Crítica: Estreia de Kelela está na dianteira da inovação do R&B
NOTA8.5

Tida como um dos principais nomes da renovação do R&B e soul, a cantora americana Kelela lança seu álbum de estreia após mixtapes e EPs hypados que a colocaram na dianteira da inovação em sua seara musical. Take Me Apart tem como principal inspiração a transição emocional da cantora após o fim de dois relacionamentos simultâneos. Por isso, o trabalho é marcado por letras de sofrência conduzidos por uma instrumentação cheia de detalhes, texturas e uso pouco usual de notas e timbres, o que já é conhecido por quem acompanha Kelela desde o início.

Já na abertura, “Frontline”, vemos que Kelela está alguns degraus acima em sua proposta de unir eletrônica e soul e faz isso de maneira tão delicada que nem percebemos o quanto ela está desconstruindo o gênero de uma maneira irreversível.

Nomes como Kelela, James Blake, FKA twigs, Moses Sumney e outros percorrem um caminho transformador que mostra que ainda é possível trazer novidades naquele R&B conhecido por acalentar românticos irrepreensíveis.

Take Me Apart, no entanto, dá um freio na ousadia estética de Kelela, que chega mais palatável e pop, mas não comedida. Ela ainda está na vanguarda, mas agora já sabe como se comunicar com um público ainda maior. Entre os seus colaboradores estão nomes como o venezuelano Arca e Ariel Rechtshaid.

Trilha de coração despedaçado, Take Me Apart valida uma das mais importantes artistas de R&B de sua geração (e uma das responsáveis por ainda manter o gênero relevante no pop hoje). Isso é muito.

KELELA
Take Me Apart
[Warp, 2017]
Produzido por Aaron David Ross, Al Shux, Arca, kwes., Terror Danjah e outros.

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