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TENSÃO POLÍTICA
Estréia do roteirista Tony Gilroy como diretor deixa espectador tenso até os créditos finais
Por Paulo Floro

O início de Conduta de Risco é caótico, fragmentado, abrindo margem para todo tipo de especulações e teorias. Uma narração do personagem de Tom Wilkinson, sem aparente nexo, sobrepostas a imagens de lugares corporativos vazios: salas de reunião, escritórios. Logo mais, Michael Clayton (George Clooney), dirige seu carro quando pára próximo a uma vale, onde vê três cavalos, que fogem quando o veículo explode. É desta maneira quase sobrenatural que o diretor Tony Gilroy dá início à trama do filme. Como se perceberá mais adiante, toda a narrativa é construída para transmitir ao espectador toda a confusão e complexidade da trama. O resultado, por vezes, ameaça engessar o andamento do filme, mas consegue se equilibrar.

Michael Clayton, o personagem-título (no original) é uma advogado com sérios problemas financeiros, instabilidade familiar e uma grande problema rondando sua vida. Este mesmo grande problema foi o responsável por levar à insanidade seu melhor amigo, Arthur, vivido por Tom Wilkinson, que trabalha no maior caso da empresa de advocacia que ambos trabalhavam. Por saber demais, Arthur logo será “apagado” para que não mais incomode. Não demora muito para que percebam que Clayton é também perigoso para encobrir os segredos da maior companhia de alimentos, a U-North.

O filme trata de relações corporativas, como muito já foi explorado em diversos outros filmes. O seu principal êxito, no entanto é mesmo o roteiro muito bem amarrado. Tony Gilroy, aqui em sua primeira experiência como diretor, é um roteirista renomado em Hollywood, responsável pelo texto de O Advogado do Diabo e a trilogia Bourne. Conduta de Risco é cheio de cortes, subjetividade e muito, muito diálogo. A forma como o roteiro é construído faz o filme correr para se transformar num suspense, que ao final, vai trazer redenção ao espectador, que tenso o tempo inteiro, montou o quebra-cabeças da trama. O final pode até ser um pouco afetado, forçado, um subterfúgio para dar um toque moralista ao enredo. Mas, isso não compromete o resultado, sobretudo após a enigmática e bela cena final, já com os créditos subindo.

A atuação dos atores abrilhantou o filme. Gilroy não podia contar com um time melhor para dar interpretar seus personagens cheios de nuances quase imperceptíveis. conduta-de-risco-poster05.jpgGeorge Clooney ainda não encontrou um papel que o distancie daquilo que seu público espera dele, mas sua sensualidade e fala firme serviram bem ao filme. Destaque também para a indicada a melhor atriz coadjuvante Tilda Swinton, no papel de uma advogada que oscila entre a temeridade e a falta de escrúpulos.

Apesar de ainda muito focado nos esquemas narrativos do suspense hollywoodiano, Conduta de Risco avança alguns passos no gênero e une conceitos artísticos de certa forma ousados ao velho thriller político.

CONDUTA DE RISCO
Tony Gilroy
(Michael Clayton, EUA, 2007)

NOTA: 7,5

OSCAR 2008

Melhor Direção
Melhor Roteiro Original
Melhor Ator (George Clooney)
Melhor Ator Coadjuvante (Tom Wilkinson)
Melhor Atriz Coadjuvante (Tilda Swinton)
Melhor Trilha Sonora

 

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