TUDO COMEÇOU NA CASINHA
Com sátiras em humor autobiográfico, Pablo Carranza ganha o mundo das tirinhas
Por Lidianne Andrade

Todo mundo na infância já desenhou uma casinha com uma árvore do lado e, às vezes, com um balanço na planta. O começo de todo bom desenhista é igual, a diferença fica na escolha e, a partir daí, continuar desenhando casinhas ou partir para apartamentos e castelos. “Você nunca desenhou aquela casinha fubeca com uma arvorezinha, lixeira e um sol deprimente e pintou tudo de lápis de cor? Foi assim que comecei”, conta o desenhista sergipano Pablo Carranza, em entrevista ao Grito!.

Fazendo parte dos nomes de ilustradores autorais do País, Pablo, com 23 anos, produz tiras com roteiro próprio e de acordo com a sua inspiração. A arte é em papel e nanquim (tinta para canetas próprias para desenho), posteriormente coberta com aquarela ou raramente em Photoshop. Sua temática usual é o cômico, sempre aplicando ao cotidiano. “Adoro o humor e tudo na minha cabeça tem uma tirada engraçada. Penso, vou lá e desenho”, explica. Suas tiras quase diárias publicadas no site www.pablocarranza.com trazem um pouco do seu dia a dia.

Faz parte do portifolio de Carranza ilustrações para jornais, como o Jornal Cinform, semanal de Sergipe, no qual fez parte por pouco mais de um ano e também publicou suas tiras. “Ilustrava uma coluna de empregos. O factual é legal, trabalhar com o cotidiano, algo mais dinâmico e tinha liberdade de ser do meu jeito de acordo com o tema. Eu gosto é de desenhar, seja o que for!”, comenta.

Movido pela arte
Formado em publicidade, o desenhista descobriu que sua área não é qualquer uma aplicada ao desenho, mas desenhar. “Não gosto da palavra storyboard e todas as outras palavras em inglês usadas no meio publicitário. Nao gosto desses bam bam bam de publicidade, eles se acham demais, não era o meu lugar”, comenta Pablo. “Minha área nao é aquela, entao parti para meu caminho”, declara o artista, até agora sem arrependimentos.

Da escolha pela ilustração conseguiu bons frutos. Já traz premiações de renome como o primeiro lugar no Salão da Unimep (em sua época de universitário), e segundo lugar no Sala de Humor de Piracicaba, este com uma história cômica. “Como me inscrevi de Aracajú, a organização não me esperava subir no palco pra pegar o troféu. Tomei um susto quando escutei meu nome e eles tomaram um susto quando subi ao palco. Já tinham até passado para outro prêmio!”, conta aos risos.

Carranza está atualmente montando um portifólio mais amplo em ilustrações para angariar projetos, uma alavanca pessoal. Tem idéias para um fanzine, mas ainda em prospecção. Mudança de endereço novamente? Nem tão cedo! “Todo mundo diz para me mudar para o Rio, mas aqui(SP, onde mora há quase ano) é melhor profissionalmente. Por enquanto, mudo apenas de bairro, não de Estado nem profissão”, brinca.

O sonho de Pablo é igual ao de muitos da cena independente nacional: viver de quadrinhos, ainda não alcançado. “Meu objetivo é como todos dessa área: poder publicar livros, revistas, entre outros, com as minhas ideias, sem ter que fazer o que pedem e pagam. Poder pagar as contas com a arte”, diz.

Para conseguir tal intento, o alagoano deixou a terra natal para morar no bairro de Vila Mariana, em São Paulo, dividindo apartamento com dois amigos também de Aracajú. A mudança já trouxe saldo positivo, com um contrato para ilustrar livros técnicos e didáticos para um centro de estudos carioca. “Estou em busca de mais, sempre melhorando e aprendendo”, declara Pablo.

CONFIRA ABAIXO ALGUMAS TIRAS DO PABLO CARRANZA

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