Cena de “Joaquim”, de Marcelo Gomes. (Divulgação).

O Brasil bateu o recorde de participação no Festival de Berlim, a Berlinale, um dos mais importantes do mundo. Joaquim, de Marcelo Gomes (o mesmo de Cinema, Aspirina e Urubus) concorre ao Urso de Ouro na seleção oficial e o curta Estás Vendo Coisas, de Bárbara Wagner, sobre a cena brega do Recife, compete como curta-metragem.

Ao todo serão 12 filmes brasileiros espalhados por diversas mostras. A presença marcante de produções brasileiras indica um vigor da filmografia brasileira, ou um “apogeu”, como indicou o diretor artístico da Berlinale, Dieter Kosslick. A boa fase do cinema nacional em festivais de peso como Berlim iniciou com a presença de Aquarius, de Kléber Mendonça Filho, na seleção oficial de Cannes no ano passado.

Berlim, Cannes, Veneza e Roterdã são os mais importantes festivais de cinema autorais e costumam influenciar na distribuição de filmes pelos mais diversos mercados. Sem falar que os selecionados ganham especial atenção da imprensa, o que também acarreta mais chances de indicações ao Oscar e outros prêmios.

Ao longo dos últimos anos a produção brasileira ficava à beira dos holofotes em relação aos demais países da América Latina. Filmes da Argentina, Chile, Venezuela, entre outros, ganharam especial atenção de festivais importantes ao passo que a filmografia brasileira se viu “esquecida”. Isso foi mudando aos poucos, iniciado com o enorme sucesso de Domésticas, de Gabriel Mascaro e O Som Ao Redor, de Kléber Mendonça Filho, que rodaram o mundo colecionando participações e prêmios em eventos. Mas o maior indicativo dessa nova fase veio com Cannes ano passado, hoje a maior vitrine do cinema de autor.

Berlim, 2017

A safra atual do cinema brasileiro está bem representada em Berlim, indicando diversidade de estilos narrativos e destacando produções fora do eixo Rio-SP.

Joaquim, de Marcelo Gomes, é uma superprodução pernambucana que conta a história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746-1792), um soldado do Império que se envolveu no que ficou conhecido como Inconfidência Mineira. O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 20 de abril.

Já o curta Estás Vendo Coisas foi feito originalmente para a 32ª Bienal de Arte de São Paulo e mostra a cena brega recifense. O curta fez parte da seleção do último Janela Internacional de Cinema do Recife.

Longas brasileiros marcam presença em outras mostras paralelas. A “Panorama”, a mais importante, traz Vazante, de Daniela Thomas, que vai abrir a competição. A seleção tem ainda Pendular, da carioca Julia Murat e o curta de animação Vênus – Filó, a Fadinha Lésbica, do mineiro Sávio Leite. Já a “Panorama Dokumente”, dedicada a documentários traz o novo de João Moreira Salles, No Intenso Agora.

A mostra Generation, de temática jovem, conta com Mulher do Pai, da gaúcha Cristiane Oliveira e Não Devore Meu Coração!, de Felipe Bragança. Na mostra Fórum, dedicada a trabalhos mais experimentais, está Rifle, de Davi Pretto, sucesso no último Festival de Brasília.

O Brasil tem uma boa relação com a Berlinale, tendo vencido duas vezez, em 1998 com Central do Brasil, de Walter Salles e Tropa de Elite, de José Padilha, em 2007. Em 2015 Anna Muylaert saiu com um prêmio da Confederação de Cinemas de Arte e Ensaio por Que Horas Ela Volta? e no ano seguinte venceu o Teddy, prêmio para filmes com temática LGBT pelo recente Mãe Só Há Uma.

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