Destaques: Música

As 50 Melhores Músicas de 2016


O ano de 2016 serviu para mandar diretas. Artistas e bandas usaram o espaço privilegiado que é a música para tratar de temas que mexeram com todxs nós este ano. Ou somente como uma trilha sonora para este 2016 tão doido, imprevisível, melancólico, raivoso e estranho. Tudo pareceu intenso no ano que passou: a música pop nunca foi tão política, vimos David Bowie ir embora em uma saída de cena orquestrada, o rap atingiu níveis ainda mais altos de inovação, o Radiohead voltou com aquele mistério de sempre e até Frank Ocean decidiu sair da reclusão pra lançar o seu disco mais vulnerável.

Estas são as nossas escolhas das melhores músicas do ano. Unindo brasileiros e gringos, acreditamos que é uma lista que fala bastante sobre esse ano que passou e que, por isso mesmo, é histórica ao seu modo. Todas as posições trazem links para audição em streaming e, ao final do post, uma playlist para ouvir no Spotify. Veja aqui a lista de Melhores Discos de 2016.

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50
Porches – “Be Apart”

A banda de Aaron Maine iniciou o ano com esse single hipnótico que traz batidas dançantes e uma letra sacada sobre isolamento. Indie rock dos bons.

49
Alicia Keys – “In Common”

Alicia Keys se reinventou este ano e retornou com um disco cheio de bons hits (e ótimas letras) ao mesmo tempo em que mandou uma mensagem forte sobre corpo e empoderamento.

48
KAYTRANADA – “LITE SPOTS”

O produtor Kaytranada, todo esperto, pegou Gal Costa tropicalista de “Pontos de Luz” e deu um banho de electro e funk neste som que resume bem a proposta “tô na pista” de seu disco 99,9%.

47
Car Seat Headrest – “Drunk Drivers/Killer Whales”

O mundo depositou nos jovens do Car Seat Headrest a esperança em uma ótima nova era para o rock alternativo e eles responderam à altura. “Drunk Drivers/Killer Whales” é o melhor single do ótimo (e tenso) Teens Of Denial.

46
Rae Sremmurd com Gucci Mane – “Black Beatles”

Nesta era do conservadorismo crescente e racismo saído do armário, “Black Beatles” é um tiro na cara. A dupla Rae Sremmurd provocam com essa música que faz referência ao maior quarteto de artistas brancos da história da música pop em uma batida viciante e que só dois garotos sem dever nada a ninguém conseguiriam fazer.

45
D.R.A.M. com Lil Yachty – “Broccoli”

D.R.A.M. (nome artístico de Shelley Marshaun Massenburg-Smith) pegou com o feijão com arroz do rap e resumiu tudo em uma festa, o que remete aos primórdios do movimento hip hop. A sua estreia em disco areja o gênero que vê nascer nomes com apelo pop e carismáticos como ele.

44
Larissa Luz – “Bonecas Pretas”

Larissa Luz pergunta onde estão as bonecas pretas. Hino da representação racial, esta faixa dançante bate de frente contra o preconceito do mercado e da sociedade em geral.

43
Jessy Lanza – “It Means I Love You”

Jessy Lanza é essa incógnita no pop. Essa música esquisitíssima é uma boa trilha para os momentos mais transtornados de 2016. Batida repetitiva, eletrizante e com um vocal que soa como uma música infantil, “It Means I Love You” ousa provocar padrões caretas da cartilha da música pop. Funcionou.

42
Rashid com Criolo – “Homem do Mundo”

Rashid, revelação do hip hop BR, veio com um disco cheio de mensagens positivas, aqui com participação de Criolo. A faixa promove o benéfico encontro do rap com pop romântico nacional.

41
Jamila Woods – “Blk Girl Soldier”

Jamila Woods mandou este ano essa direta na cara que mostra o quão potente poder ser o R&B ao falar de militarismo e preconceito racial. HEAVN, álbum de estreia de Jamila, merece ser ouvido na íntegra.

