Banda se apresenta no Recife em noite que traz ainda a paulista Céu e os pernambucanos da Seu Chico

A malemolência do Tropix (2016) de Céu se junta ao samba misturado com manguebit de Los Sebosos Postizos na noite deste sábado (26), no Baile Perfumado, zona oeste do Recife. Projeto paralelo dos músicos da Nação Zumbi, a Los Sebosos interpreta clássicos do carioca Jorge Ben Jor, da época em que o sambista ainda era só Jorge Ben. Mas esta não é a primeira vez que Céu divide palco com os pernambucanos. O encontro mais recente aconteceu no último mês, quando Céu e a Los Sebosos se apresentaram em Paris, durante a turnê da cantora.

O grupo é formado pelos pernambucanos Jorge Du Peixe (vocal), Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupillo (bateria e percussão), que também participou da produção do novo disco de Céu, o Tropix (linkar para). O projeto nasceu ainda nos anos 90, quando o grupo se juntava para tocar Jorge Ben no Recife, em shows batizados de “Noites do Ben”. Mas foi somente em 2012 que a iniciativa finalmente se tornou um álbum de estúdio.

O setlist da noite será clássico, com interpretações de “Rosa, Menina Rosa”, “Os Alquimistas Estão Chegando os Alquimistas”, “Quero esquecer você”, entre outros. Apesar disso, Jorge Du Peixe garante que outras músicas do sambistas irão compor o show.

Os shows terão início às 22h e os ingressos custam entre R$ 65 e R$ 110 e podem ser comprados online.

Batemos um papo por telefone com Jorge Du Peixe onde ele falou do atual momento da Los Sebozos e o que podemos esperar deste show.

Como foi que surgiu essa ideia de misturar o som de vocês, que já é inovador, com o samba de Jorge Ben?
A gente levou essa mistura para o palco em 1998, por aí, num lugar chamado Docas, ali perto da praça do Arsenal. Fazíamos a “Noite do Ben”, onde a gente tocava os clássicos e reunia muita gente legal. A partir daí, começou a surgir uma demanda muito grande e outras bandas surgiram fazendo versões de grandes artistas, como a Seu Chico, a Del Rey, que mexe com o som de Roberto Carlos. E isso é legal, é sempre divertido ver um artista mexendo com obras de outros artistas, vendo um artista pela impressão musical de outras bandas, acho isso interessante.

Mas a gente levava ao palco simplesmente o que a gente já tinha de referência, de influência, o que a gente já ouvia em casa. A gente deve levar para o palco o que a gente já ouvia em casa, isso dá sempre certo. É projeto é mais baseado na época de 60, 70 e vez ou outra a gente pega e faz uma nova versão das músicas, que não são covers, pois a ideia é dar uma modificada na música. É um repertório que não é nosso, mas a gente tenta trazer um pouco pra nossa perspectiva musical, claro que tendo todo o cuidado com a obra de Jorge Ben.

Então, antes mesmo de tocar a Los Sebosos, o som de vocês já recebia uma boa influência de Jorge Ben, não era?
Jorge Ben, com certeza. Ouvíamos muito, ouvíamos tudo, acho que lá pelos anos 90, foram relançados alguns títulos de Jorge Ben em CD e foi quando tivemos mais acesso. Nessa época, Chico Science do Nação Zumbi morou em Santa Teresa no Rio, e foi aí que tivemos acesso, então a gente ouviu muito. Principalmente os discos dos anos 60 e 70, sempre foram uma grande influência pra gente.

E como estão as expectativas para show do sábado aqui no Recife?
É sempre bom, são sempre as melhores possíveis. A gente não tem uma frequência nos shows de Los Sebosos, então sempre tem essa expectativa legal, e sempre levando um repertório com mudanças. Tem aquele repertório original, que é extenso e a gente toca desde a década de 90, mas a gente procura sempre somar.

E sobre tocar para o público recifense, estar de volta em casa, como é isso? É diferente de tocar para outro tipo de público?
É um público curioso, sempre muito assíduo, frequentes nos shows. A gente sempre identifica umas pessoas que estão sempre nos shows e tal. Quando se toca em casa, tem uma diferença, claro. A diferença é que a gente se sente um pouco mais à vontade, posso rever os amigos, antes e depois dos shows, isso é muito importante. E ver os amigos na plateia também, quem já acompanha a gente há muito tempo. Tocar em casa é a melhor coisa e sempre vai ser.

E você falou sobre sempre somar e trazer novidades no repertório, para o show deste sábado, vocês estão preparando algo novo?
É, a gente tá sempre alterando o setlist. Recentemente a gente tocou em Minas, num festival bem legal, no meio do mato, e sempre depois dos shows alguém sempre comenta ‘oh, toca tal música aí’ e na passagem do som, a gente sempre tá colocando algo diferente. Vamos dar uma ensaiada um dia antes em Recife, aí vamos incluir no repertório umas músicas que não tocamos há algum tempo já. “Hermes Trismegisto”, “O homem da gravata florida”, que é muito pedida nos shows e que não pode faltar. Essas que eu falei são do Tábua de Esmeralda, que é um clássico e nem sempre a gente pode tocar todo repertório desse disco, a gente tá levando mais algumas que não tocávamos há algum tempo.

Serviço
Céu, Los Sebosos Postizos e Seu Chico
Data: 26.08.17
Horário: 23h
Valor: R$ 110 (inteira), R$ 55 (meia), R$ 65 (social + 1kg de alimento)
Local: Baile Perfumado – R. Carlos Gomes, 390

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