Concurso dos Novos, com estudantes de todo o país, trouxeram renovado espírito transgressor da moda. Noite teve ainda nomes consagrados como Kalil Nepomuceno e Ivanovick

Da Revista O Grito!, de Fortaleza (CE)
Fotos por Jonatan Oliveira, para O Grito!

Uma noite de extremos. É assim que podemos classificar o terceiro dia de desfiles do Dragão Fashion Brasil 2018. De um lado, as exibições dos trabalhos dos estudantes de cursos de moda de várias partes do país; do outro, as apresentações das coleções de estilistas já consagrados. Embora nos dois lados, diante de seu contexto de produção, cada qual tenha se esforçado para levar para as passarelas o seu melhor, entre os primeiros, a marca dos desfiles foi a ousadia e o experimentalismo, enquanto entre nos nomes famosos prevaleceu a zona de conforto do requinte e looks clássicos.

O Concurso de Novos é um dos momentos mais interessantes do DFB, pelo que ele pode trazer de inusitado. O primeiro dia da disputa levou para a Sala 1 do Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza, turmas da Faculdade Ateneu (CE), Faculdade Santa Marcelina (SP), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e Senac Sergipe. Os trabalhos foram recebidos com carinho pelo público que lotou a sala como se estivesse diante de um desfile de um nome de sucesso.

Um dos looks da Faculdade Santa Marcelina, que competiu este ano.

Os estudantes da Ateneu apresentaram o projeto Chorume, inspirado no lixo da Ceasa, no cotidiano dos feirantes e do seus esforços para tocar a vida. As peças foram desenvolvidas a partir de sacas de junco, juta e ráfia, dando um revestimento rústico na coleção que explorou shapes com um toque oriental. Já a Santa Marcelina trouxe uma coleção elaborada com tecidos coloridos, dourados e de texturas diversas. As peças vestidas apenas por rapazes remetiam a um mundo fantástico e psicodélico. O IFRN apresentou a coleção intitulada Entrelaço, marcada pelo reuso do jeans como matéria prima e tecidos com corantes naturais. Por fim o Senac levou peças inspiradas na cultura popular do estado de Sergipe, com peças repletas de materiais coloridos e ao mesmo tempo com uma pegada política. Foi também a mais aplaudida.

Nos desfiles principais, a tônica foram trabalhos sofisticados, frutos de projetos requintados em que os conceitos usados buscaram se ajustar às exigências mais comerciais. O veterano Kalil Nepomuceno desenvolveu uma coleção que flerta com o romantismo e delineia as peças de roupas como se elas fossem aqueles papéis com estampas delicadas para neles se escreverem poemas e cartas de amor. No desfile, ele levou para a passarela uma cantora interpretando, ao vivo, canções de Amy Winehouse e, sem dúvida, sua apresentação como um todo emocionou a plateia. Ivanildo Nunes com sua coleção intitulada Cosmos, também revelou uma pesquisa refinada traduzida em vestidos glamourosos.

Outros desfiles da noite, porém menos impactantes, foram os de Ivanovick, com a coleção Alma Negra, inspirada na mistura da cultura negra com a nordestina; de Herculano Marques, que trouxe para o DFB peças em tecidos leves e coloridos com um look inspirado no dadaísmo; de Rebeca Sampaio, que manteve sua tradição do uso do couro com shapes fluidos e franzidos em tons terrosos; e de Jeferson Ribeiro, que apresentou uma coleção de peças de caimento leve e descontraído.

Para a última noite do DFB 2018 teremos mais quatro escolas de moda no Concurso dos Novos e alguns desfiles bem esperados pelos que acompanham o segmento da moda autoral, entre eles, Ronaldo Silvestre e David Lee, que é hoje uma das promessas da moda masculina.

O jornalista viajou a convite da organização do festival

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