40
Sia – “Cheap Thrills”

Há dois anos nos acostumamos com Sia lançando um hit atrás do outro (desde 1000 Forms Of Fear ela tomou o mundo de assalto). “Cheap Thrills” traz a sua fórmula consagrada de compor mostrando que ela segue no auge criativo.

39
Leonard Cohen – “You Want It Darker”

O tom de voz e os arranjos de “You Want It Darker” são tão pesados quanto a letra e fazem parte de um dos trabalhos mais importantes do músico que morreu este ano.

38
James Blake – “Always”

James Blake fez o seu disco mais pessoal com esse Color In Anything. “Always” traz os trejeitos de produção que tanto amamos em Blake, como as batidas quebradas, a voz modificada e o drama (muito drama).

37
Céu – “Varanda Suspensa”

Céu celebra de maneira nada óbvia a tropicalidade latino-americana nesta faixa que faz parte de um dos melhores discos de sua carreira, Tropix.

36
Tassia Reis com Stefanie – “Da Lama / Afrontamento”

Parte da renovação do rap nacional hoje, Tássia Reis lançou um dos melhores discos do gênero com letras que tratam de questões urgentes, como o preconceito racial no Brasil e a violência contra a mulher. “Da Lama / Afrontamento” trata de superar provações, algo que está na gênese do movimento hip hop.

35
A$AP Ferg com Missy Elliott – “Strive”

O A$AP Ferg abraçou o batidão com essa faixa ao lado de ninguém menos que Missy Elliott, mestra do rap festeiro.

34
Ana Tijoux com Celso Pina – “Calaveritas”

A chilena Ana Tinoux foi bem além do rap, seara que já domina e da qual é ícone no continente latino-americano, para abraçar sonoridades tradicionais do México nesta delicada “Calaveritas”. Que venha novo disco em 2017!

33
Ariana Grande – “Into You”

Das cantoras de sua geração Ariana Grande faz hoje um dos sons mais interessantes, com abertura para elementos mais ousados de produção e um estilo despojado. “Into You” congrega tudo o que uma boa faixa pop deve ter ao mesmo tempo em que se apega a padrões do gênero.

32
The 1975 – “The Sound”

O encontro do indie-rock com o pop do The 1975 deu bem certo e o disco I Like It When You Sleep, for You Are So Beautiful yet So Unaware of It chegou cheio de hits, como essa irrepreensível “The Sound”.

31
Liniker com Aeromoças e Tenistas Russas e Tássia Reis – “BoxOkê”

O soul de Liniker ficou ainda mais encorpado com essa dançante faixa que é um belo cartão de visita para o som da banda.

30
Fifth Harmont com Ty Dolla $ign – “Work From Home”

Cada década tem sua girl band representativa e os anos 10 são a cara das Fifth Harmony. “Work From Home” é puro batidão bate-cabelo e tem uma produção tão instantaneamente viciante que ignorá-la seria injusto com o som de 2016. O ano inclusive foi duro com as 5h, que viveram tretas momentos conturbados com a saída de uma de suas integrantes.

29
Common com BJ The Chicago Kid – “The Day Women Took Over”

Common fez um disco para celebrar a cultura afroamericana e também para comentar questões raciais nos EUA hoje, mas tudo com um tom otimista, de esperança. “The Day Women Took Over”, com BJ The Chicago Kid é uma das faixas mais belas do disco.

28
Helado Negro – “Transmission Listen”

O Helado Negro (codinome de Roberto Lange) é um dos segredos mais bem guardados do pop experimental. A cada disco o produtor norte-americano desenvolve novas sonoridades a partir do rock, eletrônica e ritmos latinos.

27
Drake com WizKid e Kyla – “One Dance”

Um dos maiores hitmakers de nosso tempo Drake não poderia deixar 2016 passar sem sua marca. “One Dance” é mais um clássico de seu típico cancioneiro rapper: dançante, escapista e todo sofisticado. Pode mandar mais.

26
Frank Ocean – “Nikes

“Nikes” abre o disco Blonde, retorno de Ocean após quatro longos anos de espera. Com voz de hélio e cheio de arranjos nada convencionais a faixa é uma miríade de emoções reforçadas pela interpretação inspirada do músico.

