalistas.

Em respeito aos nossos leitores, o texto abaixo não contém spoilers.

Star Wars – A Ascensão Skywalker, que chega aos cinemas brasileiros amanhã (19), se intitula o capítulo final da saga espacial criada por George Lucas há mais de 40 anos.

O diretor J.J. Abrams sabia da responsabilidade de ter os olhos de boa parte do mundo voltados para seu trabalho e optou por seguir um caminho mais seguro, longe da ousadia de seu antecessor, Rian Johnson, em Os Últimos Jedi (2017).

Da mesma forma que transformou sua estreia na franquia, O Despertar da Força (2015), num filme-homenagem a Uma Nova Esperança (1977), agora Abrams presta tributo a outro filme da trilogia clássica (os fãs logo vão perceber as semelhanças na estrutura narrativa).

A Ascensão Skywalker trata de redenção, do conflito do Bem contra o Mal – assim mesmo, no sentido absoluto –, mas travado dentro dos protagonistas, que lutam contra o medo e o ódio que conduzem para o lado sombrio da Força – um dilema constante nos momentos cruciais da saga.

O passado de Rey (Daisy Ridley) é finalmente conhecido e, como prometeu o corroteirista Chris Terrio, a revelação não é aleatória. Em vez disso, confirma a estreita relação da protagonista com a Força e seus inimigos – entre eles, Kylo Ren (Adam Driver).

A Ascensão Skywalker é talvez o filme com mais ação de toda a saga principal. A abertura traz de cara uma perseguição entre as estrelas, seguida de cenas num campo de batalha e continua com um espetáculo de batalhas espaciais, confrontos de blasters, lutas de sabre de luz e um resgate heroico. Os stormtroopers ainda são ruins de mira, mas ganham um surpreendente recurso.

Demais personagens, como Poe Dameron (Oscar Isaac) e Finn (John Boyega), estão mais maduros e seguros de seu papel na Resistência, e protagonizam boa parte das cenas de ação.

Sob a batuta de Abrams, as mulheres continuam brilhando: as novatas Zorri Bliss (Keri Russell) e Janah (Naomi Ackie) são quem livra a cara dos heróis em momentos de apuro.

O roteiro toma alguns atalhos para fazer a trama andar, mas nada que comprometa se você mantiver em mente que se trata de um novelão ambientado muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, e que não dá para cobrar verossimilhança o tempo todo.

O que dá para cobrar é coerência, e isto J.J. Abrams entrega. Apesar de optar por um caminho mais seguro, o diretor honra não só o que começou a construir em O Despertar da Força, mas principalmente o legado de mais de quatro décadas, e presenteia os fãs com um encerramento digno.

A Ascensão Skywalker tem um tom de despedida e é um deleite rever a eterna Princesa Leia (Carrie Fisher), ainda em que cenas recuperadas, e tantos outros personagens da trilogia clássica no que talvez seja sua última participação.

Mas soa pretensioso pensar que este nono episódio fecha a tampa da saga. A riqueza do universo criado por George Lucas permite numerosas possibilidades e faz pensar se daqui a algumas décadas não veremos o início de um novo ciclo, com os heróis da atual trilogia no papel dos “veteranos”.

O tempo -e a Força – dirão…

UniDub comemora 35 anos de Dragon Ball na CCXP19

Wendell Bezerra e grandes astros da dublagem discutem o legado da série em painel realizado no Auditório Ultra, no sábado (7)

Wendell Bezerra

A CCXP tem uma novidade que vai elevar o “ki” dos fãs de Dragon Ball. A saga está completando 35 anos e terá uma comemoração especial no maior festival de cultura pop do planeta – realizado entre 5 e 8 de dezembro, no São Paulo Expo.

Promovido pela UniDub, o painel acontece no Auditório Ultra, sábado (7), e vai reunir os dubladores Wendell Bezerra (voz do Goku e diretor de dublagem dos filmes), Wellington Lima (voz do Majin Boo e diretor de dublagem da série), Úrsula Bezerra (Voz do Goku criança), Tânia Gaidarji (Voz da Bulma) e Fábio Lucindo (Voz do Kuririn).

O time, convidado pelo estúdio de dublagem UniDub, vai relembrar os grandes momentos da saga e contar histórias de bastidores para o público presente no painel. Dragon Ball atravessa gerações ao apresentar a história de Son Goku e seus amigos, que enfrentam vários desafios sempre com o objetivo de salvar o planeta terra – entre muitas mortes e ressureições, grandes demonstrações de poder e lutas épicas de tirar o fôlego.

Para mais informações sobre a programação já divulgada da CCXP19, basta acessar o site do festival: www.ccxp.com.br. O público também pode fazer o download gratuito o aplicativo oficial do evento – compatível com os sistemas Android e IOS.

CCXP19
Datas: de 5 a 8 de dezembro de 2019   
Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, Água Funda, São Paulo – SP)
Ingressos: Esgotados 
Horários: Quinta-feira e Sexta-feira, das 12h às 21h. Sábado, das 11h às 21h. Domingo, das 11h às 20h.

Sobre a CCXP – Em 2018, o festival recebeu 262 mil visitantes, batendo recorde de público e se estabelecendo mais uma vez como o maior festival de cultura pop do mundo. A CCXP já faz parte do calendário cultural do país e este ano acontecerá entre 5 e 8 de dezembro, no São Paulo Expo. Saiba mais em www.ccxp.com.br

Revista Plaf #3 discute como os quadrinhos veem a história brasileira

A terceira edição da revista Plaf tem como um dos assuntos principais o olhar dos quadrinhos sobre a história brasileira.

Como arte plural, as HQs trouxeram contribuições para o entendimento de diferentes acontecimentos de nossa história, como a escravidão e a ditadura, entre outros.

Confira os destaques da edição:

  • Artigo sobre como autores estão atentos à importância do passado para refletir o presente
  • Ensaio sobre o imaginário do Nordeste nas histórias em quadrinhos e como essas produções ajudaram a desconstruir (ou reforçar) preconceitos sobre o território e seus habitantes
  • Artigo trata da importância de Angelo Agostini, o brasileiro pioneiro na gênese das HQs no Brasil e no mundo
  • Releitura crítica da Tico-Tico, uma das primeiras e mais populares revistas em quadrinhos do País.
  • Um papo com Luiz Gê, autor que desde a ditadura militar fez dos quadrinhos e do humor gráfico sua arma por um país verdadeiramente democrático. Gê ainda colaborou com a edição com uma charge inédita na página saideira da revista.
  • HQs inéditas de Aline Lemos, artista que assina a capa da edição, e do talento promissor de Pernambuco, Jota Mendes.

A Plaf tem edição de Dandara Palankof, Carol Almeida e Paulo Floro.

A revista será vendida a R$ 15 em diferentes pontos de venda em cidades como Recife, São Paulo, Curitiba, Brasília, Goiânia, João Pessoa, entre outros (veja a lista atualizada aqui) e na loja virtual.

O lançamento acontece no dia 6 de dezembro, a partir de 19h, no Ursa Bar e Comedoria, no Recife, com presença de DJs, sessão de autógrafos e entrada gratuita.

A publicação tem patrocínio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura – Funcultura, do Governo do Estado de Pernambuco e é uma realização da Revista O Grito!, site sobre arte e cultura com sede no Recife.

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