Galo da Madrugada 2009 (Foto: Divulgação)

Mais under do que ground – lixo e lama na ressaca do Galo

Quatro horas da tarde do Sábado de Zé Pereira, o Galo da Madrugada já estava ensopado dentro do lixo. Era a ressaca do – como os pernambucanos gostam de frisar sempre – o maior bloco de Carnaval do mundo. Tinha perto de 1 milhão de meio de pessoas, informa a Polícia Militar, em números ainda não definitivos. Encarei com medo o turbilhão de pessoas que tentavam se evadir por todas as ruas. No meio da Av. Guararapes, o foco do desfile, caía uma chuva fraca, mas constante. Tínhamos que chutar a lama o tempo inteiro.

Nas ruas adjacentes e próximo à Praça do Diário – tradicional ponto de prostitutas, em frente à antiga sede do Diário de Pernambuco – pessoas improvisavam um palco, cantando música brega. Duas mulheres estavam de biquini e uma deles começou a mostrar os peitos. Homens jogavam cerveja em cima dela. Policiais assistiam tudo com fleuma. Alguns metros dali, na Rua da Concórdia, homens malhados, coroas e garotos fantasiados flanavam pelas calçadas, utilizada como mijador e espaço de convivência. Era incrível o “network” ali, à vista de todos.

Antes de chegarmos à Conde da Boa Vista, começou o toró. O lixo era empurrado sobre os pés. Ao lado das barricadas de madeira que protegiam as lojas, uma mulher imensa desmaiou, mas ninguém parou de frevar. Ensopada, vestindo apenas um biquini, teve que ser deitada por sobre o lixo. “Cuidado com os cacos de vidro, fulana”, gritava uma mulher ao lado, desesperada. Mais perto do meio da Boa Vista, uma confluência de carrocinhas de isopor de cerveja cresceu em tensão, até que dois homens derrubaram o isopor de um terceiro, destruindo todo o conteúdo e arrastando gelo e latas pelo lixo e lama que se alastrava. A chuva engrossou e começou a juntar gente pela briga que ameaçava se formar.

Os camarotes já começavam a esvaziar, as ruas também estavam mais arejadas de gente. A cota de submundo do Galo, que a Globeleza nem O Melhor Carnaval mostram já tinha me esgotado – e ensopado por aquele dia. Melhor mesmo era partir pro Rec Beat, para mais uma sessão de toró.

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