25
Done Onete – “Banzeiro”

Dona Onete, heroína da música do Pará, lançou um ótimo disco este ano, que dá nome a essa faixa. É a típica trilha para uma boa festa no Norte, celebratória de nossa cultura, mas moderna e instigante como toda boa novidade.

24
Kamaiyah – “Come Back”

Kamaiyah é uma das mais gratas surpresas do hip hop hoje e seu disco A Good Night In The Ghetto é um pequeno clássico que remete às origens do rap e traz autenticidade para falar de temas bem cotidianos da quebrada.

23
Kedr Livanskiy – “Razrushitelniy Krug (Destructive Cycle)

A misteriosa cantora russa Kedr Livanskiy surpreendeu com esse dance soturno sem dizer muito e ainda hoje estamos a googlar detalhes sobre sua história, produção e temas. O fato de cantar em seu idioma original e manter-se reclusa aumenta o interesse por ele, que soa autêntica e fiel a um estilo desprendido de qualquer tendência no pop e na eletrônica hoje.

22
Mitski – “Your Best American Girl”

Nascida no Japão, mas de família nipo-americana, Mitski Miyawaki trata com ironia dos sentimentos do estrangeiro hoje na sociedade norte-americana. “Your Best American Girl”, com sua cadência passivo-agressiva, reflete bem essa questão.

21
Mahmundi – “Azul”

Mahmundi é bem representativa da ótima fase que vive a música pop no Brasil hoje e “Azul” é uma das melhores faixas de seu álbum de estreia, repleto de bons hits.

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20
Angel Olsen – “Shut Up Kiss Me”

Angel Olsen é uma das melhores compositoras de sua geração e une o folk e o indie-rock para tratar da complicação que são as relações humanas.

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19
Danny Brown – “Really Doe”

Danny Brown lançou o melhor trabalho de sua carreira até aqui, Atrocity Exhibition, da qual a nervosa, tensa e pesada “Really Doe” é o melhor exemplar.

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18
M.I.A. – “Go Off”

M.I.A. pode ter decepcionado com seu novo disco após tanta expectativa, mas há muito daquela M.I.A. inovadora e ousada esteticamente que aprendemos a curtir nesse álbum. Um exemplo é essa “Go Off”, produzida por ela ao lado de Skrillex.

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17
Kendrick Lamar – “untitled 07 levitate”

Kendrick Lamar deu nova roupagem para as faixas tocadas por ele ao vivo em apresentações e aparições públicas. “Levitate”, que acabou virando single, trata diretamente de resistência e vem aos poucos sendo um dos hinos da comunidade negra norte-americana e sua luta contra o racismo.

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16
Chance The Rapper com Lil Wayne e 2 Chainz – “No Problem”

“No Problem” é o recado de Chance The Rapper, hoje um dos mais inovadores rappers do momento, para as gravadoras. Seu modo de trabalhar e distribuir vai de encontro a modelos de negócios já saturados. Sem lançar um único disco de estúdio até agora ele vai construindo sua carreira através de mixtapes sempre aclamadas.

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15
Beyoncé – “Formation”

“Formation” tornou-se o hino pop para a resistência da comunidade negra contra injustiças e também é um dos mais sofisticados trabalhos de Beyoncé até aqui.

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14
Anderson. Paak com ScHoolboy Q – “Am I Wrong”

Revelação do R&B, Anderson junta no mesmo bolo soul, rap, jazz clássico e funk, tudo com malemolência. “Am I Wrong” é a melhor faixa de seu novo disco, que é recheado de hits.

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13
Rihanna com Drake – “Work”

Que ano Rihanna teve esse ano! Seu disco ANTI mostrou que ela está disposta a sair da zona de conforto em um disco arriscado e ousado. “Work” faz parte da sua coleção de hits batidão com apelo para as pistas e aqui contou com a participação de Drake.

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12
David Bowie – “Lazarus”

David Bowie nos deu a honra de assistir sua partida como parte de um último ato artístico. “Lazarus”, ficamos sabendo depois, é sua despedida, saída de cena. Inspirado como nunca, Bowie falou de vida, arte e morte em uma faixa que entra para seus clássicos.

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11
Blood Orange – “Augustine”

“Augustine” traz Dev Haynes lembrando de episódios do passado de sua família ao mesmo em que celebra a comunidade negra de sua geração. Um dos trabalhos mais bonitos do ótimo Freetown Sound.

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10
Kanye West – “Ultralight Beam”

Só mesmo Kanye West para misturar gospel, com direito a coro e pregação em uma das mais grandiloquentes faixas do rap este ano. Qualquer expectativa aqui é frustrada nesta que é uma das músicas mais ousadas de West até hoje.

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Sabotage com DJ Cia – “País da Fome: Homens Animais”

O disco póstumo de Sabotage conseguiu produzir clássicos do rapper como essa “País da Fome: Homens Animais”, que soa incrivelmente atual.

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08
BaianaSystem – “Duas Cidades”

O BaianaSystem comenta a especulação imobiliária e segregação social em Salvador nesta que é uma das melhores faixas de seu novo disco.

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07
ANOHNI – “Drone Bomb Me”

ANOHNI retornou este ano com um disco ativista dos direitos das pessoas e do meio ambiente. Esta música em específico vai fundo contra a atuação dos EUA em conflitos ao redor do mundo, o que sempre acaba prejudicando as populações locais.

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06
Radiohead – “Burn The Witch”

“Burn The Witch” resgata a vocação do Radiohead para o rock pesado e cheio de camadas, tocado bem rápido e com a interpretação de Thom Yorke no limite. É uma das melhores faixas de A Moon Shaped Pool.

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Frank Ocean com Beyoncé – “Pink + White”

Essa participação “secreta” de Beyoncé, não creditada inicialmente, só tornou essa faixa ainda mais incrível. Prova da introspecção de Ocean, “Pink + White” é delicada e harmoniosa e conta com uma das interpretações mais emotivas do cantor. A participação de Beyoncé, com um vocal quase feérico, deu um tom transcendental ao resultado final.

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04
Solange – “Cranes In The Sky”

Solange cantou as dores da mulher negra invisibilizada na sociedade nesta canção que, mesmo com seu tom suave de apelo soul, traz uma poética dura sobre o cotidiano de muitas pessoas.

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03
Céu – “Amor Pixelado”

Céu decidiu apostar na eletrônica neste seu novo disco Tropix. “Amor Pixelado” reforça sua posição de cantora mais original da música brasileira hoje e a que mais experimenta em unir ritmos latinos, reggae e rock com tendências musicais. Sem falar de sua voz e interpretação, únicas.

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02
A Tribe Called Quest – “We The People…”

“We The People…” traz muitas questões urgentes em pouco tempo, mas sua mensagem é clara: as pessoas não irão mais aguentar passivas. Com ironia, a banda, que é bastante ativista das questões raciais nos EUA, comenta o tratamento desigual reservado aos negros, pobres, gays e imigrantes na América atual. 18 anos depois, o Tribe Called Quest chega para nos inspirar e instigar a resistir.

Foto via BET Awards.

Foto via BET Awards.

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Beyoncé com Kendrick Lamar – “Freedom”

“Freedom” é a faixa mais importante de 2016 por diversos motivos: é cantada por dois maiores músicos de nosso tempo, tem uma produção sofisticada e cativa desde os primeiros segundos. Mas sua importância maior é o fato de ser histórica em seu intuito de soar como um hino pop contra as injustiças sociais cometidas à comunidade negra. Sua letra chega para engrossar o coro do movimento Black Lives Matter que combate o racismo institucionalizado nos EUA. Em um ano em que racistas e misóginos como Donald Trump foi eleito presidente dos EUA e a escalada de ódio ganha proporções ainda maiores em países como o Brasil fica claro o quanto precisamos de artistas como Beyoncé e Kendrick Lamar.

Ouça a playlist:


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